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quinta-feira, 15 de fevereiro, 2007
Amor Líquido

"
O principal herói deste livro é o relacionamento humano. Homens e Mulheres, os nossos contemporâneos, desesperados por terem sido abandonados aos seus próprios sentidos e sentimentos facilmente descartáveis, ansiando pela segurança do convívio e pela mão amiga com que possam contar num momento de aflição, desesperados por 'se relacionarem'. E, no entanto, desconfiados da condição de 'estar ligado', em particular de estar ligado 'permanentemente', para não dizer eternamente, pois temem que tal condição possa trazer encargos e tensões para que eles não se consideram aptos nem estão dispostos a suportar e que podem limitar severamente a liberdade de que necessitam para - sim, o seu palpite está certo - se relacionarem...
"

Zygmunt Bauman, ed. Relógio d'Água

Publicado por jorge b pelas 01:25 PM | Comentários (2)
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quinta-feira, 7 de dezembro, 2006
The Last Self Help Book You’ll Ever Need

Um paradoxal e interessante manifesto que denuncia a praga dos livros de auto-ajuda; actualmente estão listados no amazon.com 20 mil títulos deste profícuo género.
*
"Uma boa família é um grupo de pessoas disposta a ficar consigo quando a maior parte das pessoas sãs e ponderadas o afastariam."
...
"Todas as pessoas casadas são casadas com um louco."
...
"Nenhum de nós pode de facto, alguma vez, ajudar-se a si mesmo. O verdadeiro poder não é pessoal mas interpessoal.”

"O amor verdadeiro não é um sentimento; é uma decisão. Se pensa que consegue ver o amor ao olhar bem fundo nos olhos do seu parceiro, está enganado. Aquilo que vê são globos oculares.


Paul Pearsall, neuropsicólogo

Publicado por jorge b pelas 11:42 PM | Comentários (0)
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quarta-feira, 11 de outubro, 2006
Fantasmas

"

Agora pareço estar mais à vontade, na longínqua e pálida margem das coisas. Se posso falar em estar. Se posso falar em à vontade.

É uma questão de calma interior, de nos escondermos dentro de nós próprios, como um bicho agachado na toca, enquanto os cães passam a correr.

Eu fazia uma coisa enquanto pensava outra e, ao constatar este abismo, ficava sem saber quem era.

Não são os mortos que agora me interessam, por mais que vivam à noite pelos quartos vazios. Então, quem é que me interessa ? Os vivos ? Não, não, qualquer coisa de intermédio; uma terceira coisa.

Há homens, bem sei, que percorrem o mundo em busca da mulher ideal, aquela que satisfará os seus mais escuros desejos e saciará as quentes e informes exigências do sangue; e eu sou desses, com a diferença de que o que eu lascivamente desejo não é uma odalisca de olhos impúdicos mas um ser feito de quietude; não inerte, nem inanimado, mas calmo como eu, um lago claro numa clareira sombria, no qual possa banhar a minha pobre fronte latejante e refrescar os seus tímidos afogueamentos.
...

Jonh Banville

Publicado por jorge b pelas 09:30 AM | Comentários (0)
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segunda-feira, 25 de setembro, 2006
As Extreminadoras

"Corriam rumores de que ela podia farejar um homem a cinco quilómetros de distancia."
...
"- Suína! Cabra! Tiveste-me a noite passada. Não fui suficientemente boa ? Os meus seios não estiveram a teu gosto ? Não fiz o que devia com a minha lingua ?"
...
"- Eu amo-a, ouves ? Eu amo-a! Tu podes ter dormido com ela, mas eu amo-a!"
...
"- Nem eu te seduzirei, nem tu te servirás do punhal em mim. Dormiremos e tentaremos esquecer o mundo que nos destrói a ambos. Achas uma troca justa ?"
...
"- Nunca tinha visto lágrimas nos olhos de um homem.
- Então aprende alguma coisa com elas, cabra! Aprende alguma coisa!"
...
"- Amo-te! Amo-te e não quero pensar mais. Ajuda-me! Faz o meu cérebro parar de pensar. Impede-o de qualquer forma."
...
"- Odeias-me ?
- Odeio-me a mim próprio. E tu tornaste-te parte de mim próprio. Serve-te a resposta ?"
...
"- Faz-nos um bom fogo, e depois podemos abraçar-nos e adormecer como tu querias. Se houver pesadelos, afunda-los-emos em orgasmos."

Publicado por jorge b pelas 01:23 PM | Comentários (0)
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quarta-feira, 2 de agosto, 2006
Os insolentes


"No amor há umas camadas inferiores de ódio."
(...)
"Quando se escreve, fica-se mais ou menos acabado, diminuído, aquilo gasta-nos, é desagradável... E além disso, para quê ?"
(...)
"Pode ser que a mentira se transforme num acto tão habitual que acabe por se escapar dos lábios, sem que nada, em todo o ser, sofra com essa distorção da verdade."
(...)
"- Quando uma pessoa se despreza tanto, como eu me desprezo a mim, o sofrimento talvez seja mesmo a única maneira de recuperar um pouco de dignidade..."

Margueritte Duras

Publicado por jorge b pelas 09:32 AM | Comentários (1)
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