A biblioteca pública que frequento tem ultimamente apostado nos livros de auto-ajuda que, nos ultimos meses, têm sido presença constante e maioritária no expositor principal. Tenho intervalado as minhas leituras com alguns destes livros e à parte criticas óbvias (todos prometem felicidade, são oportunistas, tratam o leitor como autómato, etc) e pudores politicamente correctos (serão livros dirigidos essencialmente ao leitor básico e pobre de espírito, nunca para intelectuais e fãs de Proust), descobri que se consegue tirar de todos eles pelo menos uma qualquer ideia nova, talvez a ideia central e inovadora que os terá feito merecer a publicação. Têm este mérito e tal não é despiciendo. Algumas dessas ideias ficam, são de facto interessantes, ficam para lá do efémero.
E o que fica afinal dos livros, qualquer que seja o tipo, afinal todos eles de auto-ajuda mais ou menos explícita ? Ler faz bem, diz-se, todos os livros são assim uma ajuda para o leitor que voluntariamente os lê. Mas o que fica, como nos marcam os livros no curto prazo ? Sendo constantemente assediados por formas de comunicação mais confortáveis, que poder terão as palavras, as ideias dos livros sobre a nossa maneira de ser e estar nos dias que se seguirão, como influenciarão os livros a prática do nosso relacionamento com a vida e com os outros ?
Ler é anti-natural. É saudável se consumido com a moderação essencial e necessária à aprendizagem, ao conhecimento diferido, à distracção pontual. Não o é como o hábito de consumo moderno em que se tornou, companhia das horas vagas e do tédio que a vida moderna provoca. Anti-natural, a começar pela posição de leitura, seja ela qual for, desconfortável. Como é preciso estarmos agarrados ao que estamos a ler, ler implica estar sentado ou estendido, com os braços em tensão. Isto não é saudável. E o tempo que se está a ler, além de provocar danos a longo prazo na espinha (é impossível estar a ler horas a fio direitinho na cadeira), no pescoço, na visão, é um tempo em que não se vive, um tempo sem interacção humana, um tempo em que somos um corpo inanimado, absorto, alheio à realidade do tempo, do presente, do mundo ao lado, lá fora. Por mais bem instalados que estejamos, a posição de leitura é inestética. O próprio livro tem uma forma geométrica nada ergonómica. Trata-se pois de um passatempo prejudicial à saúde, um investimento na grande maioria dos casos com pouco ou insignificante retorno. Li uma vez algures que "a vida não vem nos livros". Os livros vêm da vida dos outros.
Há pessoas que só mesmo deprimidas se conseguem aturar. Igualmente as há que só naquele deplorável estado se conseguem (deixar) engatar. A depressão tem destas virtudes.
"Did I ever tell you how many times I'd see you and want to ejaculate all over your bazonkas... All the times I stayed up late, high as a kite, in the non-gravitational atmosphere, while I stroked my anaconda, and dreamed about your snow-white ass."
in, Dracula 3000, de Darrell Roodt (2004).-
O repetente Marocas foi já beneficiado uma vez em 1986, na Marinha Grande, quando foi alvo da ira de perigosos terroristas populares que se escondiam sob a capa de pacatos e desesperados trabalhadores da falida indústria vidreira. As cenas de pugilato tentado teriam então contribuído decisivamente para a eleição do Bochechas, ao provocarem a indignação geral da populaça que se solidarizou depois na urna, espicaçada pelos papalvos de serviço.
Teme-se que o pior volte a acontecer. Após esse autêntico “atentado à democracia” (Jerónimo dixit), com o ‘homem da boina da tropa’ a tentar ir ao focinho a Soares, segundo uma sondagem do Expresso, agora o avozinho já ultrapassa e leva grande vantagem sobre Alegre.
Cavaco começa a ter sérios motivos para ficar preocupado. É que não tem cara sequer para levar um estalo. Soares, pelo contrário, se no início do ano apanhar com mais uma cabeçada de um peixeiro qualquer, tem a presidência no papo.
O homem cuja mulher o ache um banana, tem ali mulher para toda a vida, muito provavelmente, fiel.
O reconhecimento da bananice masculina, ao contrário do que seria de esperar, gera na mulher grandes problemas de consciência no que concerne a uma eventual traição. É que apesar de tudo, o banana não "está mesmo a pedi-las!" Apesar de uma deprimente insatisfação sexual constante, a mulher pressente que o banana também não anda por aí a gozar mais que ela. Afinal, ele é um banana, outra coisa não seria de esperar. Logo, ela não tem o leit-motiv para a infidelidade, esse mau estar, esse saber que "o gajo anda por aí", esse não saber "onde anda o gajo", aquilo que potencia o verdadeiro encornanço feminino. Aquilo que a mulher do banana sente, tem muito mais de pena do que de raiva, aquela raiva que verdadeiramente serve de combustível para o encornanço. E encornar um banana simplesmente não é estimulante, não dá pica, a acontecer, seria um episódio emocionalmente doloroso para a mulher.
O banana, que por sua vez goza de uma liberdade muito diferente de um gajo não banana comprometido, de modo nenhum se sente amordaçado numa relação. O banana até gosta. E é por ele gostar, desse conformismo, dessa submissão, que a mulher o acha banana, quase que o empurrando para uma liberdade ou para situações potencialmente estimulantes que, porque é banana, o banana não saber desfrutar.
- Prudêncio, não te importas de levar a mala da minha amiga para o quarto de hospedes?... E arrumas as roupas dela nas gavetas enquanto ficamos aqui as duas a conversar. - Repare-se que nem seria preciso perguntar, mas como estava terceira pessoa presente, não vizinha, há que dar um certo ar. - Obrigado querido! Não soa bem pois não ? Mas Prudêncio, como bom banana que é, de imediato vai escada acima carregado não com uma, mas três malas maiores que ele.
Passados alguns minutos, fazendo-se surpreendida com a demora, a mulher irá entrar de rompante no quarto de hospedes, na desesperada esperança de ver o marido banana a arfar agarrado ás cuequinhas da sua atraente e muito mais nova e enxuta amiga. Será escusado dizer que, para grande frustração da mulher, como banana que é, Prudêncio arrumou todas as peças de roupas da esbelta amiga da sua santa mulher, à excepção da roupa interior, na qual não tocou, fez questão de garantir.
A verdade é que naquela noite, a amiga hospede dará por falta de uma cuequinha...
– Só pode ter sido o sacana do taxista!