"
- I'm married to my work.
- So am I. Which makes my wife my mistress. That's why I'm still in love with her.
"
in, The Core, 2003
A mulher que não se sabe sentar, que se sente desconfortável no banco da frente de um carro, é não só um hino ao feminino, assim como aquele desconforto inquieto, um regalo para os olhos.
(da série comic book heroes)
Agora que estão aí mais umas eleições, seria bom que todas as pessoas parassem um bocadinho para reflectir sobre a inutilidade do voto. Ao contrário daquilo que os políticos querem fazer crer, votar é objectivamente um acto efémero e redutor de cidadania, resumindo-se a uma insignificante percentagem que vale menos que a tinta de caneta gasta na cruzinha, e nada distingue e dignifica quem vota. A começar porque qualquer um, qualquer filho da puta, pode votar. Logo, a democracia está minada, o voto é anti-natura, não se verifica qualquer espécie de selecção natural. Mais nenhum animal mata por desporto e vota em alguém que não conhece pessoalmente nem trata por tu, como fazem os seres humanos. Depois, cruzinhas, só no totoloto.
É uma visão bárbara imaginar o meu talão de voto, com a tal cruzinha tão milimétricamente acertada dentro do quadrado, tão delicadamente dobrado em quatro partes, dentro de uma urna misturado com a restante molhada de talõezinhos anónimos aos pontapés, da autoria, sabe-se lá, de gente de que espécie. Assim que o talão entra para a negra urna, aquela caixa funebre da vontade e do sádio espirito revolucionário, o nosso voto deixa de ser nosso para ser o voto do povo, aquele povo que barafusta quando um gajo não pára para o deixar passar na passadeira. Isto é bárbaro, repito, esta é ainda uma democracia na idade da pedra, é como ver o meu voto ser jogado aos leões num coliseu romano. A diferença é que nem os leões querem nada com ele porque o voto, como não têm proteinas, não alimenta a vida selvagem, sacia apenas os vorazes selvagens que governam.
Assim como a televisão só é boa para quem nela aparece, o voto só é importante para o votado que, coincidência, é quem aparece na televisão!
Oiço Jerónimo denunciar que são os "senhores do grande capital" que apoiam Cavaco... Continuam pois a ser estes os grandes Papões para o PCP. Jerónimo não compreende a inevitabilidade, ou não quer compreender, que entre aqueles "senhores", mas que falam português, e outros ainda mais poderosos mas com outros idiomas, não existe alternativa. Só o "grande capital" poderá propocionar o 'progresso' que o povo quer. Portanto, mas só mesmo pelo amor à pátria, antes os primeiros "senhores", ainda que alguns já com sotaque castelhano.