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segunda-feira, 15 de janeiro, 2007
A cortar o ar

Foi quando descobri o legado de um antepassado: um estranho objecto, quase cortante, com o cabo em madeira, pintado de preto, com uma ligeira folga na fixação a uma lâmina enferrujada. Vi que estava ali um provisório 'pequeno sentido para a minha vida': recuperar aquele objecto, restaurar o brilho original da sua lâmina, arranjar aquela folga, fazer da catana que agora me pertencia a mais bem afiada catana do mundo. No Aki adquiro bondex para o cabo, e uma pequena maquineta eléctrica que vem com um kit fantástico de pequenos acessórios próprios para restaurar catanas. Após algumas horas de meticuloso trabalho de lixagem, consigo, eis-me orgulhoso detentor do melhor gadget que um individuo pode ter para descarregar stresses acumulados… A palavra de ordem passa a ser cortar em vez de serrar. Aplico a minha ira sobre a madeira, ramos de arvores, paus bons para arder, encontrados amiúde aqui e ali e que depois da minha intervenção ficam com as dimensões ideais para entrarem pela porta do recuperador de calor.
A catana é um objecto perigoso, eu sei. Só a palavra catana já provoca algum temor. Mas como qualquer outro objecto, é aquilo que fazemos dele. Uma pedra da calçada, na calçada é inofensiva mas nas mãos de um manifestante é um perigoso objecto de arremesso. Depois, vive-se hoje em dia um pouco a histeria dos objectos considerados perigosos. Nos aeroportos até um gancho em metal para o cabelo de senhora é considerado uma potencial arma mortal e, portanto, proibido de entrar nos aviões. Mas então, o próprio pensamento, o corpo humano e aquilo que com ele fizermos, podem ser muito mais perigosos que a catana nas minhas mãos. Fico com muito menos poder bélico que certos gestos, certas palavras, menos perigoso que certos sorrisos, esses sim, por vezes letais. Agora, depois de passar horas a 'catanar' calma e pacificamente, penso que sofro do Sindroma de Sandokan. Explico os meus sintomas: para onde quer que olhe, interrogo-me como seria o efeito da minha catana, sobre o objecto observado. Por exemplo, conseguiria com a minha catana com apenas um só golpe bem aplicado, cortar ao meio a ultima edição do código de processso civil ? Como ficariam o meu telefone, o meu teclado, depois de uma catanada bem assente ? E quantas catanadas seriam necessárias aplicar para reduzir a pó a fotocopiadora que está constantemente a encravar ? Estes e outros mistérios que sei jamais irei desvendar. A catana um dia destes começará a enferrujar de novo. Eu já terei entretanto encontrado um qualquer outro 'pequeno sentido para a minha vida'. Afinal, tem sido sempre assim, vão e vêm, como movimentos de catana, a cortar o ar.

Publicado por jorge b pelas 06:25 PM | Comentários (1)
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quarta-feira, 10 de janeiro, 2007
O estado puro do prazer

Uma equipa de cientistas independente e inexistente propôs-se descobrir que fantasia propiciava mais prazer. Foram submetidos à prova os mais diversos pares, entre eles, um doente e uma enfermeira, um aluno e uma professora, um carteiro e uma dona de casa, um desconhecido e uma desconhecida, um executivo e uma estagiária, um pacato cidadão e uma top model, etc. Testes rigorosos concluíram que, até mais que um homem e uma mulher, ninguém obtém mais prazer do que um macho e uma fêmea.
Arte: Jan Saudek

Publicado por jorge b pelas 05:32 PM | Comentários (1)
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sexta-feira, 5 de janeiro, 2007
Beber com moderação

(da série, grandes taradões sem história)

Ofereço-me um creme hidratante. Conversa do rótulo, a aplicação do creme depois do barbear é como se estivessem 5 mil litros de água termal a passar-me pelo rosto. Cativante. Relembro-me então duma ideia, de génio, que apresentei em tempos numa tertúlia de gente desesperada por arranjar ‘um negócio’: Agarrava-se, por exemplo, na Mónica Belucci, punha-se-a nuazinha num daqueles escorregas dos áqua-parques. Despejava-se lá de cima 5 mil litros de água da torneira que passariam pelo corpo da deusa, dotando-a do imaginário sabor do seu corpo, água encorpada, com sabor a Mónica Belucci. Depois de recolhido o precioso liquido, era engarrafado em garrafinhas de 20cl que seriam posteriormente vendidas a um preço exorbitante ao público ávido de refrescar a imaginação. Sem álcool, mas alucinante. No rótulo, a conversa, seria como se estivéssemos a bebê-la.

Publicado por jorge b pelas 03:01 PM | Comentários (3)
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quarta-feira, 20 de dezembro, 2006
Natal outra vez

O Natal é uma época de felicidade para o comércio em geral e os comerciantes em particular.

Publicado por jorge b pelas 02:42 AM | Comentários (0)
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quarta-feira, 22 de novembro, 2006
Rebelião

Não ando a dormir bem. Aponto causas genéticas. Na minha linhagem nunca nenhum dos meus antepassados foi funcionário público. Sou o primeiro a degenar e agora sinto a revolta do corpo, a incompatibilidade do meu caótico ser espiritual e orgânico com a exemplaridade que a causa pública exige. Todos os meus avôs paternos e maternos foram negociantes de qualquer coisa, entregues a si próprios, às suas capacidades de improvisar a vida e alcançar o lucro. O meu avô paterno tinha uma exploração de suinicultura. Imagino a inconstância dos seus emocionantes dias: ontem um excelente negócio com a compra de uma vara, hoje outro com a venda de duas. Ontem um porco com peste suína, hoje a visita da veterinária. E amanhã mais uma gloriosa matança. E o meu pai, terrorista nos tempos livres, saiu aos seus. Tinha uma mercearia colada com uma taberna, um homem para dois balcões, era obra!
E agora eu, séculos e séculos de apuramento genético jogado à repartição pública, gerações e gerações de negociantes com habilidade para se desenrascar de horários e carimbos até surgir eu, funcionário público, entregue vergonhosa e obrigatoriamente a um processo diário de desi-existência feito de rotinas incontornáveis que paulatinamente o dever, a hipoteca, as prestações, me obrigam a cumprir. Mas o corpo revolta-se, sinto-o instável, castiga-me, por enquanto não me deixa dormir, não sei o que virá a seguir às provações físicas que me inflige. O sacana aproveita a menor aragem fria dos corredores do metro para me fazer espirrar e pôr-me com frio o resto do dia. Aproveita qualquer pingo de chuva fria para me pôr a correr na direcção da farmácia mais próxima. Sofro de alergia crónica ao pó da cidade, ao escape dos autocarros, ao ar saturado do comboio em hora de ponta, alergia à realidade a que me fui entregando enquanto dela cada vez mais o corpo se quer rebelar.
É certo que sinto o apelo pelo negócio, mas é uma certeza a minha absoluta falta de faro para grandes jogadas. Coloco aqui no blog diversos banners de forma descarada. O da Amazon é o único que já facturou, duas libras e meia, em dois anos. Nem sequer um refugiado do Bangladesh se desenrasca com tão pouco mais que dois dias. Mas não me resta outra alternativa, outra veia, senão esperar sub-repticiamente que algum incauto visitante clique no raio dos banners, compre tralha no Art.com, case com a russa dos seus sonhos, licite as minhas bugigangas no Miau, e que não se distraia com as patranhas que escrevo. Que falta de jeito meu dinheiro! Não admira que com a minha idade o meu pai já tivesse tido um descapotável, dormido no Sheraton de Londres e assaltado um carro em Paris apenas para não passar a noite ao relento. Eu, logo, com sorte, se me conseguir lembrar a que horas passa o comboio, se ficar bem colocado na plataforma, mesmo num sitio onde a porta se abra e eu seja um dos primeiros a entrar, conseguirei um lugar sentado.

Publicado por jorge b pelas 03:01 PM | Comentários (0)
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sexta-feira, 10 de novembro, 2006
Modestas contribuições para o meu auto-conhecimento: a saga continua

Sinto forte dependência e instintiva atracção pelo impossível, por tudo o que, instintivamente outra vez, sinto que jamais poderei alcançar. Exhibit one: não são raras as vezes que me acontece ter vontade, ficar aflitinho para escrever em locais ou situações onde tal não é viável, impossível portanto. Mas depois, au contraire, quando tenho tudo o que preciso para o fazer, quando tenho a possibilidade de concretizar o desejo mesmo ali à frente, a desinspiração instala-se.
Andamos sempre desencontrados, eu e o desejo, ele aqui, eu lá, ou então ele lá, a maior parte das vezes, e eu em lado nenhum. Nunca estou no momento, antes, sempre no momento seguinte. O pensamento sobrepõe-se sempre, mais rápido, mais forte que a realidade. Habito um presente onde sou um anacronismo, onde nunca estou verdadeiramente presente a não ser em pensamento, onde sou a ficção de mim próprio, condenado pela impossibilidade de ser, ter, agora.

Publicado por jorge b pelas 11:20 AM | Comentários (0)
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quinta-feira, 9 de novembro, 2006
Curado

Posso afirmá-lo com toda a certeza: estou curado! Passei pelo pasquim e foi-me indiferente, resisti à tentação, ao apelo da leitura fácil, da gula pelas novidades de borla. Estou limpo, voltei ao livro como companhia de viagem. Abandonei o vicio, larguei o Destak.

Publicado por jorge b pelas 09:06 AM | Comentários (0)
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quinta-feira, 19 de outubro, 2006
Les miserables

Vejo na televisão uma senhora miserável de corpo disforme. O drama ? A gordura. A senhora teria sobrevivido os últimos anos a comer em excesso e a moldar de forma irremediável o colchão lá de casa. De tão gorda, não se conseguia levantar da cama, não se conseguia por de pé. Comida, higiene diária e outros cuidados estavam a cargo de outra altruísta pessoa que religiosamente ia lá a casa. E o filho, e agora a gorda desata a chorar, o seu filho que faltava à escola para ficar a ajudar a mãe. E mais ninguém. A senhora só está agora ali sentada, apta a aparecer num programa da manhã porque, por caridade de todos nós, o Ministério da Saúde entrara para a banda gástrica. Após alguns meses, reduzido o apetite e o volume, sobrava ainda a parte inestética. Andava mas continuava gorda, drama quiçá maior. Reduzida igualmente a boa vontade pública, pedia-se agora a privada alma caridosa que patrocina-se a operação plástica que se impunha. Terminada a fase do prantos, bem espremida pela apresentadora, chega o happy-ending: Um cirurgião plástico acaba de oferecer-se para efectuar a dita operação… a custo zero!! Palmas, palmas e mais palmas. Ok, parem as cameras, mesmo aí nesse plano, estilo “fiel ou infiel”, pára-pára-pára. O que temos agora no écran é o rosto da senhora gorda. Lembrem-se, ela tem vivido os últimos anos num sofrimento atroz, esteve ali quase meia hora a debitar queixumes duma vida, em nome das audiências. Agora, há cerca de 10 segundos que ela sabe que o seu problema irá ser resolvido. Já foram mostradas as caras de satisfação da plateia idosa, a apresentadora não cabe em si de feliz, o cirurgião está satisfeito com a publicidade, o director da estação com as audiências, e a gorda ? Não era suposto ser ela a pessoa mais feliz do estúdio, já não digo da freguesia ? Obviamente que não. Tirar a infelicidade aquela mulher é tirar-lhe a sua secreta felicidade, a sua forma de viver feliz na miséria. Ela sente, acabará o seu estado de graça, tem dúvidas sobre se poderá viver doutra forma, ter uma vida magra, incertezas que vêm com a felicidade, com a normalidade da massa corporal. Em nítido esforço, deixa escapar um agradecimento cabisbaixo, mas não houve alteração no seu sofrido rosto, a bombástica notícia da operação à borla não alterou minimamente o seu semblante e o espectador mais atento arriscava dizer que em vez da felicidade pelo fim à vista do sofrimento, a gorda experimenta agora o sentimento de perda, da sua gordura, sustento da sua felicidade infeliz.
Nietzsche tinha razão. De entre toda a razão que tinha, escolho esta: os miseráveis, no fundo não querem deixar de o ser. No fundo não querem perder o único poder que têm sobre os outros. O poder de chocar, de causar pena. Dá-lhes um secreto prazer exercerem esse poder, não o querem perder. Não estou a citar, são palavras minhas a partir da ideia do Friedrich, mas a receita aplica-se com perfeição a varias realidades, não só a este televisivo exemplo.
No amor, não há quilos a mais, mas há também miseráveis. Pessoas que, quando amam, se esvaem de auto-estima, espécie de dieta maldita sem alternativa porque outros amores, outras formas de amar, para elas, não existem, não funcionam. Algo comparável com o amor das amantes, das outras, que sonham o triunfante dia em que os respectivos deixarão a família para se dedicarem a elas em full-time… Vivem nessa esperança e sofrimento, nessa expectativa infeliz dessa operação estética, mas no fundo sabem que a acontecer, será o fim. Reconhecê-lo é um sinal de inteligência rara. Há relações que só assim existem, em sofrimento, só assim têm lógica, se alimentam, sub-nutridas, sobrevivem numa saudável anormalidade. Há outras, verdadeiramente impossíveis, que nem assim existem mas viciam quem as vive, quem anda a bater com a cabeça e o coração nas paredes. Ás vezes antes isso que nada, antes essa poesia, pensam os miseráveis, enquanto tanto deles se desperdiça.

Publicado por jorge b pelas 11:55 AM | Comentários (0)
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quarta-feira, 11 de outubro, 2006
Ao que um gajo chega

Vim um relógio da Tissot com numeração romana e achei-o bonito. Estou tentado a comprá-lo.

Publicado por jorge b pelas 04:33 PM | Comentários (0)
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segunda-feira, 2 de outubro, 2006
Consome filha!

Mama mama papa papa bebe bebe fuma fuma toma toma chupa chupa upa upa come mama consome papa consome CONSOME FILHA !”
“Mama papa” dos Repórter Estrábico.

Tudo o que pode ser quantificado pode ser transaccionado… com lucro para alguém. E como somos altamente quantificáveis, cada vez mais, somos medidos, pesados, avaliados, e ocupamos espaço, e fazemos barulho, lixo, somos seres orgânicos, temos vontades e desejos, temos que pagar a alguém este grande favor que é estarmos vivos. Bem pago, com esforço, escravidão, com dever, sempre maior.
A vida é um bem valioso, demasiadamente valioso para que passe ao lado do mercantilismo reinante.

Publicado por jorge b pelas 01:52 PM | Comentários (0)
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segunda-feira, 18 de setembro, 2006
Vil

Prova nº 1246: Nunca faço forward de mailes com apelos desesperados e fotografias de pessoas e crianças desaparecidas. Acho inútil. Só o faria se fosse traficante de pessoas ou pedófilo e pertencesse a alguma rede. Assim como faço forward de todos os mailes a achincalhar o Benfica, precisamente porque sou do Benfica.

Publicado por jorge b pelas 11:04 AM | Comentários (0)
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quinta-feira, 17 de agosto, 2006
Guerra e paz na cama

Quando chegará o dia em que as misses nas suas alegações finais desejarão a paz e a concórdia entre homens e mulheres, que o campo de batalha se restrinja de uma vez por todas ao rectângulo da cama… Que catástrofe maior terá de acontecer do que esta que já acontece nos nossos dias, com tanta procura de um lado, tanta oferta do outro, sem que se faça negócio, que cataclismo maior fará homens e mulheres viverem e comerem-se em harmonia ? É na desgraça que as pessoas se unem sem desconfiança, é na existência de um inimigo comum que se geram cumplicidades. Não há maior desgraça que a indiferença, maior inimigo que a solidão.

Publicado por jorge b pelas 10:57 AM | Comentários (1)
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segunda-feira, 24 de julho, 2006
Destas coisas

Faço 15 minutos da minha viagem diária de comboio ao lado de um gajo que tresanda a alho. No metropolitano, uma lavadora de escadas utiliza a sua melhor arma para ganhar espaço na carruagem super-lotada, o rabão, enorme, aquilo não é cu, não é rabo, não é peidola, é rabão, enorme, para me esmigalhar ainda mais contra o vidro, como se fosse possível. Utilizo agora o caixote do lixo como mesinha de apoio, porque o espaço hoje parece-me ainda menor e o meu sentido de improviso está ao rubro. E ao fundo do corredor oiço a sanita, junto à fotocopiadora, a gorgolejar sozinha. O meu CD de Craig Armstrong está riscado.

Publicado por jorge b pelas 09:31 AM | Comentários (4)
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domingo, 23 de julho, 2006
Carne & mel

- Querida depois desta breve manifestação de carinho, vou-te comer como nunca o foste na vida.
Mesmo as mais doces palavras dos poetas sabem a carne. É apenas no olhar que se encontra o mel, mesmo no mais canibal dos olhares.

Publicado por jorge b pelas 02:24 PM | Comentários (1)
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segunda-feira, 17 de julho, 2006
Mulher Joker

O sorriso é o maior bem de uma mulher. Mas quantas vezes desbaratado em risos alvares.
(da série comic book heroes)

Publicado por jorge b pelas 06:10 PM | Comentários (2)
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sábado, 15 de julho, 2006
Mulher Perfeita

Nada na cabeça, tudo no corpo. Quem nunca desejou tal perfeição ?
(da série comic book heroes)

Publicado por jorge b pelas 05:11 PM | Comentários (3)
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terça-feira, 4 de julho, 2006
Futebolismo

No final do penálti contra a Inglaterra, dou por mim a gritar não "golo, golo", antes "passámos, passámos", como já fizera antes, no final do jogo contra a Holanda. Grito de descarga angustiante de quem espera por algo de bom que estará do lado de lá. Mas quando chegármos ao fim do lado de lá, à final, e ganhármos, não haverá mais nada para passar. Só me restará gritar "golo, golo". Então eu e outros milhões iremos todos tristemente constatar que, no fundo, porque é no fundo que se sentem estas coisas, não ganhámos absolutamente nada. Nem iremos perder, se perdermos nos golos. Independentemnte do resultado, quem ganharão serão meia duzia de anunciantes e patrocinadores, as FIFAS, seguramente, e os jogadores e o Sr. Scolari, por sinal, as unícas pessoas que verdadeiramente "passaram, passaram" e que se passarem por nós na rua, não nos conhecerão de lado nenhum.
O futebolismo, como qualquer outro ismo, ajuda a suportar a infelicidade. Não será nunca um meio dos capazes atingirem um qualquer bem estar ou equilíbrio interior.

Publicado por jorge b pelas 10:34 AM | Comentários (2)
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sexta-feira, 9 de junho, 2006
Body-building

O corpo tem sempre razão.

Publicado por jorge b pelas 09:03 AM | Comentários (0)
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segunda-feira, 29 de maio, 2006
Ideias certas mas completamente erradas II

A ideia de que a primeira impressão que damos às outras pessoas é muito importante, está completamente errada. Dou como exemplo alguém que me confidenciou que, quando me conheceu, me considerou extremamente arrogante. Entre o seu círculo de amigos alcunhou-me de 'o taliban'. Apesar das contrariedades iniciais, depois ficámos amigos, tinhamos ambos características de personalidade comuns.

Publicado por jorge b pelas 12:23 PM | Comentários (1)
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Ideias certas mas completamente erradas I

A ideia de que se não gostarmos de nós próprios ninguém gostará, está completamente errada. Tem de haver sempre alguém que goste de nós primeiro e só depois poderemos dár-nos ao luxo de gostarmos de nós próprios. Nem que seja a mãezinha.

Publicado por jorge b pelas 12:00 PM | Comentários (2)
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sexta-feira, 26 de maio, 2006
Desespero

A tristeza é sempre proporcional ao desespero de se ser feliz.

Publicado por jorge b pelas 03:14 PM | Comentários (1)
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terça-feira, 9 de maio, 2006
O futuro da espécie

Do ponto de vista ecológico, da saúde planetária, aquilo que mais interessa à espécie, é benéfico que a riqueza esteja na posse de poucos. É uma reserva estratégica preservada por uma elite de guardiães que vivem em função dum instinto de protecção e sobrevivência, o acumular.
Se todos fossemos apenas razoavelmente mais remediados, se todos tivéssemos acesso a nacos daquela reserva, transformando-a e materializando os nossos sonhos, se todos, sublinho, seria catastrófico.
O equilíbrio ecológico dos seres humanos, da civilização, é feito de desigualdades. É perfeitamente lógico que os ricos estejam cada vez mais ricos. É natural e até salutar. Só assim temos futuro.

Publicado por jorge b pelas 06:10 PM | Comentários (0)
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domingo, 2 de abril, 2006
Por amor


É compreensível que as mulheres teimem em querer casar por amor. Por amor ao dinheiro, entenda-se. Aquele que, garantidamente, dura uma eternidade.

Publicado por jorge b pelas 10:20 AM | Comentários (2)
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quinta-feira, 9 de março, 2006
Solitário pessoal

Nua, numa madrugada quente,
Na obscuridade que te liberta e adorna,
Não tens aquele minimo medo,
E podes morrer a qualquer instante feliz,
Nos braços do teu solitário pessoal.

Publicado por jorge b pelas 12:24 PM | Comentários (2)
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sábado, 4 de março, 2006
Em delírio

Êxtase total nas comemorações do 3º aniversário deste não menos extasiante blog.

Publicado por jorge b pelas 01:39 AM | Comentários (1)
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quinta-feira, 2 de março, 2006
Época de paz e harmonia

Há uma estranha harmonia no enregelado Carnaval lusitano, uma época feliz onde as mulheres levam a sensualidade ao extremo, e os homens, o rídiculo.

Publicado por jorge b pelas 10:22 AM | Comentários (1)
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sexta-feira, 27 de janeiro, 2006
Mulher-rebatível

A mulher que não se sabe sentar, que se sente desconfortável no banco da frente de um carro, é não só um hino ao feminino, assim como aquele desconforto inquieto, um regalo para os olhos.
(da série comic book heroes)

Publicado por jorge b pelas 10:06 AM | Comentários (0)
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segunda-feira, 23 de janeiro, 2006
Sob a influência de Richard Oelze


Não teria precisado de ver uma gaja boa para a poder imaginar.

Publicado por jorge b pelas 11:09 AM | Comentários (0)
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quinta-feira, 29 de dezembro, 2005
As virtudes da depressão

Há pessoas que só mesmo deprimidas se conseguem aturar. Igualmente as há que só naquele deplorável estado se conseguem (deixar) engatar. A depressão tem destas virtudes.

Publicado por jorge b pelas 12:14 PM | Comentários (0)
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quinta-feira, 17 de novembro, 2005
Cof-cof-cof

Cof. Enquanto decorre a chamada a conta gotas, nem a mais infima particula da imensa arrogância que caracteriza o meu ser me permite dar ao luxo de esperar sentado por um sr. doutor qualquer. Não tenho vida para estar doente. Cof-cof.

Publicado por jorge b pelas 09:39 AM | Comentários (0)
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sexta-feira, 11 de novembro, 2005
União faz a forca

Não acredito nos sindicatos e associações afins, nestas organizações com previsíveis fins reivindicativos, muito ordeiras e cheias de razão. A união faz a força, dizem-me. Mas força porquê ?

Publicado por jorge b pelas 09:49 AM | Comentários (0)
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quinta-feira, 6 de outubro, 2005
Comic book heroes

A Mulher Cultura não tem hipótese contra a Mulher Orgasmo.

Publicado por jorge b pelas 11:08 AM | Comentários (0)
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sexta-feira, 16 de setembro, 2005
1º passo

O primeiro passo para fazer uma mulher gostar de um homem, é o homem gostar da mulher... Ou pelo menos, convencê-la disso.
Depois de vários anos de exibição do Esquadrão G, a rapariga estava desesperada porque não conseguia arranjar namorado.

Publicado por jorge b pelas 09:43 AM | Comentários (0)
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sexta-feira, 8 de julho, 2005
Escassez

O Feminino é cada cada vez mais uma raridade.

Publicado por jorge b pelas 10:00 AM | Comentários (0)
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terça-feira, 17 de maio, 2005
De ja vu

Acredito, mas no sentindo inverso. A abordagem ao fenómeno será mais “Desculpe, não nos vamos conhecer de algum lado ? É que tenho a certeza que iremos para a cama num futuro próximo.”

Publicado por jorge b pelas 10:27 AM | Comentários (0)
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quarta-feira, 20 de abril, 2005
Pornografia de auto-ajuda

Filmes porno para os homens, livros de auto-ajuda para as mulheres. Os protagonistas parecem ser sempre mais felizes, têm mais prazer e sabem mais que o seu público. Causam inveja, podem levar a uma procura por preservativos baratos ou a uma busca interior barata. Começa a consciência da frustração, acaba muitas vezes o casamento.

Publicado por jorge b pelas 07:12 PM | Comentários (1)
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quinta-feira, 17 de março, 2005
Puras páginas virgens

Nesses momentos solenes em que escrevo uma dedicatória num livro que ofereço, a caligrafia sai-me sempre péssima. Um livro por ler é algo de tão imaculado que me atrapalha.

Publicado por jorge b pelas 06:53 PM | Comentários (0)
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I love you, i love you, i love you

Fica bem nos poemas e ganha um encanto especial se cantado. Na vida real das relações, dito assim, três vezes seguidas, é um absoluto exagero ou o prenuncio de que algo está ou vai acabar mal, mal, mal. As consciências não são surdas.

Publicado por jorge b pelas 06:38 PM | Comentários (0)
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segunda-feira, 31 de janeiro, 2005
Desejo a dias

Cada vez me convenço mais dos benefícios duma vida despojada do supérfluo; piscina, a do vizinho, barco, o do amigo, lareira, a da estalagem na província, grandes salas, as dos hotéis, jardins, os públicos, ecrãs gigantes, os dos cinemas, altas fidelidades, as das discotecas. A casa, bem inevitável, o mais confortável, prática e minimalista possível. O automóvel, outro, o mais fiável e veloz. O sentimento de posse é cada vez mais caro de sustentar e quase sempre gera mais prestações em atraso e exibicionismos do que prazer para o proprietário. Para já não falar na banalização: o objecto do desejo nunca deve fazer parte do nosso dia-a-dia.

Publicado por jorge b pelas 10:08 PM | Comentários (0)
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terça-feira, 18 de janeiro, 2005
Aequilibriu

Numa relação saudável e equilibrada deve ser sempre a mulher a gostar mais do homem. Quando acontece o contrário, a mulher não sabe gerir tal poder, estraga tudo.

Publicado por jorge b pelas 10:38 AM | Comentários (4)
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segunda-feira, 20 de dezembro, 2004
Holocausto caníbal

O facto de certos animais serem sensíveis ao carinho humano, seria razão mais que suficiente para que nunca estivessem no nosso prato.

Publicado por jorge b pelas 10:16 AM | Comentários (0)
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quinta-feira, 25 de novembro, 2004
Pelo menos

Devia ser desígnio de qualquer gajo, encontrar onde quer quer fosse, uma gaja, pelo menos perfeita.

Publicado por jorge b pelas 01:39 PM | Comentários (1)
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domingo, 31 de outubro, 2004
Responsabilidades

Sai pus do ouvido de um dos meus gatos e instintivamente começo a montar a casinha de transporte. Daí a pouco estou na veterinária a pagar 44 euros e a compreender porque vejo tantos animais abandonados e tantos clínicos a viver em condomínios privados. Não é economicamente aconselhável ter-se animais, apesar do que dizem os fabricantes de comida, acessórios e serviços para animais. Dou por mim a pensar que nunca dei tanto dinheiro para uma consulta minha (as minhas são comparticipadas), que se me começasse a sair pus do ouvido aguardaria vários dias até me cansar de assoar a orelha ou até ficar com o ouvido podre, antes de me decidir a consultar um médico. Está profundamente enraizada para mim a filosofia do ‘isto passa’.
Ter animais domésticos obriga-me a mais uma responsabilidade, precisamente quando penso que deveria começar a cortar, não nos gastos, que tal é inconcebível, mas nas responsabilidades. Vive-se mais feliz com menos.

Publicado por jorge b pelas 04:33 AM | Comentários (0)
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Salsichas

Umas salsichas de aperitivo em massa folhada ‘obrigam-me’ a estar para aqui a escrever a horas impróprias para consumo. Parece que só assim tenho tempo para escrever, com esta sensação incómoda no estômago, em sintonia com a cabeça. E a falta que me faz escrever, a falta que me faz poder acreditar em fantasmas ou alminhas do outro mundo, qualquer coisinha de paranormal, para que não me sinta tão sozinho neste exorcismo.

Publicado por jorge b pelas 04:19 AM | Comentários (0)
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segunda-feira, 13 de setembro, 2004
Quanto mais me conheço mais gosto dos animais

Paro num cruzamento e observo um cão a correr de um lado para o outro na estrada, numa brincadeira perigosa á frente dos carros que passam, forçando alguns deles a travarem bruscamente ou a desviarem-se. O cão, visivelmente abandonado e velho, já coxeia duma pata, e á distancia a que me encontro, é como se o cão estivesse a desafiar, a provocar a própria morte.
Lembro-me daquela cena do cão, do “Apocalypse Now”, quando a patrulha de militares americanos cruza-se com um barco de chinocas e o mandam parar para o inspeccionar. A tripulação do barco civil abordado é composta por 3 elementos, dois homens e uma mulher, simples comerciantes. No entanto, devido á tensão entre os soldados, a situação precipita-se e os militares assassinam os homens e ferem a mulher que apenas tentava proteger um 4º elemento da tripulação escondido, um cachorrinho. A preocupação e os cuidados de um dos soldados vai imediatamente para o animal, se estaria ferido, sendo acolhido pelos militares. Quanto á mulher ferida, decidem acabar de vez com ela.
Se eu fosse aquilo a que vulgarmente se designa por “um gajo com muita dinheiro”, muito mais depressa comprava um terreno e construía um albergue para animais abandonados do que um albergue para pessoas doentes, pobres e abandonadas. Aliás a segunda hipótese acho que nunca me passaria pela cabeça levar a cabo. Isto deve de ser preocupante, presumo.

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domingo, 29 de agosto, 2004
Ter ou não ter

Quando se tem o que realmente importa, perde-se tempo procurando coisas que pouco importam mas às quais se dá grande importância.
Quando não se tem o que realmente importa, as coisas adquirem a sua real importância.

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quarta-feira, 25 de agosto, 2004
A ver a luz

O excesso de luz é prejudicial á escrita e não adiantam os óculos escuros. O barulho das ondas do mar numa praia que nunca é deserta também não ajuda. Os factores de protecção, a areia e os peixes aranha, o bronzeado efémero também não. Nem as pequenas vitórias de Verão, o já conseguir mergulhar sem apertar as narina com os dedos, o ressuscitar da colecção de selos, o sul de Espanha, não resistem á luminosidade dos dias.
Inevitavelmente, com a inclinação do sol, vem a inclinação para as palavras, e tecla a tecla, as coisas acabarão por voltar à cómoda normalidade. Essa anormalidade, escape algo obscuro e inconformista do maldito sobrevivente escritor de blogues.

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quinta-feira, 17 de junho, 2004
Toda a gente gostava que a sua vida nunca mais fosse a mesma

Uma vez escrevi num fórum, que se por acaso algum dos autores ou autoras dos meus blogues favoritos deixasse subitamente de escrever sem aparente razão, isso só poderia significar que algo de bom demais lhe teria acontecido, suficientemente inesperado e delicioso para sequer perder tempo com desculpas ou explicações a eventuais leitores seguidores que qualquer blogger que se preze julga ter. Ficaria portanto eu, como leitor, com saudades, mas feliz por constatar que o combustível que lhe alimentava o ‘gosto’ por escrever altruisticamente, se tinha esgotado. Ou seja, que o desânimo, o desalento, a frustração, a desmotivação, o aborrecimento com alguma coisa da vida real, momentânea ou definitivamente tinham acabado. E portanto, quando acabam tais carburantes, o que mais pode levar um gajo a escrever num blogue ? Por exemplo, um gajo que ande passado, com uma gaja enfiada na cabeça e vice-versa, lá tem o mínimo de pachorra para escrever?... E logo num blogue? Tenham paciência, mas o blogue que vá ás urtigas, e com ele o contador de acessos e os comentários, pelo menos durante uns tempos, até a gaja começar a variar ou com coisas. Pensem bem, um gajo quando está mesmo a curtir (i.e., a viver intensamente determinado momento ao ponto de perder a noção do espaço e do tempo e do resto, principalmente), está cá preocupado em lembrar-se dos pormenores para depois os contar barra escrever mais ou menos lieterária e romanceadamente num blogue? Se o tivesse, estaria já a suicidar 90% da curte. O blogue será bom para a pós ressaca sentimentalona ou para momentary lapses of fun.
Mas ao contrário do que se possa pensar, nem eu nem Freud resumimos tudo à libido. Também para o barbas, o trabalho tinha uma importância primordial na realização e bem-estar psíquico do indivíduo. Ora, esta minha ausência não programada do meu querido blogue, deveu-se e receio que continue a dever-se, a uma alteração na minha vida profissional e não a qualquer delírio emocional ou queda anormal de cabelo. O ofício é o mesmo, mas mudou o local, tarefas e principalmente, um benvindo acréscimo no ordenadinho. Coisas suficientes para alterarem completamente a minha rotina, por exemplo, deixei de fazer os meus terapêuticos passeios diários de metro ao principio da manhã e ao fim da tarde, deixei a sobremesa de arroz doce, o arroto a imperial ao fim de tarde, e esqueci-me da password de acesso ao MT da weblog.com.pt (situação resolvida hoje através do método de hipnose com regressão a vidas passadas: encarnei um vidente do século XII que preveria o meu nascimento, o meu primeiro ataque de urticária, que password usaria para entrar no meu blogue e quantas sardinhas assadas comeria na noite de Santo António no ano de 2198). E a verdade é que, por estes dias, tenho-me sentido estranhamente motivado para o trabalho, uma sensação esquisita que há vários anos não sentia, que talvez nunca tenha sentido, esta euforia, ainda em fase de testes.

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terça-feira, 11 de maio, 2004
Bibliotaxa

A imposição duma taxa por parte das bibliotecas públicas aos leitores quando levantam livros, está a gerar desnecessária polémica e petição a condizer, entre os facilmente ofendidos. Esta medida insere-se na óptica exploradora do Estado feito cada vez mais máquina empresarial: Ir sacar dinheiro onde quer que seja, mesmo onde mais inimaginavelmente impossível. É portanto mais uma graça do moderno e monstruoso Estado ocidentalmente democrático.
No entanto, a ideia da taxa, desde que simbólica (digo simbólico, por exemplo, 20 cêntimos por uma semana de empréstimo de um livro), não me parece minimamente escandalosa à luz da actual conjuntura social e intelectual, e só estranho o atraso na sua implementação. Os livros merecem respeito e taxar-lhes o acesso é uma forma natural também de os preservar de leitores gratuitos, desses que os levantam e depois não os lêem, se atrasam a devolvê-los, ou que os sublinham, lhes fazem apontamentos, lhes dobram as capas, lhes arrancam folhas, desses piores do que aqueles que plastificam a capas, negando ao livro o direito de envelhecer condignamente. Não quer dizer que a taxa faça essa filtragem, mas creio que poderá ajudar também a responsabilizar o leitor pela obra, bem de todos, da qual fica responsável, que então só a passará a levar se estiver mesmo mesmo interessado na sua leitura. As estatísticas da literacia nacional podem descer, serão menos bonitas, mas serão mais fiáveis e reais.
Falando na petição em si, parece-me algo incongruente assiná-la, quando pago sem pestanejar por uma cerveja numa discoteca 3 euros, quando pago 5 euros por um mero bilhete de cinema, quando dou 30 euros para ir a um qualquer concerto de musica, ou 4 vezes mais se for ‘o maior festival de musica do mundo’. (Quem não é praticante destas extravagâncias, compreendo a indignação e o à vontade para assinar coerentemente tal petição.) Falo das estroinices mas posso também falar falar no preço do litro da gasolina, do leite, da água com e sem gás, do preço exorbitante dos próprios livros, exorbitante porque, quem o escreveu, dessa exorbitância recebe uma ninharia, sendo o grosso da exorbitância dividida injustamente entre intermediários, editores, livreiros e afins. Contra este e outros estados da corrumpida coisa, não vejo petições nem a insurreição mais que merecida. E se o dinheiro cobrado pela controversa taxa for direito para os bolsos de quem matou tempo e neurónios a escrevê-lo, não vejo onde possa haver injustiça ou polémica que o valha.

PS:
Ok, neste momento imagino alguém sem posses (pobrezinho) com o desejo incontrolável de ler o “Capital” do Karl Marx, não tendo naturalmente como pagar a maldita taxa da biblioteca, vendo-se portanto decapitado no seu desejo de aceder ao conhecimento, excluído social e para cúmulo, culturalmente. Abram-se então excepções, devidamente fundamentadas, façam-se salas de leitura controlada e gratuita, para os viciados.

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quarta-feira, 14 de abril, 2004
Irony

Vinte e um anos depois do lançamento do primeiro relógio que até condizia com as calças, compro finalmente o meu primeiro Swatch, a condizer mais com a minha carteira. Suponho que era inevitável, mais tarde ou mais cedo, teria de acontecer, eu aderir, render-me. E o facto de ser “o meu primeiro” não augura nada de bom.
Se há alguma coisa física que deveria passar de avôs para netos, seria um bom relógio. O que eu não daria para ter, do meu avô, um relógio estrangeiro duma marca estilo apelido impronunciável & apelido esdrúxulo (o & é um bom sinal numa marca de relógio de pulso), que tivesse resistido às agruras das pocilgas (sim, o meu avô paterno foi criador de porcos, já não se usa, eu sei), e hoje ainda funcionasse que nem um relógio suíço... Assim, dele tenho esta falta de cabelo. Não houve relógio que resistisse, assim como este Swatch Irony, apesar do plástico e do alumínio não serem biodegradáveis, não resistirá às agruras dos meus impulsos consumistas. Passará quanto muito deste ano para o ano que vem.

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terça-feira, 6 de abril, 2004
Despertar

E água, aluminium chlorohydrate, cyclomethicone, paraffinum liquidum, peg-40 stearate, cetyl alcohol, glyceril stearate, parfum, peg-8, c12-15 alkyl benzoate, trisodium edta, glyceril laudate, perssea gratíssima, octyldodecanol, debaixo dos braços.

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terça-feira, 23 de março, 2004
... Interferências

agora volto que estou castrado
...
sexta feira doze
...
a orelha mouca e rouca, e a língua muda e cega
...
todas as pessoas são mais inesquecíveis que toda a gente
...
se me vires disfarça, finjo que nunca te conheci por dentro e fazemo-nos assim felizes
...
um encontro pode ser um encontrão que não é penalty
...
a realidade em cuecas é mais crua que nua
...
rastejar na tua lama limpa-me de alto a baixo, e de baixo a mais abaixo ainda
...
o fim do mundo é o lugar ideal para se tirar a senha e esperar
...
tempo de reciclagem, entregamos os nossos brinquedos
...
tudo tem um final que pode muito bem não ser um fim
...
apenas se escreve a palavra não, que é de todas as palavras a que deve
tirar mais a
...
história de um até amanhã escrito
...

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segunda-feira, 8 de março, 2004
Aniversário (entrada no blogger 3/3/2004)

É verdade, hoje este blog completa o seu primeiro ano de vida. Não posso esconder algum orgulho por ter chegado até aqui, escrevendo regularmente, diria 3 ou 4 vezes por semana. Isto conhecendo-me como me conheço, trabalhando onde trabalho, com a disponibilidade que tenho, é obra. E nem de de propósito, a frase do dia no Citador, aqui ao lado, diz Cícero que "todos acham as suas obras belas". Subscrevo.
Ainda há um orgulho extra, o de ter-me metido nisto algum tempo antes do grande boom dos blogs se ter dado em Portugal, sabendo no entanto que muitos já cá andavam muito antes de mim. Não sou portanto propriamente um pioneiro mas à medida que o tempo passa, vou sendo cada vez mais um resistente. Quanto ao futuro... só a nós pertence.

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sábado, 21 de fevereiro, 2004
Nus

Nus,
Numa madrugada quente,
Na obscuridade,
Conseguem ser verdadeiramente,
Sozinhos.
Não têm o mínimo medo,
Esses medos.
E podiam mesmo morrer a qualquer instante.
Sentem que sim,
Intensamente,
E amam.

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terça-feira, 9 de dezembro, 2003
Sem nunca

Um casal de idosos, que nunca foi a Marte, vive os seus últimos dias satisfeito porque, entre outras coisas, o filho, pessoa estimada por todos e invejada por outros, conseguiu passar pela vidinha, por esta vidinha, sem nunca dar em louco. Coisa rara, já dá para morrer feliz.

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sexta-feira, 5 de dezembro, 2003
Os blogs

Os blogs são escritos apaixonadamente por pessoas desapaixonadas.

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quinta-feira, 27 de novembro, 2003
Agasalho

Numa ainda madrugada muito fria, uma mulher qualquer bela passa um sinal recentemente vermelho com o seu recente Mercedes. Leva os ombros á mostra e só ela sabe quando os destapou. Agasalho-me.

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quinta-feira, 20 de novembro, 2003
Idiotia

De temps-en-temps devíamos parar para pensar, reflectir seriamente sobre o nosso estado, se não estamos a ficar assim. Procurar esses sinais mais ou menos evidentes e tentar corrigir, inverter a tendência. É cada vez mais fácil tornarmo-nos nuns, num processo gradual e invísivel que nos passa despercebido, assim como passa aos outros porque estão como nós. Deveria ser instituído um dia nacional contra a idiotia. Pelo menos, uma vez por ano...

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quarta-feira, 19 de novembro, 2003
Felicidade

Há pessoas vestidas que mesmo que lhes aparecesse pela frente a felicidade toda despida, nunca saberiam o que fazer com ela.

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segunda-feira, 13 de outubro, 2003
Ilusões paralelas

Acordo e passados alguns segundos estou a pressionar a válvula do gel de barbear. Reparo que estou atrasado, que nunca mais corre água quente, que como de costume não terei tempo de tomar o pequeno almoço em casa. O espelho está ligeiramente torto, a barba ligeiramente por fazer e como habitualmente tenho um gato atento, sentado no bordo do lavatório, a seguir-me os movimentos. É apenas mais um começo de dia, igual a outros começos de dia, sem alternativas ao ritual pós-sono. Excepto agora, num pequeno detalhe. O mostrador do relógio tem inscritas duas letras que indicam o dia em que acordo: SU, o Domingo abreviado, em inglês.
Escrever, escrever num blog também é assim, acordar num Domingo de manhã pensado que se está a acordar numa Segunda feira de trabalho, este ritual do engano e do efémero, esta ilusão qualquer que o tempo interrompe sempre, felizmente.

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segunda-feira, 6 de outubro, 2003
Top Secret

A suprema satisfação do dominador consiste em ser absolutamente dominado.

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quinta-feira, 2 de outubro, 2003
Toc-toc

Para se entrar na vida de alguém, convém fazê-lo sempre pela porta principal, e nunca por uma janela qualquer, aberta de propósito ou deixada assim ao esquecimento. E deve-se sair pelo mesmo sítio por onde se entrou.

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segunda-feira, 15 de setembro, 2003
Emprego

Era o que receava. Passados que são 45 minutos, é como se já estivesse aqui há uma semana. No final do dia terão passado meses, anos, terei sido promovido mas à beira do limite legal. Aceitarei o pacote da pré-reforma e voltarei no dia seguinte para continuar a passar invisível pelo tempo.

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segunda-feira, 21 de julho, 2003
Decoração de interiores

A uma alma bem mobilada não deve faltar uma boa paixão de marca.

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Sinal dos tempos nº 54687

Nunca como agora houve tanta procura, tanta oferta e tão pouco negócio.

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segunda-feira, 14 de julho, 2003
Filosofia de Bolso

É fácil ter-se razão. Ainda mais fácil é perdê-la. Devo ter os bolsos rotos.

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terça-feira, 8 de julho, 2003
Choose

Entre o chicote e a chicotada, há quem opte por sorver os pequenos brilhos do céu a horas impróprias para consumo.

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Espelho

Num ginásio de musculação, o aparelho mais importante é o espelho.

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sexta-feira, 4 de julho, 2003
Sinais dos tempos

Sinal dos tempos nº 4526
Maio e Junho são agora mais quentes mas ainda assim todos os meses surgem
cada vez mais loucos escondidos atrás das secretárias.

Sinal dos tempos nº 5624
Os blogues são agora uma verdadeira epidemia mas ainda assim a vida real triunfa: Catherine Deneuve ultrapassa Pipi no top dos quem é quem.

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quinta-feira, 3 de julho, 2003
Mezinha

Silicone faz bem à vista

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segunda-feira, 30 de junho, 2003
Profecia #1

Façam copy & paste do que escrevo: E chegará o dia em que mandar um gajo ir blogar será pior que mandá-lo á merda!

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quinta-feira, 26 de junho, 2003
Ideia para um final nem sempre feliz

... ela espera ansiosamente pela chegada dum meio de transporte qualquer, quando um desconhecido com aspecto de bom desconhecido lhe pergunta:
- "Desculpe, mas o que está a usar, não é Denim ?"
Ela desmaia nos seus braços e vivem assim para sempre.

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Suportável

Entrar numa boca inexplorada que cheire mas não saiba a tabaco é suportável.

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quarta-feira, 25 de junho, 2003
C.E. Standard

As coisas começam a ficar seriamente preocupantes quando, na mais suburbana das tascas, os pires trazem caracóis, todos com o mesmo tamanho de tripa.

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sexta-feira, 20 de junho, 2003
Bucho

Acabei de atravessar o largo do rato com o sinal vermelho, três bejecas, um croquete, um pastelinho de camarão e uma quantidade indeterminada de tremoços no bucho. Não tente fazer isto em sua casa.

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terça-feira, 17 de junho, 2003
Febre


- Estou a ficar febril
- Sim nota-se na tua cara que estás
- Com vontade de ir embora
- Tenho tanto para fazer
- O médico passa-te um atestado
- De certeza
- Isto é algum dente
- Tem que se arranjar
- Uma tanga não é
- Não se nota o vermelho
- Isso passa, dura pouco
- O efeito do Prozac

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quarta-feira, 11 de junho, 2003
Dor nas costas

Carregar com mais de quinhentos quilos de terra, a balde, sozinho, dum lado para o outro, pode ser uma profunda e marcante experiência filosófica. Só faz é bem. Recomenda-se que a distância dum lado para o outro seja entre os 50 e 100 metros e que o balde seja uma daquelas latas de tinta de 25 litros. Ao final da tarde.

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sexta-feira, 6 de junho, 2003
Esquecível

E porque é que não se consegue comer o raio duma bifana inesquecível ?

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segunda-feira, 2 de junho, 2003
Parto difícil

Hoje uso o do meio que me fica bem com a franjinha!
Por detrás dum comportamento rebelde e provocatório, excitante, por vezes corajoso e surpreendente, está o desejo latente duma estúpida e assustadora normalidade, que se manifestará mais tarde ou mais cedo de forma dolorosa para quem está ao lado fascinado com o toque.

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terça-feira, 13 de maio, 2003
À mercê

Um nick qualquer, umas bocas e já está! A partir de agora, estou à mercê da crítica. Vou dormir!

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quinta-feira, 8 de maio, 2003
Hoje

Hoje parece mesmo que é o primeiro dia do resto do Verão. É a luz, a luminosidade, o sabor nos olhos. E o azul Verão do mar confirmou-me. O Tejo parecia quase um espelho hoje, lá em baixo, o Tejo está lá em baixo, um barco de pesca, deve ser, parece não ter ninguém, parece.

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quinta-feira, 10 de abril, 2003
Obs

Ler ou ser lido, eis a obsessão.

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sexta-feira, 4 de abril, 2003
Alberonice II

Há duas maneiras de uma mulher de saltos altos ser terrivelmente sensual: Se estiver nua ou prestes a estar, num quarto de hotel de luxo e se estivermos lá para ver a cena (uma mulher de luxo num quarto duma pensão barata também não fica nada mal desde que esteja também no limiar da nudez, de saltos altos e desde que necessariamente estejamos lá também preferencialmente semi-vestidos), ou se estiver vestida, logo não nua, na rua a correr rua a baixo (rua a cima, ou rua a direito, também resultará num espéctaculo inesquécivel, desde que ela passe por nós e ao contrário dela não venhamos com pressa).

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quarta-feira, 2 de abril, 2003
Prozac rules

"Já me deixei dessas coisas... Agora se tenho vontade de chorar, ponho-me a rir" - pode ser o ovo de colombo da psicoterapia ou um delirio prozacquiano. O caminho é feito todo assim, a rir, olhos azuis muito abertos, um constante esgar da felicidade atirado a um espelho que é a indiferença de todos. Não sei se esteve todo aquele tempo a chorar.

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segunda-feira, 31 de março, 2003
Comer-se

Comer-se
Por detrás de toda a fanfarra ideológica, política e económica, que pretende justificar ou desculpar a guerra, atribuindo-lhe um estatuto de fenómeno complexo e incontornável, continuará a estar essa máxima básica, entranhada na consciência dos povos, que resumiu, e por muito tempo ainda irá resumir toda a geo-politica: .Comer ou ser comido..

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sexta-feira, 28 de março, 2003
Sentir-se

Sentir-se
É incomparavelmente mais natural sentir-se um orgasmo que sentir o mundo.

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segunda-feira, 24 de março, 2003
Faro

Há coisas que se nos escapam com a mesma facilidade com que ficam entranhadas noutras pessoas. Só agora sei, ou talvez já tenha sabido e esquecido, tal como acho que voltará a acontecer: Num casamento; os padrinhos do noivo compram-lhe o fato e devem comprar as alianças; os da noiva, compram-lhe o vestido. Se alguma vez alguém me convidar para ser padrinho, será certamente um bom sinal para mim. Os noivos têm um faro apuradissimo.

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Alberonice

Há três tipos de pessoas no mundo: As que vêem coisas, as que vêem as coisas e as que vêem o que as outras duas não vêem.

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sábado, 22 de março, 2003
Amnésia

Não há nada como uma boa guerra, bem longe, para fazer de nós pessoas de bom senso.

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ATENÇÃO: Atenção.

Atenção!

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quinta-feira, 20 de março, 2003
Cores

A cor preta deveria servir apenas para vestir as mulheres, realçar-lhe os olhos e pintar-lhes os lábios. Nunca as unhas.

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quinta-feira, 6 de março, 2003
Filhos

Quando são dois, casalinho, um ganha para pagar a casa, e o outro para os devaneios, as férias e os gastos da casa, e o outro é para o carro... Há aqui qualquer coisa de errado não há ?!!! Claro que há. Então e o outro, que ganha para os filhos ?

Publicado por jorge b pelas 09:54 AM | Comentários (0)
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União FC

Um golo é como enfiar a bola nuns paus espetados no chão com uma rede atrás. A união entre as pessoas é como enfiar uma linha numa agulha e começar a cozer, a amar, a chamar nomes ao arbitro, sem dedal; depois picamo-nos e adeus.

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quarta-feira, 5 de março, 2003
Vamos á freira

Tenho a certeza que não trocava o meu Sábado ou o meu Domingo por nenhuma freira. Mas surge-me a duvida sobre qual a minha freira preferida. Opto pela 6ª freira que é a que levanta as saias e já dá para ver um bocadinho do fim de semana.

Publicado por jorge b pelas 02:11 PM | Comentários (0)
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