abril 20, 2005

Pornografia de auto-ajuda

Filmes porno para os homens, livros de auto-ajuda para as mulheres. Os protagonistas parecem ser sempre mais felizes, têm mais prazer e sabem mais que o seu público. Causam inveja, podem levar a uma procura por preservativos baratos ou a uma busca interior barata. Começa a consciência da frustração, acaba muitas vezes o casamento.

Publicado por jorge b em 07:12 PM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

Felicidade – infelicidade = Amor

Muita fome ou muita vontade de ser comida, vai dar ao mesmo.Tenho andado com uma série de ideias a bailar na cabeça mas ando sem tempo para as desenvolver aqui no blog, este sítio cada vez mais inconstante. Uma delas, a que mais rodopia, era sobre uma mulher que julgava que os homens só andavam com ela por causa das suas mamas, e tinha toda a razão. Lamentavelmente falta-me tempo e neura suficiente para alimentar a minha veia literária. Mas espero desenvolver a ideia lá mais para a frente.
De vez em quando atravesso fases destas onde como que me auto-convenço que sou um cidadão e funcionário exemplar. Consigo conceber uma linha certinha na minha vida e na minha carreira, tudo tem uma saudável lógica hierárquica, parece-me a mim que o meu trabalho é importante, principalmente não levantar questões sobre o que está mal é correcto e importante. Estou a atravessar um desses períodos, o que naturalmente me inibe de escrever, esse acto sempre subversivo. Ainda por cima, instalei agora em casa televisão por cabo... Ao que um gajo chega!... Canal Playboy e tudo! A seu tempo tenho que falar no canal Playboy.
Existiria inclusive muita matéria prima para fabricar meia dúzia de belas balelas escritas. Aqui há dias, por exemplo, tive uma gaja a chorar-me no ombro (isto tinha que ser notícia!) por causa dum gajo meu amigo. Acho que já fui ombro amigo, mas esta foi como se fosse a minha primeira vez. Mais adiante tentarei explicar porquê. Segundo ela, a soluçante rapariga, vejam a potência destas palavras, vejam o potencial bloguistico, “passei com ele os momentos mais felizes, mas também os mais infelizes da minha vida” (sic). Fosga-se, isto dava pano para muitas mangas e muita lágrima sentida. Mas pior estava eu, que podia um gajo dizer ou fazer numa altura daquelas, perante aquela avalanche descontrolada de sentimentos ? Um gajo como eu, que gosta de brincar com coisas sérias, que fazer se não ficar constrangido com a situação, um drama real...Aquilo não me podia estar a acontecer, é que naquelas palavras e naquelas lágrimas, estava resumido todo o drama do amor, e ao mesmo tempo era um momento clássico e solene, a altura certa para um gajo se fazer ao bife da desfeita se estivesse para aí virado. É sabido que estes momentos de carência afectiva são muito propícios a investidas dos malandros. Portanto, se tivesse alguma espécie de atracção pela gaja, tudo se tornava mais fácil, a pequena descobriria ali um verdadeiro consolo onde afogaria, ou mais cedo ou mais tarde, substituiria as suas mágoas por outras mais fresquinhas. Infelizmente, contra todas as probabilidades (imaginem a cena, uma gaja loira, de olhos azuis, maior que eu, lavada em lágrimas a poucos centímetros das minhas gânfias, que mais pode um gajo desejar) a gaja não desperta em mim aquela dose de lascívia suficiente para começar a testar o hálito. São coisas, um gajo tem os seus gostos, e no caso, princípios, e é-lhes fiel. A verdade é que, ao invés, senti pena, pena verdadeira (melhor que um duche frio), a solidariedade de um gajo compreensivo, amigo e meigo para uma gaja, percebem ? Fui por breves instantes aquele refugio que as gajas normalmente só encontram nos ombros dos amigos virados, em princípio dotados de uma sensibilidade muito próxima da delas. Senti portanto uma empatia pura, verdadeira e desinteressada. E posso provar que assim foi porque enquanto durou toda aquela comovente lamuria, em momento algum lhe tirei as medidas... Ou melhor, lhe fiz a prova.
Confesso que senti algum orgulho em mim próprio, coisa rara, fui um amigo, fui capaz de o ser, amigo de uma gaja, daqueles que são capazes de estar longos minutos a ouvi-las e a compreenderem cada palavra que elas dizem. E elas como se apercebem disso, abrem-se ainda mais e os minutos transformam-se em horas, e por vezes, as palavras em gemidos. Não digo que fui totalmente amigo, não devido a segundas intenções como já esclareci, apenas porque mantenho e continuo a manter com ela uma prudente margem de segurança, resultante das nossas diferenças e gostos culturais, companhias e uma certa extroversão da sua parte nada consentânea com a minha discreta maneira de ser.
Acabei por lhe dizer não o que ela gostaria de ouvir (tenho a certeza que seria um “epá ontem por acaso falei com ele e o gajo está também ainda apanhadinho por ti, liga-lhe, força”) antes a ultima coisa que uma mulher apaixonada quer saber. Agora compreendo que eu era o ultimo elo, a ultima réstea de esperança de, de certa forma, a ligar ao outro, o seu amor. Acabei por ser eu quem deu a estocada final num sentimento quase moribundo embora com muita vontade de viver, condenado pela pior das doenças, a indiferença. Do lado dela havia a secreta esperança que o outro me falasse ou pelo menos perguntasse por ela. Convém esclarecer que o gajo está longe, está noutra, mudou de emprego, mudou de ares, arranjou outra gaja, mandou pura e simplesmente esta ás urtigas. Convém esclarecer que já passaram anos, que o gajo nunca mais quis saber dela. Há muito que a ignora. Levou o seu tempo, mas há muito que ela é passado. Ela devia calcular mas foi a jogo, admirável coragem das mulheres. Era escusado. Naturalmente que perdeu. Esclareci-a. Que podia eu fazer se não dizer para a gaja se dedicar mas é ao gajo que a anda actualmente a comer e esquecer o outro. Simplesmente não deu, ela não podia continuar agarrada ao passado! Foi este o meu raciocínio, a conclusão que lhe quiz dar, o conselho.
No rescaldo, acho que fui cruel. Acho, sinto-me. Acho que tenho um dom natural para carrasco. Não sirvo para ombro amigo. Mas já vi que é coisa que não se escolhe. Que podia eu fazer...

Publicado por jorge b em 05:40 PM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

abril 15, 2005

Lambs

Na altura do cio, o carneiro vai ter com a ovelha e diz admirado:
- Tens tão pouca lã!!!
E ela responde:
- Ouve lá!!! Vens para f*der ou para fazer tricot ?
in, mailbox

Publicado por jorge b em 02:07 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

abril 14, 2005

Problemas na rede

"
- xiiiiiiiii...
- (...) ouvir-te mal! Espera um bocadinho.
- ixxxiiixixiiiiiiiiiiiiiii...
- Tou ??! Tás-me a ouvir ??
- ixxxxxxxxiiiiiiiiiiiiiiiii.....
- Tou ? Espera...
- xiiii...xi....plic... xi... plic... plic...
- Ai desculpe!
- ziiiiiip!!!!

"

Amanhã explico isto.

Publicado por jorge b em 02:29 PM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

Lógica comunista

Na campanha de publicidade de rua do jornal "Avante", num interessante exercício de auto-crítica, diz-se ser um jornal que "mostra aquilo que os outros não mostram". É um facto, os "outros" também mostram aquilo que o "Avante" não mostra.

Publicado por jorge b em 02:21 PM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

abril 06, 2005

United Colors of Vatican

Jomo Kenyatta, fundador da República do Quênia, um vez disse “Quando os brancos chegaram, nós tínhamos as terras e eles a Bíblia; depois eles ensinaram-nos a rezar; quando abrimos os olhos, nós tínhamos a Bíblia e eles as terras”. Nada mais acertado.
Agora, naquilo a que seria uma segunda vaga de saque, há quem queira chegar lá com o próprio Papa, meio mundo suspira por um Papa negro...

Publicado por jorge b em 07:21 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

abril 05, 2005

Desculpar qualquer coisinha

Por entre dados estatísticos surpreendentes (viagens a 129 paises, o equivalente a 31 voltas ao mundo), procuro por virtudes na “governação” de 20 anos deste Papa que morreu ou “voltou á casa do pai”, como queiram. A mais repetida e elogiada é o facto de ter pedido desculpas pelas atrocidades cometidas pela igreja e outros Papas no passado. Não percebo como se pode ver mérito num pedido de desculpas deste género. Se Gorbatchev apenas tivesse feito o mesmo em relação ao passado da URSS, também teria sido louvado pela atitude inédita mas ainda hoje existiria o muro de Berlin. O Papa ao assumir um passado vergonhoso, tinha a obrigação de assumir igualmente a perfídia da religião e dar início a um processo de desmantelamento pacífico da Igreja, contribuindo positivamente para o laicismo da humanidade.
Os pedidos de desculpa não ficarão por aqui. Um dia, um próximo Papa voltará a pedir desculpa pelo passado, desta vez por aquilo que este e outros fizeram.

imagem: Gottfried Helnwein

Publicado por jorge b em 09:18 AM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

abril 04, 2005

Até que a morte nos separe

Devo ser uma das poucas pessoas vivas que conhece alguém que mudou de clube. Alguém que contrariou portanto aquela verdade supostamente insofismável que diz que um homem muda de vida, de mulher, de profissão, de país, de religião, de partido, até de sexo, mas nunca, nunca na vida muda de clube. E porquê, porque raio um gajo não muda de “instituição” ?
Um gajo nunca sabe bem bem por que “é do Benfica”. É-se e pronto! No meu caso, não consigo encontrar a mínima justificação lógica, o mínimo acontecimento ou influência na minha infância que justifique a rouquidão com que fiquei ontem depois de gritar quatro vezes golo. O meu pai, tios, avôs, ninguém era do Benfica. Aquele tipo de pessoas que normalmente nos faz a cabeça em puto, nos compra ursinhos de peluche equipados com as cores do clube, que nos inscreve como sócio ainda antes de nascermos, nenhum deles me influenciou. O porquê do "ser do Benfica" é ainda mais estranho porque se trata de um clube do povo, de massas. A maralha é quase toda do Benfica. Num gajo com algumas manias elitistas como eu, é um verdadeiro contracenso, com o qual tenho por vezes alguma dificuldade em lidar, principalmente quando o Benfica perde. O Sporting, por exemplo, é um clube mais burguês, instalado numa zona fina da capital, logo, seria mais consentâneo com a minha natureza.
Portanto, seria incapaz de substituir algo irracionalmente misterioso, algo que constitui a única certeza inabalável da minha existência, a única coisa que não escolhi, além de nascer, o “ser do Benfica”, por algo que constituiria sempre uma opção racional e estratégica, fruto de uma aprendizagem ou lavagem cerebral. Nunca seria a mesma coisa, nunca daria certo. Assim que se nasce, já é demasiado tarde para se mudar de clube.
Quanto ao gajo que mudou de clube (atenção que é verdade, sei que é de dar a volta ao estômago mas o gajo mudou mesmo, de ferrenho benfiquista, para fanático Sportinguista), embora não o admita, estou convicto que o fez, por causa da namorada que viria mais tarde a ser sua mulher... Estão actualmente divorciados.

Publicado por jorge b em 04:41 PM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

abril 02, 2005

Papa ainda resiste

Ultímas informações veiculadas pelo Vaticano dão conta de que o Papa está morto mas com alguns momentos de coma.

Publicado por jorge b em 04:16 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

abril 01, 2005

O que é que a Pimpinha tem que as outras não têm ?

Pessoalmente considero o maior atentado hídrico de todos os tempos. Durante o ultimo mês, por cada dois exemplares vendidos da Maxmen em todo o país, morria uma ovelha no Alentejo. Ou seja, enquanto 100 mil gajos salivavam com excesso de água na boca pelas fotos da Pimpinha descascada nas páginas centrais, 50 mil ovinos sucumbiam á mingua do precioso liquido. Tudo isto sem sequer ser preciso tirar o sutien. É obra! E o que tem a recordista de tiragens da Maxmen que as outras não têm ? Para começar, a mãe. Com a dupla Cinha/Pimpinha coloca-se automaticamente a paradigmática questão “a mãe ou a filha ?”. E a resposta é imediata e inequívoca: As duas! Não existirá no domínio público uma tal dupla em que a dúvida não se resolva de forma tão indubitável. Depois, Pimpinha gosta de Picasso e é do Benfica. E para terminar, Pimpinha tem uma característica rara entre o panoramama do gajedo nacional: além do seu look “forever teenager” que tanto apraz á lascívia mas igualmente embaraça a consciência de um gajo, é possuidora de uma estrutura anatómica deveras arrojada e daquilo a que se poderia denominar de “Síndroma das virgens de Alá”. Por maior rebaldaria que haja durante a noite, dá a ideia que ao raiar do dia seguinte, Pimpinha acordará sempre com aquele mesmo sorriso cândido, com o dom da virgindade estampado no rosto. Coisa que como é sabido provoca a qualquer muçulmano a vontade de se espetar carregado de explosivos contra um autocarro e pôr uma dúzia de judeus a arder. A nós, põe-nos as mãos em brasa.

foto: Maxmen, sacada da tasca do zé.

Publicado por jorge b em 11:47 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL