A implosão é o método mais seguro embora, como método destrutivo, não dê o gozo que daria a demolição ou a explosão. Esta ultima hipótese, embora mais espalhafatosa e espectacular, poderia trazer consequências catastróficas. Decerto que obrigaria à evacuação de Almada, Lisboa e aldeias limítrofes. Não seria agradável levar com um estilhaço, por exemplo o nariz do Cristo, na cabeça. A hipótese de demolição, pelo contrário, levantaria questões de logística relativa ao alojamento de hordas de demolidores armados de martelo e escopro vindos de todo o mundo que não iriam querer perder a oportunidade de fazer história e participarem na destruição do nefando mamarracho.
O Cristo-Rei do Rio de Janeiro está na short-list para a eleição das 7 maravilhas do mundo. Na eventualidade de ser um dos eleitos, catástrofe ecológica que não será de descurar acontecer, qualquer turista passaria a identificar o até agora meio discreto Cristo Rei de Almada como uma mera cópia fraquinha do Cristo Rei Redentor. Já temos a ponte sobre o Tejo, mera cópia da Golden Gate. Já chega de cópias, obrigado.
O Cristo brasileiro está erigido a centenas de metros acima do nível do mar. A maior parte do tempo está tapado pelas nuvens, felizmente. Ou seja, não é observável por qualquer incauto que ali passe nas redondezas, como acontece ao incontornável Cristo Rei de Almada. Por muito que nos esforcemos, que desviemos o olhar, a atenção, ali está sempre o mamarracho, pois ao invés do brasileiro, montado bem lá no cimo do longínquo Corcuvado, este está montado sobre um planalto, à beira de um precipício. É um objecto arquitectonicamente desproporcionado relativamente à volumetria envolvente ao local onde está implantado e que, portanto, do ponto de vista do ordenamento da orla costeira, deverá ser implodido.
O Cristo Rei de Almada assenta sobre quatro pilares gigantescos que decerto poderiam ser reciclados e utilizados na construção da nova travessia sobre o Tejo. Poupavam-se milhões.
Se por acaso fossemos invadidos por uma super-potencia ateia, à semelhança com o que aconteceu com a invasão dos cristãos americanos ao Iraque, decerto que a força invasora mal conquistasse a margem sul suburbana ataria uma corda ao pescoço do Cristo e a um taque, e faria o mesmo que fez à estátua do Saddam. Antes prevenir que depois ter que limpar entulho.
Com um aeroporto a meia dúzia de quilómetros é completamente irresponsável ter uma espécie que policia sinaleiro com centenas de metros de altura a estorvar o trânsito aéreo. Oxalá nunca aconteça mas seria triste um dia ser notícia de primeira página: “Cristo Rei de Almada decepado pela asa de um Airbus”
Numa época de crise energética em que a poupança de electricidade está na ordem do dia, é irreflectido gastarem-se milhares de kilowats para iluminar a aberração. Calcula-se que a energia mal gasta ali numa semana dava para pagar a assistência médica, os pensos e as pomadas para os calos, dos peregrinos devotos de Nossa Senhora de Fátima, durante uma década.
O que significa afinal um boneco de braços abertos virado para Lisboa ? Está a abençoa-la, como defendem os beatos ? Não parece. O Cristo parece antes estar na eminência de se atirar dali abaixo. É sabido que os desportos radicais fazem bem à adrenalina; mas ter erigida à beira Tejo uma estátua daquela dimensões fazendo a apologia ao bungee-jumping é exagerado.
O Banco Espírito Santo tomou este ano a iniciativa de transformar a histórica vila de Óbidos na histérica Vila Natal. O evento decorre desde 1 de Dezembro até 6 de Janeiro pelo que julgo ser ainda oportuno este post, dirigido principalmente àqueles que terão, como eu tinha, uma pequena curiosidade em saber que palhaçada virá afinal a ser aquilo.
O que é a Vila Natal não cheguei a saber. Mas o autêntico desfile de horrores que era a mostra de árvores de Natal de plástico, decoradas pela sociedade civil das redondezas, colocadas numa rua de acesso à entrada da vila não augurava nada de bom. Fiz centenas de quilómetros para me deslocar ao local e no entanto, o facto de ser cobrada uma taxa à entrada foi o suficiente para me recusar prosseguir com a loucura e preferir morrer na praia. Lá estava inesperadamente uma barraca com o letreiro “bilheteira”, lá estavam naturalmente os picas junto ás cancelas implacáveis com os penetras, e lá estava obviamente uma fila de proporções bíblicas para a comprar dos ingressos a 4€. Em qualquer país minimamente civilizado aquela barraca não ficaria de pé mais de dez minutos. Em Portugal faz-se bicha ao frio para se ser extorquido de livre vontade. Se o BES quisesse cobrar bilhete de ingresso nas suas dependências bancárias estaria no seu direito. Agora usurpar um espaço histórico e público e vedar-lhe o acesso é uma provocação de espírito nada natalício e muito pouco santo. É como se o Banco Millenium cobrasse bilhete a quem contemplasse a árvore de Natal gigante na Praça do Comércio… Bem, é melhor estar calado e não dar ideias!
O único ponto de interesse em Óbidos por estes dias será a fabulosa amostra de pins pornográficos exposta no quiosque do lar de idosos, logo à entrada da vila. Ali poderemos apreciar e adquirir as mais diversas posições do Kama-sutra ao som do jingle-BES.
Nota: foi corrigida a data de encerramento do evento para a data correcta, 6 de Janeiro.
Sendo o guarda-redes o jogador mais importante duma equipa de futebol, é injusto que não lhe seja dado o direito de festejar uma grande defesa, que esbraceje esfusiante, que corra em direcção do público em linha recta ou em zigue-zague, que dê piruetas de contentamento, que tire a camisola, como faz qualquer outro jogador quando marca um golo. Antes pelo contrário, ao guarda-redes parece ser exigido que não exteriorize, contenha qualquer sentimento de satisfação ou orgulho que naturalmente sente sempre após uma defesa que evita o golo... Excepção seja feita nos penaltys, porque o próprio guarda-redes sabe que só por milagre defende um penalty, é-lhe concedido então o direito de demonstrar alguma euforia, não pelo mérito, antes pela sorte do momento, porque na verdade qualquer frangueiro consegue defender um penalty, mas só um grande guarda-redes pode fazer uma defesa indefensável, saltar mais alto que o Michael Jordan e ao mesmo tempo ser mais rápido que o Obikuelo, desafiar as leis da gravidade e ainda cair no chão em grande estilo, p’rá fotografia. Ou seja quanto mais espectacular é a defesa, esse outro climax do jogo, proporcionalmente deverá ser a modéstia ou o ar de completa indiferença do guardião após a sua concretização. Tenho presente a cara de enterro que o Vitor Baía fazia sempre que efectuava uma grande defesa, capacidade que o jogador desenvolveu com grande esforço e dedicação. No entanto, qualquer observador mais atento veria no seu rosto o esforço para conter o impulso de gritar "boa defesa!!! sou o maior ãh, sou ou não sou ?! o que era de vocês sem mim ãh ?! quantos já estávamos a mamar se não fosse eu ãh, ãh ?!"
As câmaras fixam-se sempre no guarda-redes após uma boa defesa. E quando é uma daquelas bolas indefensáveis, quando era golo certo, o realizador brinda-nos com uma macro da face do guarda-redes. Aqueles rostos escondem o desejo do grito libertador de afirmação “sou o maior!!!”. Mas ao invés, o guarda-redes é forçado a desenvolver truques, tiques, capacidades psíquicas incríveis para conter ou disfarçar o contentamento, para simular a modéstia que é obrigado a ter. Por exemplo, o Quim do Benfica após uma grande defesa grita sempre com os defesa do género "caralhos deviam estar a marcar aquele cabrão para a bola não lhe chegar aos pés e se chegasse darem-lhe uma sarrafada e se mesmo assim o gajo chutasse colocarem-se entre eu e o caminho da bola para que não tivesse de efectuar esta extraordinária defesa e assim não estar para aqui aos gritos com vocês ao mesmo tempo que me concentro já no canto que vai ser marcado a todo o momento". Foi a maneira que ele lá arranjou de abafar o desejo de celebrar. Já o Ricardo do Sporting nunca precisou de se esforçar em desenvolver qualquer truque porque tal nunca se mostrou necessário.
O golo está sobrevalorizado em detrimento do anti-golo. Os relatadores da rádio nunca dizem “grââââââââân'defesa!”, não se fazem concursos para se determinar “a melhor defesa da época” ou se atribuem prémios “luvas de ouro”. O que é injusto. O guarda-redes continuará a ser eternamente menosprezado porque era o puto mais tosco, logo, aquele que era colocado onde ninguem queria ficar, à baliza.
O Natal é uma época de felicidade para o comércio em geral e os comerciantes em particular.
Depois do amigo (Veiga), do engenheiro (Santos) e do sócio (Vieira), é a vez da namorada. Em tudo aquilo que se está a passar em torno de Carolina Salgado, o que é mais surpreendente não é o pequeno passo que deu, de alternadeira do 'calor da noite' a concubina de Pinto da Costa. Antes o grande salto, do Porto a Lisboa, de namorada do Pinto, a escritora preferida do Barbas. O resto é roupa suja, azul e branca.
Parece que todas as gerações têm o seu filme imbecil que supostamente explora as reacções menos inteligentes dos figurantes. Eu gramei “Os Deuses Devem estar Loucos”. Agora renova-se a tradição do ‘filme de apanhados’ com o estupidamente correcto “Borat: Aprender Cultura da America Para Fazer Benefício Glorioso à Nação do Cazaquistão”. Mal montado, mal encenado, sem graça, sem a espontaneidade e a irreverência de Aly G, autêntico lixo cujo êxito de bilheteira só poderá ser explicado pela gigantesca operação de propaganda montada ao redor do lançamento e da suposta polémica que o filme tem causado. Um ultraje, não aos americanos, mas ao bom gosto. Borat go home!
"Porque continuo a bater com a cabeça nas paredes ? Porque me sabe bem quando paro. "
in, Grey’s Anatonomy, RTP1
Um paradoxal e interessante manifesto que denuncia a praga dos livros de auto-ajuda; actualmente estão listados no amazon.com 20 mil títulos deste profícuo género.
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"Uma boa família é um grupo de pessoas disposta a ficar consigo quando a maior parte das pessoas sãs e ponderadas o afastariam."
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"Todas as pessoas casadas são casadas com um louco."
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"Nenhum de nós pode de facto, alguma vez, ajudar-se a si mesmo. O verdadeiro poder não é pessoal mas interpessoal.”
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"O amor verdadeiro não é um sentimento; é uma decisão. Se pensa que consegue ver o amor ao olhar bem fundo nos olhos do seu parceiro, está enganado. Aquilo que vê são globos oculares.”
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Paul Pearsall, neuropsicólogo

Lisboa tem este ano a melhor decoração de Natal de sempre. E este blog, por arrasto, também. Se a qualidade do interior da lingerie alusiva à época é inquestionável, o que verdadeiramente nos dilata as pupilas, o que realmente nos enche a alma de esperança e alegria, é a mensagem natalícia horizontalmente apregoada na obra de arte que vem revolucionar o conceito de out-door do tipo ‘deixa-me desacelerar para ver melhor’. A pequena estendida não se limitou a vender-se à marca Intimissimi. Está ali, à espera. Não à mão de semear, mas acessível. À espera não do special-one, mas da melhor proposta. Desafia-nos a licitá-la ao mesmo tempo que nos diz “Hei, é só isso que tens para me dar ?”. Ela tem um preço, não está num out-door, está numa montra. É democrática, qualquer um a pode licitar, mas cruel, só um a poderá desembrulhar.
Há também o pormenor do saco do Pai Natal onde se recosta languidamente. Onde está então o avô, que presentes encerrará aquela saca de Pandora ?... Como se alguém quisesse saber! “Olha não te importas de chegar para lá que eu gostava de ver o que tem a saca ?” Não, a saca não tem conteúdo, é uma confortável peça de mobiliário, perfeita para assentar as suas belas mãos (repare-se nas unhas, não pintadas que não se anuncia a Cibelle, antes uma jovem que nem sequer precisa de recorrer ao poder electrizante dumas unhas pintadas) e os seus belos cotovelos (sim, ali há beleza em toda a parte, até no cotovelo).
Depois há a tiara, ao mesmo tempo a referência à atleta de leste de patinagem artística num relaxante intervalo da competição, aguardando pela nota “zix-coma-nóine” e também a referência discreta ao conto de fodas clássico, o toque de realeza, onde o fruto habitualmente vedado insinua-se lá do alto à plebe sôfrega.
Além da lingerie vermelha e branca (alusão à quadra) e do sapatinho à Barbie (alusão à boneca que não se consegue manter de pé porque tem uns pés muito pequeninos, sempre deitada portanto, sempre, sempre), ela tem um nome: Ana Beatriz Barros. Para aquelas formas, qualquer nome servia. Ainda assim a informação é essencial se quisermos saber mais pormenores sobre a modelo brasileira deitada no melhor out-door de todos os tempos.
Foto e link: 9-9.blogspot