novembro 30, 2004

Slow n’ furious

Havia algo de comum à horda que vimos na televisão apupar e insultar Carlos Cruz aquando do 1º dia do julgamento Casa Pia, como se fosse o homem o responsável pelas pensões miseráveis que recebem.
1º Todos pertenciam à terceira idade.
2º Todos estavam preparados para a qualquer momento partirem numa peregrinação a Fátima.
3º Todos pareciam delegados ao congresso do PCP.
Uma mistura explosiva, portanto.

Publicado por jorge b em 01:37 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

novembro 29, 2004

Busca, busca!!

Soube recentemente: o treinador do Benfica, quando quer chamar os jogadores, durante os treinos ou os jogos, assobia, tal e qual como eu faço quando quero chamar pelo Egas. Mas o Egas não é jogador do Benfica. O Egas gosta muito daquelas tiras de gordura e pele de porco que vêm a enfeitar os nacos de bacon. O Egas é um cão que adoptou a porta da minha casa para viver e, quando lá não está, onde quer que esteja, sempre que assobio, ele vem ter comigo todo contente para eu lhe dar água ou restos do jantar.
Era urgente que todos os sócios e adeptos do Benfica começassem a assobiar também, como faz Trapatoni, em uníssono, a mãe de todas as assobiadelas, para chamar, não os jogadores, mas o treinador e os dirigentes dali para fora, de preferência chamá-los para um lugar recôndito, tipo Quinta das Celebridades. É que o Benfica há muito que busca-busca um título, mas não era preciso exagerar, contratando-se alguém com nítidos tiques de canicultor. E os sócios consentem, consentem que se chame pelos seus jogadores, com assobios, quais Piruças ou Bobbys... Onde é que isto já se viu ??!!
O país, cada vez mais insuportável com anos e anos de direcções encarnadas medíocres, agradecia um título para o Benfica, ou pelo menos uma liderança encarnada como deve de ser. Tal devia ser um desígnio nacional! E mais tarde ou mais cedo, se não forem os da casa, árbitros, um administrativo qualquer da Liga, alguém da Sport TV, o Conselho de Estado, o Pinto da Costa, alguém que não assobie, alguém terá de fazer alguma coisa pelo Benfica, a bem da nação.
Depois dos patos bravos da construção civil, um treinador que assobia só pode ser demais. O Benfica está a saque de gente sem nível (o mais grave de tudo), a saque do mau gosto (ora veja-se a pôrra do estádio do lado de fora, aquele amontoado de betão inestético!!, de longe é o estádio exteriormente mais feio de todos os que foram construídos para o euro), de pessoas que naturalmente nunca farão do Benfica um clube que jogue bem, que não se limite a correr atrás da bola. Se nada for feito, por muito mais tempos continuaremos a ouvi-los queixarem-se das arbitragens, e só por muito demérito das outras equipas o Benfica este ano não descerá de divisão e o país mergulhará na sua mais profunda crise desde a conquista do penta pelo fêcêpê.

Publicado por jorge b em 12:27 PM | Comentários (2) | PÁGINA PRINCIPAL

novembro 26, 2004

100 milhões de metros

Hoje de manhã, as 6 rodelazinhas do conta-quilometros do meu carro analógico, rodaram todas ao mesmo tempo num prodigioso sincronismo testemunhado por mim com um misto de orgulho e satisfação. Confesso que estava algo apreensivo porque me veio à memória o já longinquo ano 2000, o famoso bug da viragem do milénio. Receei que ocorresse qualquer espécie de cataclismo no meu carrinho, que a correia de transmissão se partisse, que o motor se afogasse, que o carro se pusesse a fazer o pino, que me apercebe-se que tinha afinal um carro velho. Mas não, correu tudo bem, passámos incólumes à passagem dos 100.000 quilometros.

Publicado por jorge b em 10:25 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

novembro 25, 2004

Beast and the beauty

"A bela é o monstro.", in traseiras do Mercado da Ribeira, Lisboa.

Publicado por jorge b em 01:47 PM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

Pelo menos

Devia ser desígnio de qualquer gajo, encontrar onde quer quer fosse, uma gaja, pelo menos perfeita.

Publicado por jorge b em 01:39 PM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

novembro 21, 2004

Televisão espezinhada

A ideia do concurso é genial. Milhões de pessoas pagam a estadia a um grupo de pseudo celebridades numa quinta onde, apesar das aparências, não falta nada daquilo que qualquer citadino não desgostaria de ter numa estância rural ou no seu monte alentejano. Cenário bem distante portanto, dum certo imaginário rural algo rude, desconfortável e desventurado que à partida se esperaria para os concorrentes. Em troca, as celebridades deixam-se filmar num suposto dia-a-dia por vezes de frete ou sacrifício, permitem que se descubram as suas vulgaridades (e como são vulgares!), que as observem em poses desajeitadas, aparentemente nada estudadas, mas sempre maquilhadas. O povo gosta e vibra, sem alternativa, volta a viver a vida dos outros por um ecrã, desta vez guiado por uma inenarrável apresentadora com voz e algo mais de galinha ("Diga lá: amo-te, não posso viver sem ti, essas coisas…") e um burro com voz de alguem e pouco mais.
A grande revelação Castelo Branco, o ‘conde’ da Quinta, é, de todas, a mais televisivamente saudável. Aquela que mais criava expectativa, a que aparentemente mais iria ‘sofrer’ com a assimetria vivencial, pela troca do cheiro higiénico e silencioso das suites dos melhores hotéis, pelo cheiro orgânico e ruidoso dos estábulos... É no fundo a que mais se "diverte", naquela sua estranha e peculiar forma de diversão, e, por osmose, a que mais "diverte" o pagode, com as suas provocações e discussões mais ou menos estérei(ca)s, com os seus mais ou menos espalhafatosos show-offs. Saudável, pois. Voto neste ‘conde’, um dos mais talentosos entretainers dos últimos anos a pisar um ecrã de televisão.

Publicado por jorge b em 08:20 PM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

O tapete

A algumas dezenas de metros do local onde habito, constrói-se descontraidamente uma ETAR ou algo similar, umas piscinas enormes destinadas a acolher ao ar livre os esgotos das redondezas. Uma chatice! A pôrra dos esgotos é assim mais ou menos como a morte, algo que nem se quer nem ouvir cheirar. Um gajo tem a ilusão que o barulho do autoclismo é sempre a ultima vez que ouviu falar deles. O que é certo é que os esgotos têm que ir para algum lado, de preferência para debaixo do tapete. A ideia correctamente ecológica dos nossos avozinhos que nos diziam que o mar era tão grande que diluía tudo, ou que havia peixinhos a comer alegremente os nossos excrementos, deixou de fazer sentido quando nos começamos a interrogar porque seria que havia cada vez menos peixinhos e cada vez mais derrames de crude.
Ter à porta de casa todos os dias aquela espécie de jazigo de imundície, é demasiadamente cruel para as nossas higiénicas vidas, demasiadamente pestilento para as nossas narinas. Por outro lado, os nossos amigos nunca mais terão dificuldade em dar com a nossa casa: “Fica mesmo ao pé da ETAR, tas a ver…”. Excelente ponto de referência!
A construção está a levar à mobilização da vizinhança que já andou de máquina fotográfica em punho, já fala em meter advogados e televisões ao barulho, porque a polémica obra enferma de ilegalidades, na fronteira entre o aldeamento e o parque natural. Só em Portugal, muito provavelmente lá terei de pagar do meu bolso para que um governo municipal não cometa uma ilegalidade. Senhor presidente da Câmara, escolha outro tapete sff.

Publicado por jorge b em 08:12 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

National Geographic Voyeurs

Quando se fala em programação de qualidade na TV, é vulgar o telespectador sugerir o documentário sobre a vida animal em vez da telenovela. Mas os documentários sobre animais, tipo BBC vida selvagem ou national geografique, são cada vez mais telenovelas. Ao longo dos anos as câmaras têm deslocado o seu centro de atenção dos animais no seu habitat natural, para a bióloga loira ou a ex-executiva ruiva e divorciada que deixou para trás uma carreira de sucesso para estudar os tubarões limão das Caraíbas. “Ena, nunca tinha sido filmado um tubarão anão a engolir uma foca gigante e nós conseguimos!” ou “Urra, é a primeira vez que o ouvido humano consegue ouvir um traque duma baleia azul!!”. As expressões de júbilo, os gritinhos histéricos de triunfo à boa maneira americana, cada vez que um bicho faz uma habilidade nunca vista, condimentam assim as histórias ficcionadas, habilmente montadas e muitas vezes filmadas em estúdio com animais “duplos” em cativeiro. “Este leão-marinho deixou a sua família, deixando assim as crias à mercê da fome e não só. Se a mãe não encontrar rapidamente outro macho, a família ficará desprotegida e à mercê dos predadores. Felizmente o avô paterno parece estar a querer assumir a responsabilidade.” Pelo sim pelo não decidem ferrá-lo com mais um chip localizável por GPS.

Publicado por jorge b em 08:09 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

novembro 11, 2004

Waves on women

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- Olha quem vem lá, uma baleia toda bonita...
- Isto não é uma baleia, é um golfinho. Gosta da minha camisola nova ?...
- Fica-lhe bem. E com esse seu corte de cabelo, fica parecida com aquela concorrente madeirense que ganhou o big brother em inglaterra...
- Obrigado, comprei-a ontem.
- É bonita mas é muito aberta em cima, um pouco fresca para a época. E a menina é tão friorenta...
- Mas eu aqui em cima nunca tenho frio!
- Eu sei, a minha avó também sofre de escoliose e nunca tem frio em cima.
"

Publicado por jorge b em 10:57 PM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL