De toldo em toldo, por entre os beirais, debaixo das varandas… Arrependo-me de não ter comprado aquele distinto guarda-chuva em Oxford. Imagino quantas e quantas vezes coleguinhas invejosos me perguntariam “epá que guarda-chuva espectacular tens tu, bem melhor que o meu, oferecido pela minha sogra e que está para aqui cheio de problemas, principalmente infiltrações!”. E ferrugem nas varetas, acrescentaria eu, e já agora, o botão da ignição ainda funciona ?
Sempre que chove é assim, aquele guarda chuva não me sai da cabeça, da minha cabeça inundada, que não é impermeável como o resto do meu corpo.
Todos os guarda-chuvas deviam ser comprados em lugares solenes, históricos como Oxford, Vaticano ou Pigalle. E aquele, tenho a certeza, era especial, arriscaria dizer que era o guarda-chuva da minha vida, aquele guarda-chuva que toda a gente sonha um dia comprar. Era um guarda chuva com cabo em madeira, mas madeira genuína, bem polidinha e envernizada. Não me admiraria que tivesse sido esculpido à mão, madeira de uma árvore nobre, esculpida por artesãos de uma tribo africana em vias de extinção. O tecido negro desenvolvido num laboratório da NASA, capaz de repelir a mais avassaladora das monções marcianas. Ainda me lembro quando o vi, foi como se tivesse sido ontem antes do almoço. Estava um dia de sol radioso e enquanto a maralha se encontrava entretida na loja a comprar pólos e t-shirts a dizer Oxford em letras grandes na parte da frente, eu estava de volta do guarda-chuva, o único guarda-chuva com cabo de madeira escura, bem polidinha, que estava naquele cesto esquecido no meio da loja. Estive ali uns bons quinze minutos naquele “levo, não-levo, levo, não-levo, levo, não-levo, levo, não-levo, levo, não-levo, para quê estas manias, levo, não-levo, levo sim, não levo não, levo, não-levo, levo, levo, não-levo, levo, é caro, não-levo, levo, não-levo, levo, não-levo…”… Tomei a decisão de que hoje me arrependo sempre que me chove em cima.
Já perdi dezenas e dezenas de guarda-chuvas comprados aqui e ali, quase sempre em aflição ou numa ronda tediosa por alguma loja do chinês. Perco-os todos porque não têm o significado especial que, tenho a certeza, aquele teria. Quantas vezes me levantei do banco de um transporte publico e passados alguns momentos me apercebi “olha esqueci-me do guarda chuva no banco do transporte público” e de seguida raciocinei “espera, não está a chover, aquele guarda-chuva no fundo não me diz nada, não vale a pena ir feito doido atrás do transporte público para o resgatar, deixa-o seguir o seu destino que, decerto, será servir de uso a utente mais necessitado que eu. Mas agora reparo, ainda estou dentro do transporte publico… que se lixe o guarda-chuva!”. É pena que esse utente necessitado que por vezes sou eu, nunca tenha encontrado um guarda-chuva perdido. O que me leva a concluir que, à excepção de mim, toda a gente tem um guarda-chuva que além de o proteger da chuva, lhe diz alguma coisa, é especial o suficiente para dele nunca se separar.
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Uma mulher mal encarada e muito, mas muito muito feia, entra na Mothercare com duas crianças.
O gerente da loja pergunta à mulher:
- São gêmeos ?
A mulher faz uma careta medonha ficando ainda mais feia, como se fosse possível, e diz:
- Não, seu curioso de merda! O mais velho tem 9 e a mais nova tem 7. Porquê ?... Acha que eles são tão parecidos assim, seu idiota ?
- Não - diz o gerente - custa-me é acreditar que a senhora tenha sido comida mais que uma vez!
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in my mailbox
No sábado cheguei ao quiosque ao pé da minha casa e perguntei, Tem o expresso ? Não, ainda não chegou. E eu disse, Saí de casa de propósito para comprar o expresso e afinal ainda não chegou… ah, ah, ah. Então fui apanhar o comboio e no quiosque da estação perguntei, Tem o expresso ? Não, já esgotou. E eu disse, Quer dizer, saí de casa de propósito para comprar o expresso e no quiosque ao pé da minha casa disseram-me que ainda não tinha chegado, e aqui dizem-me que já se esgotou… ah, ah, ah. Depois apanhei o comboio e fui até Lisboa. À saída da estação havia um quiosque e eu perguntei: Tem o expresso ? Não, já não tenho. E eu disse, Já viu, saí de casa de propósito para comprar o expresso e no quiosque ao pé da minha casa disseram-me que ainda não tinha chegado, no quiosque da estação do fogueteiro disseram-me que já se tinha esgotado e aqui dizem-me que já não têm… ah, ah, ah. Então fui passear até ao centro comercial colombo e entrei numa papelaria e perguntei, Tem o expresso ? Não vendemos o expresso. E eu disse, Isto é que é hein!! Saí de casa de propósito para comprar o expresso e o no quiosque ao pé da minha casa disseram-me que ainda não tinha chegado, no quiosque da estação do fogueteiro disseram-me que já se tinha esgotado, na estação de sete rios disseram-me que já não tinham e aqui dizem-me que não vendem… ah, ah, ah. Então finalmente apareceu uma ambulância e eu aproveitei.
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I turn my camera on
I cut my fingers on the way
They way I'm slippin away
I turn my feelings off
Y'made me untouchable for life
And you wasn't polite
It hit me like a tom
You hit me like a tom
On on and on
When I turn my feelings on
I turn my feelings on inside
Feel like I'm gonna ignite
I saw them stars go off
I saw them stars go off at night
And they're looking alright
Keep on blowin up
Keep on blowin em off
Get up roll it out
Keep on showin em out
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Som: Spoon (remix de John McEntire, recomendada)
Imagem: Alessandro Bavari
"Corriam rumores de que ela podia farejar um homem a cinco quilómetros de distancia."
...
"- Suína! Cabra! Tiveste-me a noite passada. Não fui suficientemente boa ? Os meus seios não estiveram a teu gosto ? Não fiz o que devia com a minha lingua ?"
...
"- Eu amo-a, ouves ? Eu amo-a! Tu podes ter dormido com ela, mas eu amo-a!"
...
"- Nem eu te seduzirei, nem tu te servirás do punhal em mim. Dormiremos e tentaremos esquecer o mundo que nos destrói a ambos. Achas uma troca justa ?"
...
"- Nunca tinha visto lágrimas nos olhos de um homem.
- Então aprende alguma coisa com elas, cabra! Aprende alguma coisa!"
...
"- Amo-te! Amo-te e não quero pensar mais. Ajuda-me! Faz o meu cérebro parar de pensar. Impede-o de qualquer forma."
...
"- Odeias-me ?
- Odeio-me a mim próprio. E tu tornaste-te parte de mim próprio. Serve-te a resposta ?"
...
"- Faz-nos um bom fogo, e depois podemos abraçar-nos e adormecer como tu querias. Se houver pesadelos, afunda-los-emos em orgasmos."
"Encontram-se duas vaginas:
- Ouvi dizer que eras frígida...
- Qual quê !?... Não ligues, são as más linguas."
in my mailbox
"É sinal de fraqueza falar quando é preciso estar calado e estar calado quando é preciso falar."
Provérbio
“As esposas virtuosas obedecem incondicionalmente ao marido. As desobedientes devem ser por ele afastadas da sua cama e espancadas.”
Corão
“O homem é o senhor indiscutível, o dono absoluto da família. A mulher não pode revoltar-se contra a sua autoridade e, se ousar fazê-lo, é necessário esbofeteá-la.”
Livro de Qaradhami
“Usar um pau fino e leve, útil para lhe bater também de longe. Bater-lhe apenas no corpo, nas mãos e nos pés. Nunca no rosto, senão vêem-se as cicatrizes e os hematomas. Lembrem-se de que os espancamentos devem fazer sofrer psicologicamente e não só fisicamente.”
Imã Mohammed Kamal Mustafá
“A recompensa daqueles que corrompendo a Terra se opõem a Alá e o seu Profeta será a de serem assassinados ou crucificados ou amputados nas mãos e nos pés, ou seja, serem banidos com infâmia deste mundo.”
Corão
Era a mais mediática voz que dissecava e denunciava a mediocridade implicita e explicta nos textos do Corão e da religião Islâmica. Travava nos ultímos anos uma luta contra o cancro e contra os fundamentalistas, tendo falecido às mãos do primeiro. Ambos tinham-na condenado à morte. Persseguida, vivia meio anonimamente em Nova Iorque, denunciava aquilo que dizia ser uma islamização da sociedade ocidental em curso. À custa da nossa tolerância, os pilares da nossa civilização estavam a ser minados por dentro. Pode parecer uma visão algo radical, mas quem ler por exemplo "A Força da Razão", escrito depois do 11 de Setembro, encontrará motivos mais que preocupantes que fundamentam aquela ideia. Oriana Fallaci morreu no passado dia 15 de Setembro.
Vejo uma série televisiva de lésbicas no canal 2 e aprendo algumas coisas: que uma “obsolésbica” (de lésbica obsoleta) é uma lésbica que já não exerce, que assim como existem clínicas para alongamento do pénis, existem clínicas para rejuvenescimento da vagina, visando esta intervenção não só o restauro estético mas também o estreitamento do órgão sexual. “Querida porque vais fazer isso ? Já és tão apertadinha…” (personagem lésbica dixit). Aprendo também que é possível a fertilização no lar lésbico, do género, “pronto querida, agora vou penetrar-te… com esta seringa, este tubinho, e este esperma de um preto qualquer, ahahahah” (delírio do autor do blog).
Acima de tudo constato a facilidade de engate que existe naquele universo. Só Deus sabe o contorcionismo que os heterossexuais têm de fazer para engatar, no meu caso, a dificuldade que tenho em encontrar uma tipa com os copos, à noite no Bairro Alto. Facilidade de engate e espontaneidade já por mim igualmente constatada entre o meio gay masculino. Nunca vi malta ir de um olhar ao linguado em tão poucos segundos. Uma vez estava no Frágil e vi um puto novo a dançar no meio da pista aos beijos com outro. Escusado será dizer que a cena deu-me volta ao estômago, pareceu-me repugnante, etc, e assim afirmar a minha masculinidade. Naquele momento presumi serem namorados mas, entre dois goles na imperial, a coreografia fez o rapazinho voltar-se para o outro lado e começar aos beijos com outro puto apanhado completamente desprevenido. Dificuldade, só mesmo entrar no Frágil.
Mas a facilidade de engate nas lésbicas lindas de morrer como as da série é tal que uma das personagens desenha no computador uma teia de ligações com dezenas e dezenas de lésbicas que entre si fornicam ou já fornicaram, resultando numa interessante emaranhado gráfico de onde podemos facilmente concluir o regabofe que deve ser, e quão divertido deve ser, ser lésbica.
Como dizia um amigo meu, “epá se fosse mulher era uma granda puta!”. Eu não iria tão longe. Mas lésbica era, de certezinha.
Ao longo dos tempos, e depois de toda a trabalheira que foi a Criação, têm sido diversas as intervenções divinas. Deus tem sempre intervido nos momentos cruciais da história da Humanidade. Assim de repente lembro-me apenas daquele célebre jogo de futebol no mundial do México, há 20 anos atrás, quando a mão de Deus entrou em campo permitindo a vitória de Maradona sobre a selecção inglesa, no mais celebre golo batoteiro da história. Ah, lembro-me agora que sábado passado, a mão de Deus voltou a ser decisiva na derrota do Sporting. Mas devem existir inúmeros outros exemplos. Como a mão que comandava os aviões contra as torres do WTC, só poderia ser divina, versão árabe. Terá sido igualmente a mão de Deus que pegou num telefone e alegadamente ligou a determinadas pessoas avisando-as para que naquele dia não fossem trabalhar nas torres. Deus tem múltiplas personalidades, múltiplas variantes, uma esquizofrenia grave, um caso clínico sem cura.
Mas é na intimidade de cada um de nós, no dia a dia de cada ser humano, que se sente a presença de Deus. Deus está em todo o lado e sempre connosco, para nos proteger, nos auxiliar, para nos dar força, para nos dar uma mãozinha quando é preciso. Deus preocupa-se com o nosso bem estar físico e psíquico, Deus preocupa-se com a nossa saúde sexual e as doenças sexualmente transmissíveis. Daí que Deus dê sempre uma mãozinha ou uns dedinhos, para que possamos usufruir da forma mais segura de sexo que existe: a masturbação.
Parece que a bíblia condena algures o derramamento de sémen em vão. Não podemos considerar tal uma alusão à masturbação. Antes ao milenar coitus-interruptus, técnica indecorosa que culmina com um cum shot e que visa interromper, de forma gratuita e contra a vontade divina, o fluxo de novos filhos de Deus na Terra. Veria pois com normalidade o Santo Padre apelar à prática generalizada da masturbação, quantas e quantas vezes necessária para apaziguar o desejo incontrolável de comer a mulher do próximo e assim pecar. Um tipo ficar sem o seu lugarzinho no céu apenas porque foi para a cama com a mulher do vizinho do 5º esquerdo, é demasiadamente cruel. Mais vale esgalhar o bicho! Assim como, porque Portugal não é propriamente conhecido como sendo um país fabricante de preservativos, veria com a mesma naturalidade Sócrates apelar ao Onanismo num esforço de equilibrar o deficit externo. Um patriot act á portuguesa! Não se conhecendo nenhum fabricante nacional de Camisas de Vénus, será de considerar que todos os milhões de preservativos consumidos anualmente em Portugal são de importação, com as graves consequências a nível económico que daí advêm. Também do ponto de vista ecológico, quantas vezes não vamos calmamente a percorrer os areais das praias, e tropeçamos amiúde em camisas de vénus utilizadas, trazidas ou à espera de serem levadas pelas ondas. A extinção do nada bio-degradável artigo impunha-se e a masturbação, se Deus quiser, pode ser a solução!
Eu sempre desconfiei como é que uma pessoa sozinha pudesse sentir tanto prazer munida apenas do seu próprio corpo e de uma imaginação prodigiosa. Sei-o hoje, as minhas duvidas tinham razão de ser. Quando se bate uma (tocar uma, se estivermos acima do Mondego), não estamos sozinhos entregues às nossas fantasias. Temos a companhia divina. O órgão é nosso, mas aquela é a mão de Deus, a prova que Ele nos ama mas ninguém nos mama.
Prova nº 1246: Nunca faço forward de mailes com apelos desesperados e fotografias de pessoas e crianças desaparecidas. Acho inútil. Só o faria se fosse traficante de pessoas ou pedófilo e pertencesse a alguma rede. Assim como faço forward de todos os mailes a achincalhar o Benfica, precisamente porque sou do Benfica.
Vejo um programa chamado fiel ou infiel, na TVI. A lógica é a seguinte: põem uma tipa completamente irresistível a dar emprego a um tipo qualquer das obras, oferecendo-lhe um valente ordenado, o seu chorudo corpo e demais mordomias caseiras, entre as quais o luxo dos seus aposentos e um marido ausente. No estúdio a namorada acompanha em diferido a cena filmada à socapa, na expectativa de ver o amado resistir à tentação da sedutora. O apresentador, um brasileiro fã de laca para o cabelo e de calças à meia canela, vai gozando o prato, lançando discretamente achas para a fogueira alimentada pela traição que se vai avizinhando à medida que a loira tentadora de serviço se vai despindo e acariciando a vítima que de nada desconfia.
Às tantas o dito brasileiro começa a conjugar para o público presente o verbo Freud, eu Freudo, tu Freudes, ele Freude, nós Freudemos, vós Freudeiam, eles Freudem. Um momento bonito de televisão.
Além da eventual palhaçada que o programa gera, levantam-se questões pertinentes sobre a fidelidade, no caso, a masculina. Na circunstancia em que estava o pobre aventurado, 99,99% dos homens não resistiriam a comer a tipa, por mais comprometido e respeitável chefe de família que fosse. Portanto, não temos que o censurar, inclusive a namorada que só o fez, e com razão, porque de facto o tipo podia fazer as coisas sem necessidade de a achincalhar. Optou pela técnica do coitadinho, algo que por mais sincero que fosse, dispensava-se em nome do bom carácter. Mas foi a forma que o tipo entendeu ideal de criar cumplicidade, de pôr as mãos com outro à vontade no tesouro que tinha pela frente.
Ora, apenas estando reunidas todas as condições que a seguir se descriminam, poderia qualquer um de nós homens estar a salvo duma investida por parte duma loira daquele calibre (atenção, note-se que a tipa ás tantas põe-se de cuequinhas e de gatas, gatinhando à volta da incrédula vítima):
- Estar completamente satisfeito emocionalmente com a sua relação actual;
- Estar completamente satisfeito sexualmente com a sua relação actual;
- Estar sexual e emocionalmente satisfeito;
- Ter tamanho respeito e consideração pela companheira ao ponto que a ideia de estar a traí-la funcione como um fantasma castrador, coisa que naturalmente lhe impossibilita uma ereção de jeito, por mais habilidosa que seja a loira;
- Ter feito sexo há menos de uma hora;
- Ter comido a irmã gêmea da loira há menos de 24 horas.
Ainda assim, para resistir a um pedaço daqueles, uma mãozinha lá de cima, intervenção divina, seria bem vinda.
Curiosamente, as mulheres são mais parcas, basta-lhes amar o parceiro para que não se concretize a traição com terceiro. Mais um dos mistérios da insondável psique feminina que jamais entenderemos.
Escrito a ouvir obsessivamente “Black Swan” do Thom Yorke.
Art: Steven Stahlberg
Num restaurante apinhado de gente, pode um tipo almoçar ainda mais sozinho ? Obviamente que sim, se lhe pedirem a cadeira da frente, porque precisam, perderá a unica companhia que tem.