fevereiro 21, 2005

O regresso dos mortos-vivos

A tragédia era anunciada. No PSD “a noite dos facas longas”, no PS “a noite dos mortos-vivos”. Um a um, surgindo à superfície do pântano onde há três anos se encontravam mal enterrados, uma vasta horda de zombies ressuscita arrastando-se vitoriosamente na escura e fria noite eleitoral, num espectáculo aterrador: Gama, Cravinho, Coelho, Costa, Estrela, Carrilho, arghh!, entre outros… O marioneta Sócrates é apenas a ponta de um medonho iceberg de mau gosto, compadrios e incompetências provadas.
Eles estão de volta, a série “Z” da política Guterrista está de volta, por vontade popular, esse mesmo triste povo que elegeu José Castelo Branco no Natal, esse mesmo povo atoleimado, essa mesma imensa maioria medíocre, agora armada de cartão de eleitor em punho, mais amedrontada que convicta, elege neste carnaval, José Engenheiro Sócrates, o zombie incinerador.

Publicado por jorge b em 01:33 AM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

O engate de Sócrates

Se para Santana a missão já era difícil, a sua sofrível campanha, descaradamente popular e patética, apenas a veio tornar impossível. Mas era a campanha feita à imagem do povo e do país que temos, era uma campanha honesta.
O povo é tolo, é sabido, e quando intoxicado, torna-se parvo. Mas não gosta de ser tratado como merece, não gosta de ser tratado de parvo. O povo eleitor, esse nosso povo consumidor dos reality shows, das novelas, das ‘marias’, quando se trata de eleições, gosta de ser bajulado, de ser tratado como um povo bem informado, civilizado e culto, coisa que não é. Mas gosta de ser assim engatado, e não da maneira como a campanha de Santana o tratou, como se fosse um povo efectivamente parvo. Uma campanha feita à medida dessa parvoíce nacional, coisa que naturalmente se estava a revelar num gigantesco erro de estratégia e marketing político que só Santana parecia não ver, porque se calhar não estava habituado a engates rascas. É que o povo é como uma gaja feia mas com bom corpo, a quem se dá a volta dizendo-lhe que é bonita, adulando-a com mentirinhas deliciosas acerca da beleza que ela não tem e dos sentimentos que não se sente, só para lhe dar uma f*da e mais nada. Esta vai durar 4 anos!

Publicado por jorge b em 01:24 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

fevereiro 18, 2005

Problema nas cassetes

Depois da unanimidade geral anti-Santana, a solidariedade global em torno da dramática perda de voz de Jerónimo de Sousa... Pareceu-me mais que Jerónimo perdeu o pio. Foi providencial a sua afonia. Teria sido triturado por Portas e Santana, ambos com uma superior capacidade de argumentação, dois tubarões quando comparados com a simpatia franca e humilde do comunista, qualidades nada recomendáveis a um político, principalmente alguém com causas já muito rebobinadas.
Santana fez bem em ter suspendido a sua campanha por dois dias. A morte da velhota Lúcia foi apenas o alibi perfeito para recuperar a voz e a calma perdidas no fim de semana passado. O debate a cinco justificava-o. Jerónimo teve justificação e saiu do debate sem as amolgadelas com que saíram Louça e principalmente Sócrates.

Publicado por jorge b em 03:55 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

Votar na oposição

Se Santana e o PSD formassem governo, para bem de Portugal, teriam uma excelente e aguerrida oposição: Marcelo Rebelo de Sousa, Pacheco Pereira, Alberto João Jardim, Cavaco Silva...
Não existe melhor, mais eficaz e credível oposição que uma oposição interna de luxo. Coisa que o PS não tem.

Publicado por jorge b em 09:38 AM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

fevereiro 17, 2005

Não houve necessidade de intervenção da policia de choque

Foi com satisfação que constatei no ‘best off’ transmitido num telejornal, que afinal o funeral da Irmã Lúcia, uma das ultimas cúmplices amnistiadas do estado novo, não foi aquele “milhares de pessoas” que se anunciava a acompanhar o cortejo fúnebre. E até as cenas de pesar e habitual histeria colectiva limitaram-se á claque em licença de asilo.
Com Sócrates a descer nas sondagens, volto a acreditar em Portugal.

Publicado por jorge b em 03:26 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

fevereiro 15, 2005

A questão da virgindade de Lúcia

A Irmã Lúcia sempre fez parte do meu imaginário. Conheço-lhe a estória desde muito novo. Era puto de 10 ou 11 anos quando certo dia uma força inexplicável fez-me pôr de lado um almanaque do tio patinhas, induzindo-me na leitura de um livro que há muito espreitava na prateleira de livros do meu revolucionário pai, com o título “Fátima desmascarada” de, salvo erro, João Ilharco. A coisa estava muito bem escrita e objectivamente desmontava a patranha de uma maneira coerente e honesta, sem quaisquer tipo de fundamentalismo anti-religioso, coisa que, reconheço, me caracteriza. Desde logo fiquei com a ideia que, após as supostas aparições, as três criancinhas teriam sido postas fora de circulação porque qualquer pessoa bem intencionada facilmente desmascararia a fantochada. Comoveu-me imaginar o que teriam passado os três putos, imaginando-os levarem uma vida de sofrimento e clausura, rodeados por todos os lados de padres, sabe-se lá com que intenções, recitando constantemente os evangelhos noite e dia, e de estronças freiras que não os deixariam brincar ás escondidas nem ás mães e aos pais, privando os pastorinhos duma infância normal, das suas ovelhinhas e demais bichinhos que certamente com tanta devoção gostariam de voltar a pastar.
Mas o que mais me surpreendeu naquela altura, foi saber que Lúcia, a principal protagonista, ainda estava viva. Para mim 1917 era do tempo da minha bizavó, que há já alguns anos morrera de tal idade que era impossível conceber que pudesse existir ainda alguém daquela época, alguém mais velho que ela ou mesmo mais novo, vivo sequer. Lembro-me então que sempre que ia a Fátima, nas inúmeras excursões patrocinadas pela minha ultra devota avó, passei a procurar entre a populaça a figura da já velhota Lúcia, cuja foto a preto e branco descobrira publicada num jornal qualquer e cujas feições tinham ficado gravadas na minha memória.
Depois havia a questão dos três segredos, que para mim, só para mim, eram quatro. Revelados os dois primeiros, o terceiro viria a revelar-se um gigantesco flop por parte dos criativos do Vaticano. Nesse aspecto fui solidário com a desilusão que milhões e milhões de fiéis sentiram quando afinal a montanha pariu um rato. Toda a gente esperava algo mais grandioso e entusiasmante, algo apócaliptico que estivesse para acontecer, um cataclismo, uma purga que levaria todos os blasfemos desta para melhor, e não o mero atentado ao Papa, já acontecido, assunto mais que morto e enterrado, com condenação pelo tribunal competente e visita papal ao arrependido. Quanto ao 4º segredo, só mesmo a Irmã Lúcia me poderia elucidar, a mim e ao mundo que sempre julguei igualmente sedento de no fundo querer desvendar tal mistério. Esse quarto segredo que lastimavelmente jamais será revelado, era a questão da virgindade da Irmã Lúcia, era saber se ela alguma vez tinha levado com Ele! Agora que a velhota morreu jamais a minha curiosidade de apaziguará, levarei comigo esta minha mórbida dúvida para a cova, quero dizer, para a câmara de cremação, que é esse o meu desejo (um excelente aquecimento para o extenuante inferno que se adivinha, convenhamos). E como muito duvido que a encontre Lá, onde quer que seja, onde teria o descaramento de lhe perguntar alma a alma, mas com a muita delicadeza a que naturalmente a diferença de idade obrigaria, mas a de mentalidade permitiria, certamente que arderei no meu suplício com tal dúvida a torturar-me em simultâneo o pouco que me restar do juízo. Isto porque, a ser verdade que algum gajo, de cabeça perdida, um dia tentado a ficar para a história que jamais ninguém saberá, tenha posto de lado um livro do tio patinhas e comido Lúcia, coisa que duvido dada a sua devoção e clausura a que se remeteu ao longo da sua vida, muito mais duvido que tal gajo viesse alguma vez a público dizer “Eu comi a Irmã Lúcia!!”. Note-se que por mera e remota hipótese académica, tal milagre a ter acontecido, não deixa de ser algo que só conceberia se enquadrado em tempo tal, sempre para lá de mais de 50 anos atrás, período em que a senhora estaria obviamente ainda na flor da idade, na melhor condição física e as análises em condições para o efeito. E depois, não vem na Bíblia mas não é de bom tom um gajo andar-se a vangloriar de quem comeu ou deixou de comer, muito menos há mais de meio século atrás, muito menos seria de homem dizê-lo, nem que fosse a empregada de limpeza dos Caramelos que tivesse comido no dia anterior. Nem mesmo o galifão de Zézé Camarinha, que a todas e de todos os credos, raças e idades, diz ser capaz de comer ou já comeu, jamais indicou nomes. Uma conduta eticamente irrepreensível que, tratando-se de um Algarvio, é de louvar.
Devo dizer que esta minha converseta, ainda mais que agora meti os Algarvios ao barulho desnecessariamente, será decerto pouco ortodoxa para alguns, conversa decerto facilmente rotulável de blasfémia ou sacrilégio, conversa que eventualmente poderá ofender algumas sensibilidades habituadas a negar ou a pouco lidar com os lados mais perversos e obscuros das suas próprias mentes. Mas estas palavras não significam qualquer desrespeito para com a senhora. Trata-se apenas duma duvida legítima de um gajo qualquer, qualquer, convém sublinhar, duvida que certamente com maior ou menor intensidade já assolou muita gente, devoto incluído, tal era o desprovimento de qualquer indicio de sexualidade naquela freira em particular, quando é sabido que um certo potencial erótico da imagem das freiras em geral é assumido nomeadamente na industria do strip-tease, explorado aquando da altura do carnaval por gente de toda a laia, e inúmeras vezes retratado em diversas outras artes, industria cinematográfica incluída, esta, a que talvez mais explorou o fenómeno muitas vezes sem necessidade de recorrer ao hardcore.
Mas tal é o meu respeito pela defunta que, inclusive, conheci algumas gaiatas, raparigas e mulheres, gajas em geral com o dom de serem possuidoras de uma grande beleza e formas anatómicamente arrojadas, mas a triste sina de terem Lucia como nome de baptismo, não sentido por isso eu qualquer tipo de pica por elas simplesmente porque me lembravam logo a imagem da pastorinha, algo 50 vezes mais eficaz que um duche frio em pleno inverno siberiano.
Penso que para a história ficará a única e verdadeira aparição documentada de que foi protagonista a Irmã Lucia. Aconteceu quando Mel “Mad Max” Gibson no ano passado e na sequência da promoção internacional do seu blockbuster “A Paixão de Cristo”, resolveu dar um saltinho aos Caramelos de Coimbra para aparecer á frente da Irmã Lucia, naquilo que seria uma espectacular acção de marketing. No entanto, e como demonstram as fotografias da aparição, que têm aparecido nas televisões e jornais, foi significativo o facto de entre os dois existirem grossas barras de ferro, medida de precaução em boa hora tomada, porque era sabido do efeito que o Mel tinha e tem no mulherio em geral. É que não fosse o diabo tecê-las e porque até prova em contrário, até ser canonizada, a Irmã Lucia, era (simplesmente) uma mulher.
Aconteceu, morreu a velhota, e a verdade é que algum dia tinha de acontecer, como acontece a milhões de pessoas e ácaros (também são filhos de deus!) todos os dias sem excepção, certamente na sua maioria pessoas mais válidas, sem a ínfima parte do vergonhoso alarido mediático, pomposo reconhecimento e tempo de antena que esta tem. Pessoas que morrem deixando uma dor nos entes queridos incomensuravelmente mais intensa e verdadeira que a provocada a alguns milhares de gente beata e histérica, velhas vazias e desprezíveis na sua maioria, as avós, as mães das mães e dos pais, dos homens e mulheres de hoje, que fazem o país que temos...

Publicado por jorge b em 06:20 PM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

fevereiro 14, 2005

O Eugénio é que sabe

"O dogma do pecado original presta-se especialmente para infamar o Homem e mantê-lo cativo de angustias neuróticas culpabilizantes, subretudo sexuais, e aproveitar da sua depedência para alargar o poder clerical." Eugen Drewermann, in "Psychoanalyse und Moraltheologie - Asngst und shuld"

Publicado por jorge b em 09:38 AM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

fevereiro 07, 2005

Driving you scary

Hoje de noite sonhei que desfilava no sambodromo de Sesimbra, sambando com uma gaja toda descascada só com uma dúzia de penachos em cima do pêlo, empuleirado no cimo de um daqueles carros alegóricos, acenando de vez em quando para a populaça, mas muito mais concentrado na gaja e nas gotas de suor que lhe percorriam o corpo ultra-violeta e me salpicavam também. Depois, sem que ninguém reparasse, fui com a gaja toda descascada só com meia duzia de penachos em cima do pêlo, para os bancos de trás do carro alegórico. Quando estava muito bem descansado a comê-la, sem que nada o fizesse prever, ela colocou um penacho no canto da boca e, fingindo que o fumava displicentemente, começou a cantar com o vozeirão da gaja dos The Gift: “(...)I will build my world, I will sing my songs, I will keep my helmet on. And you can ruin my world, or ruin my songs; I will keep my helmet on.”
Ainda não estou recomposto.

Publicado por jorge b em 02:50 PM | Comentários (2) | PÁGINA PRINCIPAL

fevereiro 04, 2005

O desbaste de ontem

Um Sócrates certinho, politicamente correcto e convencional, com a lição muito bem estudada. O político autómato apto a gerir a estagnação. E um Santana espontâneo, autêntico, a meter água duas ou três vezes mas nitidamente mais carismático, apto a proporcionar ao país o choque de mentalidades que precisa. No máximo terá desbastado dois ou três pontos percentuais a Sócrates, o que é muito pouco. As regras para meninos bem comportados impostas na condução do debate pelos jornalistas desinspirados ajudaram nitidamente Sócrates.
No entanto continuam a chegar a público sinais sobre quem seria o homem ideal para “liderar” o próximo governo. Depois de dino-Freitas, depois de meia dúzia de tycoons, agora é o cardeal patriarca, um tal de Policarpo a afirmar que Santana Lopes não é o seu candidato. Sinais mais que evidentes de que Santana é o mais iconoclasta político desde Sá Carneiro, é o político que incomoda.

Publicado por jorge b em 09:38 AM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

fevereiro 02, 2005

Os colos de Sócrates

Afinal quem faz birra ? Quem é que se arma em vítima ? Santana fala não sei quê em alguém gostar de outros colos, tirada muito natural depois de estar rodeado de gajas, tendo a delicadeza de não mencionar nomes, e ainda assim, Sócrates arma-se em roto perseguido e ofende-se. Santana não pode abrir o bico e já está a ofender o menino. Que canalhada caralh*!
Primeiro, quem garante a Sócrates que Santana se refere a ele ? Segundo, e ainda que se refira, a piadola tem nitidamente um sentido mais político do que pessoal, como o PS pretende à força que tenha, porque lhe interessa que assim seja. É que mais escandaloso que outros colos mais intímos e coloridos, é o colo presidencial de Sampaio, ou o colo Guterrista ou de Freitas. Recentemente, os colos do primeiro ministro Espanhol, do chanceler Alemão, ontem, do ex-primeiro francês Juspin...
Ao colo das sondagens mas sem o colo do povo, Sócrates não tem feito outra coisa que não seja deixar-se filmar e fotografar feito tótó ao colo de notáveis velhas carcaças nacionais e internacionais, pedindo a benção, tentando alcançar uma credibilidade que o seu 'tragozinho a azedo' compromete.

Publicado por jorge b em 10:42 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL