março 31, 2004

Ícone 8.0

- O trunfo é copas não é ?O mundo está repleto de actrizes de revistas cor de rosa e de cinema que teriam dado excelentes actrizes de cinema porno. E, embora não tão frequentemente, o vice-versa também se aplicará.
Não é o caso da húngara Sophie Sweet. Não a imagino num filme do circuito comercial a contracenar com um Harrison Ford. Nem sequer num filme mais cult do Cronenberg. Quem não se lembra daquela tentativa frustrada que o realizador fez em “Rabid”, de fazer um filme como deve ser, com a então estrela porno Marilyn Chambers... Um desastre para ambos. Temos que dar graças às empresas de casting que bem encaminharam a carreira da rainha Sophie dos downloads, a desviaram das secantes cerimónias dos Oscares, para as animadas suites de hotel, certamente sempre com propostas ilusórias, do género, vir a ser a próxima bond girl ou a menina que grita e contorce-se nas mãos do macaco, num próximo remake do King Kong... Tudo papéis onde a bela actriz seria apenas mais uma a experimentar a fama efémera, saltando quanto muito depois para as páginas centrais da Playboy e pouco mais. Carne para canhão, portanto... Bolas, antes carne para carne. É pois nos divx’s, nos jotas e mpeg’s e avi’s, que a já forever young Sophie faz chavascal.
A opinião pública tem as actrizes porno em muito má conta. Não a censuro. Grande parte da actual geração opinion maker cresceu a ver e a esconder debaixo do colchão da cama a mal fotografada e pior impressa “Gina”, e a alugar à socapa filmes porno espanhóis da mais baixa qualidade. Convém esclarecer que um filme porno espanhol de baixa qualidade é um filme com gajas espanholas sem salero, fatelas. E de facto, algures no tempo, período traumatizante houve, mais ou menos coincidente com a expansão das cassetes VHS e dos clubes de vídeo, que muitos camafeus com cara de frete e sotaque castelhano, eram presença assídua no género que, até ao advento da internet, acusou decripitude. A juntar ao péssimo look e performance das interpretes, aquele grão característico da imagem VHS conferia aos filmes um ar ainda mais macabro e degradante. Hoje em dia os écrans planos de 21” e a higiénica qualidade dos suportes digitais, exigem actrizes porno limpinhas, de grande beleza, ultra desinibidas (quer isto dizer, capazes de fazer tudo, sim, mesmo tudo vezes tudo afincadamente), com um sotaque esquisito, de leste, portanto. E Sophie Sweet é uma dessas actrizes, daquele tipo que a cada segundo que passa, a cada gemido que ouvimos, a cada habilidade que a vemos fazer no écran, nos interrogamos como é possível que uma gaja tão bonita (e culta, ora vejamos a foto da actriz num entrevalo entre filmagens) esteja a ser sodomizada por um cigano qualquer, e outros a pagar para isso...

Publicado por jorge b em 02:26 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

Buster


Buster Keaton

Publicado por jorge b em 12:24 AM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

março 29, 2004

A culpa não foi do gato

Ola o passalino!Vejo "Yi-Yi" até onde posso. Já receava que assim fosse. É para já o filme emprestado que mais tempo tive em minha posse. Após duas tentativas que me levaram ao sono, interrompidas depois por uma avaria no DVD, voltei à carga, sentado o menos horizontalmente possível no chão da sala.
Elogiado pela critica reputada e galardoado por Cannes, peça de cinema sono intelectualmente correcta portanto, a pôrra deste filme é um dos mais potentes soporíferos que já alguma vez tomei. E nem à terceira tentativa consegui aguentar os 160 minutos. Ainda tive tempo de ver aquela mãe de família de Taiwan queixar-se ao marido... A sua mãe estava internada lá em casa em estado de coma e, a conselho médico, teriam os membros da família que falar diariamente com a velhota, mãe e avó, contar àquela ouvinte inconsciente, por exemplo, aquilo que faziam diariamente, na esperança de com a conversa fiada a fazerem recuperar consciência. A mãe de família, após algumas crónicas à beira da cama, apercebe-se então o quão sem história é afinal o seu repetitivo dia-a-dia, o quão banal é a sua existência, constata que não sabe mais o que dizer de novo à mãe entrevada. Sim, wellcome to reality, so what ? Aparentemente, este tipo que problema existencial seria mais que suficiente para me resgatar para o filme. Mas não. Não há novidade, é apenas mais uma história passada num decrépito ambiente suburbano com vista para o aqueduto, história igual de milhões de vidas, demasiadamente arrastada e monótona. Pouco mais deu para ver porque adormeci ao som do sono ronronante do meu gato.

Publicado por jorge b em 02:07 PM | Comentários (2) | PÁGINA PRINCIPAL

março 25, 2004

As pessoas boazinhas são mázinhas (sem vice versa)

Sempre tive uma certa aversão às pessoas reconhecidamente boazinhas. Sempre me pareceu que 90% dos actos de bondade ou caridade por elas praticados encerram em si o desejo camuflado de se aproximarem um pouco mais do céu. Local que imagino de lotação muito limitada e reservado apenas àqueles que praticam a bondade sem que se apercebam que a estão efectivamente a praticar. É preciso pois ter descaramento para se ser uma pessoa boazinha. A verdadeira bondade é demasiadamente desinteressada para pedir alguma coisa em troca. E o simples facto de alguém acreditar na existência celestial, não consegue praticar na terra a bondade de forma isenta. Reger-se-á sempre segundo os ensinamentos duma bondade legislada e ineficaz, muito mais religiosa do que verdadeiramente humana. Um tipo de bondade que não enriquece ou faz da pessoa a boa pessoa que todos os que a rodeiam gostariam que fosse. Faz dela antes, no máximo, uma pessoa boazinha.
Por cada acto de bondade que se pratica no mundo, daqueles actos com direito a diploma e até benefício fiscal, há alguém que fica mais perto do Inferno. Não me perguntem porquê, mas é o que sinto. E não estou a fazer confusão com as pessoas boas. Essas, como o próprio nome indica, são boas, simples e humildemente. Assim como as boazonas também o são, boazonas portanto, e não há nada a acrescentar ou a tirar, à excepção de uma ou outra peça de roupa. Agora das pessoas ‘boazinhas’, desconfio sempre. Prefiro antes uma sã convivência com uma pessoa de mau caracter ou mau feitio. Como não creio que, mediocridade clínica à parte, haja pessoas absolutamente más (excluindo aquelas pessoas que não são pessoas), a pessoa com mau feitio fascina-me. E quanto mais esse mau caracter ou mau feito andar a ser publicitado gratuitamente pelos corredores e à beira das máquinas de café, mais me convenço da essência boa que ele encerra, que estará ali uma vitima não de si mesma, como o são muitas pessoas boazinhas, antes vítima de algo realmente mau, que as atormenta e as contagia, e que portanto, precisará de ser exorcizado com doses de frontalidade e personalidade e, se for preciso, sexo. Essas ao contrário das boazinhas dão luta e fazem dos seus defeitos assumidos e impostos, se for possível, a quem as rodeia, um grito desesperado que só alguns poderão ouvir. As boazinhas grande parte delas são mudas e não têm alternativa a serem angélicas boazinhas. Ou isso ou nada... Se demonstrarem um pingo de mau feitio, que nelas existe asfixiado e de forma nunca assumida, borram a pintura toda, passeando portanto pela vida, sempre sobre os bicos dos pés num mundo espelhado a 360 graus. Ao contrário das mázinhas que utilizam o espelho apenas para retocar a maquilhagem, onde qualquer manifestação de nobre caracter, vindo inesperadamente não se sabe de onde, com uma quase naturalidade sobrenatural, brilha nelas mais que toda a bondade do mundo.

Publicado por jorge b em 04:40 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

março 23, 2004

... Interferências

agora volto que estou castrado
...
sexta feira doze
...
a orelha mouca e rouca, e a língua muda e cega
...
todas as pessoas são mais inesquecíveis que toda a gente
...
se me vires disfarça, finjo que nunca te conheci por dentro e fazemo-nos assim felizes
...
um encontro pode ser um encontrão que não é penalty
...
a realidade em cuecas é mais crua que nua
...
rastejar na tua lama limpa-me de alto a baixo, e de baixo a mais abaixo ainda
...
o fim do mundo é o lugar ideal para se tirar a senha e esperar
...
tempo de reciclagem, entregamos os nossos brinquedos
...
tudo tem um final que pode muito bem não ser um fim
...
apenas se escreve a palavra não, que é de todas as palavras a que deve
tirar mais a
...
história de um até amanhã escrito
...

Publicado por jorge b em 03:00 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

março 22, 2004

Anedota de elite #6

"Um diplomata americano acusa:
- Em Cuba a situação económica é tão má que as estudantes universitárias têm que recorrer à prostituição para conseguirem sobreviver!
Responde Fidel:
- Pelo contrário, a situação é tão boa que até as prostitutas são estudantes universitárias."
in, "a minha caixa de correio electrónico"

Publicado por jorge b em 09:13 AM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

março 19, 2004

Vida moderna, humor negro ou o eterno retorno

Aqui.

Publicado por jorge b em 01:53 PM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

O meu querido carrinho

Parecem-me muito mais preocupados os políticos com um eventual atentado terrorista que propriamente o povo, o povo trabalhador, eleitor, que curiosamente, foi o alvo principal em Madrid, o alvo mais fácil e mais previsível em futuros atentados. Mas a malta está tão anestesiada com o seu ritmozinho diário, tão atrofiada com os seus pequenos dramas domésticos, conjugais, extra-conjugais e afins que parece marimbar-se para o assunto. Ok, um dia destes sentiu-se tensão no ar rarefeito do metro, quando a carruagem estancou bruscamente antes de chegar à estação do Marquês. E depois aquela muito pouco usual marcha atrás até à estação do Parque fez com que muito familiar dos murídeos (vulgo, rato) desconfiasse dos “problemas técnicos na linha” e abandonasse o navio. Mas o povo, na sua estranha, e não se sabe vinda de onde, sapiência, parece confiar que os cabr*es dos terroristas só atacam com a poeira muito bem assente, e diverte-se quando ouve o ministro dizer com pompa que vai repor as fronteiras. Os terroristas são estúpidos mas não tão parvos ao ponto de atacarem quando se espera.
Também eu por estes dias me sinto demasiadamente despreocupado com mochilas ou carros bombas. Mas há um carro que me preocupa. O meu, onde parece que toda a poeira assenta... O raio do carro está sempre sujo, é um constante atentado à higiene das vias públicas. Parece inacreditável mas aquela chapa azul escura parece ter um desmesurado poder magnético sobre o pó! Parece-me a mim que se deixo o carro estacionado ao lado de outro, passadas umas horas o outro estará limpo e o meu com uma espessa camada de pó, geralmente com palavras de ordem escritas a dedo nos vidros como “lava-me porco”, “preciso dum banho meu animal” ou “o meu dono ainda é mais javardo que eu”... Mas o que posso mais fazer ? Tornei-me exímio na arte da lavagem à pressão, obedeço fielmente às instruções das auto-lavagens, faço tudo bem feitinho, e nunca me esqueço dos 50 cêntimos de água desmineralizada ao terminar a lavagem. Comprei produtos anti-estáticos, cêras, shampoos-auto especiais, toalhitas desengordurantes, sprays polidores, camurças naturais, tudo das melhores marcas... Nada resulta. Uma hora depois da mais exigente e pormenorizada lavagem, já tenho o carro coberto de pó e a porra dum cão a mijar-me as jantes. Já me disseram que pode ser da estação, do pólen que há no ar, que se acumula nos automóveis. Mas se fosse, espirrava. O meu nariz atrai todo o pólen disponível no ar num raio de 500 metros de onde me encontre. Já me aconselharam a levar o carro à bruxa, ao professor Mamaku, pedir um exorcismo, benzer o carro, mas tenho o azar de ser tão céptico que nem sequer acredito que neste momento ainda não tomei o pequeno almoço. Na Primavera é o pólen, no Verão é a poeira, no Inverno se chove é uma desgraça. A chuva lava o ar, mas estranhamente o ar por cima do local onde circula o meu carro está sempre mais sujo que nos outros lados... Estou sempre à espera de um dia ouvir coachar porque, depois de um aguaceiro, todo o carro parece um pântano tal é o estado miserável em que fica aquela chapa.
Tenho vergonha do meu carro. É isso mesmo. Recentemente fui a um casamento e foi confrangedor ouvir a sogra da noiva aconselhá-la a ter cuidado com o “aquele carro azul escuro”, que “seria uma pena ficares com o corpete sujo”. Chiça, tinha acabado de lavar o carro e enquanto todos tiravam as fotos da prache aproveitei para ir lavá-lo outra vez. Fui o único a não aparecer na fotografia de grupo.
E como ainda tenho 40 anos de prestações pela frente, nem pensar em trocá-lo. Apesar da vergonha, eu gosto do meu querido carrinho, e não serão meia dúzia de toneladas de poeira que vão mudar este sentimento. É natural que uma pessoa se afeiçoe ás coisas. O que já não é natural é para além do pó, a lama se afeiçoar ao meu carro. Um dia destes quando saí do carro, reparei que a chapa tinha laivos duma lama amarela, por baixo, atrás de cada um dos quatro pneus que, como se calcula, tinham mudado de cor. O contraste da cor da lama com a cor da chapa até ficava giro e dava ao carro um ar racing. Mas alguém me explique, se não chovia há semana, se tinha vindo de Lisboa por auto-estrada e depois por estrada nacional bem alcatroada, de onde tinha surgido aquela lama ?
Se a brigada de transito fizesse operações stop para medir a taxa de sujidade dos carros, eu seria manchete no “24 horas”.

Publicado por jorge b em 12:09 PM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

março 18, 2004

As monjas

Alinho numa passeata até Portalegre, Convento de São Bernardo, visita guiada por uma dúzia de irmãs vestidas a preceito, monjas que durante vários séculos ali viveram sobre a clausura das tacanhas mentalidades religiosas, interpretadas por alunas da Escola Superior de Educação da terra, curso de Turismo.
À entrada, as boas vindas por um cabo da GNR, que nos avisa, falando sobre os bicos dos pés, que ainda é cedo. Visita só ás duas da tarde. Meia hora portanto para esticar as pernas, descontados 10 minutos para ficar a saber que os géninhos são ‘ocupas’ ali do convento à falta de outro lugar que continua prometido. E já se vê lá ao fundo uma irmã a varrer o átrio, dizendo-me o condecorado que faz parte do cenário. O facto de estar a varrer no mesmo sítio há meia hora é elucidativo. Por detrás, a casinha onde se abrigava uma espécie de inspector de monjas, que mais não fazia que andar de convento em convento certificando-se do estrito cumprimento dos votos. A casinha está agora parcialmente revestida com azulejaria noventista (anos 90 do séc. XX) retratando um exemplar Gênêrrê como que a dizer “estou pronto para ir para o Iraque”!
Veio-me á memória o Convento de Mafra, também ele ocupado pela tropa regular, onde fiz instrução, inesquecíveis tempos e instruções nocturnas. Estes e sabe-se lá que mais outros lugares de retiro outrora sagrados, têm assim sido ocupados por entidades militares, prisionais, e outras mais ou menos belicistas, aparentemente opostas à natureza do espaço, adaptando-o e inevitavelmente adulterando-o a seu bel prazer. Os crucifixos e terços pendurados nos quartos das monjas e freiras, dão agora lugar aos posters das páginas centrais das revistas dos novos ocupantes, recrutas e praças. Os supostos silêncios, a suposta espiritualidade e devoção, dá lugar aos toques de alvorada, à berraria das ordens de comando, ao som das botas a pisar o alcatrão quando há que marchar. Para muitos, estas ocupações podem constituir sacrilégio, mas para mim, esperança... Talvez com o passar dos anos e com a constatação cada vez mais evidente da inutilidade das milhares de igrejas, conventos, mosteiros espalhados por toda a parte, talvez esses monumentos à pobreza de espirito do povo, possam ter no futuro maior utilidade, por exemplo, sendo ocupados por artistas, transformando-os em polos de difusão cultural, ou convertidos, como aquilo que se espera do caso de São Bernardo, em pousadas, poupando-se bastante no betão que novas construções exigiriam.
Já em plena visita guiada, fiquei a saber alguns pormenores interessantes, alguns deles comuns a outras ordens, sendo que actualmente uma tal de Ordem das Carmelitas, será a mais rígida e austera. Ainda assim as monjas de São Bernardo não podiam contactar com o mundo exterior. Aliás, nem podiam falar. Comunicavam através de gestos, como se fossem anormais (pelo contrário, há pessoas normais que não conseguem falar e comunicam por gestos como se fossem mudas e geralmente são-no mesmo). Embora assistissem á missa juntamente com o resto da maralha, estavam no entanto separadas por umas grades que no entanto tinham uma porta, que por seu turno tinha fechadura, que por seu turno tinha uma chave, que por seu turno deveria ter um bolso onde se guardava. De quem era o bolso ? Não sei, mas devia ser de alguém, talvez, com muita sorte... Quero acredita que o nome da terra, Portalegre, não esteja relacionado com aquela porta, mas, digam o que disserem, as monjas emanam uma espécie de encantamento erótico. Apesar de enfiadas naqueles capuzes que mal se lhes vê o rosto, o resto da indumentária larga não consegue disfarçar de todo as formas femininas, como que atiçando a imaginação que, como se sabe, constitui um excelente afrodisíaco para um gajo fanhoso... É que as monjas não podiam tomar banho. O contacto da água com o corpo era considerado pecaminoso, fonte de prazer que, como qualquer outro indicio mínimo susceptível de provocar qualquer espécie de satisfação, era simplesmente banido. Dizer sabonete deveria ser para elas um palavrão. Só por motivos de saúde, as monjas tomavam banho. Curiosamente o poder orgásmico da água nunca seria estudado em profundidade não constando sequer das páginas de aconselhamento intimo das actuais revistas da especialidade.
Uma vez que a falta de higiene não era considerada problema de saúde, não admira pois que o mau cheiro chegasse a léguas, concretamente às sensíveis narinas do Marquês de Pombal que ordenou a expulsão das monjas dali para fora e que já agora tomassem um banho. Inconformadas com a decisão, a monjas, que se não falar sabiam, a escrever eram um desastre. Deixaram para a eternidade nas costas dum cadeiral, dezenas de frases desconexas, a indignação pelo facto de abandonarem o convento. Mais tarde voltariam. Para regalo dos habitantes da terra, que, rezam as crónicas, logo fizeram grande festa.
Agora, perdidas as monjas, ganhas as estudantes da Escola Superior de Educação, continua a haver motivos de sobra para as tradicionais festas de sextas e sábados à noite. Portalegre é muito mais jovem que beata.

Publicado por jorge b em 10:03 AM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

março 13, 2004

Canalha terrorista da mochila

Os terroristas enojam-me. Se conhece-se algum, não vomitava duas vezes... Ia-lhe logo aos cornos. Então quando os imagino a festejarem o êxito das suas acções, porque quase com toda a certeza o farão, apetece-me espetar-lhes logo com o meu vocabulário nas trombas! Duzentos mortos em Madrid... Valerão um cheque, palmadinhas nas costas e uma rodada, oferta da casa, para todos, seus cabr*es ?
E depois, quando estão sozinhos, esses valentes algozes... O que estará a esta hora a fazer um gajo que tenha cumprido a sua parte, tenha há poucas horas atrás colocado uma mochila com uma bomba relógio num comboio lotado de cidadãos anónimos, já de si, coitados, pacatos trabalhadores, as maiores vítimas desse terrorismo diário que é viver modestamente nesta sociedade moderna ? Conseguirá essa espécie de mutante dormir que nem um anjo ou estará vigil a lembrar-se de quando saiu do comboio, esse preciso momento em que não teve coragem de olhar para aquelas dezenas de rostos, as vidas que passavam por si, que entravam no comboio que iria fazer explodir ?... A esta hora, esse gajo, agora sozinho e entregue a si mesmo, desprezível bandido terrorista, terá vontade de alguma coisa, motivação sequer para respirar ? Como será saber e sentir-se sozinho, assassino de centenas de inocentes ? Conseguirá o gajo ter uma erecção, sentir prazer, ter sentido de humor mais algum dia da vida ?... Como será um gajo desses olhar-se no espelho, o que verá ? Droga, álcool, a que recorrerá ele para se camuflar e não se reconhecer ? Ao fanatismo, talvez o mais eficaz esconderijo dele mesmo...
Oh desprezível bandido terrorista, és apenas um pobre e estúpido infeliz diabo. Mas tu és especial porque, se não és psicopata, és então apenas muito mais doentiamente ingénuo que todos nós, porque acreditas cegamente nesses ideais utópicos que no fundo apenas servem de desculpa para a violência gratuita e uma maldade mascarada. Essas causas egoístas que te mantêm entretido e te fazem esquecer os teus verdadeiros dramas pessoais e quantas mais frustrações... No extremo dos mais fracos e falhados, és assim especial porque descobriste a pior das razões para viver, ao ponto de seres manipulado, ao ponto de seres capaz de morrer por logros que julgas sacrossantos, pior, matar indiscriminadamente sem que te apercebas que no fundo não passarás de um fantoche manipulado por outros iguais a ti, mas muito menos parvos que tu.
Segues um caminho sem razão nem desespero, matando inocentes pelas costas, dessa forma mais cruel e bárbara. Não tens vergonha canalha terrorista da mochila, ingénuo e cobarde ?... Não tens vergonha porque é mais fácil matar e bater nos mais fracos que conheceres-te a ti próprio, mísero diabo.

Publicado por jorge b em 02:54 AM | Comentários (1) | PÁGINA PRINCIPAL

março 10, 2004

A sanita dos meus sonhos

As sanitas pararam no tempo! Explico, a sanita de hoje não difere minimamente das sanitas dos nossos bisavôs.
A traça da sanita tem-se mantido inalterável, atravessando gerações, indiferente aos padrões estéticos de cada uma delas. Evoluiu tudo o que estava á nossa volta, excepto o que estava por baixo: a sanita. Até o autoclismo, até o papel higiénico teve uma evolução extraordinária, principalmente nos últimos anos. Da tradicional folha de jornal, ou, se quisermos ir mais atrás no tempo, folha de couve, passámos a rolos de dupla, tripla, quadrupla folha e por aí fora, com ou sem perfume à escolha, mais macia ou mais áspera, ao gosto do olfacto e sensibilidade de cada cum. E não é difícil adivinhar que no futuro o papel higiénico será activo no combate ao hemorroidal, à tromboflabite, à assadura, e que terá outros efeitos secundários, como o alivio do stress, o combate ao colestrol, etc. Agora, as sanitas, essas, pararam no tempo. Continuam a ser aquelas coisas brancas em cerâmica inestética, coladas ao chão, com meia dúzia de gotas de água lá ao fundo à espreita, à espera de nos salpicarem as nádegas.
Falam-me de sanitas hi-tech, que existem. Conta-me um amigo que lhe contaram a ele (está pois esta sanita no domínio da lenda) que um bar algures nas Docas, tem uma sanita, aparentemente igual às outras, mas equipada com um sofisticado sistema de rotação. I.e. o freguês que se segue, carrega num botão e não tem de se preocupar mais com quem ali se sentou anteriormente, porque se irá sentar sobre um rebordo quase novinho em folha, de tanta desinfecção que sofreu. Pois... Se eu visse uma sanita assim, gostava de ter uma fotografia dela comigo ao lado!
Quero crer que a sanita dum Papa, dum Bill Gates não será propriamente igual à minha. Mas por outro lado muito se fala sobre esses e outros senhores assíduos dos tops da Fortune, dos seus carros, iates, aviões, casamentos e divórcios, mas ninguém fala das suas sanitas. O que é suspeito. Se calhar por vergonha, se calhar porque as têm afinal iguais aos outros, as suas sanitas serão um bluff rodeado de um secretismo que para a Caras é tabu e para a CIA um segredo por desvendar à altura das armas escondidas de destruição maciça do Saddam. Apenas o destronado ditador iraquiano ousou inovar nesta área e veja-se o que lhe aconteceu. É celebre a descoberta do seu WC dourado. Sem o saber, Saddam prestava uma homenagem, foi um mártir para todos quantos mundo fora contestam as vilezas desta sociedade materialista, ao ter o prazer de cagar em cima do vil metal.
E bem que precisavam as sanitas uma (r)evoluçãozinha. Se é nítido o inesteticismo da coisa, a praticidade está pelas ruas da amargura. O mulherio massacra os homens porque salpicam tudo. Certa vez uma chefe minha, única mulher no andar, chegou espavorida á secção: Alguém tinha ousado ir mijar à sua casa de banho privativa! Mas como meu deus, como teria a gaja descoberto, pensei, tentado disfarçar. Elementar meus caros, as micropinguinhas, apenas detectáveis ao olho feminino, na tampa da sanita. Alguém que se debruçasse sobre este problema, que inventasse uma sanita hidráulica com altura regulável electricamente, de forma a diminuir a distancia. Além do humilhante mijar sentado, ou do ridículo de joelhos, não vejo outra maneira de evitar os micropingos e salpicos, e assim evitar muito divórcio e mau ambiente no trabalho. Seria a sanita dos meus sonhos.

Publicado por jorge b em 04:16 PM | Comentários (3) | PÁGINA PRINCIPAL

março 08, 2004

Mudar a fralda

Oiço na TSF as palavras preocupadas de Presidente Jorge Sampaio, acerca da mais que provável elevada taxa de abstenção da próximas europeias: “(...) a União Europeia é muito importante para nós. O que teria sido de Portugal sem a Europa ?
Ao colocar a questão como colocou, como que a adivinhar uma resposta catastrófica, o Presidente passa um atestado de menoridade e incapacidade ao país, pondo-lhe mais uma chupeta na boca, endividando-o ainda mais, como que transferindo para a Europa uma soberania paternal à qual por força dum eterno agradecimento, a nação terá de se subjugar, e, de preferência, mostrar empenho e gratidão ao votar maciçamente nas próxima europeias.
O recém-nascido humano é de entre todos os primatas, a cria que mais cuidados requer. Após o nascimento e durante alguns anos, sem a ajuda e protecção de terceiros, jamais sobreviveria, de tão frágil e dependente que é... Portugal está longe de ser um recém nascido, antes pelo contrário, será dos Estados mais antigos da Europa, senão do Mundo. Quanto muito teremos uma democracia recém nascida. Mas isso não pode servir de desculpa para a imagem que se cultiva, a de um país que se assemelha a um bébé chorão, agarrado á mama da Europa, e que teima em não crescer, em não ter vergonha.
E o que seria de nós sem Jorge Sampaio ?

Publicado por jorge b em 01:35 PM | Comentários (3) | PÁGINA PRINCIPAL

Aniversário (entrada no blogger 3/3/2004)

É verdade, hoje este blog completa o seu primeiro ano de vida. Não posso esconder algum orgulho por ter chegado até aqui, escrevendo regularmente, diria 3 ou 4 vezes por semana. Isto conhecendo-me como me conheço, trabalhando onde trabalho, com a disponibilidade que tenho, é obra. E nem de de propósito, a frase do dia no Citador, aqui ao lado, diz Cícero que "todos acham as suas obras belas". Subscrevo.
Ainda há um orgulho extra, o de ter-me metido nisto algum tempo antes do grande boom dos blogs se ter dado em Portugal, sabendo no entanto que muitos já cá andavam muito antes de mim. Não sou portanto propriamente um pioneiro mas à medida que o tempo passa, vou sendo cada vez mais um resistente. Quanto ao futuro... só a nós pertence.

Publicado por jorge b em 10:35 AM | Comentários (6) | PÁGINA PRINCIPAL

Anedotomania (post especial: 'collectors edition') 3/3/2004

Ás vezes penso que nunca terei sorte na vida. Por arrasto, nunca serei feliz. Feliz no sentido abstracto e delirante da palavra; isto é, por exemplo, andar nas nuvens a enviar e receber sorrisos de outras pessoas felizes que circulam na vida também nas suas próprias nuvens... É confortável e fácil pensar que a felicidade não existe. Mas a sorte existe e negá-la é impossível... E a sorte pode ser um excelente substituto da felicidade.
Começo a aperceber-me que a sorte sorri cada vez mais àqueles que sabem contar anedotas. Pode ser tudo uma grande coincidência, mas é o que tenho constatado. E por isso fico ainda mais desolado. Nunca tive grande jeito para contar anedotas. Nem grande nem pequeno. Sou uma nulidade. A habilidade exige expressividade e eloquência, coisas que não são propriamente dons em mim. A inteligência não é requisito obrigatório, ao contrário do rosto de quem a conta, que convém ser daquele tipo de rosto que facilmente se possa confundir com a sua própria caricatura. Além disso, a arte de bem contar anedotas exige também uma memória prodigiosa. Há pessoas com um inventário anedotal tão vasto que para elas a carie que andamos a tratar faz-lhes lembrar mais ou menos quinhentas anedotas de morrer a rir. Por exemplo, o meu dentista é um desses, e está sempre a dar-me na cabeça porque me esqueço de ir ás consultas.
Actualmente existe por toda a parte um fenómeno de anedotomania de proporções alarmantes. Na net, por mail deverão circular diariamente milhões de anedotas diferentes ou iguais aquelas que recebemos há dois anos atrás e que certamente ainda haveremos de receber várias vezes ao longo da vida. Na televisão, os malucos do riso e o levanta-te e ri exploram e reforçam a mania de forma lucrativa. Por toda a parte vemos pessoas serem brindadas, reconhecidas e premiadas com muitos amigos e secadores de cabelo, por saberem contar bem anedotas. Não há noite entre amigos numa esplanada que não vá descambar num vazio de temas e ideias, consequentemente, num chorrilho de anedotas. Nas escolas as criancinhas trocam entre si anedotas supostamente proibitivas para as suas idades. Se antigamente provar o fruto proibido era saltar o muro da escola para ir á laranja na quinta ao lado, agora os putos entretêm-se a contar anedotas porcas. E os namorados passaram a substituir as promessas de amor por anedotas. As mulheres gostam de gajos que as façam rir, mesmo que seja da forma fácil e imbecil. A anedota é um anestesiante de curto efeito, mas, se bem ministrado, é o suficiente para convencer o nosso gerente de conta a baixar-nos o spread do crédito habitação. Ou seja, saber contar bem anedotas certas, no lugar e sítio certos, hoje em dia além de poder ser um eficaz elixir para a nossa auto-estima, pode-nos abrir muitas portas e por arrasto, conseguir muitos engates.
Durante anos a fio fui incapaz de reter uma anedota que fosse. Depois de me rir á gargalhada, passados 10 minutos já não sabia do que me tinha estado a rir. Isto era dramático e melhor que ninguém, eu soube compreender muito bem o gajo do “Memento”. Defeito genético ou não, era incapaz de contar uma anedota sequer. Agora já estou melhorzinho, e cada vez que oiço uma mesmo mesmo boa, ainda consigo lembrar-me dela a tempo de escrever aqui no blog.
Para país anedótico, cidadãos anedóticos. E a este respeito julgo existirem ainda imensas minorias de gentinha iletrada sem o menor jeitinho para saber sequer quem é o Fernando Rocha e muito menos contar anedotas. Exigiam-se cursos de formação financiados pelo FSE (vulgo, cursos da CEE). Para o bem comum, qualquer cidadão devia estar habilitado a saber contar e, não menos importante, saber aceitar viver como uma anedota.

Publicado por jorge b em 10:33 AM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL

Hermanices (post dia 1/3/2004)

Ontem na SIC vi Herman contemplar, com um jantar á pala no seu restaurante, alguém de Torres Novas, suposto autor da melhor anedota da semana. Já no dia anterior lera eu na Maxmen que um leitor tinha sido contemplado com um jogo de pneus de automóvel, por ter sido o suposto autor da anedota do mês. Característica comum a ambas as anedotas: o cú. A do Herman, era a história da pila que andava a trás do cu, e a da revista Maxmen, a história do cartão único (C.U.). A primeira já tem barbas, a segunda já deve ter passado pela caixa de correio electrónico de metade da população dos Palops. Naturalmente que a rapaziada contemplada não foi a autora das anedotas. Mas foi premiada e porque ninguém os acusará de plágio ou reclamará direitos de autor, acabará por receber os prémios. O que acho injusto porque todas as anedotas são património da humanidade e não deveriam ser reivindicadas por quem quer que fosse para proveito pessoal.
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Ainda ontem no Herman, depois da intervenção dramática de Lili, achei injusto o mérito daquela soberba encenação ter ido todo para a loira e também para o público que, segundo um muito modesto Herman, “esteve muito bem e não se desmanchou”. É que só não viu quem não quis ver, a soberba interpretação do humorista em noite de Oscares. Herman e aquela interpretação de pessoa estupefacta com o que ouvia, aqueles longos segundos como se não soubesse o que dizer depois de Lili se ter retirado, fingindo estar toda f*dida com ele e a sua pandilha por ser o a ceguinha em que todos batem, aquele acabrunhado “Bem, vamos para intervalo e já voltamos!”....
Naturalmente que todos nós sabíamos que tudo aquilo tinha sido uma bela representação, que depois Lili re-entraria triunfante, interpretando aquela personagem radiante a que já nos acostumou... Mas ainda assim Herman fez bem em esclarecer que tudo tinha sido previamente combinado ao milímetro. Faltou só um ligeiro gaguejar para que ele estivesse perfeito...Assim como faltou o prometido comunicado da direcção de programas para mais tarde... ah, é verdade, também isso afinal era só de faz de conta.
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Há muitos domingos à noite que não via mais que 10 minutos de Herman. E ontem reforcei a ideia menos boa que já tinha do programa e do humorista, assim como aumentou a minha saudade das radionovelas e bonecos que outrora interpretava diariamente na rádio. O programa parece estar feito mais para ele e para trupe do costume do que para o público. São eles quem se divertem à brava quando era suposto ser ao contrário ou pelo menos em proporções menos escandalosas. Principalmente Herman, parece continuar a querer demonstrar á força, como se fosse agora o seu cavalo de batalha, um cada vez mais ostensivo “nós por cá tudo bem”. Parafraseando um dos seus bonecos, “não habia nexexidade!” Depois do seu muito falado cabelo pintado de loiro, ontem até apresentou o programa impunhando maracas e tudo, exibindo ainda, com a sua habitual displicência, as quatro estrelas da noite, debruadas nos mamilos de duas curvilíneas meninas para evitarem educadamente o top-less integral. Desfilaram várias vezes pelo écran manifestando talentos nitidamente importados directamente do strip-club mais próximo. Ok Herman, estás desculpado, as maracas serviam para manteres as mãos ocupadas... Depois de tanto faz de conta, fiquei apenas na dúvida: aquelas mamocas, seriam verdadeiras ou verdadeiras com silicone ?

Publicado por jorge b em 10:30 AM | Comentários (0) | PÁGINA PRINCIPAL