A ideia de que a primeira impressão que damos às outras pessoas é muito importante, está completamente errada. Dou como exemplo alguém que me confidenciou que, quando me conheceu, me considerou extremamente arrogante. Entre o seu círculo de amigos alcunhou-me de 'o taliban'. Apesar das contrariedades iniciais, depois ficámos amigos, tinhamos ambos características de personalidade comuns.
A ideia de que se não gostarmos de nós próprios ninguém gostará, está completamente errada. Tem de haver sempre alguém que goste de nós primeiro e só depois poderemos dár-nos ao luxo de gostarmos de nós próprios. Nem que seja a mãezinha.
Nada mais oportuno e premonitório que o meu anterior post, escrito antes do rebentamento do escândalo AFINSA.
Os crashes da bolsa são um dos mecanismos do sistema em que se verifica a necessária passagem massiva de capital dos pequenos e médios "investidores", as pessoas comuns, para os grandes guardiães de que falei. As pequenas tragédias, os pequenos e grandes dramas de quem fica sem as "poupanças duma vida" são o vapor que tem de sair da grande panela de pressão, tudo em nome da tal preservação da espécie.
Acontece agora o crash Afinsa, não totalmente fora de bolsa porque a empresa também é cotada indirectamente em Nova Iorque, com as acções da sua detentora, a Escala Group. a cairem de 32 dólares para perto dos 4 dólares em 3 dias. Mas a face mais visível do escândalo tem a ver com aqueles que investiram em selos, aliciados por uma remuneração á volta dos 7% anuais... A remuneração sempre sem falhas, paga na data certa, proporcionada pela Afinsa há mais de 25 anos, até nem era nada de especial quando comparada com a remuneração da generalidade dos fundos de investimento em acções comercializados pelos bancos. Faço notar a quem não se movimenta neste universo, que nos ultímos anos, quase que investindo de olhos fechados num qualquer fundo obter-se-ia um rendimento à volta dos 20% sendo certo que os fundos que investem na América do Sul, Indía, China, Russia, petróleo, em ouro e demais minério, têm obtido remunerações bastante mais elevadas, alguns à volta dos 90% (!) anuais. Se pode haver especulação com a filatelia e as obras de arte com que a Afinsa negociava (veja-se por exemplo os preços exorbitantes que algumas peças atingem nos grandes leilões), nada é no entanto mais especulativo que o mercado accionista, ele próprio um sistema piramidal. Ocorrem-me inúmeros casos na bolsa onde se verificou o que digo. Três exemplos na bolsa nacional, ocorridos há poucos anos atrás, em que empresas cujas cotações estavam exorbitantemente inflacionados e cujo valor especulativo superava em muito o seu valor real: A respeitável PT Multimédia chegou a transacionar nos 140 euros, com milhares de 'investidores' (pessoas comuns, as tais das "poupanças duma vida", embora supostamente mais arrojadas, bem informadas) a fazerem as suas compras recomendadas por gerentes de contas, analistas e barbeiros, promessas de que o céu era o limite. Alguns meses depois, as acções cotavam nos 7 euros. Foi o descalabro para muita gente que sofreu em silêncio, foram os ultímos a entrar na pirâmide, lixaram-se simplesmente. Os outros dois casos, a Reditus, chegou aos 40 euros, para depois se arrastar no euro e meio. Conheço um gajo que ganhou 4 mil contos numa manhã(!) Talvez alguém que me esteja a ler conheça alguém que ficou sem aqueles 4 mil. E a Pararede, depois duma subida fulgurante até cerca dos 50 euros, esteve mais tarde durante meses a arrastar-se pelos 15, 16, 17... cêntimos! Agora, depois duma subida fulgurante a alguns meses atrás, cota à volta dos 28 cêntimos.
A especulação piramidal continua na internet onde existem centenas de sites que prometem valorizações de dois dígitos à semana, ao dia, à hora! Verdadeiros burlões que continuam a actuar impunemente.
Ainda assim a taxa de 7% ao ano praticada pela Afinsa estava acima dos juros baixíssimos remunerados pelos bancos e era a estes que parecia estar a fazer concorrência, pelo grande número de pequenos aforradores mais conservadores, menos conhecedores dos mercados de capitais piramidais e mais avessos ao espírito especulativo dos mesmos.
Perante o desencadear das operações pelas autoridades espanholas, parece-me evidente que estamos perante uma cabala do sistema, dos lobbys e guardiães do costume. Só assim se explica o aparato, a intenção do pânico mediático, aquele assalto musculado á sede da empresa, como se no local houvessem reféns a libertar ou estivesse defendido por perigosos delinquentes.
É natural que se hoje todos os clientes da Afinsa quiserem resgatar o seu dinheiro, a empresa não tenha liquidez suficiente para tal. O mesmo aconteceria com qualquer instituição bancária, se de um dia para o outro, todos os seus clientes pretendessem sacar os seus depósitos, vice-versa se os bancos dum momento para o outro pretendessem que os seus empréstimos concedidos fossem liquidados.
A especulação segue dentro de momentos.
Do ponto de vista ecológico, da saúde planetária, aquilo que mais interessa à espécie, é benéfico que a riqueza esteja na posse de poucos. É uma reserva estratégica preservada por uma elite de guardiães que vivem em função dum instinto de protecção e sobrevivência, o acumular.
Se todos fossemos apenas razoavelmente mais remediados, se todos tivéssemos acesso a nacos daquela reserva, transformando-a e materializando os nossos sonhos, se todos, sublinho, seria catastrófico.
O equilíbrio ecológico dos seres humanos, da civilização, é feito de desigualdades. É perfeitamente lógico que os ricos estejam cada vez mais ricos. É natural e até salutar. Só assim temos futuro.
"A vítima estaria a rezar (no interior da Basílica de Fátima), quando sentiu algo encostar-se ao seu corpo, relatou fonte policial. Ao olhar para trás, a mulher viu um homem com o sexo à vista, desmaiando com o choque."
in, Destak, 4-5-2006 "Homem detido por mostrar sexo em Fátima"