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segunda-feira, 23 de outubro, 2006
Deriva tectónica

1. O governo quer aumentar 6% na tarifa da electricidade… Como fazê-lo sem causar ondas ? No tempo de Sampaio & Santana, o escândalo, a roçar a provocação, teria levado à queda do Governo. Exige-se agora, à cautela, solução engenhosa: um secretário de estado qualquer ameaça com 15% e uma anedota e depois entra em cena um ministro para recuar no aumento, para os desejados 6%. O que fica, é um gesto de boa vontade. Respiramos de alívio, estamos todos agradecidos.
2. Somos as Afinsas dos bancos. Os empréstimos bancários a que todos estamos inevitavelmente agarrados não são mais que investimentos que fazem em nós, nos nossos vencimentos, no nosso trabalho, com o elevado retorno que os juros do crédito hipotecário, do cartão de crédito, do crédito ao consumo, garantem. Ainda assim, a boa fé e a boa vontade de Sócrates é imensa para quem nos explora. Perdoa milhões em dívidas de IRC à banca nacional, a banca que em tempos de crise é sempre quem mais lucra. A comprová-lo, as receitas astronómicas do ano transacto, a grande ebulição que se vive neste apetecível sector para os grandes tubarões, onde todos são potenciais compradores e alvos de compra.
3. Os ministros pretendem auto aumentar-se e legisla-se nesse sentido. 6% é o número desejado, quiçá para fazer face ao aumento da electricidade. Para a função pública e por arrasto para o privado, pouco mais que 1%, e já é com muito boa vontade.
*
A sorte do governo é não haver mato em Portugal. Ardeu tudo, senão fazia-se guerra de guerrilha ou não seja Portugal o mais sul-americano país europeu. Aquando da separação das placas continentais há cerca de 200 milhões de anos, só por lamentável lapso deixamos a Pagea e viemos atrás da Europa… e continuamos.

Publicado por jorge b pelas 07:19 PM | Comentários (0)
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quarta-feira, 21 de junho, 2006
Floribela

Floribela como conteúdo televisivo é autêntico lixo mas, louve-se, lixo da mais alta qualidade. Trata-se de um cruzamento perfeito entre a história da Cinderela e a típica telenovela colombiana, comandada por Luciana Abreu, uma actriz acabada de chegar da Aldeia da Roupa Branca, uma daquelas personagens que entrou no Pátio das Cantigas, posta em hibernação e que agora renasceu.
O fenómeno Floribela deve pois ser integrado num conjunto de fenómenos que claramente manifestam um revivalismo pela cultura do Estado Novo. O 25 de Abril parece ter criado um vazio mal digerido e que urgia preencher. Veja-se por isso a cada vez maior vitalidade das marchas populares, o renascer fulgurante das tradicionais noivas de Santo António, a continuidade do fenómeno alienante de Fátima ou a eleição de Cavaco Silva para presidente…

Publicado por jorge b pelas 10:19 AM | Comentários (16)
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quarta-feira, 29 de março, 2006
Simplex com sabor

Sócrates baptizou o seu programa de trezentas e tal medidas de desburocratização recorrendo a uma preposição latina, o “ex” que fundido com “simples” resulta “Simplex”. Podia ter sido pior. Podia ter fundido um hieróglifo com uma pintura rupestre para denominar um programa que se quer moderno e de ruptura com as normas arcaicas que emperram a máquina administrativa. Foi buscar inspiração à milenar língua dos romanos talvez porque, é sabido, os gajos eram uns grandes malucos… Mas só depois do horário do expediente. Esqueceu-se que das 9 ás 18 os romanos eram maníacos da organização e da burocracia. O Direito actual tem a sua génese no direito romano que após séculos e séculos de depuração continua tão macarrónico como no primeiro dia.
Felizmente o nome “Simplex” soa igualmente a preservativo concorrente do “Durex” e remete-nos para a ideia de que é preciso não emprenhar mais a administração pública porque já há demasiada gente a mamar à conta da burocracia. Neste sentido, Sócrates foi mais uma vez feliz.

Publicado por jorge b pelas 10:26 AM | Comentários (0)
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segunda-feira, 20 de março, 2006
Carros, gravatas e croquetes

O PSD deixou escapar uma oportunidade preciosa para mudar de Marques Mendes. A receita era simples, envolvia apenas uma pequena habilidade de marketing, mas suficiente para dar uma mística de sucesso a um novo líder, essa mística que falta a Mendes. Quem não se lembra da inesquecível história de Cavaco, o homem que queria apenas ir fazer a rodagem ao carro novo e olha, acabou primeiro ministro. Brilhante não é ? Bastaria pois a um Meneses dizer no final do congresso qualquer coisa como “Estava a comer uma francesinha quando fiquei com uma nódoa na gravata. Como sei que o Mendes anda sempre com um tira-nódoas no bolso, lembrei-me de passar pelo congresso e olha, agora sou o líder!” Uma transição com muito nível. Por exemplo, uma Ferreira Leite, “Estava em casa e não tinha nada para petiscar. Lembrei-me de passar pelo congresso para comer uns croquetes e olha, agora sou a líder.”
A malta gosta destes acasos do destino e premeia-os, estes rasgos de sorte e inspiração que toda a gente persegue quando preenche os totolotos. E se a Cavaco saiu-lhe a lotaria, já Marques Mendes parece ser daqueles que toda a vida andou a juntar os tostões para ser apenas um remediado. Um produto político pré-fabricado com demasiado cuidado e não espontâneo, como devia parecer.

Publicado por jorge b pelas 05:21 PM | Comentários (0)
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quarta-feira, 15 de março, 2006
Sem licitações

Notícia de ultíma página do Expresso, ainda o caso do famigerado carro camarário de Santana Lopes. Num país civilizado, ou o Carmona passava a andar de transportes públicos ou tinha que explicar muito bem explicado porque razão quer vender por uma bagatela um topo de gama que, quando se dá á chave, funciona.

Publicado por jorge b pelas 01:42 PM | Comentários (0)
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quinta-feira, 23 de fevereiro, 2006
Discriminação

Há milhares e milhares de pessoas para quem os aumentos do gás, da gasolina, etc, não se fazem sentir. Gente que ganha bem, que não é tão minoria quanto isso e que merecia mais respeito, representatividade.
Cada vez que se verifica um aumento qualquer, os repórteres que saem à rua apenas recolhem o testemunho de gente descontente. Essa gente deprimente, sempre a contar os tostões e as décimas dos aumentos, que não está bem na vida mas que fica bem nos telejornais. Os outros são sempre esquecidos, esses incómodos. Valha-mos que entre esses eternos descontentes com direito a tempo de antena, ainda há bom senso. Ninguém confessa que por causa do último aumento da luz, deixará de pedir um empréstimo para o telemóvel 3G ou para ir a Cuba fazer turismo de caridade no próximo Verão.

Publicado por jorge b pelas 07:05 PM | Comentários (1)
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Sócrates, sgPS

Sócrates está, com grande competência, a transformar o país numa empresa. Numa nação S.A. onde qualquer um se pode despedir, encher-se de ânimo e procurar um país para viver.

Publicado por jorge b pelas 06:12 PM | Comentários (1)
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sexta-feira, 10 de fevereiro, 2006
O consumismo dos ricos

Pode ser mais um caso sério de sobre-endividamento, tão comum nas famílias portuguesas. A Sonae de Belmiro tem dívidas no montante de 19 biliões de euros e pretende comprar a PT, um grupo quatro vezes maior, por 11 biliões. Proporcionalmente, não somos tão diferentes assim, eu e o Belmiro. Embora eu já me contentasse com um Civic dos novos.
*
Os elogios á façanha de Belmiro têm vindo um pouco de todo o lado. Incompreensíveis. Esquecem-se que serão euros espanhóis a entrar no negócio, via Santader, e serão euros PT a entrar para Espanha, via Santander. E dado o montante envolvido na operação, vários biliões de euros, a "coragem" de Belmiro vai com certeza pagar-se bem, em cinco anos, ao que parece, com muitos juros, claro. Glória pois, ao Santander!

Publicado por jorge b pelas 05:20 PM | Comentários (0)
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quinta-feira, 5 de janeiro, 2006
Senhor da grande demagogia

Oiço Jerónimo denunciar que são os "senhores do grande capital" que apoiam Cavaco... Continuam pois a ser estes os grandes Papões para o PCP. Jerónimo não compreende a inevitabilidade, ou não quer compreender, que entre aqueles "senhores", mas que falam português, e outros ainda mais poderosos mas com outros idiomas, não existe alternativa. Só o "grande capital" poderá propocionar o 'progresso' que o povo quer. Portanto, mas só mesmo pelo amor à pátria, antes os primeiros "senhores", ainda que alguns já com sotaque castelhano.

Publicado por jorge b pelas 07:02 PM | Comentários (0)
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terça-feira, 20 de dezembro, 2005
Negras nódoas à presidência

O repetente Marocas foi já beneficiado uma vez em 1986, na Marinha Grande, quando foi alvo da ira de perigosos terroristas populares que se escondiam sob a capa de pacatos e desesperados trabalhadores da falida indústria vidreira. As cenas de pugilato tentado teriam então contribuído decisivamente para a eleição do Bochechas, ao provocarem a indignação geral da populaça que se solidarizou depois na urna, espicaçada pelos papalvos de serviço.
Teme-se que o pior volte a acontecer. Após esse autêntico “atentado à democracia” (Jerónimo dixit), com o ‘homem da boina da tropa’ a tentar ir ao focinho a Soares, segundo uma sondagem do Expresso, agora o avozinho já ultrapassa e leva grande vantagem sobre Alegre.
Cavaco começa a ter sérios motivos para ficar preocupado. É que não tem cara sequer para levar um estalo. Soares, pelo contrário, se no início do ano apanhar com mais uma cabeçada de um peixeiro qualquer, tem a presidência no papo.

Publicado por jorge b pelas 02:36 PM | Comentários (0)
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sexta-feira, 11 de novembro, 2005
Mudos

Soares e Jerónimo falam falam, mas principalmente falam que Cavaco não fala. Acaso já lhes terá ocorrido que Cavaco, tal como eles, não terá nada para dizer ? E isso, tem que se respeitar!

Publicado por jorge b pelas 09:35 AM | Comentários (0)
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quarta-feira, 9 de novembro, 2005
PCP - Partido Consumista Português

Com o Natal à porta, a propaganda justifica-se: "Melhores salários" e "Maior poder de compra", são estas as palavras de ordem da mais recente campanha out-door dos comunistas. Que é como quem diz, GANHAR MAIS para GASTAR MAIS... para o bem estar de quem VENDE, naturalmente. E quem produz e vende ? O GRANDE Capital, que agradece a inesperada ajudinha. É o comunismo rendido à logica de auto ajuda consumista.

Publicado por jorge b pelas 10:10 AM | Comentários (0)
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sexta-feira, 21 de outubro, 2005
O estável Cavaco

Cavaco deu finalmente a cara e pouco mais. Mas a multidão, que se acotovelou para ver e empurrar o professor, ainda assim estava entusiasmada. A multidão, entenda-se, jornalistas, fotógrafos e cameramens.
Embora houvesse também gente anónima de sítios tão longínquos como Vila Nova de Famalicão ou Brasil, não havia ninguém de sítios tão reais como Baixa da Banheira ou Rio de Mouro, por exemplo. E isto foi o mais significativo do directo em simultaneo dos canais de televisão, ontem á noite.
Com Cavaco, Portugal terá estabilidade. As pessoas, não.

Publicado por jorge b pelas 09:48 AM | Comentários (0)
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quarta-feira, 12 de outubro, 2005
Diseased Marocas

O botão fica localizado no ouvido esquerdo mas encrava com muita frequencia.Já não consegue disfarçar. Mário Soares sofre de candidatura. Mas daquela bera, incurável e obsessiva-compulsiva.

Publicado por jorge b pelas 11:30 PM | Comentários (0)
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terça-feira, 4 de outubro, 2005
Poema eleitoral

Contra Lisboa, votar.

A Felgueiras,
é só peneiras.
E o Avelino,
não tem tino.

Contra Lisboa, votar.

A lata do Valentim,
não tem fim.
E o Isaltino,
p'ra ganhar faz o pino.

Contra Lisboa, votar.

Fátima, Valentim, Avelino,
Até Isaltino vai ser eleito.
Vai ser a vingança do povinho,
Que não merece qualquer respeito.

Contra Lisboa, votar.

Publicado por jorge b pelas 09:05 AM | Comentários (0)
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terça-feira, 27 de setembro, 2005
"Abre tu boca"

Um repórter da rádio entrevista um reformado ali para as bandas de Elvas, que recorda com saudade aqueles bons velhos tempos de sadio contrabando. E o que se contrabandeava então ?
"Para Espanha levávamos café, ovos, chouriços e barras de sabão. De Espanha trazíamos cognac, tabaco e chocolates." Está certo. Exportávamos produtos alimentares e de higiene, importávamos cirrose, cancro do pulmão e diabetes. Agora importamos médicos espanhóis.

Publicado por jorge b pelas 10:38 AM | Comentários (0)
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quinta-feira, 22 de setembro, 2005
Silogismo lusitano

Nós protegemos a Lei.
A Lei protege Fátima Felgueiras.
Logo, ninguém nos protege dela.

Publicado por jorge b pelas 12:01 AM | Comentários (1)
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sexta-feira, 16 de setembro, 2005
Bárbaros

Ontem á noite o candidato Carrilho recusou-se apertar a mão ao candidato Carmona, no final do debate televisivo. Maneira elegante de Carrilho dizer "eu é que sou intelectual senão ia-te ao focinho!".
Carmona estupefacto disse: "Então não me quer cumprimentar ?! Extraordinário!... Grande ordinário!!". Maneira elegante de Carmona pensar "e é este gajo que anda a comer a Bárbara ?!".

Publicado por jorge b pelas 09:17 AM | Comentários (0)
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quinta-feira, 15 de setembro, 2005
Lar de Belém

O uníco candidato possível para o PS. Perder por perder, que seja com o incómodo e esquerdista tardio Soares.

Publicado por jorge b pelas 04:06 PM | Comentários (0)
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quinta-feira, 16 de junho, 2005
O colarinho impecável dos pedintes

Oiço falar numa reunião da "desunião europeia", do desacordo de Portugal quanto ao orçamento a aprovar, Freitas à frente, contra as verbas atribuídas no âmbito do quadro de apoio comunitário para Portugal. Queremos mais dinheiro, mais ajuda. Continuamos a querer, coitadinhos. Até quando e até onde pode ir a humilhação ?...

Publicado por jorge b pelas 12:21 PM | Comentários (1)
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segunda-feira, 16 de maio, 2005
Louvor público

Antes do início do grande jogo, os gajos da TV Cabo mudaram os códigos de acesso via satélite. Objectivo: massacrar a malta que tem parabólicas piratas. Missão comprida. Ressalve-se no entanto a ética dos gajos: Cortaram o sinal uma hora antes e não mesmo em cima do jogo como mandaria o figurino nacional. Assim, permitiram que a malta tivesse tempo suficiente para meter os camarões e a bejecas no frigorifico, e ir chatear amigos com Sport TV legalizada ou procurar um lugar no café. Foram filhos da mãe, mas não filhos da puta. É de louvar!

Publicado por jorge b pelas 01:27 AM | Comentários (1)
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segunda-feira, 14 de março, 2005
As mézinhas de Sócrates

Sócrates toma posse e anuncia de imediato ao país a primeira "grande medida" deste governo: há medicamentos que passam a poder circular livremente em carrinhos de compras. Pela celeridade e oportunidade da medida que se sobrepõe a tantas outras que o país verdadeiramente anseia, devia tratar-se de um velho sonho de infância que Sócrates finalmente concretiza. Se tivesse sido Santana a declarar tamanha anormalidade e logo na sua tomada de posse, hoje já estava de malas aviadas, não para gozar umas férias á conta da industria farmacêutica, antes para se apresentar ao Carmona.
Só faltam agora as farmácias passarem a vender batata ao quilo.

Publicado por jorge b pelas 04:39 PM | Comentários (0)
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segunda-feira, 21 de fevereiro, 2005
O regresso dos mortos-vivos

A tragédia era anunciada. No PSD “a noite dos facas longas”, no PS “a noite dos mortos-vivos”. Um a um, surgindo à superfície do pântano onde há três anos se encontravam mal enterrados, uma vasta horda de zombies ressuscita arrastando-se vitoriosamente na escura e fria noite eleitoral, num espectáculo aterrador: Gama, Cravinho, Coelho, Costa, Estrela, Carrilho, arghh!, entre outros… O marioneta Sócrates é apenas a ponta de um medonho iceberg de mau gosto, compadrios e incompetências provadas.
Eles estão de volta, a série “Z” da política Guterrista está de volta, por vontade popular, esse mesmo triste povo que elegeu José Castelo Branco no Natal, esse mesmo povo atoleimado, essa mesma imensa maioria medíocre, agora armada de cartão de eleitor em punho, mais amedrontada que convicta, elege neste carnaval, José Engenheiro Sócrates, o zombie incinerador.

Publicado por jorge b pelas 01:33 AM | Comentários (0)
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O engate de Sócrates

Se para Santana a missão já era difícil, a sua sofrível campanha, descaradamente popular e patética, apenas a veio tornar impossível. Mas era a campanha feita à imagem do povo e do país que temos, era uma campanha honesta.
O povo é tolo, é sabido, e quando intoxicado, torna-se parvo. Mas não gosta de ser tratado como merece, não gosta de ser tratado de parvo. O povo eleitor, esse nosso povo consumidor dos reality shows, das novelas, das ‘marias’, quando se trata de eleições, gosta de ser bajulado, de ser tratado como um povo bem informado, civilizado e culto, coisa que não é. Mas gosta de ser assim engatado, e não da maneira como a campanha de Santana o tratou, como se fosse um povo efectivamente parvo. Uma campanha feita à medida dessa parvoíce nacional, coisa que naturalmente se estava a revelar num gigantesco erro de estratégia e marketing político que só Santana parecia não ver, porque se calhar não estava habituado a engates rascas. É que o povo é como uma gaja feia mas com bom corpo, a quem se dá a volta dizendo-lhe que é bonita, adulando-a com mentirinhas deliciosas acerca da beleza que ela não tem e dos sentimentos que não se sente, só para lhe dar uma f*da e mais nada. Esta vai durar 4 anos!

Publicado por jorge b pelas 01:24 AM | Comentários (1)
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sexta-feira, 18 de fevereiro, 2005
Problema nas cassetes

Depois da unanimidade geral anti-Santana, a solidariedade global em torno da dramática perda de voz de Jerónimo de Sousa... Pareceu-me mais que Jerónimo perdeu o pio. Foi providencial a sua afonia. Teria sido triturado por Portas e Santana, ambos com uma superior capacidade de argumentação, dois tubarões quando comparados com a simpatia franca e humilde do comunista, qualidades nada recomendáveis a um político, principalmente alguém com causas já muito rebobinadas.
Santana fez bem em ter suspendido a sua campanha por dois dias. A morte da velhota Lúcia foi apenas o alibi perfeito para recuperar a voz e a calma perdidas no fim de semana passado. O debate a cinco justificava-o. Jerónimo teve justificação e saiu do debate sem as amolgadelas com que saíram Louça e principalmente Sócrates.

Publicado por jorge b pelas 03:55 PM | Comentários (0)
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Votar na oposição

Se Santana e o PSD formassem governo, para bem de Portugal, teriam uma excelente e aguerrida oposição: Marcelo Rebelo de Sousa, Pacheco Pereira, Alberto João Jardim, Cavaco Silva...
Não existe melhor, mais eficaz e credível oposição que uma oposição interna de luxo. Coisa que o PS não tem.

Publicado por jorge b pelas 09:38 AM | Comentários (0)
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quinta-feira, 17 de fevereiro, 2005
Não houve necessidade de intervenção da policia de choque

Foi com satisfação que constatei no ‘best off’ transmitido num telejornal, que afinal o funeral da Irmã Lúcia, uma das ultimas cúmplices amnistiadas do estado novo, não foi aquele “milhares de pessoas” que se anunciava a acompanhar o cortejo fúnebre. E até as cenas de pesar e habitual histeria colectiva limitaram-se á claque em licença de asilo.
Com Sócrates a descer nas sondagens, volto a acreditar em Portugal.

Publicado por jorge b pelas 03:26 PM | Comentários (0)
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sexta-feira, 4 de fevereiro, 2005
O desbaste de ontem

Um Sócrates certinho, politicamente correcto e convencional, com a lição muito bem estudada. O político autómato apto a gerir a estagnação. E um Santana espontâneo, autêntico, a meter água duas ou três vezes mas nitidamente mais carismático, apto a proporcionar ao país o choque de mentalidades que precisa. No máximo terá desbastado dois ou três pontos percentuais a Sócrates, o que é muito pouco. As regras para meninos bem comportados impostas na condução do debate pelos jornalistas desinspirados ajudaram nitidamente Sócrates.
No entanto continuam a chegar a público sinais sobre quem seria o homem ideal para “liderar” o próximo governo. Depois de dino-Freitas, depois de meia dúzia de tycoons, agora é o cardeal patriarca, um tal de Policarpo a afirmar que Santana Lopes não é o seu candidato. Sinais mais que evidentes de que Santana é o mais iconoclasta político desde Sá Carneiro, é o político que incomoda.

Publicado por jorge b pelas 09:38 AM | Comentários (0)
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quarta-feira, 2 de fevereiro, 2005
Os colos de Sócrates

Afinal quem faz birra ? Quem é que se arma em vítima ? Santana fala não sei quê em alguém gostar de outros colos, tirada muito natural depois de estar rodeado de gajas, tendo a delicadeza de não mencionar nomes, e ainda assim, Sócrates arma-se em roto perseguido e ofende-se. Santana não pode abrir o bico e já está a ofender o menino. Que canalhada caralh*!
Primeiro, quem garante a Sócrates que Santana se refere a ele ? Segundo, e ainda que se refira, a piadola tem nitidamente um sentido mais político do que pessoal, como o PS pretende à força que tenha, porque lhe interessa que assim seja. É que mais escandaloso que outros colos mais intímos e coloridos, é o colo presidencial de Sampaio, ou o colo Guterrista ou de Freitas. Recentemente, os colos do primeiro ministro Espanhol, do chanceler Alemão, ontem, do ex-primeiro francês Juspin...
Ao colo das sondagens mas sem o colo do povo, Sócrates não tem feito outra coisa que não seja deixar-se filmar e fotografar feito tótó ao colo de notáveis velhas carcaças nacionais e internacionais, pedindo a benção, tentando alcançar uma credibilidade que o seu 'tragozinho a azedo' compromete.

Publicado por jorge b pelas 10:42 AM | Comentários (1)
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sexta-feira, 14 de janeiro, 2005
Sardinha no pão

Um grupo de pescadores, naturalmente portugueses, é resgatado de um barco, naturalmente Espanhol, em apuros ao largo da Escócia. Lançaram o alerta, foram salvos, estão bem, muito obrigado. Que necessidade têm portanto as televisões de filmarem a chegada ao aeroporto de toda aquela malta com a barba por fazer, e mais os beijinhos e os abraços ? Serão essas imagens tão importantes para alguém que queira estar bem informado ? Obviamente que não, mas naturalmente que passam nos telejornais. Pergunto, quando é que os cameramen se metem nas traineiras e vão para o mar alto, fazer lá a reportagem com o Zé Pescador, como fazem as TV’s Canadiana, Francesa, Escandinavas e demais, porque são dessas televisões que vemos excelentes documentários sobre a vida dos pescadores ? Porque é que os pescadores, num país atlântico e marinheiro, só aparecem nas televisões a ocuparem tempo de antena quando há naufrágio ou quase ?

Publicado por jorge b pelas 05:26 PM | Comentários (3)
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Banquete com o patrão

Ontem era a notícia ao final do dia na TSF: Zé Sócrates, depois de votar contra o famigerado orçamento do PSD/CDS, depois de referir que a extinção dos benefícios fiscais sobre os PPR’s constituía o maior ataque de sempre à classe média, vinha agora avisar que, se o PS for governo, não iria repor aqueles benefícios fiscais. Notícia mais que pertinente, contradição que justificava uma notícia. Mas na SIC, nem uma palavra sobre a última do troca tintas que ontem se banqueteou com algumas centenas de empresários nacionais e internacionais. Embora por pouco ainda viamos a entrada das Sardinhas Albardadas na mesa.

Publicado por jorge b pelas 05:25 PM | Comentários (0)
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quinta-feira, 6 de janeiro, 2005
A consagração

Admiro Rui Rio. Nas últimas autárquicas foi protagonista da mais surpreendente vitória, uma vitória sobre as sondagens, contra todas as previsões, sobre o establi-shit-ment da altura. Então, derrotou o incorrigível Fernando Gomes, breve ministro nódoa de um desastroso governo Guterres, mas que era dado como certo e apto para uma reciclagem na Câmara do Porto. E o facto de Rio desde a primeira hora sempre ter afrontado Pinto da Costa, e agora o mitológico portista Pôncio Monteiro, de ser no fundo um contra-poder na cidade enclave do Norte, por si só demonstra o seu carácter valoroso. E tem sido contra esse “porto naçãum” contra esses que “saum os milhores carago” que o portuense Rio tem travado uma guerra, ontem tragicamente comprometida com a atitude do baralhado governo Santana.
Na primeira página do correio da manhã, talvez também quiçá nos desportivos, a foto de Jorge Nuno Pinto da Costa (vejam que eu, toda a gente sabe o nome completo de Pinto da Costa... não é preocupante ? Sabemos o nome completo do presidente da República ? Claro que não. De Santana, de Portas ? Nem do Valentim Loureiro, nem sequer da melhor amiga da nossa namorada ou mulher. E se quisermos falar em dinossauros políticos, sabemos apenas que o Soares é Mário, por exemplo. Por que raio sabemos o nome completo do Costa ?!), curvando-se frente a Santana que o medalha, que o apologia. Santana decidiu homenagear o FCP por este ter ganho a taça intercontinental, um pretexto descarado para um caso flagrante de colagem e promiscuidade entre a política e o futebol. A taça ou as taças, que se saiba em nada contribuiram para a diminuição do deficit ou para a melhoria das condições de vida das pessoas. Pelo contrário, atiçam ainda mais clubismos e fanatismos entre a maralha que se endivida para pagar a sport tv e ter as cotas em dia.
Futebol e política, duas coisas que, a bem da credibilidade de ambas, deveriam estar o mais afastadas possível. Homenagens ao FCP e ao seu presidente, que as façam os seus sócios, entidades apartidárias, da sociedade civil, a Junta de freguesia lá das Antas, nunca, mas nunca um governo. É uma mancha quase irreparável que compromete seriamente as aspirações do PSD e de Rio, que tem, ao longo destes anos, tentado fazer com que o Porto deixe de ser um mero enclave, uma cidadezeca habitada por gente rude e com um sotaque ridículo, imagem negativa esta muito por culpa dos seus eternos 'ilustres' embaixadores. Santana com este pequeno mas grave descuido, vem comprometer um pouco mais esta aspiração, que é também a de todos os portugueses.
Aqui há uns anos atrás, Vasco Pulido Valente escrevia que a melhor coisa que o Porto tinha era a auto-estrada para Lisboa. Temo que com o andar da carruagem, será por pouco tempo. Dentro em breve, a melhor coisa que o Porto terá, será o TGV, para Lisboa, ou para Espanha.

Publicado por jorge b pelas 05:54 PM | Comentários (1)
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domingo, 12 de dezembro, 2004
Santana strikes back

Tinha a secreta esperança que houvesse novidade. Quando um árbitro expulsa um jogador aparentemente de forma injustificada, mais tarde, no relatório, esclarece-se, especifica-se que a expulsão foi por esta ou aquela palavra, estes ou aqueles comportamentos anti-jogo. Mas o árbitro Sampaio, no seu cauteloso relatório, apenas veio confirmar o que já se sabia. O que se tinha inventado ou palpitado nestes últimos dias como causa da dissolução do parlamento, foi repetido num discurso pouco convicto e pobre, ao ponto de não explicar porque se permitiu a aprovação do Orçamento de Estado para 2005, a maior e principal obra de um governo, afinal, incompetente, justificada apenas e resumidamente como “mal menor”.
Responde na noite seguinte um Santana à Santana, estratégicamente à frente de Portas e de um governo como outro qualquer, e o país, em estado de choque, conclui que quem se deveria ter demitido era o Presidente da República.
Como o PS continua a não ser alternativa, como a massa crítica de pessoas e ideias, por entre a canaille do costume, está na direita, se Santana for “legitimado” pelo Carnaval de Fevereiro, para Sampaio já será tarde de mais.

Publicado por jorge b pelas 12:05 AM | Comentários (1)
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domingo, 5 de dezembro, 2004
A importância de não ser primeiro-ministro

Santana Lopes não foi destituído de primeiro-ministro porque ele nunca foi um primeiro-ministro. Nunca lhe vestiu a pele. Bastava olhar para a cara dele. O primeiro-ministro era alguém algures entre o Bagão e o Sarmento. Daí aqueles discursos, aquelas metáforas, que ficavam muito bem se dirigidas apenas ao eleitorado do PSD, nada bem se dirigidas ao país. Foram metáforas naturalmente impróprias para um chefe de executivo que nunca mas nunca, devia falar por metáforas, sempre por falinhas mansas. E o país escutava Santana, e isso era salutar mas igualmente fatal. Santana nitidamente reverente e cabotino, desiludiu, não tendo sequer direito a um estado de graça.
Um quase dissolvido Sampaio alegará a “quebra de confiança” de toda a gente, no governo. Toda a gente, entenda-se, agentes económicos, simplificando, os patrões, toda a gente, entenda-se também simplificando, o povo… Isto soa um bocado a esquisito, povo e capital, todos diferentes, todos iguais, contra um governo… Esquisito porque curiosamente, não havia contestação social significativa, i.e., greves, manifestações ou ovos podres, contra o governo. Curiosamente, as manifestações mais graves e recentes tinham sido protagonizadas por uns habitantes quaisqueres duma terreola que queria ser concelho e que queria a cabeça de Sampaio por este alegadamente não ter cumprido com o prometido. Chegaram inclusive a despejar areia contaminada (!) frente ao Palácio de Belém (!). Havia portanto aqui qualquer coisa de estranho nesta ‘quebra de confiança’ que ainda assim não impedia o país de começar a dar os primeiros sinais de recuperação económica, de funcionar normalmente… É que num país onde ninguém confia em ninguém, onde mais de metade dos votantes não votam numas eleições legislativas, não é por isso que os governos são empossados e governam. Portanto, o pretexto de Sampaio definitivamente não pega. A desconfiança é o estado normal da democracia portuguesa.

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A importância de não recorrer ao marketing pessoal

Vejo Marcelo na televisão a esquivar-se a uma catadupa de perguntas de vários jornalistas, acerca do actual momento político, recusando-se a responder a todas, adiantado que só no início do próximo ano, aquando do retomar do seu comentário político, pago, subentende-se, voltará à carga. Por detrás desta atitude do professor, estão portanto interesses puramente pessoais, de estratégia, diria, de marketing pessoal, que se sobrepõem muito naturalmente ao interesse público em ouvi-lo. Mas porque havia mais do que interesse, porque também era importante ouvi-lo, o seu silêncio prazenteiro é revelador. Será legítimo, a nós ingénuos, concluirmos que afinal o professor só fala quando lhe pagam ou quando lhe dá especial jeito, e que, muito provavelmente, só saiu da TVI também por razões pessoais, de estratégia, diria, de marketing pessoal.

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terça-feira, 30 de novembro, 2004
Slow n’ furious

Havia algo de comum à horda que vimos na televisão apupar e insultar Carlos Cruz aquando do 1º dia do julgamento Casa Pia, como se fosse o homem o responsável pelas pensões miseráveis que recebem.
1º Todos pertenciam à terceira idade.
2º Todos estavam preparados para a qualquer momento partirem numa peregrinação a Fátima.
3º Todos pareciam delegados ao congresso do PCP.
Uma mistura explosiva, portanto.

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domingo, 21 de novembro, 2004
O tapete

A algumas dezenas de metros do local onde habito, constrói-se descontraidamente uma ETAR ou algo similar, umas piscinas enormes destinadas a acolher ao ar livre os esgotos das redondezas. Uma chatice! A pôrra dos esgotos é assim mais ou menos como a morte, algo que nem se quer nem ouvir cheirar. Um gajo tem a ilusão que o barulho do autoclismo é sempre a ultima vez que ouviu falar deles. O que é certo é que os esgotos têm que ir para algum lado, de preferência para debaixo do tapete. A ideia correctamente ecológica dos nossos avozinhos que nos diziam que o mar era tão grande que diluía tudo, ou que havia peixinhos a comer alegremente os nossos excrementos, deixou de fazer sentido quando nos começamos a interrogar porque seria que havia cada vez menos peixinhos e cada vez mais derrames de crude.
Ter à porta de casa todos os dias aquela espécie de jazigo de imundície, é demasiadamente cruel para as nossas higiénicas vidas, demasiadamente pestilento para as nossas narinas. Por outro lado, os nossos amigos nunca mais terão dificuldade em dar com a nossa casa: “Fica mesmo ao pé da ETAR, tas a ver…”. Excelente ponto de referência!
A construção está a levar à mobilização da vizinhança que já andou de máquina fotográfica em punho, já fala em meter advogados e televisões ao barulho, porque a polémica obra enferma de ilegalidades, na fronteira entre o aldeamento e o parque natural. Só em Portugal, muito provavelmente lá terei de pagar do meu bolso para que um governo municipal não cometa uma ilegalidade. Senhor presidente da Câmara, escolha outro tapete sff.

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domingo, 31 de outubro, 2004
Luta de estaturas

Tudo se resume à luta de classes. Este inofensivo governo de Santana só é perigoso para ele próprio na medida em que será o mais discreto governo de direita de sempre, a piscar descaradamente o olho ao eleitorado da classe baixa (essencialmente aquilo a que se pode designar de esquerda não intelectual, a imensa maioria portanto). O corte nos benefícios fiscais e os (temos que admitir, generosos) aumentos previstos para a função pública são coisas impensáveis, verdadeiros ataques à classe média, que, sejamos honestos, é, depois da classe alta, a segunda grande minoria neste país.
Santana, o ‘inrevolucionário’ que não tem tomates e inteligência suficiente para molestar ou seduzir o grande capital, quer conquistar a poderosa e imensa classe baixa, mas para isso pretende sacrificar a neurótica média e deixa a pequena mas poderosa alta intocável. Ora isto lixa a média, precisamente onde estão os opinion-makers e os distintos consumidores e capatazes de que precisa a alta. A média recolhe na alta discretamente apoios e poder para combater o governo, envenenando a baixa. Influenciada pela média, a baixa estupidamente faz suas as bandeiras da média, é ela quem se agita na luta, quem mais uma vez irá para a linha da frente, quem mais uma vez se irá lixar.
Não tenhamos ilusões, assistimos a um confronto que não é directo entre classes, será mais um sacrifício, a manipulação das classes inferiores pelas superiores, a moderna luta de classes, que culminará sempre pela viragem politica à esquerda, pela estagnação e pacificação das classes que só a esquerda proporciona.

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sábado, 9 de outubro, 2004
O Código De Marcelo

A saída de Marcelo da TVI provocou o maior cataclismo político em Portugal, desde que no 25 de Abril de 74, os militares então saíram dos RI (regimentos de infantaria). Toda esta polémica veio felizmente demonstrar que a palavra ainda tem poder, quando já julgávamos que as coisas só à porrada podiam mudar. De facto, a palavra inteligente, condimentada pelas imagens fortes dos esgares do professor (i.e. poder comunicacional em televisão), picaram com força um membro do pré-fabricado governo. Isto, meus senhores, é bonito de se ver. Marcelo fez em Portugal aquilo que Michael Moore e a sua imensa barriga não conseguem fazer na América: picar Bush que continua impávido e sereno, ano após ano, candidato ao Nóbel da paz.
Muito se tem especulado sobre as verdadeiras razões que levaram o professor a tomar tão revolucionária e dramática atitude... O que terá Paes do Amaral dito ao professor naquela indigesta ultima ceia ?… Pois este rapaz que aqui escreve, teve, em rigoroso exclusivo, acesso à conversa mantida entre os dois protagonistas. É verdade. E foi através dos bons ofícios do meu velho amigo de infância Gervásio, um gajo que além de orgulhoso bufo, tem um ouvido de tísico tão apurado que lhe granjeou fama e respeito no meio da restauração Lisboeta. Mesmo com a maior das cervejarias a abarrotar de gente e casca de tremoço pelo chão, Gervásio tanto ouve o mais afónico dos clientes a 10 mesas de distância pedindo mais uma dose de torresmos, como a seguir é capaz de ir bufar para o chefe, que o colega do balcão acaba de partir mais um copo.
Gervásio mal viu o dono da TVI e o professor sentarem-se na mesa com vista para o rio, apressou-se a activar os seus preciosos timpanos. Não digo o nome do restaurante onde decorreu o polémico almoço e onde trabalha Gervásio, por razões óbvias. Digo o nome do meu amigo garçon porque, por incrível que pareça, existem centenas, talvez milhares de Gervásios empregados de mesa em Lisboa, tornando-se impossível portanto proceder à sua identificãção. Por isso, resguardando o anonimato de Gervásio e o meu próprio, por detrás deste blog, estou à vontade, o mesmo à vontade que Gervásio me deu para transcrever aqui o teor da conversa mantida entre o patrão dos média e o empregado da cátedra política nacional, tal e qual como ele a escutou. Isto é um exercício de bufice, eu sei, mas sinto-me na obrigação de acalmar os ânimos, acalmar a curiosidade do mundo inteiro, ou muito em breve, tal será o burburinho que até o Papa quererá ouvir da boca de Marcelo o que realmente se passou.
"(...)
Marcelo- … já muito tempo que … (barulho, parece de cadeiras a arrojar pelo chão) … a novidade desta vez ?
Miguel Paes do Amaral – Óh professor penso que já deve ter uma ideia do que se trata, não é ?...
M- Se é novamente a chatear-me por causa dos gafanhotos tira-me já a fome!
MPA- Nada disso professor. A Manuela (presume-se que a Moura Guedes) queixou-se daquela vez, mas resolvemos o problema… A questão é o ministro picado!...
M- Ah, óptimo. Gervásio para mim é o bitoque do costume. E o Miguel o que vai crer ?
MPA – Eu como ando com o colestrol um bocado alto, vou-me ficar por uma sopinha de caldo verde e umas favas à algarvia, se faz favor.
M – Faz muito bem.
MPA – Oiça professor, a questão é a seguinte e não vale a pena estar com rodeios. Hoje de manhã ligou-me o Santana. O homem estava destroçado, metia dó…
M- (Marcelo diz qualquer coisa mas não se percebe, porque mastigava ao mesmo tempo pão com paté de atum, Gervásio dixit)
MPA – Contou-me que tinha estado reunido com o tal ministro e a comissão política até ás tantas. Disse-me que lhe doíam bastante os ouvidos e as costas, que a mulher o tinha obrigado a dormir no sofá porque já não acreditava mais nas suas reuniões até as tantas...
M – Ah, ah, ah, cof, ah, a história do Pedro e o Lobo, cof, ah, ah, cof, ah, cof (aqui Marcelo ter-se-á engasgado)
MPA – Sente-se bem professor ?...
M - … isto… já … cof… passa, cof, cof!
MPA – Voltando à reunião, o gajo (Santana) massacrado pelo ministro ofendido, lá terá decidido que no seu tempo de antena no Jornal da TVI, tinha de ser praticado o exercício do contraditório…
M – Mas claro que sim, e podem sempre fazê-lo, nos jornais, na concorrência…
MPA – O contraditório, mas em tempo real!
M – À vontade. Por mim, o próprio Santana pode estar presente, até pode ser ele o pivot do telejornal aos Domingos. Vejo o homem com perfil...
MPA – A verdade é que a comissão política do PSD chegou à conclusão que não havia água com gás que tirasse a azia ao ministro, nem no partido ninguém capaz de fazer frente ao professor…
M – Ai sim ???!!!(aqui ouve-se o barulho de talheres, e os olhos de Marcelo arregalaram-se tanto que quase lhe saíram das orbitas. Foi o que o Gervásio me disse, porque passou-se na altura em que ele chegou com o bitoque para o professor)
MPA – Mas eles, madrugada a dentro, lá encontraram e convenceram alguém com estaleca a desafiá-lo.
M- Diga-me então… (barulho de faca a raspar no prato) … eles arranjaram ?
MPA – Professor, Santana pediu-me por tudo para que aos Domingos, estivesse presente consigo… o burro Pavaroti!
M – O burro Pavaroti ?! Estou farto de asnos!
MPA – Mas…
M – Peça-me tudo menos isso, burros nunca!
MPA- Mas olhe, já falei com a Júlia Pinheiro, ela está disponível para lhe dar uma dicas, até lhe ensina a dar cenouras ao jerico.
M – Não arranjam alguém sem rédeas ?...
MPA – Professor, a tolerância de ponto da passada segunda feira, só aconteceu para que o burrro Pavaroti tivesse tempo para estudar os dossiers e se preparar para o programa de Domingo…
M – Nunca na vida eu falaria com um burro, nem nunca permitiria que a quinta dos famosos ficasse sem o seu comentador… Aquele burro é insubstituível!
MPA – Está tudo pensado, o tal ministro passaria a estar no estábulo com a Júlia.
M – Não Miguel, já nem sequer vou acabar o meu bitoque e a minha participação na TVI fica por aqui. Gervásio, a conta sff…
(...)"
Entendi melhor não transcrever mais a conversa, porque a seguir, a discussão, algo tumultuosa, era sobre quem iria pagar as favas e o bitoque, recusando-se o professor porque tinha sido ele o convidado, declinando o patrão da TVI porque tinha sido o professor a querer abandonar a refeição.
No entanto penso que ficámos todos a saber a verdadeira razão do abandono do professor do seu lugar cativo, e todos estamos solidários com ele e surpreendidos com a falta de visão e a sujeição escandalosa do patrão da merdia capital ao estrumoso poder político.
Confesso que sempre pensei que o professor tomara a decisão por uma questão de bom senso, por não querer continuar a ter o seu bom nome associado à estação de televisão que passa os filmes mais rascas, que tem o noticiário mais lacrimogéneo, a programação mais pedante de Portugal. Mas não, foi um burro, a causa da discórdia. O burro Pavaroti é o culpado, deveria ter dado um valente coice ou pelo menos zurrado oportunamente um inequivoco “não!" a Santana!!
Compreendemos-te Marcelo.

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sexta-feira, 27 de agosto, 2004
Obicuélo

O enviado especial de Portugal a Atenas à conquista de medalhas, o Grande Francis Obikwelu, depois de ter conquistado para nós a honrosa medalha de prata nos 100m, conseguiu ontem um magnífico 5º lugar nos 200. Hoje de manhã, na TSF, o Grande atleta, na sua boa humilde e genuina maneira, pedia desculpa aos portugueses (que dele já esperavam mais um lugar no pódio), pedia para que "não ficassem tristes com ele", prometia que iria lutar pelo 'ouro' nos próximos campeonatos. Francis é o mais português dos atletas portugueses, e a sua gratidão faz dele o maior dos portugueses por estes dias. E quantos mais destes ilustres lusitanos não existirão, explorados na construção civil, de onde ainda muito jovem Francis foi felizmente resgatado ? E ao mesmo tempo, quantos senhores engenheiros por aí há, que não dariam execelentes trolhas, senhores ministros excelentes taberneiros, senhores deputados excelentes estivadores ?... E por aí fora, e por aí vice-versa, pois, que o mundo está, grande parte dele, todo ao contrário!
Dá que pensar pôrra! Obrigado pela lição Francis.

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quinta-feira, 15 de julho, 2004
O túnel do PS

Não compreendo todo este escarcéu. Ou melhor, compreendo a tristeza e tacanhez por detrás dele, sempre incompreensíveis. Onde quer que se leia, não se lê outra coisa, o mais fácil e óbvio: atacar Santana Lopes, a todo o preguiçoso custo. Nestes últimos dias, já não sei quantos posts li em blogues alheios, alguns do mais ilustre que se pode ler, já perdi a conta aos forwards de mailes que recebi a xingar o homem que, por enquanto, não pode abrir a boca, que certa criativa cambada, outra malta a dar ares de vanguardista, e poucos com algum fundamento, lhe caem logo em cima.
Santana sabe que tudo o que disser pode ser gozado contra si, e por isso já se pôs á defensiva, à maneira de desarmar muita gente, ao colocar uma pose e tom cabotino quando fala, agora, á nação. Oxalá o bom Santana, talvez o político mais parecido com todos nós, não se perca, e assuma sempre a sua diferença e frontalidade, assuma sempre as suas convicções e contradições.
Acho muito bem a porra da ideia da descentralização dos ministérios. A medida, para já, sabe a pedrada no charco e por isso, deixem-se de merdas!
Há também quem o critique por se meter em tudo. E qual é o problema ? Acho louvável que quando tudo está mal e se se é verdadeiramente inconformista, se tenha vontade de mudar alguma coisa, se tente meter em tudo na esperança de mudar alguma coisa. E Santana é um gajo que pode fazer muito ou, pelo menos, um pouco pela mentalidade reinante no país. Ao contrário de todos os outros, que nada podem fazer. Esses, podem começar já a agradecer-lhe a saída de Ferro e a entrada em cena de Sócrates. O PS já vê uma luz ao fundo do túnel e o pais já está a ganhar.

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quarta-feira, 7 de julho, 2004
O Jorge é que saberá

Agora que metade do país parece curado da crise de cotovelo originada pela saída de Durão Barroso do governo (um autêntico milagre, a resposta ás preces de milhões de portugueses) para Bruxelas (reside aqui o problema, é que o paiszinho gostava de o ver sair de monco caído e nunca de forma triunfal, ainda que isso seja prestigiante para o país, ter um pau mandado de Bush a mexer cordelinhos na Europa), as atenções viram-se para o dramático dilema presidencial, o sim ou não a eleições inesperadas.
Espero que Jorge Sampaio saiba gerir bem esta incómoda fase de protagonismo, que não se meta em aventuras, e, por apenas duas razões, não convoque eleições antecipadas como é o desejo do pessoal bandeirinha.
As razões, a subjectiva:
Podia-se resumir a uma só frase bem portuguesa: “Para quê eleições, se a merda é a mesma!?” Para quê eleições, se seriam mais uma vez, dado o actual e eterno estado pantanoso da política, de “venha o Diabo e escolha” ? Existem realmente alternativas ? O gozo de passarem a haver mais um ou dois deputados do bloco de esquerda no parlamento não justifica eleições. Teríamos os boys do PS no governo, gentinha que apenas por acaso lambeu botas diferentes, na essência, não muito diferente da que por lá está actualmente. Depois, o altamente caricaturável Santana já veio sossegar a nação, jurando continuar com a mesma política (aquela mesma nação que durante estes dois anos estava contra a política do governo!).
A objectiva:
Historicamente, os 2/3 primeiros anos de governo são os mais austeros ao nível de regalias para as massas trabalhadoras, classe média por arrasto. Só mesmo à beira de eleições, os governos são mais generosos e corta-fitas. Ora, esses anos de penúria já passaram felizmente, estávamos precisamente a entrar nos anos desejados, com eleições daqui a dois, com a retoma anunciada, já se cheiravam uns aumentozinhos na função pública em 2005. No ano seguinte, ano de eleições, não me admirava que houvessem aumentos generalizados e actualizações salariais para recompensar o esforço dos portugueses nos passados anos de crise, glorificar a recuperação económica patrocinada pelo partido do governo. Com eleições inesperadas e um novo governo, com eleições à séria só para daqui a 4, seriam seguramente mais dois anos em que teríamos o habitual discurso miserabilista, teríamos mais dois anos pela frente de crise originada pela política do governo anterior, pela subida do preço do petróleo, pela instabilidade internacional, as razões do costume, nunca as verdadeiras razões.
Santana, remodela lá o governo e aproveita para te remodelares também um bocadinho. A gente aguenta bem dois anos.

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quarta-feira, 19 de maio, 2004
Realeza real

A TVI vai a casa do Duque de Bragança, o herdeiro da corôa portuguesa, perguntar-lhe o que vai oferecer aos noivos espanhóis: “Vou oferecer-lhes uma fruteira em prata com motivos alusivos aos descobrimentos portugueses. É uma coisa para uso do dia-a-dia e com utilidade prática. E convém que assim seja para que não vá depois a prenda servir de prenda a outro casamento qualquer...” Que desconfiança oh D. Duarte, será da Letizia não ter sangue azul ?

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País real

A SIC foi até Torreselo, ao encontro da dúvida que atormenta o povo daquela aldeia perdida nos confins da Serra da Estrela: “Torrezelo, escreve-se com ‘S’ ou com ‘Z’ ?” Responde o povo: “Por acaszo num shei lêr mas shei que é escrito com um “T” e depoisze tem mais qualquer coisza...”
A SIC já contratou um historiador e um linguista para, no prazo de uma semana, esclarecerem o respectivo share de audiência televisiva.

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segunda-feira, 19 de abril, 2004
Nada de confusões

Durão Barroso está convencido que apesar de retirar do Iraque, a Espanha continua a ser um potencial alvo de ataques terroristas, muito mais que Portugal. Presumo que só mesmo se os Espanhóis oferecessem as armas e erguessem estátuas em memória dos terroristas, então sim, estariam menos susceptíveis a ataques. Rezemos pois para que os terroristas, pelo menos esses, não nos confundam com uma província Espanhola. Barrosamente, só mesmo por mera confusão geográfica, o povo amigo português, terra da mítica Al-gnr, será atacado.

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sexta-feira, 9 de abril, 2004
Volta censura, volta

Por esta hora cerca de 90% da comunidade internauta lusitana já terá consultado no google a palavra “estúpido”, que remete para uma lista de sites relacionados com o tema, surgindo no topo o endereço do site governamental, concretamente, a página da biografia de Durão Barroso, o nosso primeiro ministro. Quero acreditar que Durão já tenha conhecimento desta associação entre aquela qualidade nada honrosa e a sua pessoa, aquela alusão que é no fundo o sentimento generalizado da grande maioria da população. Mas muito naturalmente, Durão estará a burrifar-se...
Quarenta anos atrás e a esta hora já havia merda. Algures num gabinete qualquer da PIDE, um inspector lacaio do antigo regime tinha já entre mãos uma lista de 90% de internautas candidatos ao Tarrafal. Salazar levava muito a peito estas coisas, estas bocas do género “estúpido” num motor de busca levar à sua biografia. Ofendia-se, picava-se. A palavra aliada à verdade, formava uma combinação explosiva capaz de agitar consciências e levar as pessoas a agir. O respeitinho pelas instituições era muito bonito assim como a ignorância de quem devia respeitar. Também o poder tinha um grande respeitinho pela palavra, perigosa sempre que livre. Daí a censura, essa instituição que se por um lado tentava estúpida e ingloriamente silenciar e castrar a palavra, por outro dava-lhe a força que só a palavra proibida podia ter, transformando-a numa arma que ia minando irremediavelmente o regime.
Em contraponto, os actuais regimes democráticos, herdeiros das velhas ditaduras com as quais muito aprenderam, principalmente a não cometer os mesmos erros, levam muito pouco a sério a palavra, quando não raros os casos a ignoram por completo. Toda a palavra é autorizada sob o manto aparentemente protector da liberdade de expressão, e é até bem vinda porque quantas mais melhor, maior a rebaldaria, fenómeno saudável mas explorado habilmente por quem tem o poder em proveito próprio. Censura sim, mas não contra a liberdade de expressão e da palavra, antes contra a liberdade da existência, coisa que nem por ela se dá.
Para o poder (so called) democrático são tão inofensivas as palavras, que só agregadas a qualquer espécie de violência podem fazer mossa. Violência essa convenientemente baptizada de “terrorismo” seja qual for a sua natureza, desde que seja contra o Estado, por mais fetidamente democrático que seja. Num “deixa-os falar” preocupante, os governantes marimba-se para a (so called) opinião pública pacifista, esse inimigo anódino, que sabem com muitas bocas mas poucos punhos.
O caso do presidente dos Estados Unidos é um exemplo flagrante do descrédito em que caiu a palavra e a consequente usurpação do espaço vital da verdade e razoabilidade pela estupidez e prepotência. Se ainda fosse possível depois de Clinton, Bush é actualmente a pessoa mais contestada (e gozada) do planeta. E com toda a razão, clara, factual, clínica e objectivamente. Mas de nada tem adiantado a indignação global acerca das políticas e do estado de saúde psíquica do júnior, um autêntico ditador legal a prazo de quatro anos, que mais que chegam e sobram para enterrar ainda mais o planeta num sufoco de ódios e medos. Ele lá continua na sua cruzada, cagando-se para tudo aquilo o que se diz e se apela, num exercício de insensibilidade atroz à palavra e a consciência global.
Em Portugal, situação semelhante se passa com Barroso, que perante a espiral do consumo de anti-depressivos, de desemprego, perante a hecatombe não só económica mas principalmente dos valores e da descaracterização nacional, continua impávido e sereno, a fazer aquilo que acha melhor para o país (alguém duvida que Salazar também não achava que fazia o melhor para o país ? ), i.e. mantê-lo obediente à ditadura da percentagens ditadas por um (so called) pacto de estabilidade.
Não seria de admitir que sendo alvo de chacota e indignação nacional mais que visíveis por toda a parte, o primeiro ministro interrompe-se um dia destes a novela da noite para emitir um comunicado ao país ? Afinal, o porquê da associação da palavra “estúpido” (pelo menos) num motor de busca (pelo menos) com a sua pessoa, porquê ?! Porra, não é isto suficientemente grave, humilhante ?! A mim tirava-me o sono e não descansava enquanto não pusesse tudo em pratos limpos. Então puseram-me aqui e agora chamam-me de “estúpido” ?! Vão lá gozar com o raio qu'a parta! Que raio de democracia é esta, que raio de primeiro ministro sou eu afinal ? Mas o primeiro ministro é algum árbitro de futebol para ouvir e ficar calado ? Era esta a pergunta que um estadista como deve ser faria a todos os portugueses: “Epá digam-me, sinceramente, porque é que me acham estúpido ?!” E a malta dizia o que achava, explicava-lhe que ele já tinha em dois anos de governação dado provas inequívocas da sua fraca qualidade como primeiro ministro, que nestes dois anos já tinha envergonhado a nação por duas ou três vezes, o suficiente para não suportarmos mais aquele seu tom de voz muito tio da linha, muito cheio do papel de Portugal no seio da comunidade internacional e tal... Comunidade internacional o tanas!! Nós não queremos ter nada a ver com esses gajos! E depois da nossa explicação, se ele tivesse vergonha, dava o lugar a outro, saia sorrateira e prematuramente para o conselho de administração duma qualquer empresa cotada na bolsa de Luanda e não nos chateava mais.
Mas, ora, ora, não nos esqueçamos de que se tratam de palavras… “Estúpido” é uma palavra, ainda por cima toscamente arremessada contra o estado das coisas, assim com sabor a anedota. Por mais eco que tenha um sentimento generalizado, através da palavra, por mais que se repita e constate uma evidência e uma realidade, enquanto for a palavra a fazê-lo, jamais terá o mesmo efeito dum ovo podre bem pregado nas trombas. Ok, democracia, há o voto, ou o poder do voto, esse preguiçoso dever cívico. Mas a democracia menos imperfeita deveria conter mecanismos mais imediatos para punir a incompetência, que é disso que se trata, sem que se tivesse de esperar tão resignadamente pelas próximas eleições.
Perante o descrédito galopante da palavra, só podia ver com bons olhos a restauração da censura. Existem os Tribunais é certo, para crucificarem tantas vezes verdades que atentaram contra o bom nome dum senhor corrupto qualquer, que só na consciência podem ser provadas e que assim ficam por absolver. Mas não têm a mesquinhês paternalista da censura, muito mais preventiva que repressiva. Só podia ser bom sinal o regresso dos censores, sinal de que a palavra tinha voltado a ter força e consideração, a impor respeito, a ocupar o espaço cada vez mais usurpado pelos interesses daqueles que detém o poder político e económico e que fazem da palavra actualmente um parente pobre da verdade, uma mera distracção, mercadoria transacionável e manipulável que decora muitos dos livros, blogs e jornais que se lêem. A palavra parece cada vez mais deixar de ter a força capaz de levar à acção, à (r)evolução das mentalidades que sempre provocou.

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segunda-feira, 8 de março, 2004
Mudar a fralda

Oiço na TSF as palavras preocupadas de Presidente Jorge Sampaio, acerca da mais que provável elevada taxa de abstenção da próximas europeias: “(...) a União Europeia é muito importante para nós. O que teria sido de Portugal sem a Europa ?
Ao colocar a questão como colocou, como que a adivinhar uma resposta catastrófica, o Presidente passa um atestado de menoridade e incapacidade ao país, pondo-lhe mais uma chupeta na boca, endividando-o ainda mais, como que transferindo para a Europa uma soberania paternal à qual por força dum eterno agradecimento, a nação terá de se subjugar, e, de preferência, mostrar empenho e gratidão ao votar maciçamente nas próxima europeias.
O recém-nascido humano é de entre todos os primatas, a cria que mais cuidados requer. Após o nascimento e durante alguns anos, sem a ajuda e protecção de terceiros, jamais sobreviveria, de tão frágil e dependente que é... Portugal está longe de ser um recém nascido, antes pelo contrário, será dos Estados mais antigos da Europa, senão do Mundo. Quanto muito teremos uma democracia recém nascida. Mas isso não pode servir de desculpa para a imagem que se cultiva, a de um país que se assemelha a um bébé chorão, agarrado á mama da Europa, e que teima em não crescer, em não ter vergonha.
E o que seria de nós sem Jorge Sampaio ?

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quarta-feira, 7 de janeiro, 2004
Conforto

Fere a vista ver filas de gente á espera da sua vez para comprar o passe mensal dos transportes colectivos. É um escândalo o trabalhador/explorado ter que despender a custos próprios as despesas de deslocação para o seu local de trabalho/exploração. Já não basta gastar tempo, horas não remuneradas na ida e volta, como ainda ter que pagar para ir trabalhar, um contracenso inumano grave. Em qualquer país civilizado, o transporte público seria á borla, rápido e de conforto superior. O melhor para quem mantém a Máquina a funcionar. E para quem quisesse ir de carro, portagens a preços exorbitantes, aos dias úteis, nas entradas das cidades.

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terça-feira, 6 de janeiro, 2004
Rédea curta

Não há pessoas acima de qualquer lei assim como não deve haver pessoas ou cargos acima de qualquer suspeita. Que se saiba, nos Ministros, Deputados, Presidentes, Reis, Imperadores, Papas, Cardeais, e por aí fora, quando assumem tais responsabilidades, não lhes ocorre qualquer transformação biológica ou molecular, nenhuma alteração neuronal, não ficam imunes às frustrações, aos desejos reprimidos, à natureza humana, à necessidade de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, se necessário. Já o eram antes e, que chatice, continuam a ser homens, como os outros. E como os outros, podem ser suspeitos se tiverem mesmo que ser! Que se saiba, quando se sentam nos respectivos tronos ou cadeirões, não lhes cai do céu um raio se não forem imaculados, dando-nos certeza absoluta da sua ombridade e garantido-lhes inocência vitalícia.
Os lideres dos nossos tempos têm aliás a agravante de serem exímios políticos modernos. Levam uma vida exercida de politiquice, essa perigosa mutação da verdadeira política, feita de trocas de favores, de jogos de bastidores, de lambe-botismo, de facadas nas costas e muito jogo de cintura. É desta matéria prima que é feito o caminho para o sucesso dos nossos lideres, lógica natural para se escalar hierarquicamente, atingir o poleiro, política moderna, progressão na carreira, anos e anos disto. Logo, não podem ser pessoas normais. Foi gente que preferiu passar as noites em reuniões partidárias, até tarde a planear alianças e tramóias, tácticas para conseguir poder sobre outros homens, em vez de estarem em casa a dar mimos á mulher. Gente que preferiu as companhias dos corredores, dos almoços que nunca são de graça, dos encontros secretos com outros iguais ou a abater, em vez de estarem com as amantes ou com os verdadeiros amigos. Não podem ser gente normal porque foram vítimas e carrascos dos esquemas dum sistema falido mas que ajudam a perpetuar. Sabe-se lá que cordelinhos tiveram que mexer, que lodo tiveram de remexer e, alguns, ingerir para estar nos sítios onde estão. Cada político encartado, que história esconde, o que engoliu, o que terá abdicado, sacrificado, o que terá desenvolvido durante a sua ascensão, que efeitos nefastos terão tido sobre a sua personalidade, o contacto próximo, a vivência quotidiana com o miserável mundo da politiquice dos nossos tempos. Há que andar bem em cima deles, apertar-lhes os calos, rédea curta.

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terça-feira, 16 de dezembro, 2003
Estórias de meninos

Achei desconcertante aquela introdução .Olá ?!... Olá?!... Não estou a ouvir nada! Digam Olá!! Ah, pronto.... ... Então olá e agora vou contar-vos uma história de quando eu tinha idade para ser vítima de pedofilia... Foi assim ontem á noite no telejornal da SIC, inesperadamente, na integra, chegou-nos uma muito bem contada estória de Natal gravada ao telefone dos calabouços do EPL. Achei a ideia simpática, a SIC podia até doar permanentemente um espaço, na sua já de si mediocre programação, para tempo de antena aos arguidos presos em prisão preventiva. Ouviriamos deliciados as suas estórias, isto apesar de cá fora todos termos histórias de infância de sobra para contar.
Um sentimento ou chamemos-lhe feeling que sinto em relação a tudo o que Carlos Cruz tem feito, os recursos dos recursos, as crónicas e elogios das mulheres e ex-mulheres, os apelos e almoços filmados dos amigos, as capas de revista do casal então feliz, as estórias de Natal, tudo, acho que era tudo o mesmo que eu faria ou promoveria, se estivesse numa situação semelhante, figura pública presa e... me soubesse culpado! É óbvio que imaginarmo-nos naquela situação é um exercício díficil, e pode ser que seja apenas o estilo .1,2,3. do homem, estilo que pessoalmente nunca admirei, que já o transformou numa figura mediática da televisão, que conseguiu trazer o Euro 2004 cá para dentro, talvez aquele mesmo estilo e estratégia certa para lhe trazer a liberdade.
Embora acredite menos no Pai Natal que nele, acredito mais na Justiça e inclino-me para essa ideia feita que diz que onde há fumo há fogo. Acredito que não é de animo leve que se podem prender várias figuras mais ou menos importantes e mediáticas sem que hajam contra elas efectivamente provas fortes e evidentes. Acredito que ele teria estado envolvido nalguma coisa menos limpa, mas que talvez do seu ponto de vista não será tão suja quanto um bem engendrado complot quer fazer parecer, não se revestiria duma gravidade tal merecedora duma prisão preventiva. Ele, os seus advogados, apostarão tudo nessa convicção, nesse processo de vitimização que continuamos a assistir.

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segunda-feira, 20 de outubro, 2003
The Ferro Sindrome

The Ferro Sindrome
Pode efectivamente Ferro Rodrigues ter razão, e estar a ser alvo do populismo. Como é sabido, diz a vox populis que .a natureza é uma imensa casa de banho.. Mas, convenhamos, o segredo de justiça não fica atrás de nenhum pinheiro, não é nenhuma moita, nenhum arbusto, onde se possa cagar numa aflição! A meu ver, o caso de Ferro poderá ser do foro meramente clínico. Ponham os psiquiatras a falar dos políticos! Já alguém levantou a hipótese do líder do PS sofrer do Síndroma de Tourette* ?
* Desordem neurológica caracterizada por vocalizações involuntárias e compulsivas de obscenidades (Giles de la Tourette, neurologista francês, 1857-1904)

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sexta-feira, 17 de outubro, 2003
The Marcelo Sindrome

The Marcelo Sindrome
Ainda do pessoal e transmissível da TSF, desta vez o professor Marcelo Rebelo de Sousa, há já algum tempo atrás, desvendava o mistério que fazia vir ao de cima o lado mais matemático de Pacheco Pereira: Confessava Marcelo que, como não tinha tempo, lia na diagonal a maior parte das dezenas de livros que sugeria semanalmente aos domingos na TVI.
Ocorreu-me agora que para promover junto de Marcelo os seus livros, seria óptima ideia os editores imprimirem edições especiais na diagonal. Facilitaria muito a vida e o pescoço do professor.

Publicado por jorge b pelas 10:32 AM | Comentários (0)
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quinta-feira, 16 de outubro, 2003
The Freitas Sindrome Freitas do

Freitas do Amaral será provavelmente o menos Português dos Portugueses. Por mais que tente, não consigo imaginá-lo a beber uma cervejola pela garrafa ou comer com os dedos uma sardinha assada em cima dum bom naco de pão Alentejano. Já consigo, por exemplo, imaginar Jorge Sampaio na mesa duma tasca a jogar dominó com o Almeida Santos, queixando-se ambos do fumo que Mário Soares faz a fumar mata-ratos, e com Durão Barroso a servir .copos três. atrás do próprio balcão da tasca.
É importante sentir-se que aquele em que se vota, podia, ainda que muito remotamente, ser um dos nossos. Por ventura, o relativo insucesso na vida política de Freitas dever-se-á a esta falta de identificação que o povo votante sempre sentiu por ele. Lembremo-nos que o homem perdeu, salvo erro, duas corridas à presidência, teve vários desaires eleitorais e nas mãos um partido à beira da extinção tendo depois arrepiado caminho. Teve reconhecimentos naturalmente, mais visível quando esteve lá longe, na ONU, a muitas portas e gabinetes de diplomatas de distancia da populaça, mais louvável agora, como dramaturgo.
Dizia o dramaturgo numa recente entrevista dada a Carlos Vaz Marques da TSF, que era a favor da instituição dum Senado, algo assim paralelo à já ressonante assembleia da republica, mas mais calminho, supostamente para, nas suas palavras, tirar mais valias de centenas de homens e mulheres ligados ao estado mas sem intervenção política, e que, daquela forma sentada, muito poderiam dar à nação! Freitas a léguas de distancia do estado de espirito nacional, ainda acredita em contos de fadas e pior ainda, numa maior politização do Estado, já de si superlotado, reforçando a percentagem de políticos sentados, indo buscando homens e mulheres que, onde quer que a esta hora estejam, serão porventura úteis e darão menos chatices.
Mas o cumulo do distanciamento de Freitas em relação ao cidadão comum acontece quando a certa altura aponta um dos sinais que evidenciam a sua velhice. Se qualquer português, começa a notar os seus sinais de idade quando repara já não conseguir chamar nomes ao arbitro com a mesma pujança com que o fazia noutros tempos, Freitas diz estar velho porque .agora conhece todos os ministros mas (oh!!) não conhece nenhum secretário de estado (ohh!!)., ao contrário de outros gloriosos tempos em que conhecia aquela maralha toda.
É comovente imaginar alguém envelhecer assim. Mas é nesta amarga angustia, atacados deste síndroma, que envelhecem os políticos. Chega o dia em que nem ministros já conhecem, depois nem o primeiro ministro, o presidente da republica... Morre-se na mais profunda das solidões, rodeado apenas da família.

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terça-feira, 14 de outubro, 2003
My favorite fetish dreams #1

My favorite fetish dreams #1
Eu sou paquete num hotel de luxo e sigo num elevador daqueles com paredes almofadadas em veludo vermelho, levando nas mãos uma bandeja com dois copos e uma garrafa de Martini. Abre-se a porta do elevador e entram a Manuela Ferreira Leite do PSD e a Ana Gomes do PS, e perguntam uma á outra se não se conhecem de algum concurso de misses. Depois começam a discutir sobre quem seria a mais bela e teria mais sinais que evidenciariam uma pessoa do sexo feminino que decidira dedicar a sua vida à política. Por volta do 134º andar, perguntam-me a minha opinião. Eu entretanto já tinha bebido a garrafa de Martini, encontrando-me caído no chão em coma alcoólico. No hospital, mal retomo consciência e abro os olhos, vejo a cara de Ferro Rodrigues e por momentos julgo estar no Inferno. Ele diz-me que estou despedido e só então me apercebo que estou com um hálito péssimo e que deveria ter escolhido outra profissão. Entretanto, num quarto de hotel, a Marisa Cruz, sozinha, desespera pelo Martini com paquete incluído que pediu há horas e resolve ingressar numa equipa de rugby feminina.

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Larguem-lhe as canelas! (novos PS - provébios suaves)

O testemunho do menino é sempre mais falso que o meu.
Quem se mete com crianças, acorda deputado.
Tudo a seu tempo, e os nabos no parlamento.
Melhor uma mentira que dura, que uma verdade que fere.
Apanha-se menos depressa um pedroso que um coxo.
Deputados passados não comem meninos.
Quem com ferro conta, com ferro será absolvido.
...

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quinta-feira, 9 de outubro, 2003
Dia da Liberdade

Dia da Liberdade
Que país é este, em que um arguido acusado de pedófilia sai duma prisão preventiva para uma medida de coacção de termo de identidade e residência, e tem uma miserável recepção daquelas ? Meu deus, até o Benfica quando faz anos tem direito a fogo de artificio! Como é possível, um tão importante momento da vida da nação, ter sido apenas transmitido em directo por 3 dos 4 canais de sinal livre ? Quantos milhares de espectadores terão perdido o espectáculo enquanto viam as sit-coms americanas do canal 2, o único que não transmitiu o acontecimento ?
Ninguém ficou indiferente àquela recepção fracamente apoteótica do arguido. Entre dezenas de figurantes e sósias contratados em cima do joelho, meia dúzia de deputados genuínos receberam o arguido Paulo Pedroso com uns mal ensaiados abraços. Estava lá muita gente, na assembleia, na sede do partido, mas eram nitidamente figuras de segundo plano do partido do arguido. Mulheres de limpeza, empregados dos bares, a senhora que faz os rissóis, é certo que não faltaram àquele abraço em liberdade, sabe-se lá aliciados com que promessas de pastas e lugares num eventual governo socialista... Perece que estou a ouvir Ferro Rodrigues .Só têm que o abraçar, só têm que o abraçar, beijinhos não!.. Mas, e as principais figuras, os históricos (atenção que aquele era uma sósia do Manuel Alegre, não vão em cantigas que o um político com um apelido daqueles nunca chora), um Mário Soares, um presidente da república que é do partido, um governador do banco de Portugal idem, comissários europeus, ex-primeiros ministros, presidentes da internacional socialista, essa gentalha toda, não deu a cara! Onde está a solidariedade e o champanhe, para brindar ao herói ? No mínimo dos mínimos, o que se exigirá dum futuro governo PS, se realmente se quiser redimir deste triste dia, será proclamar o dia 8 da Agosto feriado nacional, passando a ser este o Dia da Liberdade!
Foi um espectáculo triste e comovente! Quase que fui ás lágrimas quando Paulo Pedroso saía dum carro qualquer de luxo de certo alugado à ultima hora, e foi de imediato abordado por uma gaja qualquer pequenina, de telemóvel em riste, dizendo-lhe .é a sua mãe!.. Pedroso mostrou-se indiferente, claro está, avançando decidido para o próximo abraço ensaiado. Além da falta de solidariedade, sair da prisão e alguém lhe dizer que a mãe é um telemóvel, só podiam estar a gozar com ele. Não se faz a nenhum arguido acusado de pedófilia! Não estranhei pois, aquele black-out. Ficámos sem saber se o arguido foi dormir a casa, em que restaurante jantou o pernil de porco, se é que foi pernil de porco e não tão somente uma sopinha de caldo knorr, ou se teve algum pesadelo com o dia do julgamento que está para vir.

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quarta-feira, 8 de outubro, 2003
Job for the daughter

Job for the daughter
Como grãos de milho, são pequenos os escândalos que alimentam as galinhas histéricas da oposição. Na capoeira, ainda as penas não assentaram no chão e já há dois ministros demissionários. Na política é assim, os pequenos escândalos servem para demitir políticos no governo, os grandes para os manter em toda a parte.
Mas porquê tanto .cagaçal. senhores, se todos os políticos são escandalosamente .cunhados. uns dos outros ? Se naqueles antros, é através da cunha que se faz a .filtragem., se faz tão naturalmente a .selecção natural. da espécie, se perpétua a raça!
Fosse a filha do ministro discreta mas promissora activista duma Jota qualquer, e a ordem natural das coisas não seria quebrada. Gente compreensiva seria naturalmente conivente com o caso, que nem era para um .job., tal como o é tolerante com os casos dos .boys. do costume. Assim, mera civil, anónima, demasiado daughter, o contraste torna-se escandaloso, fere a vista mesmo curta, e não pode deixar de merecer castigo.
Há quem se sinta orgulhoso do sistema, há quem refira ser apenas a democracia a funcionar e a funcionar bem. Eu digo apenas, agora vingança! É o mínimo que se exige, que se zanguem as comadres!

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terça-feira, 7 de outubro, 2003
Parque das Aberrações

O Parque das Nações é mais um exemplo duma boa ideia transformada num enorme engarrafamento. Muito em breve o que parecia ser algo de inteligentemente concebido, motivo de orgulho nacional, transformar-se-á (se é que já não está) num espaço urbano indigesto, vítima dos patos bravos e da disparidade de estilos arquitectónicos, com uma imagem não muito próxima dum qualquer arrabalde periférico. Alguns edifícios são verdadeiras aberrações e outros, na vizinhança de outros mais emblemáticos, começam a pouco e pouco a 'diluir' a imagem destes.
Azar para quem comprou ali apartamento a preço exorbitante, na esperança de ver o "stress diluído no Tejo" ou em busca duma prometida excepcional qualidade de vida. Fica-se com a ideia de que o espaço terá sido concebido apenas para quem lá viveria, não se tendo levado em conta o fluxo de 'emigrantes' de fim de semana que ali acorrem à procura dum naco de outro ar ou de outro 'status' que o local parece prometer.
Ao fim de semana, o local é um verdadeiro caos, uma anarquia de pessoas mansas e de estacionamento selvagem. Mas parece ser assim que se mede o sucesso em Portugal. E o Parque das Nações é um verdadeiro sucesso bem português.

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terça-feira, 29 de julho, 2003
Cerimónias fúnebres

Em Portugal, as cerimónias fúnebres das pessoas iguais ás outras são de uma violência atroz. A própria concepção do evento, todos os seus cerimoniais nebulosos que quase não podiam magoar ainda mais quem está debilitado pela perda, a ganância dos agentes funerários, passando pela estética do caixão, as flores que não podem faltar, a carreta funerária de serviço, as velhas das redondezas, os comentários dentro e fora do velório, esse massacre psicológico, e a indiferença maquinal dos coveiros, todo o ritual é das coisas mais ignóbeis que se praticam em solo português, um folclore diário, cruel e ridículo que se perpetua em grande parte por culpa da igreja.
Os americanos, as habituais caricaturas do povo estúpido, têm no entanto os seus cemitérios relvados sem qualquer tipo de excesso de mármores ou terra nos sapatos. A cerimónia é algo intimista, reservada à família próxima, e a cremação é uma opção muito praticada. Em muitos países empresta-se poesia e filosofia ao evento marcadamente simbólico e sentido, e nunca ostensivo ou lugar para feira de vaidades e de lugares comuns, lugar para comportamentos .histéricotipados. ou de puro voyeurismo que muito caracterizam o funeral deselegante do país de procissões, fátimas e barrancos que somos, país eternamente condenado a estas e outras entranhadas mediocridades, práticas mais ou menos sádicas, tão pobres e despercebidas que passam...

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quinta-feira, 22 de maio, 2003
Bufos & nus

O país está atrasado e assim não vai lá. A ultima que soube ilustra bem a falta de qualificação e formação profissional que grassa por estes arrabaldes. Numa escola secundária aqui da zona, um miúdo foi apanhado dentro da casa de banho própria para miúdos, calças em baixo, de playboy e pila, respectivos exemplares em cada mão. Uma auxiliar de educação bufa, depois de ouvir uns "barulhos esquisitos", apanhou a intrometida, o miúdo em flagrante mas legítimo delito, e denunciou-o de imediato á direcção da escola que aplicou ao efebo 2 (dois) dias de suspensão. Esta sentença aviltante que muito merecia vir escarrapachada no telejornal da TVI devia deixar-nos a todos indignados e fazer-nos reflectir sobre o cinismo que grassa até entre as auxiliares de educação. O jovem não tinha antecedentes, não estava numa via publica (logo não podia constituir um crime de atentado ao pudor), não estava na casa de banho dos professores ou das miúdas (logo não podia constituir uma excitante perversão) e praticava um acto reconhecidamente normal e próprio de qualquer idade (logo podia chamar em sua defesa testemunhos de figuras tão proeminentes como Júlio Machado Vaz) . Perdeu o jovem dois dias sabe-se lá de quão preciosas aulas, vitima da ignorância daquela auxiliar, que tinha a obrigação de estar preparada para situações como aquelas, e ao invés, feita histérica e armada em pudica, correu sabe-se lá com que abominável ligeireza até ao famigerado Conselho Executivo, onde os juizes de ocasião apenas demonstraram serem igualmente possuidores de falta de formação profissional, ao não condenarem antes a ingerência da rasca serviçal. É sempre o mais fraco que se lixa!
Se isto fosse o blog do pipi o mais provável era aquando do flagrante a história prosseguir um rumo pornográficamente normal mas quicá saudavelmente inesquecível para os intervenientes, i.e. a auxiliar fazia companhia ao jovem ou até mesmo dar-lhe-ia uma ajudazinha. Mas como não é, escreve-se aqui que a atitude correcta daquela auxiliar coitada era, obviamente, confrontada a embaraçosa situação, achar piada e dizer: "Olha eu vou sair, vou fingir que não vi nada. Mas sugiro que de futuro, para a escola tragas apenas os livros, e que faças o que estás a fazer na intimidade do teu lar." E o assunto ficava por ali. Não seria a resposta correcta e bem preparada duma auxiliar de educação bem qualificada para lidar com estas situações extremas ? Tirando o Pine Cliffs no Algarve, o mundo não é um lugar perfeito, assim como não há respostas perfeitas, comportamentos ou, tirando a Marisa Cruz, coisas perfeitas. Mas é assustador notar-se o quão fácil e cinicamente condenável pode ser este tipo de atitude de WC desviante mas afinal tão humana.
Vem-me á memória aquele .ganda maluco. que numa manifestação de requintada boa disposição, entrou no principio da 2ª parte duma final de futebol, campo a dentro, mostrando o cartão vermelho ao arbitro para logo de seguida se despir e começar aos pontapés na bola. O fulano deve ter certamente ganho uma aposta qualquer, mas ficará sujeito ao mesmo tipo de cinismo de que foi alvo o jovem canholeiro da escola secundária. Sabe-se lá que sentença, quantos dias de prisão substituídos por multa levará um gajo que ao contrário de muito doente pervertido, não fez nada ás escondidas antes pelo contrário, desarmado e inofensivo, (apenas) contribuiu para fazer história naquele jogo, provocando um momento hilariante de .enterteinment. à escala mundial. Ou acham que no futuro aquela final vai ser lembrada como mais uma final que o Porto ganhou ? Claro que não! Toda a gente vai lembrar-se da cena do gajo nu. Enquanto na escola, toda a gente vai lembrar-se de fechar a porta da casa de banho á chave, antes...

Publicado por jorge b pelas 11:47 PM | Comentários (0)
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O Porto é uma cidade!*

* Presidente da república, primeiro ministro, 5 ou 6 ministros, vários secretários de estado, cerca de 40 deputados de alguns partidos, entre a assistência convidada pelo FCP para o jogo de ontem. Compreendo agora a tara desesperante dos clubes em quererem construir estádios novos e maiores. Bom senso teve a malta do Bloco de Esquerda que fez questão de afirmar que não tinha sido convidada mas mesmo que o fosse não punha lá os pés! Isto é que são verdadeiros Benfiquistas!!
* Foi engraçado notar que depois do jogo, após a fase mais exuberante da festa da entrega da taça, os jogadores do Porto já não sabiam o que fazer á mesma. A certa altura é visível a atrapalhação do Vitor Baia sem saber se a deixava ali na relva ou se a carregava ás costas até ao balneário. É que o homem estava desejoso de se pôr a imitar os pinotes do Mourinho. Por sorte havia ali um gajo de bigodes por perto, que lá carregou com ela.
* No tempo em que o Eusébio ganhava taças, era vê-lo agarrado a elas aos beijos e abraços. Eram menos pesadas é certo mas o homem era capaz de dar meia dúzia de voltas ao estádio com uma taça, e diz quem sabe que para a arrancar das mãos, tinha que ser sempre sob ameaça de o porem a jogar no Porto. Grande Eusébio!
* Em vez da taça, a cerimónia podia ser substituída pela entrega do cheque. Imaginemos, um cheque com os prémios de jogo ou seja, muitos cheques colados uns aos outros que formavam um cheque gigante. Os jogadores e os árbitros no final da final só tinham de separar o respectivo pelo picotado e depois podiam dar as cambalhotas que quisessem sem o perigo de deixarem cair um monte de prata com 15 quilos em cima das botas. Podiam até dar voltas ao estádio acenando os cheques ao público que retribuiria acenando com os guardanapos onde tinha trazido embrulhados os couratos. Seria mais bonito.
* P.....ara.......béns! Já disse, pronto!

Publicado por jorge b pelas 03:10 PM | Comentários (0)
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