agosto 29, 2006

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Publicado por jorge b em 07:20 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

O Mia é que sabe

"(...) O que me inveja não são esses jovens, esses fintabolistas, todos cheios de vigor. O que eu invejo, doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas. A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras pára perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me atender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penalties eu já tinha marcado contra o destino? (...)"

Mia Couto, in "O fio das Missangas"

Publicado por jorge b em 12:13 AM | Comentários (3) | PÁGINA PRINCIPAL

agosto 25, 2006

DNA do artista

Publicado por jorge b em 09:24 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

O sermão do comboio

E o Senhor sentiu-se satisfeito com o seu bronze e recolheu a toalha de praia, guardou o creme solar e enfiou os chinelos nos pés. Dirigiu-se então em direcção á estação de comboios disposto a apanhar transporte para destino incerto. Entrou numa carruagem que em boa hora acabara de chegar e sentou-se ao lado duma jovem que fitava um anuncio publicitário como se fosse a mais bela das paisagens.
- Que tanto discorreis naquele painel publicitário minha filha ?
A jovem não respondeu e o Senhor apercebendo-se de que a rapariga se encontrava em transe, beliscou-lhe a coxa pois que era sabido ser aquele o melhor método para fazer a pobre voltar ao mundo real.
- Desculpai-me Senhor não vos imaginava aqui ao meu lado, tão encostadinho a mim.
- Eu percebi minha filha que os teus pensamentos vagueavam por longínquas paragens, mas felizmente o teu corpo permanecia no meu raio de alcance. Mas dizei-me, qual é o teu destino, para onde vais, de onde vens, as tuas medidas ?...
- Senhor, eu deveria ter saído algumas paragens atrás mas tanto me apraz a magnífica paisagem que se vislumbra durante a viagem que me deixei ficar. Hoje gostava que o comboio me levasse até um sitio onde sentisse algo mais que este desejo de desejar, esta tristeza inquieta que não me dá a necessária paz de espírito para usufruir convenientemente de todas as potencialidades eróticas do meu corpo.
- Não te iludais minha filha, pois que tal sítio que procuras, não o encontrarás no fim desta linha. E a paisagem que atrás vistes toda ela é obra dos poetas, essa escumalha da pior espécie! Gente que jamais sentiu a verdadeira tristeza, essa tristeza que experimentais.
- Mas Senhor o que dizeis ? Não vedes que, não fossem eles, como seria o nosso mundo... Haveis já conhecido o belo lago de águas azuis por onde todos os dias passa o comboio ? Haverá obra mais bela quando iluminada pela luz do pôr do sol ?...
- Minha filha, tu fazes a tua viagem todos os dias, sempre na mesma direcção sempre à mesma hora...
- E haverá mal nisso Senhor, não vedes que estou condenada á rotina dos meus tristes dias.
- Vinde comigo, dai-me vossa mão suave e macia como a minha glande, mudemos de comboio, vou-vos mostrar pelos meus olhos a realidade 10 minutos depois, a realidade do comboio seguinte que nunca haveis visto, a realidade no sentido contrário.
O Senhor estava deveras entusiasmado pois que não era todos os dias que encontrava uma discípula disposta a segui-lo cegamente. Levou-a pela mão, voluptuosa ceguinha, até um comboio que se preparava para partir no sentido oposto.
Alguns minutos depois, o comboio passava pelo lago que a jovem referira ao Senhor, tendo esta ficado estupefacta com a paisagem que agora se apresentava.
- Mas Senhor, o que é feito do azul da água, e da água propriamente dita, o que se passou meu Senhor ?
- Minha filha, em boa verdade te digo que a água que vês todos os dias e que tanto julgas deslumbrar-te o espírito, não é mais que uma fina camada de azul pintado à pressa pelos poetas, esses lambodes, para quando o comboio passa. Logo após, a chuva que com eles mantém um ignóbil acordo, abate-se violentamente sobre o azul, desvanecendo-o, revelando a sua verdadeira cor, a sua verdadeira natureza, transformando-o em sangue que os vermes que habitam no lodo devoram com grande voracidade. É o lodo minha filha, o que está por debaixo do azul por que te apaixonas.
- Mas Senhor, e agora o que vejo eu, o belo pôr do sol que me inspira todos os dias, o que lhe aconteceu.
- Mais uma obra dos poetas, essa canalha. Vede que mal passa vosso comboio e o vosso sol moribundo não é mais que um orifício anal gigantesco que nem ao mais privado dos habitantes de Sodoma apeteceria.
- Senhor não sei o que vos diga...
- Digo-vos eu minha filha, que há beleza neste mundo verdadeiro que ora vos revelo, mas tendes que descobrir dentro de vós a necessária verdade que te é mais fácil negar. Mas chega de conversa, sairemos no próximo apeadeiro.
- Mas por alguma razão especial meu Senhor ?
- Sim, há por lá uns arbustos fantásticos. Esperai por mim no cimo da escadaria, minha filha.

Publicado por jorge b em 08:15 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

agosto 24, 2006

Never trust the way you are

a googlar: centrozoon, david ho

Publicado por jorge b em 09:32 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

#15 - O balão

"
Estava um menino a brincar com o seu balão, quando o mesmo caiu dentro da retrete lá de casa. Com nojo de o apanhar, o menino acabou por deixá-lo lá, e continuou a brincar.
Pouco depois chega o pai, pronto para dar uma cagada. Com o jornal nas mãos, não se apercebe do balão do filho, senta-se e, durante a leitura, vai descarregando.
Duas horas mais tarde, jornal lido do princípio ao fim, o homem levanta-se, vê a retrete cheia de merda e apanha um susto:
- Meu Deus! O que eu caguei! Quanta merda!
Atordoado, liga para o médico que se prontifica a deslocar-se ao local para tratar do caso.
Chegado lá, o médico é levado a ver o festival. E também se assusta.
- Cruzes! Mas a merda cobriu toda a retrete!
- Por favor, doutor, estou desesperado. O que será que tenho?
- Ainda não sei. Preciso examinar a merda.

O médico tira uma espátula da bolsa para examinar um pouco das fezes.
Mas, assim que toca nas ditas, o balão estoura e voa merda por tudo o que é sítio.
Estupefacto, o médico olha para o homem, ambos cobertos de merda, e diz conclusivo:
- Sinceramente, já vi muita coisa na vida, mas nunca tinha visto um peido com casca...
"

Publicado por jorge b em 09:13 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

Terapia happy

No McDonalds sabem bem como deixar os clientes happy. Não só os pequeninos, fãs dos brindes do happy-meal, também os adultos depois dos trinta podem ter direito ao seu happy-moment do dia. Hoje a happy-empregada que me atendeu, que nunca me vira na vida, afianço-vos, 17 ou 18 aninhos, trata-me por tu: “Vais querer sobremesa ?”. “Vais?!”, mas é claro que vou! O que é que ela me perguntou mesmo ?... E vêem de lá umas batatas fritas para cima do talão, à frente de um sundae afogado em morango liquido. Há coisas que não têm preço.

Publicado por jorge b em 01:55 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

agosto 23, 2006

À primeira vista

Já perdi a conta ao número de vezes em que me apaixonei à primeira vista. Assim por alto terão sido umas duas… talvez três vezes, no máximo. Mas este número refere-se apenas aquelas vezes em que houve correspondência, ou seja, a outra pessoa também se apaixonou à primeira ou até me perder de vista, o que representa aproximadamente 1% de todas as vezes que me apaixonei à primeira vista. Não é muito alta a minha taxa de sucesso, eu sei. Mas convém desde já esclarecer que este número não engloba aquelas vezes em que senti um sentimento avassalador do género “agora comia esta gaja” ou a versão soft “esta tipa era bem comida”. Mesmo neste tipo de sentimentos, apesar de em ambos subsistir uma vontade incontestável de comer a pessoa em causa, há que notar que o imediatismo do primeiro contrasta com a calma e sapiência que denota o segundo. De facto quando se pensa “esta tipa era bem comida” não o era já ali, na fila, frente ao caixa do banco, mas depois, noutro tempo, noutro espaço, mas seguramente nas próximas horas. Não entram nas estatísticas as vezes que sentimos que era mesmo aquela, temos a absoluta certeza que era com aquela pessoa que seríamos capazes de ser felizes até o resto da noite.
Eu tenho para mim a teoria que todos os amores são-no à primeira vista. Não ?! Pensem bem, façam rewind, quando se olharam pela primeira vez, não se sentiu para ali já qualquer coisinha ? Claro que sim. Só que na altura, como ainda estavam com o ex-namorado na cabeça estavam demasiadamente ocupadas para se aperceberem de que estavam a apaixonar-se à primeira vista. Estas coisas passam-se quase todas ao nível do subconsciente. E se o consciente já é deveras inacessível, que se dê portanto o benefício da dúvida.
As paixões à primeira vista são um sucesso, as mais procuradas e nunca passam de moda. É como apostar na bolsa. Os nossos gerentes de conta dir-nos-ão para primeiro efectuarmos uma profunda análise técnica e aos fundamentais da acção em questão antes de nos atirar-mos de cabeça. Podemos dar-nos a esse trabalho e até sermos bem sucedidos. Mas ninguém resiste de vez em quando a apostar numa acção apenas porque houve para ali uma química qualquer, algo nos dizia que era aquela que ia subir. No amor à primeira vista também é assim, há ali qualquer coisa, não nos gráficos, mas no olhar. E quando um olhar tem a capacidade de desviar o nosso de outros pontos de interesse, então cuidado.

Sugestão para googlar: "Alessandro Bavari"

Publicado por jorge b em 11:15 AM | Comentários (8) | PÁGINA PRINCIPAL

agosto 18, 2006

O desejo de sair dali

A saída na próxima estação de metro é habitualmente precedida de uma tensão à qual quem se encontra a barrar a passagem de alguém não fica indiferente. Hoje mal as portas se tinham fechado na estação do Parque, atrás de mim alguém me interrogou sobre as minhas intenções, se ia sair na próxima estação. Acenei com a cabeça, num gesto reconhecidamente universal de aprovação e concordância que qualquer habitante da Aldeia dos Macacos compreenderia. No entanto decorridos alguns segundos a pessoa em questão voltava, impaciente, a fazer-me a mesma pergunta. Obviamente que pretendia uma declaração, se possível por escrito, um juramento sob compromisso de honra em como de facto eu iria sair na próxima paragem acontecesse o que acontecesse, que em caso algum jamais lhe obstruiria o caminho em direcção da desejada porta de saída. Limitei-me a ignorá-la, fingi que ia a ouvir MP3, sentindo no entanto que com o aproximar do momento em que as carruagens parariam e as portas se abririam em perfeito sincronismo, crescia a ansiedade não só de quem me queria dar com um guarda-chuva na cabeça, mas de todos os passageiros em geral pelo aguardado momento de evasão.
Por razões de natureza técnica e aerodinâmica, numa viagem de avião os momentos críticos são o levantar voo e a aterragem. No metro, por questões relacionadas com a psique humana, são as entradas porque toda a gente tem medo de não ter lugar naquele éden, e as saídas porque toda a gente tem um incontrolável desejo de sair dali. A implacável porta, espécie de guilhotina do desejo, parece pois ser geradora de pânicos mal disfarçados. Mas é compressível. O metropolitano é por seu turno uma espécie de elevador atulhado de gente que se desloca na horizontal, com a agravante de não dar azo a fantasias sexuais como as que temos nos elevadores, principalmente naqueles do Centro Comercial das Amoreiras. As probabilidades de se entrar numa carruagem deserta e na estação seguinte entrar uma atraente revisora ninfomaníaca são ínfimas. Nas Amoreiras já não se pode dizer o mesmo, se nos entrar uma daquelas lojistas.
A grande verdade é que o ser humano sente-se sempre desconfortável em lugares onde não possa ter fantasias sexuais. Sente logo o impulso de sair dali para fora o mais rapidamente possível. E se estiver alguém no seu caminho, passar-lhe à frente ou nessa impossibilidade, certificar-se desde logo que o imbecil não atrapalhará a fuga. Ora, uma carruagem de metropolitano atulhada de gente, além do lar da minha avó, é o único lugar do mundo onde tal acontece, onde o ser humano se resume à sua mais miserável condição, de gado transportado sem o mínimo de condições para fantasiar. Obviamente que há rapaziada para tudo, mas pessoalmente considero que estar espalmado a 50 metros de profundidade entre as nádegas de uma preta gorda gigante não seja uma fantasia sexual.

Publicado por jorge b em 11:31 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

agosto 17, 2006

Guerra e paz na cama

Quando chegará o dia em que as misses nas suas alegações finais desejarão a paz e a concórdia entre homens e mulheres, que o campo de batalha se restrinja de uma vez por todas ao rectângulo da cama… Que catástrofe maior terá de acontecer do que esta que já acontece nos nossos dias, com tanta procura de um lado, tanta oferta do outro, sem que se faça negócio, que cataclismo maior fará homens e mulheres viverem e comerem-se em harmonia ? É na desgraça que as pessoas se unem sem desconfiança, é na existência de um inimigo comum que se geram cumplicidades. Não há maior desgraça que a indiferença, maior inimigo que a solidão.

Publicado por jorge b em 10:57 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

agosto 14, 2006

Dreamerica

Publicado por jorge b em 10:23 AM | Comentários (12) | PÁGINA PRINCIPAL

agosto 11, 2006

Onde todos sabem o teu nome

Houve dois espaços de restauração onde me senti assim como no “Cheers”. “As primas” era uma tasca decrépita ali no coração do bairro alto, onde se podiam beber umas bejecas sentado numa daquelas cadeiras e mesas típicas das tradicionais tabernas. Geralmente era visível uma pequena cascata de água que descia do degrau que dava acesso à "casa de banho", entre outros pormenores bizarros que faziam as delícias de quem procurava uma certa decadência cenográfica condicente com o seu estado de espírito. Era um local onde parava uma fauna alternativa e onde se podia gritar, aquele tipo de grito gratuito que liberta, falar alto sem que alguém parasse para olhar e pensar “olha aquele gajo está com os copos”. Isto era muito bom.
Havia também lá uma ‘juke-box’ equipada com dezenas de singles, hits de décadas passadas. Funcionava a moedas de 20 escudos e era lá que tinha descoberto e passado a ouvir religiosamente uma musica fantástica do Júlio Eglésias ”ni te tengo, ni te olvido”, afinal, uma espécie de hino da minha existência, cujo romantismo contrastava com o realismo descolorido do espaço, iluminado pelas lâmpadas fluorescentes mal pregadas ao tecto. Enquanto a musica tocava, momento sagrado, tentava abstrair-me de tudo e todos, e entre a algazarra tentava decifrar o que de tão dramático e ao mesmo tempo belo o espanhol dizia. O exercício era difícil mas este era sem dúvida o tipo de desafio e contraste que tanto apreciava.

No acierto a ver el camino
Que me separe de ti
No puedo seguir contigo
Ni puedo vivir sin ti.


Era uma provocação aos presentes que, desconfortáveis, não pelas palavras, imperceptíveis aos ouvidos alternativos, mas pela harmoniosa orquestração, se dirigiam logo à máquina para que o Brian Adams ou o Bruce Springsteen repusessem o necessário equilíbrio decadente do ambiente. Lá mais para o fim da caneca, ouvia-se o “sweet sixteen” do Billy Idol, o mote para mais uma. Gastei uma fortuna naquela juke-box, nos matraquilhos, nas bejecas.
Só muitos anos mais tarde reencontraria o prazer de estar assim num sítio “where everybody knows your name”. “As tias” era a alcunha da ‘tasca’, ali ao Pateo Bagatella, zona chique (atenção ao pormenor do Pateo, nada de confusões com pátio). Até à tarde, era um restaurante self-service muito bem, mas depois transformava-se no meu 'centro diurético privado'. Era raro o dia que não me encontrassem ao final da jornada de trabalho naquele canto do balcão precisamente com vista para as torneiras da imperial. Havia quem me perguntasse o porquê de tanta fidelidade. O segredo, bem escondido, residia na filha da dona ‘tia’, uma prima portanto, o retornar ao ambiente familiar. A pequena que ali auxiliava a mãe, era dotada de uma rara beleza tipicamente portuguesa. Explico que para mim uma rara beleza tipicamente portuguesa é aquela que me faz lembrar a beleza das mulheres da terra da minha avó, quando eu era pequenino. Ou seja, eu conseguia imaginar a ‘prima’, de traje regional, em cima do palco de madeira lá do pavilhão multiusos do grupo desportivo da terra, a dançar o vira. Mas este tipo de alucinação durava pouco. Ao fim de duas imperiais ela já despia o traje regional revelando as suas deslumbrantes formas valorizadas por uma sensual lingerie preta… Estes contrastes sempre me seduziram e inspiraram!
Mas havia algo mais que mero voyerismo. A pequena dava conversa, assim como o resto das suas empregadas ucranianas, cuja vulgar beleza era tipicamente ucraniana. Explico, a vulgar beleza tipicamente ucraniana, conseguia imaginá-las de volta de mim tentando-me seduzir… a beber mais um scotch enquanto elas continuavam no scotch de lúcia lima, antes que saltassem para o palco do bataclan ou fizessem mais uma table-dance a alguém abastado. Quanto à conversa em si, falava-se de amor mas, naturalmente na terceira pessoa, do ponto de vista do observador e observadora, pois que o decoro e ausência de tremoços eram política da casa. A pequena já tinha perdoado uma traição do namorado e eu interrogava-me como era possível ela andar com um azelha daqueles que não sabia sequer fazer bem “as coisas“ ao ponto de ter sido apanhado. A traição a uma mulher daquelas teria que ser tratada com um secretismo e requinte cirúrgico, só ao alcance de alguns. Ela merecia melhor que aquele gajo. Mas quem era eu para dar conselhos, mero enfermeiro curioso.
Uma vez lera algures acerca de uma palavra russa que não teria tradução para português, mais ou menos assim, “razbliuto” e introduzia-a na conversa. Tive a confirmação duma das empregadas ucranianas da bela ‘prima’, a palavra significava um determinado sentimento que se sente depois de uma relação de amor que acabou, restando portanto apenas amizade e simpatia, cordialidade. E disse-me isto dizendo-me "paciência senhor", como se fosse eu vítima do alegado sentimento de outrém. De facto, só na rússia, malta esquisita. Do ponto de vista latino não tem cabimento sentir-se tais sentimentos por alguém que já amámos e não amamos mais. Para quê, portanto, haver uma palavra para tal quando se tem pratos à mão e uma empregada doméstica russa para apanhar os cacos ?...
O sítio das ‘tias’ já não existe. Curiosamente, passadas algumas semanas após eu ter sido colocado em trabalho fora de Lisboa, o mítico local encerrou. E “as primas” já não são o que eram. Já não se grita, arranjaram os canos, não há cascata.

Publicado por jorge b em 11:23 AM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

agosto 10, 2006

Genoma da musica perfeita

electronica roots
disco influences
a laid back female vocal
a breathy female vocal
romantic lyrics
a repetitive verse
use of modal harmonies
inventive synth arrangements
a tight kick sound
a slow moving bass line
thin ambient synth textures
a highly synthetic sonority
subtle use of noise effects
trippy soundscapes
prevalent use of groove

Com a ajuda do pandora.

Publicado por jorge b em 02:14 PM | Comentários (4) | PÁGINA PRINCIPAL

agosto 09, 2006

Preservação da espécie

...
artur-gonçalves.blogspot.com

Publicado por jorge b em 01:52 PM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

agosto 08, 2006

Sobre-humano

Passo pela mendiga do costume, aquela velhota que ao cimo das escadas da saída do metro se mostra ao sol, encostada à sombra da parede e que todos os dias me esforço por ignorar. Mas desta vez, absolutamente sozinho, o esforço foi sobre-humano. A falta que faz a multidão.

Publicado por jorge b em 11:31 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

agosto 04, 2006

O Nobuyoshi é que sabe

Fresquinho, acabadinho de chegar à lota!
Nobuyoshi Araki, "Erotos"

Publicado por jorge b em 09:30 AM | Comentários (3) | PÁGINA PRINCIPAL

agosto 02, 2006

Os insolentes


"No amor há umas camadas inferiores de ódio."
(...)
"Quando se escreve, fica-se mais ou menos acabado, diminuído, aquilo gasta-nos, é desagradável... E além disso, para quê ?"
(...)
"Pode ser que a mentira se transforme num acto tão habitual que acabe por se escapar dos lábios, sem que nada, em todo o ser, sofra com essa distorção da verdade."
(...)
"- Quando uma pessoa se despreza tanto, como eu me desprezo a mim, o sofrimento talvez seja mesmo a única maneira de recuperar um pouco de dignidade..."

Margueritte Duras

Publicado por jorge b em 09:32 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL