Descobri recentemente uma música de 2003 duns gajos chamados ALPHA, chamada "Elvis". Recomendo. A malta à volta dos trintas e tais (note-se que não é á volta dos trinta, é à volta dos trinta e... tais) vai concerteza fazer uma breve viagem no tempo, ser transportada até ao tempo das matinés das discotecas, quando chegava a altura dos slows... Good all times!!
Aqui fica a letra para abrir o apetite para uma busca do ficheiro mp3 na net. Também na compilação "City Lounge:New York-London-Paris-Berlin" disponível na amazon.
Look into the dark night
I’m dancing in the shadows with you
There’s a world waiting out there for us to see
...
And beneath the starlit blanket
Dreams are made of solid gold
I just wanna be the one to hold you there
When you’re cold
With so many pictures on the walls
Of five billion minds
We just need to take them out sometime
Y’know and start living the good times
...
Decent dreams and pictures make you airborne
When you close your eyes
That’s why i wanna fly with you tonight
No one else, no one else can make the flight like you
So I wanna fly with you tonight
And no one there, oh lord oh lord (?)
I’m obviously indebted to you
By the way you make me feel
Ice cold warm heart
Is always gonna be able to turn a dream to real
I say
I’m touching all horizons with you
I got my sights on solid gold
I feel superhuman baby
Y’know like the way the marvel make man feel in their shows
Now check out what my mind say
Check out what my words say
Check out all my actions
I just want your satisfaction because
Youknow cause I wanna fly with you tonight
Oh no one else, no one else can make the flight like you
So i wanna fly, oh, with you tonight
And make dreams, make a dreams a real life
I can oh
You got to take my hand lady
Oh yeah
Then you’ll understand what i’m saying
And you know we gonna find the ideal destination
I say I say
I, I wanna fly with you tonight
"Garganta funda ?!! Óh filho, para ti não era preciso uma garganta funda. O buraco da minha cárie chegava!"
Mais tarde ou mais cedo acaba por acontecer. Aconselhadas por amigas, as solteironas, entenda-se, mulheres com mais de trinta anos, portanto, à beira dos quarenta, com um relativo historial de relações falhadas e de má memória, acabam por recorrer aos serviços de médiums e videntes, procurando respostas para o enguiço. Porque razão mulheres cultas e interessantes e até com atributos físicos superiores à média das outras já casadas há anos e com filhos na secundária, não conseguem atinar com uma relação ? Porque razão só lhes aparecem pela frente gajos comprometidos cheios de promessas batidas, divorciados à procura de companhia para os fins de semana ocupados com os deveres da regulação paternal, ou então cromos dos quais têm vergonha de sequer serem alvos da sua cobiça ? Porque razão, fora das páginas das revistas, todos os homens são iguais ?
E a resposta parece ser recorrente: existe o espírito de alguém que numa vida passada manteve com elas uma relação amorosa muito intensa e que agora não descola, fazendo tudo para que não se relacionem decentemente com outros homens. É bonito este romantismo post-mortem e calculo que traga alguma espécie de reconforto a estas donas de casa desejosas de desesperarem. Um espírito empata-fodas pode ser um excelente placebo para uma alma desencantada com a vida (os homens), um bode expiatório perfeito, a garantia de mais duas ou três consultas mediúnicas. Calculo que o próximo objectivo seja conseguir falar com o fantasma ciumento e até, mais tarde, como se fosse uma mão que lhe percorria as pernas quando não estava mais ninguém na cama, no quarto, infelizmente. Digo isto porque não deixo de notar um certo conformismo, um certo carinho que estas mulheres nutrem pelos seus espíritos apaixonados. É o ciúme um dos combustíveis do amor. Mas neste caso não há uma cara para dar uma estalada, ninguém para gritar e depois fazer as pazes. Logo, tal carinho é algo de absurdo, uma perda de tempo. Tratam-se de espíritos que não estão na posse das suas normais faculdades mentais, incapazes de reconhecerem que não podem oferecer às mulheres que atormentam, umas costas largas e suadas onde elas possam cravar as unhas e até arranhar se a coisa ficar descontrolada. Só podem ser doentiamente ciumentos e possessivos e em vez de se entreterem com as espíritas da sua condição e desejarem o melhor para a sua apaixonada terrena, entretém-se a estragar-lhe os engates. Não pode ser amor de verdade porque quando se ama só se deseja a felicidade da outra pessoa, nem que isso implique saber que ela estará naquele momento feliz algures a cravar as unhas nas costas estreitas e suadas do nosso pior inimigo. Pelo menos é o que dizem os budistas.
Apesar das estatísticas demonstrarem que a partir dos trinta, por cada ano que passa, a mulher sozinha que nunca casou tem menos 10% de probabilidade de casar, na sua maioria, mais tarde ou mais cedo, aquela mulher culta e interessante e até com atributos físicos superiores à média, resultado também da inexistência da rubrica na agenda e no orçamento “filhos”, substituída pela rubrica “eu e o meu rico corpo”, será recompensada. Se limar algumas arestas que são notórias naquele celibato forçado, se não viver tanto a vida da irmã casada, não viver tanto a vida das sobrinhas, a vida da mãe, se não viver tanto a vida das páginas das revistas, por feliz e normal casualidade encontrará alguém com afinidades suficientes para com ela viver, partilhar. Alguém que lhe desculpe, tolere ou, de preferência, e é no fundo isso que ela mais deseja, a exorcize das suas pequenas manias, dos seus fantasmas, das pequenas fobias, das afectações que desenvolveu na sua solidão, naquela vida passada.
Sei que era um jogo importante. Há uns anos atrás, era um jogo importante o suficiente para sonhar com ele. Na noite anterior, num canto marcado do lado inferior esquerdo do televisor, um jogador preto marcava de cabeça o único golo da vitória.
E na noite do jogo aconteceu. Vata marcava um golo com a mão-cabeça, o único golo, o da vitória, naquele mesmo sítio do televisor. Convencido dos meus dons divinatórios, esperei por próximos jogos, próximos sonhos, que não aconteceram... Até terça-feira passada. Nessa noite tive o sonho. Não sei quem marcava, sei que eram três secos contra o Barcelona (É lá!!). Escusado será dizer que o sonho palpite falhou escandalosamente. No final do jogo interroguei-me sobre a minha falibilidade e cheguei à conclusão que falhei precisamente porque o Benfica estava na Twilight Zone, de onde naquela noite saiu. Voltou à sua inevitável realidade e condição. Na Twilight Zone, os sonhos mais tarde ou mais cedo acabam em pesadelo. Tininininininini...
(Da série "Textos com sabor a moral da história, excelentes para terminar mais um episódio da Twilight Zone").
Tento em vão lembrar-me do meu primeiro 'bjs'. Foi desde aquele momento em diante que esta manifestação de carinho e ternura virtual, o 'bjs', passou a rematar os meus mailes para as amigas ou ilustres desconhecidas, musas involuntárias e afins. É no tocante às ilustres desconhecidas que, por força da nossa actividade na rede as vamos conhecendo amiúde, tal ritual de despedida é questionável. Embora mesmo os 'bjs' para as amigas e conhecidas o seja em certa medida. Se fossemos a pôr os ‘bjs’ em dia, ao vivo, provavelmente a coisa podia dar para o torto. Eu dar para o torto, sublinhe-se. Se os namorados delas estivessem por perto, poderiam não levar a bem tanta beijoquice, tanto ‘bjs’.
Mas terá lógica estarmos a mandar 'bjs' às ilustres desconhecidas, a rematar as nossas missivas com ‘bjs’ para alguém cujo rosto nunca vimos, quando no fundo com todo o nosso palavreado simpático estamos desejosos de saber as suas medidas ? Não estaremos a abrir o flanco, estrategicamente falando ? Devo no entanto dizer que considero o ritual de despedida ‘até já’ da TMN muito mais atrevido e intimista que o ‘bjs’. ‘Bjs’ mandam-se a toda a gente, enquanto que rematamos com um ‘até já’ quando por exemplo nos despedimos da outra pessoa dizendo-lhe para ir andado que já lá vamos ter. Esperando obviamente que quando lá chegarmos essa pessoa já esteja em lingerie, de preferência preta. Não é pois de estranhar que quando telefonamos para mudar de tarifário e a pequena telefonista depois de atender a nossa solicitação, de uma maneira educada e cortez despede-se com um ‘até já’, imediatamente nos surja a dúvida do 'onde?' e fiquemos cheios de vontade de lhe voltar a telefonar para trocarmos para o tarifário anterior.
Ainda assim, o ‘bjs’ pode ter uma indubitável carga perniciosa que qualquer alma mais sensível poderá detectar a milhas. E tomo como exemplo recente o de uma ilustre desconhecida que, depois de tropeçar neste blog, me interpelou de uma maneira educada e cortez, sem 'bjs'. Respondi-lhe da mesma maneira, mas carimbando a mensagem com 'bjs' no fim. Isto foi involuntário, juro. Quer dizer, ao mesmo tempo premeditado e consciente. Se fosse um gajo qualquer a interpelar, nem sequer respondia. E se respondesse, naturalmente que não lhe mandava 'bjs', quanto muito a versão oficial masculina, 'abraços'. Daí a coisa não ser totalmente involuntária. E depois, imediatamente pensei "olha agora que me despedi dela com bjs, vou como que contaminá-la, e ela, no seu próximo mail, também me vai mandar bjs, pela certa, verificando-se portanto uma certa consonância, os primeiros passos de uma cumplicidade que porventura se quererá crescente". A ilustre desconhecida não respondeu. Embora eu no lugar dela não tivesse feito a mesma coisa. Mas temos de respeitar e agradecer a estas pessoas que nos põem a pensar nestas questões.