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domingo, 26 de setembro, 2004
Hospital
Acompanho a minha avó ás urgências de um hospital público. Passadas algumas horas desde que ali chegámos e outras tantas desde a ultima vez que a vi, sou chamado a fazer um slalom de 50 metros entre macas de gente quase toda ela de aspecto moribundo. Finalmente, lá está ela, de maca claro está, mas lucida e aparentando grande serenidade. O meu prognóstico optimista é confirmado por um médico ucraniano que meio a sério, meio a sério, me diz que ainda terão de passar mais algumas horas até ela ter alta hospitalar. Pergunto-lhe se aconteceu algum atentado terrorista, algum acidente grave que justifique tanta maca por metro quadrado. Responde-me meio a brincar, meio a sério, que "hoje até está uma noite calma". Reparo então no ar impávido de toda a gente que usa bata, que o ar condicionado funciona, que não estou num país do 3º mundo.
Publicado por jorge b pelas 01:31 AM
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quinta-feira, 18 de março, 2004
As monjas
Alinho numa passeata até Portalegre, Convento de São Bernardo, visita guiada por uma dúzia de irmãs vestidas a preceito, monjas que durante vários séculos ali viveram sobre a clausura das tacanhas mentalidades religiosas, interpretadas por alunas da Escola Superior de Educação da terra, curso de Turismo.
À entrada, as boas vindas por um cabo da GNR, que nos avisa, falando sobre os bicos dos pés, que ainda é cedo. Visita só ás duas da tarde. Meia hora portanto para esticar as pernas, descontados 10 minutos para ficar a saber que os géninhos são ‘ocupas’ ali do convento à falta de outro lugar que continua prometido. E já se vê lá ao fundo uma irmã a varrer o átrio, dizendo-me o condecorado que faz parte do cenário. O facto de estar a varrer no mesmo sítio há meia hora é elucidativo. Por detrás, a casinha onde se abrigava uma espécie de inspector de monjas, que mais não fazia que andar de convento em convento certificando-se do estrito cumprimento dos votos. A casinha está agora parcialmente revestida com azulejaria noventista (anos 90 do séc. XX) retratando um exemplar Gênêrrê como que a dizer “estou pronto para ir para o Iraque”!
Veio-me á memória o Convento de Mafra, também ele ocupado pela tropa regular, onde fiz instrução, inesquecíveis tempos e instruções nocturnas. Estes e sabe-se lá que mais outros lugares de retiro outrora sagrados, têm assim sido ocupados por entidades militares, prisionais, e outras mais ou menos belicistas, aparentemente opostas à natureza do espaço, adaptando-o e inevitavelmente adulterando-o a seu bel prazer. Os crucifixos e terços pendurados nos quartos das monjas e freiras, dão agora lugar aos posters das páginas centrais das revistas dos novos ocupantes, recrutas e praças. Os supostos silêncios, a suposta espiritualidade e devoção, dá lugar aos toques de alvorada, à berraria das ordens de comando, ao som das botas a pisar o alcatrão quando há que marchar. Para muitos, estas ocupações podem constituir sacrilégio, mas para mim, esperança... Talvez com o passar dos anos e com a constatação cada vez mais evidente da inutilidade das milhares de igrejas, conventos, mosteiros espalhados por toda a parte, talvez esses monumentos à pobreza de espirito do povo, possam ter no futuro maior utilidade, por exemplo, sendo ocupados por artistas, transformando-os em polos de difusão cultural, ou convertidos, como aquilo que se espera do caso de São Bernardo, em pousadas, poupando-se bastante no betão que novas construções exigiriam.
Já em plena visita guiada, fiquei a saber alguns pormenores interessantes, alguns deles comuns a outras ordens, sendo que actualmente uma tal de Ordem das Carmelitas, será a mais rígida e austera. Ainda assim as monjas de São Bernardo não podiam contactar com o mundo exterior. Aliás, nem podiam falar. Comunicavam através de gestos, como se fossem anormais (pelo contrário, há pessoas normais que não conseguem falar e comunicam por gestos como se fossem mudas e geralmente são-no mesmo). Embora assistissem á missa juntamente com o resto da maralha, estavam no entanto separadas por umas grades que no entanto tinham uma porta, que por seu turno tinha fechadura, que por seu turno tinha uma chave, que por seu turno deveria ter um bolso onde se guardava. De quem era o bolso ? Não sei, mas devia ser de alguém, talvez, com muita sorte... Quero acredita que o nome da terra, Portalegre, não esteja relacionado com aquela porta, mas, digam o que disserem, as monjas emanam uma espécie de encantamento erótico. Apesar de enfiadas naqueles capuzes que mal se lhes vê o rosto, o resto da indumentária larga não consegue disfarçar de todo as formas femininas, como que atiçando a imaginação que, como se sabe, constitui um excelente afrodisíaco para um gajo fanhoso... É que as monjas não podiam tomar banho. O contacto da água com o corpo era considerado pecaminoso, fonte de prazer que, como qualquer outro indicio mínimo susceptível de provocar qualquer espécie de satisfação, era simplesmente banido. Dizer sabonete deveria ser para elas um palavrão. Só por motivos de saúde, as monjas tomavam banho. Curiosamente o poder orgásmico da água nunca seria estudado em profundidade não constando sequer das páginas de aconselhamento intimo das actuais revistas da especialidade.
Uma vez que a falta de higiene não era considerada problema de saúde, não admira pois que o mau cheiro chegasse a léguas, concretamente às sensíveis narinas do Marquês de Pombal que ordenou a expulsão das monjas dali para fora e que já agora tomassem um banho. Inconformadas com a decisão, a monjas, que se não falar sabiam, a escrever eram um desastre. Deixaram para a eternidade nas costas dum cadeiral, dezenas de frases desconexas, a indignação pelo facto de abandonarem o convento. Mais tarde voltariam. Para regalo dos habitantes da terra, que, rezam as crónicas, logo fizeram grande festa.
Agora, perdidas as monjas, ganhas as estudantes da Escola Superior de Educação, continua a haver motivos de sobra para as tradicionais festas de sextas e sábados à noite. Portalegre é muito mais jovem que beata.
Publicado por jorge b pelas 10:03 AM
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segunda-feira, 26 de janeiro, 2004
Oportunidade perdida
Situada na margem sul do Tejo, no Concelho do Montijo, a freguesia da Atalaia parece mergulhada numa terrível angustia. Já lá vão os tempos em que da fonte da aroeira, local da aparição de Nossa Senhora, brotava aquela água milagrosa que muito mal matava, do corpo e do espirito, tantas aplicações teria, desde curar calos até expulsar teimosas solitárias, e maus cheiro e feitios. Agora, segredo bem guardado, é aguinha 'del cano' que alimenta a fonte, outrora local de peregrinação diária para muita gente das muitas freguesias em redor.
Poucos saberão do gato que, anualmente por alturas das festas da Nossa Senhora da Atalaia, é vendido por lebre. Muito devoto por aquela altura de foguetes e farturas, ainda ali vai lavar-se e recolher o ainda afamado liquido. Mas a verdade, e como conta convicta habitante da terra da qual não vi a mínima razão para desconfiar da sua honestidade, a verdade é que não mais correu a água milagrosa desde que em 1962 a câmara municipal ali decidiu aprumar o espaço, dar-lhe outro ar mais asseado, como só as câmaras da área provinciana de Lisboa sabem dar. Construído monumento, onde pontifica um cone cuja utilidade ou razão de ser, qual monólito à boa maneira Kubrickiana, é mistério dado a muita especulação, a fonte secou de forma não menos milagrosa, e logo se tratou de ao cimento acrescentar a necessária canalização para que gota não faltasse nos meses de parca pluviosidade. E lá está aquela poça de água insalubre, de contornos devidamente acimentados, água preta, podre (mas sem cheiro, será milagre ?), apenas o suficiente para o gasto, o gasto, que é "um ou outro maluco que uma vez por outra ainda ali vai lavar a cara ou os pés" fora da época oficial.
Depois de lograda a hipótese de ter o aeroporto como vizinho, depois de muita terraplanagem feita, ter visto embargada estrada fina que ligaria a freguesia mais rapidamente ao Montijo, o habitante da Atalaia lá se vai resignando, desiludido com o seu destino feito de oportunidades perdidas: "Podia ser o culto a este sítio maior que o do santuário de Nossa Senhora de Fátima". A concorrência só podia ser salutar, e quem sabe, os dois pontos de peregrinação criariam sinergias entre si, multiplicando o número de pessoas que rastejam e o consumo de cera per capita, servindo de inspiração maior a outras localidades do país para que tivessem, também elas próprias, as suas aparições e locais milagrosos de culto, um importante factor para o desenvolvimento económico das regiões. No caso da Nossa Senhora da Atalaia, que apareceu sobre a aroeira, havia no entanto a vantagem de não existir prova testemunhal humana da aparição, coisa que, (vidé os três pastorinhos) como é sabido, nestas situações só atrapalha, levanta polémicas e climas de suspectione sobre a sanidade mental dos intervenientes, a sua vulnerabilidade e capacidades intelectuais, calunias inoportunas que perduram para sempre.
Na Atalaia, apenas uma lenda e, até há pouco tempo, uma prova testemunhal hídrica, a comprovar a breve e inglória estadia da virgem. E com a secura que os Espanhois impõem aos nossos rios, nada me admirava que tivessem feito o mesmo a esta fonte santa, secando-a, desviando a sua preciosa água milagrosa para irrigar os seus laranjais. Mal empregada água.
Publicado por jorge b pelas 04:18 PM
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segunda-feira, 19 de janeiro, 2004
Quinta
Não sei se existem estatísticas sobre o assunto mas arrisco escrever que a Quinta do Lago, no Algarve, será o local do planeta onde se gastam mais metros cúbicos de água por habitante. Não é que aquele tipo de habitante exagere no duche. Serão antes as características daqueles solos permeáveis, antes os campos de golfe e os jardins luxuriantes que circundam as casinhas pouco habitadas, autênticos sorvedouros.
Talvez bem ciente disto e imbuído dum espirito ecológico, o habitante da Quinta, á saída da mesma, para além do agradecimento pela visita, escrito num lindo placard, logo abaixo não deseja boa viagem mas faz um apelo: .poupe água.. Fiquei sensibilizado. Compreendamos, deve ser chato falhar um buraco porque a bola não rolou bem num naco de relva seca, porque faltou água ao green, porque algures houve quem não a poupasse.
Acho que vou deixar de regar o meu .bonsai. diariamente e passar a fazê-lo só de dois em dois dias. Custa a todos.
Publicado por jorge b pelas 02:04 PM
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terça-feira, 16 de dezembro, 2003
Castanhas
Quando já julgava que existiriam castanhas podres em toda a parte, Setúbal, Praça do Bocage, o homem das "quentes & boas", e grandes e saborosas também, dá duas por cada podre que encontrarmos na duzia. Não encontrei.
Publicado por jorge b pelas 08:40 AM
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quarta-feira, 26 de novembro, 2003
Mulheres
Três mil mulheres colombianas dirigem-se em autocarros, sem escolta policial ou militar, até Putumayo (Puerto Caicedo), epicentro da guerra civil, perigosa zona onde se verifica maior actividade por parte da guerrilha na Colombia. Contra a guerra e a violência sobre as mulheres.
Publicado por jorge b pelas 10:13 AM
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terça-feira, 14 de outubro, 2003
Irrespirável
Precisamente neste momento, na Cidade do México, alguém compra por 1 euro uma máscara com 1 minuto de ar puro.
Precisamente neste momento...
Publicado por jorge b pelas 09:11 AM
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sexta-feira, 19 de setembro, 2003
Gibraltar
Deve ser um dos sítios do mundo com o mais alto índice de gente feia por m2. Talvez só Andorra ou a Costa da Caparica consigam rivalizar, mas não têm aqueles bares e pubs geridos por inglesas com celulite na barriga ou ingleses com dermatites seborreicas afixadas em lugares visíveis. O resto, turistas e preços um pouco por todo o lado, um aeroporto e alguns esquecimentos.
Mea culpa. Caí no erro de voltar com outros mesmos olhos ao mítico rochedo. Tinha lá estado há largos anos atrás, naquela que fora a minha mais próxima experiência duma so called lua de mel. Improvisada, correu bem. Então, as horas na fila para passar a fronteira não me pareceram minutos, mas andou lá perto. Então, não estacionei o carro passados alguns quilómetros de trava destrava e segui a pé debaixo do calor que é insuportável. Afinal, quando se está apaixonado, como se é sempre suposto estar numa lua de mel, até Fernão Ferro tem o encanto dum condomínio fechado de luxo. Ilusões à parte, Gibraltar tinha de facto um encanto especial. Ficara alojado no Caleta, hotel com duas vistas fabulosas, rocha e mar, aquilo que Gibraltar era. Haviam também os macacos á solta lá em cima. Vinham comer á nossa mão e depois roubavam-nos os pacotes de bolachas. Era um prazer ser assim assaltado e de manhãzinha, sempre à sombra da paixão, tomar aqueles pequenos almoços continentais servidos como só o sol os sabia servir.
As galerias escavadas nas rochas, grutas, a máquina fotográfica, as mãos, e a cidade lá em baixo. Aquele farol na ponta do rochedo cujo o vento nos empurrava dali para fora, mas principalmente para a rocha e mar, para ambos, rocha e mar, ambos.
Cometi o erro de voltar a um sitio onde já estivera e tinha gostado de estar. Gostado era pouco. Já tinha prometido a mim próprio nunca voltar a um mesmo sítio onde estivera e tinha gostado de estar. Aqueles, os que guardam algures no tempo as recordações, os momentos que julgamos invioláveis.
Nunca vemos a mesma qualquer coisa com os mesmos iguais olhos. Baralhamos tudo, desencantamos tudo. Não é por mal. Mas é mesmo assim.
Publicado por jorge b pelas 11:34 AM
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sexta-feira, 6 de junho, 2003
Sentido da Vida #2
Inconfundível com a Arrábida do Porto, o Portinho da Arrábida é um dos locais pequenos mais belos e inspiradores. Quem lá for ao princípio da noite, tipo fora de horas, irá perceber porquê; logo a começar pela vista do caminho até lá abaixo. É pena que aqueles restaurantes, que matam o bater das ondas, mais pareçam cais de embarque abandonados forrados a espelho e azulejo, e que no mar nunca consigamos ver os golfinhos que a tabuleta no estacionamento promete. O Portinho fica cedo sem sol, sem saladinhas de polvo, mas também sem gente. Fica apenas o indispensável e um cão .serra da estrela. que dorme como um gato.
Publicado por jorge b pelas 11:02 AM
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terça-feira, 20 de maio, 2003
Sentidos para a vida: Olivença
Descobri ontem um desígnio nacional talvez demasiadamente esquecido. O nome Olivença não me era estranho. Sempre julguei tratar-se duma qualquer terriola meio alagada pelo Alqueva e perdida ali por detrás dum monte alentejano qualquer mandado restaurar por uma qualquer vedeta do jet-set televisivo. Não foi bem assim o que imaginei, mas acho que fica bem escrever assim. Na realidade o nome Olivença não me dizia absolutamente nada, e se me perguntassem ontem antes do meio dia onde ficava, eu dizia que ficava algures no Alentejo, e depois provavelmente até seria levado a perguntar se o nome da terra era mesmo aquele, se não seria antes Oliveiça... Isto é pura ignorância, confesso. Qualquer português que se preze devia saber de cor o nome de todas as terras que lhe foram usurpadas ilegalmente por essa malta que só tem feito má vizinhança e dá pelo nome de Espanhóis.
E Olivença é um desses casos como os há muitos, de violação flagrante do direito internacional. E qualquer dia são tantos que alguém terá de fazer o favor de arranjar uma nova designação que esta de tão gasta tem os dias contados. A região de Olivença sempre foi meio nossa, meio espanhola, meio árabe, meio de outros ocupantes políticos e militares da península ibérica, e se calhar pouco foi dos que lá viviam. O que é certo é que em determinada altura ela, a região de Olivença que ainda é tão ou maior que a península da margem sul (zona entre Setúbal e Lisboa, englobando os concelhos do Seixal, Almada, Sesimbra e Barreiro), foi nossa de papel passado e tudo. Ora naqueles tempos um papel passado tinha tanto valor como um gajo passado (daí a origem do nome). E com miufa dos Espanhóis que naquele tempo andavam com os Franceses ás cavalitas, lá lhes cedemos aquelas terras de perder a vista depois de Elvas, do outro lado do Guadiana. Só que os Espanhóis marimbaram-se para o que estava estabelecido, e queriam mais. Ai é, então não levam nada e passem para cá Olivença! Tudo se resolveria a bem com novo tratado anos mais tarde, onde o raio dos Espanhóis reconheciam o direito de Portugal a Olivença e prometiam devolver aquelas terras ao nosso mapa.... Até hoje!
Isto arrisca-se a ser uma causa não só esquecida como também perdida. É uma questão de direito internacional, mas o direito internacional é cada vez mais uma cantiga de embalar países pequeninos. Qualquer re-anexação na prática só se concretizaria de duas maneiras e qual delas mais remotamente impossível. Ou eram os próprios Olivences que diziam .Porra estamos fartos de comer tapas e tortilhas e já temos saudades dum bom cozido á portuguesa. Não nos importamos de deixar de pertencer a Espanha, país com um nivel de vida muito superior e passamos a ser Portugueses de pleno, com direito á mais baixa taxa de produtividade da Europa! Isso aí são torresmos não são ?., ou os próprios Espanhóis que, e só lhes ficavam bem, diziam .Por supuesto cono, Olivença é portuguesa, tenham paciência Olivences, sei que vão passar de cavalo para burro mas tem que ser. Somos gente séria! Contem com uns subsidiozitos para vos compensar do trauma, até para ficarmos bem com a nossa consciência pelo muito que sacámos deste pequeno território português, ainda assim maior que muitos países independentes. Não levem a mal... Olhem, boa sorte..
Toda a cronologia e tudo sobre Olivença e a sua história pode ser sabido tim-tim por tim-tim em www.olivenca.org, o site dos amigos, que vêem no caso certamente uma excelente maneira de cá se ir andando.
Publicado por jorge b pelas 10:25 AM
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terça-feira, 22 de abril, 2003
Telever Inestéticas, velhas, gastas e
Telever
Inestéticas, velhas, gastas e com má cor... Junte-se uma antena ferrujenta e a abanar com o vento e temos uma má imagem perfeita. Chama-se a isto ver televisão na provincia, onde as coisas, até esta, têm um saborzinho especial. Ver televisão numa 'radiola', começa a ser cada vez mais uma experiência marcante. Procuro agora uma 'korting'.
Publicado por jorge b pelas 10:11 AM
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segunda-feira, 31 de março, 2003
.Under the bridge. Podemos

.Under the bridge.
Podemos passar no mesmo sitio inumeras vezes até que um dia reparamos no que nunca tinhamos reparado. Sempre pensei que viver 'debaixo da ponte' não passasse de uma boa ideia para um qualquer sketch de teatro de revista, o local onde o desgraçado, que tinha perdido no jogo emprego e família, iria passar uma estadia, breve, pois que seria readmitido, realojado, recolhido, perdoado, mais tarde ou mais cedo, seria. Desde muito novo, sempre ouvi esta expressão sem que alguma vez tivesse visto quem quer que fosse a viver efectivamente "debaixo da ponte". Os mais pobres, via-os amontoados em casebres, como um que havia ao lado do caminho por onde passava todos os dias quando ia para a escola, ou em barracas anexas a outras também barracas. Depois passei a vê-los, os pobres, ocuparem prédios semi-construidos embargados pelas câmaras municipais, e mais tarde chegaram aos bairros sociais. Mesmo os mais pobres entre os pobres, os pobres nómadas, escolhiam vãos de escada ou paragens de autocarro, as arcadas da Praça do Comércios ou as estações de Metro para se abrigarem até que se decidissem enxotar de lá para fora. As coisas não mudaram muito desde então, nem vão mudar, receio. Há sempre alguém a percorrer o percursso, a chegar ou a partir. Agora, "debaixo da ponte", nunca tinha visto ninguem... Até hoje. Ali para as bandas de Sete Rios, vê-se do comboio, alguém está a viver debaixo da ponte. E não está de 'passagem'. O amontoado de ferro velho, a mobília da 'casa', provam-no. Vou passar naquele sítio inumeras vezes.
Publicado por jorge b pelas 08:59 PM
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sexta-feira, 21 de março, 2003
Rio
Lisboa é bonita porque ao virar da esquina pode-se inesperadamente encontrar um bocadinho do rio.
Publicado por jorge b pelas 10:20 AM
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quinta-feira, 6 de março, 2003
Final
Sim, eu também estava lá. No terceiro anel, lado sul, por detrás da baliza onde foram apontados os pénaltis. A única vez que fui ao estádio da luz. (que grande benfiquista!!!) Era aquele miúdo com uma bandeirita de Portugal na mão. Reparam em mim ? Pois, acho que com toda a certeza que não! Quem iria reparar ?! E na bandeirita ?
Publicado por jorge b pelas 09:57 AM
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