maio 31, 2004

Bravura

“A verdadeira bravura é chegar tarde a casa, depois de uma noite 'nos copos', e, depois de ser atacado à vassourada pela mulher, ainda ter tomates para perguntar: Ainda estás nas limpezas ou vais voar para algum lado?!?
in, e-mail

Publicado por jorge b em 12:29 PM | Comentários (2) | PÁGINA PRINCIPAL

maio 28, 2004

Kill Bill

É assim como beber vinho a martelo por um flute de cristal. Tarantino serve.

Publicado por jorge b em 10:21 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

maio 27, 2004

What really matters

“... não arredam pé, já dormem sobre os cachecóis e as bandeiras...”
O país assistiu ontem impávido, sereno e indiferente a mais uma vitória rotineira do Porto. O ponto alto da noite foi a placidez de Mourinho no final do jogo, contrastante com o histerismo oficial dos jogadores, dirigentes e populaça que não perdeu mais uma oportunidade de dar largas ao seu analfabeto contentamento. Mourinho esse, deu um discreto beijinho na taça e uma indiscreta lição ao mundo: rodeou-se dos filhos, da família, de 100 mil mocas, o que realmente interessa, marimbou-se para as cameras, para o show-off do costume. E ainda foi a tempo de ser frontal, declarando que queria sair do Porto. Vão ficar sem o melhor treinador do mundo.

Publicado por jorge b em 10:28 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

maio 26, 2004

O que é estar morto ?

Simples: é assim como era antes de nascermos.
(do intraduzido Alan Wilson Watts, esta ideia)

Publicado por jorge b em 10:10 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

maio 24, 2004

Hoje, 3013º dia

É a Justiça portuguesa a pedir uma entrada no Guiness Book.
Três irmãos, os personagens do mal explicado processo: O meritíssimo Juiz, o excelentíssimo Conservador e o ilustre Morto-vivo. Ao que parece, (e parece-me só de passagem, do que li dos inúmeros recortes de jornais que ao longo dos anos deram conta do caso, e que o mano esquecido ostenta entre outras palavras escritas de ordem) dois dos manos terão descoberto que calhava mais bolo duma herança a cada um, se dividido por dois em vez de três. O terceiro, na altura emigrado e desligado da família, dava um excelente defunto, e vai daí, já com os dedos nos cordelinhos em Portugal, supostamente foi só pô-los a mexer: Paz á sua alma e ás nossas contas bancárias.
Há mais de 8 anos, todos os dias úteis, durante o horário de expediente, o deserdado mano Morto-vivo e mulher, fazem plantão à porta da Procuradoria Geral da Republica Portuguesa, reclamando do lapso ou da falcatrua, do que é seu por direito, pedindo Justiça ou coisa que o valha. O casal é já um ex-libris da Rua da Escola Politécnica, mas no entanto, e á medida que o tempo passa, parece estar condenado a conquistar apenas a indiferença de quem teria o poder de resolver o seu eterno problema.
Mereciam sair dali satisfeitos um dia, com razão ou com uma explicação cabal, objectiva e definitiva que, apesar do folclore diário, do caricato da situação, da afronta ao sistema judicial, que é o seu protesto, ninguém se propõe dar, escandalosamente.
Arrastam-se, sem sair do mesmo lugar, até ao esquecimento final. E lá vão levando a sua vidinha feita duma longa espera, se calhar para nada. É a Lei.

Publicado por jorge b em 04:23 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

maio 20, 2004

A triste falta de Tomates de Deus

Tolstoi dizia que não interessava se Deus existia ou não, o que interessava era a Sua procura. Seria assim mais ou menos como, não interessa ganhar ou perder, o que interessa é jogar. Estava redondamente enganado o russo Leo.
Procurar Deus não é nenhum jogo, é uma ingrata, inglória, tremenda perda de tempo. Quem estará interessado em perder tempo com um Traste daqueles ? Lastimo, mas interessados não faltam, até fazem bicha que chega até muitos séculos atrás. E como já se viu desde tempos imemoriais, os que mais estúpida e intensamente O procuram, às tantas ficam tão cansados ou delirantes, que apenas pensam que O encontram, coisa que para eles, coitados, já lhes basta para viverem felizes e anestesiados. Mas, pensar, apenas, sabe a muito pouco e não serve como prova cientifica ou pelo menos palpável do Seu descobrimento e encontro, nem aquece os pés frios à noite. É assim como estar com fome e pensar que se está a comer bavaroise de ananás. Quem está de fora, poderá constatar a cara de satisfação do esfomeado, empunhando talheres virtuais, lambendo uma polpa de nada dos beiços, tentando enganar o espírito e o estômago. Mas por dentro, a fomeca continua, e eventualmente se não ingerir verdadeiras vitaminas, proteínas e outras minas, acabará por quinar, morrer para sempre com aquele sorriso de satisfação imbecil nos lábios.
Portanto, de Deus, nem cheiro (a que cheirará Deus ?), nem sequer retrato robot, nem uma entrada no livro do Guiness (se havia alguém que merecia constar, seria Ele). Só se lhe conhece rasto de pensamento ou imaginação da mais básica à mais prodigiosa, um eco obsessivo que atravessa gerações e hordas de desamparados, muitos sem culpa da deriva em que se encontram, uma ou outra sensação, no máximo, um arrepio na espinha, um calafrio, coisa que qualquer corrente de ar pode provocar com mais eficácia. Nunca ninguém lhe apertou a Mão, lhe deu uma palmadinha nas Costas, sequer lhe ouviu puxar o Autoclismo. Logo, a Sua procura não interessa nem ao menino jesus, nem aos fabricantes de papel higiénico e desengane-se que pensa um dia ver o seu nome inscrito no. Só mesmo aos tolos pode ser reconfortante acreditar numa mentira, enganar a alma com a ilusão de que O encontraram algures numa das esquinas da sua loucura, ou que Deus de alguma maneira perde tempo a ouvi-los... Haviam de me explicar como, se o Gajo é cego, surdo, mudo e sem o mínimo de sentido de humor, algo que pode denunciar uma grave e intolerável falta de inteligência e quicá explicar a sua atracção pelos pobres de espirito, os afinal intelectualmente ao seu nível...
Compreendo e até acho piada apenas àqueles flibusteiros que de forma original e mais ou menos extravagante (padres, automaticamente excluídos), animam o pagode estagnado, ganham a vida com a divina treta, por questões económicas, terem-no encontrado ou serem Dele íntimos, receberem dele piscares de olhos e recadinhos, lhes rende e serve de sustento, tipo a filha do Solnado que anda a ganhar a vida à conta dos papalvos que lhe compram os livros e ouvem as suas eucarísticas bacoradas. A lógica inerente ao papalvo pedante, preguiçoso demais para procurar seja o que for, será mais ou menos tomar já um atalho: “se ela o encontrou e escreveu um livro, se eu comprar o livro vou também encontrá-lo.” Bem pensado oh papalvo! Arrota lá então mais uns tostões pra Solnada.
Mas, e porque havíamos de ser nós a procurá-Lo ? Porque não ser Ele a procurar-Nos a Nós ? O caminho é o mesmo. Aliás, teoricamente será até mais fácil, é só fazer um slalom até cá abaixo. O Gajo, cuja consciência deve estar mais pesada que um camião TIR, que se ponha a caminho, que apareça pessoalmente, sem intermediários com falta de bago ou de operação plástica, que dê um arzinho da Sua graça, de peito aberto se tiver lata, de rabinho entre as pernas se tiver vergonha, que se mostre, se tiver Tomates.

Publicado por jorge b em 04:13 PM | Comentários (3) | PÁGINA PRINCIPAL

maio 19, 2004

Treinador real

Parece que Mourinho se vai embora mas não estou a ver os adeptos do Futebol Clube do Pinto a fazerem o mesmo berreiro que estão a fazer os do Benfica, clamando pela permanência de Camacho. No fundo Mourinho com a sua pinta de porteiro de hotel de luxo, nunca foi um técnico desejado pelos tripeiros que nele nunca se reviram, mais habituados que estão a verem no banco técnicos com pinta de talhante. Apesar da sua postura arrogante, entre outras qualidades, dava a cara, sabia explicar bem os porquês das suas opções, coisa rara no futebol português. Depois dos grandes testes Benfica e Leiria, o Porto foi um pequeno ensaio. Mourinho vai longe.

Publicado por jorge b em 11:57 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

Realeza real

A TVI vai a casa do Duque de Bragança, o herdeiro da corôa portuguesa, perguntar-lhe o que vai oferecer aos noivos espanhóis: “Vou oferecer-lhes uma fruteira em prata com motivos alusivos aos descobrimentos portugueses. É uma coisa para uso do dia-a-dia e com utilidade prática. E convém que assim seja para que não vá depois a prenda servir de prenda a outro casamento qualquer...” Que desconfiança oh D. Duarte, será da Letizia não ter sangue azul ?

Publicado por jorge b em 11:54 AM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

Selecção real

Scolari se fosse um treinador como deve ser, teria de explicar muito bem explicado porque escolheu Ricardo em vez de Baía, porquê Tiago em vez de Boa Morte, Couto em vez de Fernando Rocha. Os portugueses tinham direito a explicações objectivas. Mas ele não explica, nem conseguiria, remetendo tudo para “si Deus quisé”. E no caso de Baía, só uma birra ou implicância pessoal podem explicar a sua não convocação. Não é preciso ser portista para ver que depois de Moreira, Baia é o melhor guarda-redes nacional. E ao brincar com o guarda-redes, o jogador mais importante numa equipa de futebol, Scolari pode comprometer irremediavelmente a selecção. Mourinho no final da Taça de Portugal que o diga. Era certo que tinha sido Nuno o titular nos jogos da Taça, mas final é final, ainda mais com o Benfica. Mourinho errou ao não convocar Baía. Nos dois golos bonitos do Benfica, o suplente andou sempre a apanhar bonés. A ética lixou Mourinho, Deus lixará Scolari.

Publicado por jorge b em 11:39 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

País real

A SIC foi até Torreselo, ao encontro da dúvida que atormenta o povo daquela aldeia perdida nos confins da Serra da Estrela: “Torrezelo, escreve-se com ‘S’ ou com ‘Z’ ?” Responde o povo: “Por acaszo num shei lêr mas shei que é escrito com um “T” e depoisze tem mais qualquer coisza...”
A SIC já contratou um historiador e um linguista para, no prazo de uma semana, esclarecerem o respectivo share de audiência televisiva.

Publicado por jorge b em 11:37 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

maio 18, 2004

American psychos

Minuciosos testes de DNA provaram que o animal da imagem não é Donald Rumsfeld.Alguns heróis de guerra, uma pequena amostra representativa dos defensores dos valores da democracia e da liberdade, alguns agentes dos polícias do mundo, na recatada privacidade daquela prisão em Bagdad, vigilantes sem vigilância, mostraram o que na realidade valiam, deram a ver ao mundo a ponta do iceberg da insana prepotência americana. Praticaram sobre indefesos actos de indiscritível violência e sadismo só ao alcance de mentes perturbadas e clinicamente doentes mas naturalmente aptas para servir o exército mais poderoso do mundo, orgulho dos estados unidos. E se as cenas filmadas da degolação dum civil americano por ‘terroristas islâmicos’ são igualmente cruéis, não têm no entanto o requinte de malvadez das que vemos nas fotos de Bagdad. Os terroristas islâmicos de pé descalço que cometem actos de barbárie, justificam-nos à luz da vingança, dum fervor e fanatismo político e religioso, logo, são actos que têm o seu quê de distinto da maldade gratuita e performativa praticada e fotografada em Bagdad, cujos autores são gente sem qualquer desculpa ideológica, gente fardada supostamente diferente do terrorista de trapo, gente que teve acesso a suposta educação e vivência baseada nos valores humanisticos da sociedade ocidental, gente que usufruiu de uma outra qualidade de vida, de uma outra formação, que teve direito ao conhecimento, ao equipamento, banhos quentes, roupinha engomada e máquinas fotográficas digitais.
Creio existir (felizmente) uma clara fractura no ocidente, uma diferença civilizacional subsiste e acentua-se entre os dois lados do Atlântico, aproximados no pós guerra e na guerra fria, agora cada vez mais distantes, quer política quer ideologicamente. Entre o depressivo europeu e o psicopata americano, prefiro o primeiro.

Publicado por jorge b em 10:34 AM | Comentários (2) | PÁGINA PRINCIPAL

maio 17, 2004

Tacinhas

O Benfica lá ganhou a taça de Portugal, embora injustamente. Há muito tempo que o Porto merecia perder assim.
Enquanto para o Benfica a vitória serviu apenas de paliativo, para os outros a derrota será um importante estimulante para a tacinha mais importante.

Publicado por jorge b em 05:17 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

maio 13, 2004

Fátima, não te quero! *1

Ao cimo da imagem, milagre, misteriosa mensagem subliminar do Criador para o autor deste post.Por esta altura do ano, para milhares de alienados, todas as estradas e caminhos de cabras vão dar à popular e fenomenal Fátima, talvez o mais discreto mas pesado fardo nacional, herança aprimorada e dada de bandeja pelo Estado Novo, cujo patrocínio logo o novo Estado fez questão de perpetuar (onde é que estava o 25 de Abril quando eu era uma criança ?).
E até onde podem levar os sondáveis trilhos do fanatismo ? Apenas uma amostra, algumas silabas de bestial tóxico odor crente lusitano. Fala ao microfone da rádio, moçoila de 23 anos, em pleno processo de penoso cumprimento de uma inesquecível promessa de há anos. Então, interveniente num acidente de viação com o seu ex-namorado, terá feito à beira duma provinciana cama de hospital a promessa de que se o gajo entrevado recuperasse do estado de coma em que se encontrava, lá palmilharia algumas centenas de quilómetros, partindo da santa terrinha até ao bem asfaltado mas mal inventado lugarejo milagroso. O gajo, que bem pôde agradecer às manhas da medicina, não só recuperou do sono, como também apurou o gosto e começou a ver o mundo com outros mais lúcidos olhos. Portanto, logicamente, tratou de logo mudar de namorada, estando agora casado com a ex-melhor amiga da amargurada e devota peregrina. Mas promessa é promessa, tacanhez é estupidez, mais uma palhinha a juntar àquele imenso palheiro de espiritualidade sem agulha de juízo, a caminho pois, embrutecida moçoila, paga o que nunca deveste! (Convenhamos que para amostra, não está mal.)
Em Fátima da Nª Srª., Fátinha para este amigo, por estes dias de romaria e folclórica pobreza, tão vasta e nauseante aglomeração de fieis cristãos será para o terrorista de esquina, pitéu tão tentador como para mim é um bom e herege bife da vazia com douradas batatas fritas e molho de natas e pimenta verde. Vai daí, excepcionais medidas de segurança este ano, a bélica mão protectora do Estado pastor para com o inofensivo povo rebanho (oiçai como bramem senhor!), mais de fiar que a divina manápula do criador, mas mais em honra que em verdadeira protecção da apaniguada maralha.
Mas, e quem nos protege a nós dos palermas caminhantes que perigosamente invadem as bermas das estradas e alimentam com rezas e muita cera reciclada o que de pior Portugal tem ? Estaremos nós contribuinte ateus, protegidos de lhes pagarmos as pomadinhas para os calos fornecidas nas tendazinhas de apoio ao longo da inútil jornada ?
Os países crescidinhos e sem Fátimas são mais prósperos*2. Demolição e reflorestamento do local já!


*1 E não vale a pena insistires.
*2 Segundo um relatório da OCDE, Portugal será o país daquele colludiu que menos crescerá em 2004.

Publicado por jorge b em 09:16 AM | Comentários (5) | PÁGINA PRINCIPAL

maio 11, 2004

Bibliotaxa

A imposição duma taxa por parte das bibliotecas públicas aos leitores quando levantam livros, está a gerar desnecessária polémica e petição a condizer, entre os facilmente ofendidos. Esta medida insere-se na óptica exploradora do Estado feito cada vez mais máquina empresarial: Ir sacar dinheiro onde quer que seja, mesmo onde mais inimaginavelmente impossível. É portanto mais uma graça do moderno e monstruoso Estado ocidentalmente democrático.
No entanto, a ideia da taxa, desde que simbólica (digo simbólico, por exemplo, 20 cêntimos por uma semana de empréstimo de um livro), não me parece minimamente escandalosa à luz da actual conjuntura social e intelectual, e só estranho o atraso na sua implementação. Os livros merecem respeito e taxar-lhes o acesso é uma forma natural também de os preservar de leitores gratuitos, desses que os levantam e depois não os lêem, se atrasam a devolvê-los, ou que os sublinham, lhes fazem apontamentos, lhes dobram as capas, lhes arrancam folhas, desses piores do que aqueles que plastificam a capas, negando ao livro o direito de envelhecer condignamente. Não quer dizer que a taxa faça essa filtragem, mas creio que poderá ajudar também a responsabilizar o leitor pela obra, bem de todos, da qual fica responsável, que então só a passará a levar se estiver mesmo mesmo interessado na sua leitura. As estatísticas da literacia nacional podem descer, serão menos bonitas, mas serão mais fiáveis e reais.
Falando na petição em si, parece-me algo incongruente assiná-la, quando pago sem pestanejar por uma cerveja numa discoteca 3 euros, quando pago 5 euros por um mero bilhete de cinema, quando dou 30 euros para ir a um qualquer concerto de musica, ou 4 vezes mais se for ‘o maior festival de musica do mundo’. (Quem não é praticante destas extravagâncias, compreendo a indignação e o à vontade para assinar coerentemente tal petição.) Falo das estroinices mas posso também falar falar no preço do litro da gasolina, do leite, da água com e sem gás, do preço exorbitante dos próprios livros, exorbitante porque, quem o escreveu, dessa exorbitância recebe uma ninharia, sendo o grosso da exorbitância dividida injustamente entre intermediários, editores, livreiros e afins. Contra este e outros estados da corrumpida coisa, não vejo petições nem a insurreição mais que merecida. E se o dinheiro cobrado pela controversa taxa for direito para os bolsos de quem matou tempo e neurónios a escrevê-lo, não vejo onde possa haver injustiça ou polémica que o valha.

PS:
Ok, neste momento imagino alguém sem posses (pobrezinho) com o desejo incontrolável de ler o “Capital” do Karl Marx, não tendo naturalmente como pagar a maldita taxa da biblioteca, vendo-se portanto decapitado no seu desejo de aceder ao conhecimento, excluído social e para cúmulo, culturalmente. Abram-se então excepções, devidamente fundamentadas, façam-se salas de leitura controlada e gratuita, para os viciados.

Publicado por jorge b em 11:01 AM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

maio 07, 2004

Lolita

Lolita (1962), não é apenas o pior filme de Stanley Kubrick. É um filme muito mau, a roçar o patético, de onde apenas Peter Sellers sai ileso.
Nabokov não teve culpa absolutamente nenhuma.

Publicado por jorge b em 04:22 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

maio 04, 2004

Os ciganos

Não sei do que gosto menos, se um estranho me chame de ‘inho’ ou se de ‘filho’. Passo a explicar, que no espaço de um hora, uma cigana, que não me conhecia de lado nenhum, chamou-me de ‘senhorzinho’, para logo a seguir, numa outra banca, outro representante daquela etnia me apelidar de ‘filho’. Apenas porque perguntei um preço, recebi a monetária resposta em ‘eros’ acompanhada daqueles bónus claramente dispensáveis.
Pode parecer estranho, principalmente para quem não se mistura com a celeusma que frequenta as feiras onde se encontra de tudo com pó e cheiro a torresmos. Mas para alguém como eu que até encontra DVDs a 5 euros o par, falsificações que mais tarde na pacatez do lar, se descobrem de muito baixa qualidade, é alvo susceptível de ser brindado por aquele tipo de bonificação.
90% da falsificação de filmes em DVD está nas mãos dos ciganos que, por mais lendária má fama que tenham, continuam neste como noutros sectores do comércio contrafeito, a ser autênticos case study de sucesso.
A razão do sucesso cigano parece-me óbvia. Comprar a ciganos está na massa do nosso masoquista sangue consumista. Ao longo da sua vida, até o mais impoluto cidadão sem cheta sentirá pelo menos dez vezes a necessidade incontrolável de comprar um rolex a um cigano e falo-á discretamente e o mais clandestinamente possível no meio de um berreiro, logo ali ao lado da banca da roupa interior feminina, com a cuequinha a 2 euros. Mais tarde descobrirá que o mostrador dos dias não funciona e que o movimento dos ponteiros do seu relógio ciganosuiço é pura ilusão de óptica. Mas não se chateará verdadeiramente por isso, jamais accionará a cláusula de garantia verbal cigana dada in loco. Amaldiçoará antes os ciganos por serem vigaristas, terá mais uma história embusteira para contar, coisas que, para além de chamar nomes ao árbitro ao fim de semana, por si mesmas são outras das suas necessidades incontroláveis e que precisam de regular alimento.
O cigano vive assim do eterno retorno do pateta ludibriado que julga estar a fazer um bom negócio e paralelamente, assim esteja ao colo cigano criancinha ranhosa, um acto de caridade. O cigano, para bem da prosperidade da espécie, nunca poderá portanto ser honesto nem usar lenços de assoar nos filhos, e muito menos armar-se em bonzinho, acrescentando ‘inhos’ e graus de parentesco mais próximo nas suas técnicas de venda directa. Se mais alguma vez algum tentar isso comigo, faço queixa dele... a quem ?...

Publicado por jorge b em 03:00 PM | Comentários (2) | PÁGINA PRINCIPAL