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segunda-feira, 9 de outubro, 2006
895 gramas

Invariavelmente encontro sempre o mesmo livro nas mesas de cabeceira dos quartos de hotel. Não um livro de bolso, não um policial esfarrapado, um borda d’água, não um livro do patinhas, que qualquer livro que fosse não estaria a salvo do gamanço instituído, o mesmo tipo de gamanço que ocorre com as toalhas que continuam a ser o calcanhar de Aquiles dos hotéis. Estes esforçam-se por não deixar nos quartos nada que possa ter aspecto de souvenir. Mas querem dar ao hóspede algo mais para ler que as brochuras com a publicidade e normas de funcionamento interno. É natural que recorram pois à bíblia. É um livro, tem essa solenidade, decoração perfeita para uma mesa de cabeceira, o único livro que ninguém gama. Quem iria gamar algo tão pesado e inútil ?

Publicado por jorge b pelas 11:08 AM | Comentários (1)
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segunda-feira, 18 de setembro, 2006
O mãozinhas

Ao longo dos tempos, e depois de toda a trabalheira que foi a Criação, têm sido diversas as intervenções divinas. Deus tem sempre intervido nos momentos cruciais da história da Humanidade. Assim de repente lembro-me apenas daquele célebre jogo de futebol no mundial do México, há 20 anos atrás, quando a mão de Deus entrou em campo permitindo a vitória de Maradona sobre a selecção inglesa, no mais celebre golo batoteiro da história. Ah, lembro-me agora que sábado passado, a mão de Deus voltou a ser decisiva na derrota do Sporting. Mas devem existir inúmeros outros exemplos. Como a mão que comandava os aviões contra as torres do WTC, só poderia ser divina, versão árabe. Terá sido igualmente a mão de Deus que pegou num telefone e alegadamente ligou a determinadas pessoas avisando-as para que naquele dia não fossem trabalhar nas torres. Deus tem múltiplas personalidades, múltiplas variantes, uma esquizofrenia grave, um caso clínico sem cura.
Mas é na intimidade de cada um de nós, no dia a dia de cada ser humano, que se sente a presença de Deus. Deus está em todo o lado e sempre connosco, para nos proteger, nos auxiliar, para nos dar força, para nos dar uma mãozinha quando é preciso. Deus preocupa-se com o nosso bem estar físico e psíquico, Deus preocupa-se com a nossa saúde sexual e as doenças sexualmente transmissíveis. Daí que Deus dê sempre uma mãozinha ou uns dedinhos, para que possamos usufruir da forma mais segura de sexo que existe: a masturbação.
Parece que a bíblia condena algures o derramamento de sémen em vão. Não podemos considerar tal uma alusão à masturbação. Antes ao milenar coitus-interruptus, técnica indecorosa que culmina com um cum shot e que visa interromper, de forma gratuita e contra a vontade divina, o fluxo de novos filhos de Deus na Terra. Veria pois com normalidade o Santo Padre apelar à prática generalizada da masturbação, quantas e quantas vezes necessária para apaziguar o desejo incontrolável de comer a mulher do próximo e assim pecar. Um tipo ficar sem o seu lugarzinho no céu apenas porque foi para a cama com a mulher do vizinho do 5º esquerdo, é demasiadamente cruel. Mais vale esgalhar o bicho! Assim como, porque Portugal não é propriamente conhecido como sendo um país fabricante de preservativos, veria com a mesma naturalidade Sócrates apelar ao Onanismo num esforço de equilibrar o deficit externo. Um patriot act á portuguesa! Não se conhecendo nenhum fabricante nacional de Camisas de Vénus, será de considerar que todos os milhões de preservativos consumidos anualmente em Portugal são de importação, com as graves consequências a nível económico que daí advêm. Também do ponto de vista ecológico, quantas vezes não vamos calmamente a percorrer os areais das praias, e tropeçamos amiúde em camisas de vénus utilizadas, trazidas ou à espera de serem levadas pelas ondas. A extinção do nada bio-degradável artigo impunha-se e a masturbação, se Deus quiser, pode ser a solução!
Eu sempre desconfiei como é que uma pessoa sozinha pudesse sentir tanto prazer munida apenas do seu próprio corpo e de uma imaginação prodigiosa. Sei-o hoje, as minhas duvidas tinham razão de ser. Quando se bate uma (tocar uma, se estivermos acima do Mondego), não estamos sozinhos entregues às nossas fantasias. Temos a companhia divina. O órgão é nosso, mas aquela é a mão de Deus, a prova que Ele nos ama mas ninguém nos mama.

Publicado por jorge b pelas 02:37 PM | Comentários (0)
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segunda-feira, 24 de outubro, 2005
O Chantre de Paderne

Já estavamos habituados aos insólitos YORN, a IKEA mostra-nos um porco a andar de bicicleta, mas a TVI vai mais longe no cúmulo dos insólitos: Um padre de origem africana, fazendo a apologia daqueles que escravizaram o seu povo, esteve este Domingo a dar missa nos ecrans da televisão.
O tema dos Missionários causa algum desconforto às elites clericais brancas. É compreensível. Não é por acaso que África está como está, que a Igreja está como está. No entanto, este Chantre da paróquia Paderne, ali para as bandas de Albufeira, defendeu e assumiu sem vergonha, com uma notória dose de arrogância digna de reparo e uma convicção só comparável à dos membros das Brigadas de Alaxa, o grande filho-da-putismo que foram as Missões. O mundo precisava de mais padres assim, destes que tentam apagar luzes sobre o que está naturalmente iluminado e que desta forma demonstram a sua verdadeira essência mediocre, a sua triste inutilidade.

Publicado por jorge b pelas 01:56 PM | Comentários (3) | TrackBack (0)
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terça-feira, 15 de fevereiro, 2005
A questão da virgindade de Lúcia

A Irmã Lúcia sempre fez parte do meu imaginário. Conheço-lhe a estória desde muito novo. Era puto de 10 ou 11 anos quando certo dia uma força inexplicável fez-me pôr de lado um almanaque do tio patinhas, induzindo-me na leitura de um livro que há muito espreitava na prateleira de livros do meu revolucionário pai, com o título “Fátima desmascarada” de, salvo erro, João Ilharco. A coisa estava muito bem escrita e objectivamente desmontava a patranha de uma maneira coerente e honesta, sem quaisquer tipo de fundamentalismo anti-religioso, coisa que, reconheço, me caracteriza. Desde logo fiquei com a ideia que, após as supostas aparições, as três criancinhas teriam sido postas fora de circulação porque qualquer pessoa bem intencionada facilmente desmascararia a fantochada. Comoveu-me imaginar o que teriam passado os três putos, imaginando-os levarem uma vida de sofrimento e clausura, rodeados por todos os lados de padres, sabe-se lá com que intenções, recitando constantemente os evangelhos noite e dia, e de estronças freiras que não os deixariam brincar ás escondidas nem ás mães e aos pais, privando os pastorinhos duma infância normal, das suas ovelhinhas e demais bichinhos que certamente com tanta devoção gostariam de voltar a pastar.
Mas o que mais me surpreendeu naquela altura, foi saber que Lúcia, a principal protagonista, ainda estava viva. Para mim 1917 era do tempo da minha bizavó, que há já alguns anos morrera de tal idade que era impossível conceber que pudesse existir ainda alguém daquela época, alguém mais velho que ela ou mesmo mais novo, vivo sequer. Lembro-me então que sempre que ia a Fátima, nas inúmeras excursões patrocinadas pela minha ultra devota avó, passei a procurar entre a populaça a figura da já velhota Lúcia, cuja foto a preto e branco descobrira publicada num jornal qualquer e cujas feições tinham ficado gravadas na minha memória.
Depois havia a questão dos três segredos, que para mim, só para mim, eram quatro. Revelados os dois primeiros, o terceiro viria a revelar-se um gigantesco flop por parte dos criativos do Vaticano. Nesse aspecto fui solidário com a desilusão que milhões e milhões de fiéis sentiram quando afinal a montanha pariu um rato. Toda a gente esperava algo mais grandioso e entusiasmante, algo apócaliptico que estivesse para acontecer, um cataclismo, uma purga que levaria todos os blasfemos desta para melhor, e não o mero atentado ao Papa, já acontecido, assunto mais que morto e enterrado, com condenação pelo tribunal competente e visita papal ao arrependido. Quanto ao 4º segredo, só mesmo a Irmã Lúcia me poderia elucidar, a mim e ao mundo que sempre julguei igualmente sedento de no fundo querer desvendar tal mistério. Esse quarto segredo que lastimavelmente jamais será revelado, era a questão da virgindade da Irmã Lúcia, era saber se ela alguma vez tinha levado com Ele! Agora que a velhota morreu jamais a minha curiosidade de apaziguará, levarei comigo esta minha mórbida dúvida para a cova, quero dizer, para a câmara de cremação, que é esse o meu desejo (um excelente aquecimento para o extenuante inferno que se adivinha, convenhamos). E como muito duvido que a encontre Lá, onde quer que seja, onde teria o descaramento de lhe perguntar alma a alma, mas com a muita delicadeza a que naturalmente a diferença de idade obrigaria, mas a de mentalidade permitiria, certamente que arderei no meu suplício com tal dúvida a torturar-me em simultâneo o pouco que me restar do juízo. Isto porque, a ser verdade que algum gajo, de cabeça perdida, um dia tentado a ficar para a história que jamais ninguém saberá, tenha posto de lado um livro do tio patinhas e comido Lúcia, coisa que duvido dada a sua devoção e clausura a que se remeteu ao longo da sua vida, muito mais duvido que tal gajo viesse alguma vez a público dizer “Eu comi a Irmã Lúcia!!”. Note-se que por mera e remota hipótese académica, tal milagre a ter acontecido, não deixa de ser algo que só conceberia se enquadrado em tempo tal, sempre para lá de mais de 50 anos atrás, período em que a senhora estaria obviamente ainda na flor da idade, na melhor condição física e as análises em condições para o efeito. E depois, não vem na Bíblia mas não é de bom tom um gajo andar-se a vangloriar de quem comeu ou deixou de comer, muito menos há mais de meio século atrás, muito menos seria de homem dizê-lo, nem que fosse a empregada de limpeza dos Caramelos que tivesse comido no dia anterior. Nem mesmo o galifão de Zézé Camarinha, que a todas e de todos os credos, raças e idades, diz ser capaz de comer ou já comeu, jamais indicou nomes. Uma conduta eticamente irrepreensível que, tratando-se de um Algarvio, é de louvar.
Devo dizer que esta minha converseta, ainda mais que agora meti os Algarvios ao barulho desnecessariamente, será decerto pouco ortodoxa para alguns, conversa decerto facilmente rotulável de blasfémia ou sacrilégio, conversa que eventualmente poderá ofender algumas sensibilidades habituadas a negar ou a pouco lidar com os lados mais perversos e obscuros das suas próprias mentes. Mas estas palavras não significam qualquer desrespeito para com a senhora. Trata-se apenas duma duvida legítima de um gajo qualquer, qualquer, convém sublinhar, duvida que certamente com maior ou menor intensidade já assolou muita gente, devoto incluído, tal era o desprovimento de qualquer indicio de sexualidade naquela freira em particular, quando é sabido que um certo potencial erótico da imagem das freiras em geral é assumido nomeadamente na industria do strip-tease, explorado aquando da altura do carnaval por gente de toda a laia, e inúmeras vezes retratado em diversas outras artes, industria cinematográfica incluída, esta, a que talvez mais explorou o fenómeno muitas vezes sem necessidade de recorrer ao hardcore.
Mas tal é o meu respeito pela defunta que, inclusive, conheci algumas gaiatas, raparigas e mulheres, gajas em geral com o dom de serem possuidoras de uma grande beleza e formas anatómicamente arrojadas, mas a triste sina de terem Lucia como nome de baptismo, não sentido por isso eu qualquer tipo de pica por elas simplesmente porque me lembravam logo a imagem da pastorinha, algo 50 vezes mais eficaz que um duche frio em pleno inverno siberiano.
Penso que para a história ficará a única e verdadeira aparição documentada de que foi protagonista a Irmã Lucia. Aconteceu quando Mel “Mad Max” Gibson no ano passado e na sequência da promoção internacional do seu blockbuster “A Paixão de Cristo”, resolveu dar um saltinho aos Caramelos de Coimbra para aparecer á frente da Irmã Lucia, naquilo que seria uma espectacular acção de marketing. No entanto, e como demonstram as fotografias da aparição, que têm aparecido nas televisões e jornais, foi significativo o facto de entre os dois existirem grossas barras de ferro, medida de precaução em boa hora tomada, porque era sabido do efeito que o Mel tinha e tem no mulherio em geral. É que não fosse o diabo tecê-las e porque até prova em contrário, até ser canonizada, a Irmã Lucia, era (simplesmente) uma mulher.
Aconteceu, morreu a velhota, e a verdade é que algum dia tinha de acontecer, como acontece a milhões de pessoas e ácaros (também são filhos de deus!) todos os dias sem excepção, certamente na sua maioria pessoas mais válidas, sem a ínfima parte do vergonhoso alarido mediático, pomposo reconhecimento e tempo de antena que esta tem. Pessoas que morrem deixando uma dor nos entes queridos incomensuravelmente mais intensa e verdadeira que a provocada a alguns milhares de gente beata e histérica, velhas vazias e desprezíveis na sua maioria, as avós, as mães das mães e dos pais, dos homens e mulheres de hoje, que fazem o país que temos...

Publicado por jorge b pelas 06:20 PM | Comentários (1)
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quinta-feira, 13 de janeiro, 2005
O sagrado cimento do Islão

Para além da catástrofe que provocou, o Tsunami no Indico veio pôr a nu uma tragédia não menos dramática... Vejo no site da CNN mais uma fotografia impressionante, tirada do ar, na Indonésia. Num raio de centenas de metros, tudo destruído, completamente devastado, à excepção de apenas um edifício que se mantém de pé, como se tivesse suportado impávido e sereno o que milhares de outros edifícios e vidas não suportaram. No centro da foto, no centro da cidade destruída, o único edifício construído com pedra e cimento, e que assim resistiu, dir-se-ia que facilmente, à fúria do oceano: A mesquita! A casa de Alá! Aquela construção intocável, que simboliza afinal uma outra tragédia que há muito acontece, e que agora, vista do ar, depois do Tsunami, ganha outro relevo, se pode constatar com mais clareza. Uma tragédia perpétua que faz parte do quotidiano de milhões de pessoas a viverem debilmente, sem oportunidade de terem essa panorâmica aérea da sua escravidão. Escravidão alienada habitada em precárias casas de lata, vítimas duma religião que se alimenta da miséria e açambarca, só para ela, cimento, mármore, petro-dólares e o espírito livre.

Publicado por jorge b pelas 05:53 PM | Comentários (0)
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segunda-feira, 3 de janeiro, 2005
Agora não foi ninguém

Vejo na televisão um monge budista negar a responsabilidade de Buda na recente catástrofe asiática. Pronto, acredito. E como não meteu detonadores, nem ficou cheiro a pólvora no ar, também não creio que tivesse sido obra de Alá.
Para evitar confusões, ficava bem ao papa vir esclarecer se Deus teve ou não alguma coisa a ver com a tragédia.


Publicado por jorge b pelas 03:04 PM | Comentários (0)
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quinta-feira, 23 de dezembro, 2004
O espírito de Natal por Jesus Cristo, esse fenómeno de popularidade internacional

É uma das minhas passagens favoritas da bíblia, uma das mais elucidativas acerca do feitio e das verdadeiras intenções de Jesus Cristo, aquela em que o tipo supostamente terá dito assim:
"Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o pai do seu filho, a filha da sua mãe e a nora da sua sogra."
Evangelho de São Mateus, capítulo 10, versículos 34-35
Se o gajo tivesse mas era enfiado a espada num sítio que eu cá sei!!
Para todos os leitores e escritores de blogs, votos sinceros de um Natal cheio de verdadeiro espirito Natalicio, ou seja, muitas prendas recebidas e oferecidas, e luzinhas frenéticamente a piscar, claro.

Publicado por jorge b pelas 10:06 PM | Comentários (0)
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sábado, 2 de outubro, 2004
A questão ateia

A partir de determinada altura da nossa vida, ou seja, mais tarde ou mais cedo, o espírito humano é avassaladoramente assolado por questões existenciais desnecessárias mas que podem tirar muitas noites de sono ou então dá-las, mas mal dormidas. Baseado no sentido altruísta que infelizmente possuo, decidi tirar algum do meu apertado e precioso tempo para reflectir e dar resposta a algumas dessas questões pertinentes, fazer deste blog, por meia dúzia de posts, um, estou certo, contributo decisivo para ajudar milhares de diletantes que, por esses quartos fora, estão de olhos postos no ecran em busca duma qualquer salvação. Pois ela aqui está, espalhai pelo vosso saber as sábias palavras que vos ensino e depois voltai para as vossas desérticas ou divididas camas mais tranquilos, vivei os vossos monótonos dias com um cada vez mais reforçado e intrigante sorriso nos lábios.

Questão: Serei realmente, mas mesmo realmente ateu ?

Sugiro ao insónico leitor(a) que faça a si mesmo o infalível “teste da carroça”. Imagine que está um lindo dia de céu azul, passarinhos a cantar e tal, mas você não dá por isso porque vai a passear calmamente numa bicicleta todo-o-terreno, cuja 1ª prestação acaba de ser ontem debitada na sua conta ordenado, vai, dizia eu, a pedalar por uma bela azinhaga enlameada, quando de repente, ao virar da esquina, dá de caras com uma carroça desgovernada, conduzida e puxada por burros com uma elevada taxa de alcoolémia. Fruto do destino, e a apesar dos seus esforços inglórios de contra ele lutar, ao guinar violentamente para o lado o volante da sua bicla e pondo à prova os seus sofisticados reflexos e travões shimano, não consegue evitar a colisão com os animais espavoridos. Segue-se um turbilhão de sensações, pancadas, coices, e quando você dá por si, está na lama a fazer uma visita ao eixo enferrujado do ancestral veículo, debaixo da carroça, sem saber quem estará mais partido, se você se a sua amada bicla. Ora, naquela, como noutras situações aflitivas, você chama por alguém. Não diga que não chama, não diga que só diz “ai, ai, ai”. Lembre-se, você está consciente, isto é, não está morto ou desmaiado debaixo duma carroça, você está meio consciente depois de um violentíssimo embate com um quadrúpede jumento, burro ou mula, pouco interessa, portanto, em pânico ou nem tanto, assustado, no mínimo, logo, tem que chamar por alguém. E por quem chamaria ? Estudos recentes revelaram que uma pessoa quando está à rasca nunca chama por si mesma ou pelo presidente da república, por isso, vejamos as únicas hipóteses possíveis de chamamento, e acredite que, apesar dos avanços da ciência, não foram descobertas outras:
a) “Ai a minha bicla, ai a minha bicicleta!!”
b) “Ai meu deus!!!” ou o equivalente “Ai Jesus!!!” ou talvez “Ai senhor o que me fizeste!!!”
c) “Ai mãe, ai mãe, ai mãe!!!” ou o equivalente “Acudam!” ou “Tirem-me daqui debaixo!”
d) “Ai (o nome duma prima boa em 3º ou 4º grau, ou duma top model)!!”
e) “Porra para isto, burros do caralh*!!!”
Se respondeu a uma das alíneas a) ou b) não é seguramente ateu, e isto por mais que julgue sê-lo, por mais tertúlia ateísta que participe, por mais Nietzsche que leia, você é ateu mas é o caraças! Por isso descanse, deixe-se de tretas, comece duma vez por todas a ler Paulo Coelho, Richard Bach ou até Thomas Moore. Não aconselho a Bíblia porque, como se ainda fosse possível, só ficará ainda mais confuso e bruto da cabeça. Faça coisas boas por si, por exemplo, não volte a ler este blog. Especificamente, se respondeu a alínea a) está ainda mais convencido de que vai para o céu do que um árabe vestido dos pés à cabeça com a colecção de Inverno da Jihad Islâmica. Está mais que convencido que, aconteça o que lhe acontecer, acontecendo o supostamente pior, irá, quer seja debaixo duma carroça ou dum camião TIR, parar ao céu, ao encontro do senhor deus, que o receberá com umas palmadinhas nas costas, não estando no entanto tão certo disso em relação aos seus bens materiais que julga muito jeito lhe fariam Lá Em Cima. Daí a sua primeira preocupação, a bicla, e depois, a sua camisinha ‘sacoor’ rasgada.
Sendo um não ateu saudável, responderá seguramente à alínea b). O que é certo é que nas horinhas de aperto é por Ele que se chama. Quando a coizinha pia mais fino, é ouvi-lo a chamar por Ele, fazendo-Lhe mais promessas que um político em campanha eleitoral no Mercado da Ribeira. E não há mal por isso. Só têm é que admitir e sair do armário. Ser crente é estúpido mas não é um crime, não há que se ter vergonha. E assumi-lo é uma grande mas também inglória prova de coragem... Segundo fontes fidedignas, o próprio Deus estará a passar por uma crise de auto-confiança tão grande, que se terá trancado dentro do armário. Será de prever que muito justamente Ele próprio brevemente se venha a tornar no mais convicto dos ateus.
Se respondeu ás alíneas c) d) ou e), todas elas se equivalem, todas elas significam que você é um verdadeiro ateu de alma, carne e osso, resigne-se, um espécime raríssimo portanto. Acredite que sabê-lo não é muito tranquilizador e não será muito útil para a sua vida social e doméstica. Mas tem que se aguentar à bronca e saber que não é o único, que há mais espécimes raros que carregam, tal como você, o pesado fardo de se ser um ateu puro. Descanse portanto, volte calmamente a ponderar a eternamente adiada visita ao psicoterapeuta, cultive-se na diferença procurando refugio na cultura, nas gajas, nas bejecas, no bom humor, e se possível nos fins de semana em hotéis com piscina interior aquecida, jacuzzis, sauna e essas coisas, as suas únicas tábuas de salvação.

Nos próximos posts, mas com a irregularidade que me caracteriza, responderei a mais algumas questões que, estou absolutamente convicto, poderão aliviar o sofrimento e poupar muito valdispert a muito boa alma. Destaco por exemplo as seguintes:
Valerá a pena comprar acções da PT ?
Serei no fundo gay ou apenas à superfície ?
Deverei comprar capas para os bancos do meu automóvel ?
Mudo de emprego ou de corte de cabelo ?
Alguma vez irei para a cama com uma gaja que mereça ser capa da Maxmen ?

Portanto, não percam a esperança de um dia qualquer encontrarem aqui resposta às vossas incertezas, por mais fossilizadas ou em adiantado estado de decomposição que estejam. Se tiverem alguma questão que gostassem de ver contemplada, por mail ou nos comentários, be my guests. Se Eu quiser, responderei a todas com a minha reconhecida sapiência.

Publicado por jorge b pelas 07:40 AM | Comentários (4)
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quinta-feira, 20 de maio, 2004
A triste falta de Tomates de Deus

Tolstoi dizia que não interessava se Deus existia ou não, o que interessava era a Sua procura. Seria assim mais ou menos como, não interessa ganhar ou perder, o que interessa é jogar. Estava redondamente enganado o russo Leo.
Procurar Deus não é nenhum jogo, é uma ingrata, inglória, tremenda perda de tempo. Quem estará interessado em perder tempo com um Traste daqueles ? Lastimo, mas interessados não faltam, até fazem bicha que chega até muitos séculos atrás. E como já se viu desde tempos imemoriais, os que mais estúpida e intensamente O procuram, às tantas ficam tão cansados ou delirantes, que apenas pensam que O encontram, coisa que para eles, coitados, já lhes basta para viverem felizes e anestesiados. Mas, pensar, apenas, sabe a muito pouco e não serve como prova cientifica ou pelo menos palpável do Seu descobrimento e encontro, nem aquece os pés frios à noite. É assim como estar com fome e pensar que se está a comer bavaroise de ananás. Quem está de fora, poderá constatar a cara de satisfação do esfomeado, empunhando talheres virtuais, lambendo uma polpa de nada dos beiços, tentando enganar o espírito e o estômago. Mas por dentro, a fomeca continua, e eventualmente se não ingerir verdadeiras vitaminas, proteínas e outras minas, acabará por quinar, morrer para sempre com aquele sorriso de satisfação imbecil nos lábios.
Portanto, de Deus, nem cheiro (a que cheirará Deus ?), nem sequer retrato robot, nem uma entrada no livro do Guiness (se havia alguém que merecia constar, seria Ele). Só se lhe conhece rasto de pensamento ou imaginação da mais básica à mais prodigiosa, um eco obsessivo que atravessa gerações e hordas de desamparados, muitos sem culpa da deriva em que se encontram, uma ou outra sensação, no máximo, um arrepio na espinha, um calafrio, coisa que qualquer corrente de ar pode provocar com mais eficácia. Nunca ninguém lhe apertou a Mão, lhe deu uma palmadinha nas Costas, sequer lhe ouviu puxar o Autoclismo. Logo, a Sua procura não interessa nem ao menino jesus, nem aos fabricantes de papel higiénico e desengane-se que pensa um dia ver o seu nome inscrito no. Só mesmo aos tolos pode ser reconfortante acreditar numa mentira, enganar a alma com a ilusão de que O encontraram algures numa das esquinas da sua loucura, ou que Deus de alguma maneira perde tempo a ouvi-los... Haviam de me explicar como, se o Gajo é cego, surdo, mudo e sem o mínimo de sentido de humor, algo que pode denunciar uma grave e intolerável falta de inteligência e quicá explicar a sua atracção pelos pobres de espirito, os afinal intelectualmente ao seu nível...
Compreendo e até acho piada apenas àqueles flibusteiros que de forma original e mais ou menos extravagante (padres, automaticamente excluídos), animam o pagode estagnado, ganham a vida com a divina treta, por questões económicas, terem-no encontrado ou serem Dele íntimos, receberem dele piscares de olhos e recadinhos, lhes rende e serve de sustento, tipo a filha do Solnado que anda a ganhar a vida à conta dos papalvos que lhe compram os livros e ouvem as suas eucarísticas bacoradas. A lógica inerente ao papalvo pedante, preguiçoso demais para procurar seja o que for, será mais ou menos tomar já um atalho: “se ela o encontrou e escreveu um livro, se eu comprar o livro vou também encontrá-lo.” Bem pensado oh papalvo! Arrota lá então mais uns tostões pra Solnada.
Mas, e porque havíamos de ser nós a procurá-Lo ? Porque não ser Ele a procurar-Nos a Nós ? O caminho é o mesmo. Aliás, teoricamente será até mais fácil, é só fazer um slalom até cá abaixo. O Gajo, cuja consciência deve estar mais pesada que um camião TIR, que se ponha a caminho, que apareça pessoalmente, sem intermediários com falta de bago ou de operação plástica, que dê um arzinho da Sua graça, de peito aberto se tiver lata, de rabinho entre as pernas se tiver vergonha, que se mostre, se tiver Tomates.

Publicado por jorge b pelas 04:13 PM | Comentários (3)
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quinta-feira, 13 de maio, 2004
Fátima, não te quero! *1

Ao cimo da imagem, milagre, misteriosa mensagem subliminar do Criador para o autor deste post.Por esta altura do ano, para milhares de alienados, todas as estradas e caminhos de cabras vão dar à popular e fenomenal Fátima, talvez o mais discreto mas pesado fardo nacional, herança aprimorada e dada de bandeja pelo Estado Novo, cujo patrocínio logo o novo Estado fez questão de perpetuar (onde é que estava o 25 de Abril quando eu era uma criança ?).
E até onde podem levar os sondáveis trilhos do fanatismo ? Apenas uma amostra, algumas silabas de bestial tóxico odor crente lusitano. Fala ao microfone da rádio, moçoila de 23 anos, em pleno processo de penoso cumprimento de uma inesquecível promessa de há anos. Então, interveniente num acidente de viação com o seu ex-namorado, terá feito à beira duma provinciana cama de hospital a promessa de que se o gajo entrevado recuperasse do estado de coma em que se encontrava, lá palmilharia algumas centenas de quilómetros, partindo da santa terrinha até ao bem asfaltado mas mal inventado lugarejo milagroso. O gajo, que bem pôde agradecer às manhas da medicina, não só recuperou do sono, como também apurou o gosto e começou a ver o mundo com outros mais lúcidos olhos. Portanto, logicamente, tratou de logo mudar de namorada, estando agora casado com a ex-melhor amiga da amargurada e devota peregrina. Mas promessa é promessa, tacanhez é estupidez, mais uma palhinha a juntar àquele imenso palheiro de espiritualidade sem agulha de juízo, a caminho pois, embrutecida moçoila, paga o que nunca deveste! (Convenhamos que para amostra, não está mal.)
Em Fátima da Nª Srª., Fátinha para este amigo, por estes dias de romaria e folclórica pobreza, tão vasta e nauseante aglomeração de fieis cristãos será para o terrorista de esquina, pitéu tão tentador como para mim é um bom e herege bife da vazia com douradas batatas fritas e molho de natas e pimenta verde. Vai daí, excepcionais medidas de segurança este ano, a bélica mão protectora do Estado pastor para com o inofensivo povo rebanho (oiçai como bramem senhor!), mais de fiar que a divina manápula do criador, mas mais em honra que em verdadeira protecção da apaniguada maralha.
Mas, e quem nos protege a nós dos palermas caminhantes que perigosamente invadem as bermas das estradas e alimentam com rezas e muita cera reciclada o que de pior Portugal tem ? Estaremos nós contribuinte ateus, protegidos de lhes pagarmos as pomadinhas para os calos fornecidas nas tendazinhas de apoio ao longo da inútil jornada ?
Os países crescidinhos e sem Fátimas são mais prósperos*2. Demolição e reflorestamento do local já!


*1 E não vale a pena insistires.
*2 Segundo um relatório da OCDE, Portugal será o país daquele colludiu que menos crescerá em 2004.

Publicado por jorge b pelas 09:16 AM | Comentários (5)
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domingo, 11 de abril, 2004
Má rês

Se havia dúvidas ainda sobre a perfídia do deus cristão, atente-se nesta pérola da mais requintada malvadez, a cena da travessia do mar vermelho, trazida até nós por esse relato bíblico altamente credível e conceituado que é o filme “Os dez mandamentos”, um must da Páscoa televisiva portuguesa.
Moisés está com o povo de deus, os escolhidos, à beira do mar a apanhar sol e a brisa fresquinha, quando surgem no horizonte os egípcios e as suas quadrigas, cheios de ganas de ir ao canastro aos gajos, principalmente partir ao meio o Moisés e a mais o seu bastão. Sentimento mais que natural, depois da gracinha das pragas.
O líder e dono do bastão (curioso ver que com o tempo, tal como aconteceu com os telemóveis, o bastão foi sendo reduzido no tamanho, até à varinha mágica dos nossos dias) num magistral golpe de magia, aparte as águas, abre um caminho seco pelo mar, de maneira à maralha poder passar para a outra margem e assim escapar de erguer mais pirâmides, poder ter a honra de contribuir para a realização dos mais fabulosos tesouros arquitectónicos de sempre.
Vendo que se aproximavam perigosamente do seu rebanho, deus resolve dar uma mãozinha e ergue uma parede de fogo para barrar o caminho aos egípcios, dando assim tempo da súcia calmamente recolher os tarecos e prosseguir viagem. Quando já está todo o magote em segurança na outra margem, em vez de repor de imediato a circulação marítima na zona, como mandariam as boas maneiras, o deus biltre resolve antes cortar o gás e a parede de fogo extingue-se, dando assim luz verde aos egípcios para avançarem. E os egípcios caem que nem ratos naquela armadilha perversa. Lançando-se mar dentro no encalço dos cordeiros de deus, aproveitando a maré propicia, quando estão todos entre aquelas paredes de água, o filho da mãe do deus, numa manifestação do mais puro sadismo só ao alcance das mais pérfidas mentes, resolve abrir as comportas, afogando centenas ou até talvez milhares de egípcios e respectivos cavalos. E se o nóbel Saramago pergunta e muito bem, se deus é o pai de todos, quem é o pai de deus; apetece-me perguntar também, de quem eram filhos aqueles afogados, homens e equinos ? Eram órfãos ou filhos do diabo (o que duvido, porque só para lixar a igreja, o diabo deve usar preservativo) os egípcios, que no fundo só seguiam ordens do faraó e que, para cumulo, se escapa ficando ainda com a gaja mais boa da estória (a Nefritiri)?
Na outra margem e em segurança, os cordeiros contemplam, impávidos e serenos, toda a cena macabra do criminoso acto de afogamento colectivo. Até os americanos, milhares de anos mais tarde inventariam as vulgares cenas de cinema em que os bons, vendo os maus a afogarem-se, ainda lhes dão a mão, embora sempre em vão. Só por aqui se vê o calibre daquela gentinha obcecada pela terra prometida.
Este episódio demonstra bem a má rês que é deus e por arrasto os seus seguidores mais acérrimos. As coisas podiam ter sido feitas de outra maneira e com muito menos sofrimento, com um mínimo de bom senso, respeitando as mais elementares regras de humanidade e sem sucessivas violações ao Código Penal de qualquer país, até o do Zimbabué. E não posso deixar de pensar nas crianças cordeirinhos de deus que na altura presenciaram toda aquela cena, a imagem de milhares de corpos a boiar inertes no mar vermelho, a influência traumática que o acontecimento terá tido sobre elas.
Tenho esperança que um dia deus ainda seja julgado por este e outros actos hediondos que ao longo da história tem cometido e continua a cometer contra a humanidade. Até pode ser que ele não tenha a culpa de ser assim. Mas se é inimputável, alguém que lhe puxe as orelhas e o tire dali para fora.

Publicado por jorge b pelas 09:50 PM | Comentários (4)
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segunda-feira, 23 de fevereiro, 2004
"A bíblia é um livro

"A bíblia é um livro de razões, arqueadas umas sobre as outras, impiedosas, mortíferas, cuja principal razão é provar que Deus tem sempre razão, porque está acima dela, o que é uma razão suficiente para, justamente, não ter de apresentar razões." in "Pequeno tratado para uso daqueles que querem ter sempre razão", Georges Picard

Publicado por jorge b pelas 09:44 AM | Comentários (0)
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segunda-feira, 29 de setembro, 2003
Deus, patrocinador oficial Os construtores

Os construtores das primeiras carruagens de metropolitano fizeram-nas sem janelas. Afinal, não havia paisagem nenhuma para se ver. Mas as pessoas queixaram-se, e apesar de enterradas a alta velocidade, a dezenas de metros de profundidade, as novas carruagens com janelas vieram acabar com aquela sensação claustrofóbica que sentiam, dando-lhes a ilusão de espaço.
Deus é a janela duma carruagem de metro.

Publicado por jorge b pelas 09:03 AM | Comentários (0)
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segunda-feira, 14 de julho, 2003
Antagonia

Não vou à bola com o feitio de Deus. Se calhar o pai dele já era assim.... Mas não há desculpa. O meu pai é do Sporting e eu nunca fui na conversa!

Publicado por jorge b pelas 01:49 PM | Comentários (0)
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