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terça-feira, 6 de março, 2007

Encerrado ... | espécie: fora de blog

Recomendo este.

jorge b @ 02:16 PM | Obs (56)
segunda-feira, 15 de janeiro, 2007

A cortar o ar ... | espécie: extracções

Foi quando descobri o legado de um antepassado: um estranho objecto, quase cortante, com o cabo em madeira, pintado de preto, com uma ligeira folga na fixação a uma lâmina enferrujada. Vi que estava ali um provisório 'pequeno sentido para a minha vida': recuperar aquele objecto, restaurar o brilho original da sua lâmina, arranjar aquela folga, fazer da catana que agora me pertencia a mais bem afiada catana do mundo. No Aki adquiro bondex para o cabo, e uma pequena maquineta eléctrica que vem com um kit fantástico de pequenos acessórios próprios para restaurar catanas. Após algumas horas de meticuloso trabalho de lixagem, consigo, eis-me orgulhoso detentor do melhor gadget que um individuo pode ter para descarregar stresses acumulados… A palavra de ordem passa a ser cortar em vez de serrar. Aplico a minha ira sobre a madeira, ramos de arvores, paus bons para arder, encontrados amiúde aqui e ali e que depois da minha intervenção ficam com as dimensões ideais para entrarem pela porta do recuperador de calor.
A catana é um objecto perigoso, eu sei. Só a palavra catana já provoca algum temor. Mas como qualquer outro objecto, é aquilo que fazemos dele. Uma pedra da calçada, na calçada é inofensiva mas nas mãos de um manifestante é um perigoso objecto de arremesso. Depois, vive-se hoje em dia um pouco a histeria dos objectos considerados perigosos. Nos aeroportos até um gancho em metal para o cabelo de senhora é considerado uma potencial arma mortal e, portanto, proibido de entrar nos aviões. Mas então, o próprio pensamento, o corpo humano e aquilo que com ele fizermos, podem ser muito mais perigosos que a catana nas minhas mãos. Fico com muito menos poder bélico que certos gestos, certas palavras, menos perigoso que certos sorrisos, esses sim, por vezes letais. Agora, depois de passar horas a 'catanar' calma e pacificamente, penso que sofro do Sindroma de Sandokan. Explico os meus sintomas: para onde quer que olhe, interrogo-me como seria o efeito da minha catana, sobre o objecto observado. Por exemplo, conseguiria com a minha catana com apenas um só golpe bem aplicado, cortar ao meio a ultima edição do código de processso civil ? Como ficariam o meu telefone, o meu teclado, depois de uma catanada bem assente ? E quantas catanadas seriam necessárias aplicar para reduzir a pó a fotocopiadora que está constantemente a encravar ? Estes e outros mistérios que sei jamais irei desvendar. A catana um dia destes começará a enferrujar de novo. Eu já terei entretanto encontrado um qualquer outro 'pequeno sentido para a minha vida'. Afinal, tem sido sempre assim, vão e vêm, como movimentos de catana, a cortar o ar.

jorge b @ 06:25 PM | Obs (1)
quinta-feira, 11 de janeiro, 2007

Cego de raiva ... | espécie: algures

Aqui há dias ia um ceguinho com a sua bengalita de ceguinho na mão, caminhando hesitantemente pelo passeio, vindo depois até ao rebordo do mesmo, decidido a atravessar para o outro lado da rua. Esperou pelo aviso sonoro do sinal verde para peões e com a sua bengalita lá começou a perscrutar caminho livre para avançar em segurança. Sentindo a presença à sua frente de um automóvel que ali estava estacionado, com a sua bengalita, começou então à cacetada ao capot do carro, enquanto vociferava furioso “estes cabrões estacionam em cima das passadeiras, filhos da puta!!!” e por aí fora, chamando a atenção dos outros transeuntes. Um deles aproximou-se e agarrando-o pelo braço, calmamente disse-lhe: “espere lá amigo que a passadeira não é aí”, encaminhando-o no bom caminho.
A tendência natural das pessoas sem deficiências físicas visíveis é para considerar as outras, denominadas deficientes, como completos coitadinhos, pessoas que além das suas limitações físicas, são igualmente limitados no que toca a sentimentos tão normais como a arrogância e o mau feito. Vêem os deficientes sempre sob uma aureola de sensatez e resignada humildade que, como este episódio verídico atesta, não é verdade. Para mim, que me limitei a observar a cegada, foi uma experiência enriquecedora. Primeiro porque não era o dono do carro que ficou com o capot escavacado, depois porque pude testemunhar in loco um comportamento normalmente irascível que qualquer um pode ter se não estiver nos seus dias, protagonizado por uma pessoa portadora de deficiência física altamente incapacitante como é a cegueira. Qualquer deficiente tem todo o direito de perder as estribeiras, ser uma besta, ficar cego de raiva, como qualquer outro cidadão.
Arte: Alessandro Bavari

jorge b @ 11:16 AM | Obs (3)
quarta-feira, 10 de janeiro, 2007

O estado puro do prazer

Uma equipa de cientistas independente e inexistente propôs-se descobrir que fantasia propiciava mais prazer. Foram submetidos à prova os mais diversos pares, entre eles, um doente e uma enfermeira, um aluno e uma professora, um carteiro e uma dona de casa, um desconhecido e uma desconhecida, um executivo e uma estagiária, um pacato cidadão e uma top model, etc. Testes rigorosos concluíram que, até mais que um homem e uma mulher, ninguém obtém mais prazer do que um macho e uma fêmea.
Arte: Jan Saudek

jorge b @ 05:32 PM | Obs (1)
sexta-feira, 5 de janeiro, 2007

Beber com moderação ... | espécie: extracções

(da série, grandes taradões sem história)

Ofereço-me um creme hidratante. Conversa do rótulo, a aplicação do creme depois do barbear é como se estivessem 5 mil litros de água termal a passar-me pelo rosto. Cativante. Relembro-me então duma ideia, de génio, que apresentei em tempos numa tertúlia de gente desesperada por arranjar ‘um negócio’: Agarrava-se, por exemplo, na Mónica Belucci, punha-se-a nuazinha num daqueles escorregas dos áqua-parques. Despejava-se lá de cima 5 mil litros de água da torneira que passariam pelo corpo da deusa, dotando-a do imaginário sabor do seu corpo, água encorpada, com sabor a Mónica Belucci. Depois de recolhido o precioso liquido, era engarrafado em garrafinhas de 20cl que seriam posteriormente vendidas a um preço exorbitante ao público ávido de refrescar a imaginação. Sem álcool, mas alucinante. No rótulo, a conversa, seria como se estivéssemos a bebê-la.

jorge b @ 03:01 PM | Obs (3)
terça-feira, 2 de janeiro, 2007

O Leonidas é que sabia ... | espécie: algures

(da série, Grandes Taradões da História)

Leonid Brezhnev acompanhado de outro tarado de óculos.

jorge b @ 12:08 PM | Obs (0)
quarta-feira, 27 de dezembro, 2006

8 boas razões para implodir o Cristo Rei de Almada ... | espécie: estudos

A implosão é o método mais seguro embora, como método destrutivo, não dê o gozo que daria a demolição ou a explosão. Esta ultima hipótese, embora mais espalhafatosa e espectacular, poderia trazer consequências catastróficas. Decerto que obrigaria à evacuação de Almada, Lisboa e aldeias limítrofes. Não seria agradável levar com um estilhaço, por exemplo o nariz do Cristo, na cabeça. A hipótese de demolição, pelo contrário, levantaria questões de logística relativa ao alojamento de hordas de demolidores armados de martelo e escopro vindos de todo o mundo que não iriam querer perder a oportunidade de fazer história e participarem na destruição do nefando mamarracho.

O Cristo-Rei do Rio de Janeiro está na short-list para a eleição das 7 maravilhas do mundo. Na eventualidade de ser um dos eleitos, catástrofe ecológica que não será de descurar acontecer, qualquer turista passaria a identificar o até agora meio discreto Cristo Rei de Almada como uma mera cópia fraquinha do Cristo Rei Redentor. Já temos a ponte sobre o Tejo, mera cópia da Golden Gate. Já chega de cópias, obrigado.

O Cristo brasileiro está erigido a centenas de metros acima do nível do mar. A maior parte do tempo está tapado pelas nuvens, felizmente. Ou seja, não é observável por qualquer incauto que ali passe nas redondezas, como acontece ao incontornável Cristo Rei de Almada. Por muito que nos esforcemos, que desviemos o olhar, a atenção, ali está sempre o mamarracho, pois ao invés do brasileiro, montado bem lá no cimo do longínquo Corcuvado, este está montado sobre um planalto, à beira de um precipício. É um objecto arquitectonicamente desproporcionado relativamente à volumetria envolvente ao local onde está implantado e que, portanto, do ponto de vista do ordenamento da orla costeira, deverá ser implodido.

O Cristo Rei de Almada assenta sobre quatro pilares gigantescos que decerto poderiam ser reciclados e utilizados na construção da nova travessia sobre o Tejo. Poupavam-se milhões.

Se por acaso fossemos invadidos por uma super-potencia ateia, à semelhança com o que aconteceu com a invasão dos cristãos americanos ao Iraque, decerto que a força invasora mal conquistasse a margem sul suburbana ataria uma corda ao pescoço do Cristo e a um taque, e faria o mesmo que fez à estátua do Saddam. Antes prevenir que depois ter que limpar entulho.

Com um aeroporto a meia dúzia de quilómetros é completamente irresponsável ter uma espécie que policia sinaleiro com centenas de metros de altura a estorvar o trânsito aéreo. Oxalá nunca aconteça mas seria triste um dia ser notícia de primeira página: “Cristo Rei de Almada decepado pela asa de um Airbus”

Numa época de crise energética em que a poupança de electricidade está na ordem do dia, é irreflectido gastarem-se milhares de kilowats para iluminar a aberração. Calcula-se que a energia mal gasta ali numa semana dava para pagar a assistência médica, os pensos e as pomadas para os calos, dos peregrinos devotos de Nossa Senhora de Fátima, durante uma década.

O que significa afinal um boneco de braços abertos virado para Lisboa ? Está a abençoa-la, como defendem os beatos ? Não parece. O Cristo parece antes estar na eminência de se atirar dali abaixo. É sabido que os desportos radicais fazem bem à adrenalina; mas ter erigida à beira Tejo uma estátua daquela dimensões fazendo a apologia ao bungee-jumping é exagerado.

jorge b @ 09:58 PM | Obs (0)

Vila BES ... | espécie: publicidade gratuita

O Banco Espírito Santo tomou este ano a iniciativa de transformar a histórica vila de Óbidos na histérica Vila Natal. O evento decorre desde 1 de Dezembro até 6 de Janeiro pelo que julgo ser ainda oportuno este post, dirigido principalmente àqueles que terão, como eu tinha, uma pequena curiosidade em saber que palhaçada virá afinal a ser aquilo.
O que é a Vila Natal não cheguei a saber. Mas o autêntico desfile de horrores que era a mostra de árvores de Natal de plástico, decoradas pela sociedade civil das redondezas, colocadas numa rua de acesso à entrada da vila não augurava nada de bom. Fiz centenas de quilómetros para me deslocar ao local e no entanto, o facto de ser cobrada uma taxa à entrada foi o suficiente para me recusar prosseguir com a loucura e preferir morrer na praia. Lá estava inesperadamente uma barraca com o letreiro “bilheteira”, lá estavam naturalmente os picas junto ás cancelas implacáveis com os penetras, e lá estava obviamente uma fila de proporções bíblicas para a comprar dos ingressos a 4€. Em qualquer país minimamente civilizado aquela barraca não ficaria de pé mais de dez minutos. Em Portugal faz-se bicha ao frio para se ser extorquido de livre vontade. Se o BES quisesse cobrar bilhete de ingresso nas suas dependências bancárias estaria no seu direito. Agora usurpar um espaço histórico e público e vedar-lhe o acesso é uma provocação de espírito nada natalício e muito pouco santo. É como se o Banco Millenium cobrasse bilhete a quem contemplasse a árvore de Natal gigante na Praça do Comércio… Bem, é melhor estar calado e não dar ideias!
O único ponto de interesse em Óbidos por estes dias será a fabulosa amostra de pins pornográficos exposta no quiosque do lar de idosos, logo à entrada da vila. Ali poderemos apreciar e adquirir as mais diversas posições do Kama-sutra ao som do jingle-BES.

Nota: foi corrigida a data de encerramento do evento para a data correcta, 6 de Janeiro.

jorge b @ 09:53 PM | Obs (5)
quinta-feira, 21 de dezembro, 2006

O anti-golo ... | espécie: revisões da matéria

Sendo o guarda-redes o jogador mais importante duma equipa de futebol, é injusto que não lhe seja dado o direito de festejar uma grande defesa, que esbraceje esfusiante, que corra em direcção do público em linha recta ou em zigue-zague, que dê piruetas de contentamento, que tire a camisola, como faz qualquer outro jogador quando marca um golo. Antes pelo contrário, ao guarda-redes parece ser exigido que não exteriorize, contenha qualquer sentimento de satisfação ou orgulho que naturalmente sente sempre após uma defesa que evita o golo... Excepção seja feita nos penaltys, porque o próprio guarda-redes sabe que só por milagre defende um penalty, é-lhe concedido então o direito de demonstrar alguma euforia, não pelo mérito, antes pela sorte do momento, porque na verdade qualquer frangueiro consegue defender um penalty, mas só um grande guarda-redes pode fazer uma defesa indefensável, saltar mais alto que o Michael Jordan e ao mesmo tempo ser mais rápido que o Obikuelo, desafiar as leis da gravidade e ainda cair no chão em grande estilo, p’rá fotografia. Ou seja quanto mais espectacular é a defesa, esse outro climax do jogo, proporcionalmente deverá ser a modéstia ou o ar de completa indiferença do guardião após a sua concretização. Tenho presente a cara de enterro que o Vitor Baía fazia sempre que efectuava uma grande defesa, capacidade que o jogador desenvolveu com grande esforço e dedicação. No entanto, qualquer observador mais atento veria no seu rosto o esforço para conter o impulso de gritar "boa defesa!!! sou o maior ãh, sou ou não sou ?! o que era de vocês sem mim ãh ?! quantos já estávamos a mamar se não fosse eu ãh, ãh ?!"
As câmaras fixam-se sempre no guarda-redes após uma boa defesa. E quando é uma daquelas bolas indefensáveis, quando era golo certo, o realizador brinda-nos com uma macro da face do guarda-redes. Aqueles rostos escondem o desejo do grito libertador de afirmação “sou o maior!!!”. Mas ao invés, o guarda-redes é forçado a desenvolver truques, tiques, capacidades psíquicas incríveis para conter ou disfarçar o contentamento, para simular a modéstia que é obrigado a ter. Por exemplo, o Quim do Benfica após uma grande defesa grita sempre com os defesa do género "caralhos deviam estar a marcar aquele cabrão para a bola não lhe chegar aos pés e se chegasse darem-lhe uma sarrafada e se mesmo assim o gajo chutasse colocarem-se entre eu e o caminho da bola para que não tivesse de efectuar esta extraordinária defesa e assim não estar para aqui aos gritos com vocês ao mesmo tempo que me concentro já no canto que vai ser marcado a todo o momento". Foi a maneira que ele lá arranjou de abafar o desejo de celebrar. Já o Ricardo do Sporting nunca precisou de se esforçar em desenvolver qualquer truque porque tal nunca se mostrou necessário.
O golo está sobrevalorizado em detrimento do anti-golo. Os relatadores da rádio nunca dizem “grââââââââân'defesa!”, não se fazem concursos para se determinar “a melhor defesa da época” ou se atribuem prémios “luvas de ouro”. O que é injusto. O guarda-redes continuará a ser eternamente menosprezado porque era o puto mais tosco, logo, aquele que era colocado onde ninguem queria ficar, à baliza.

jorge b @ 11:50 PM | Obs (1)
quarta-feira, 20 de dezembro, 2006

Natal outra vez ... | espécie: extracções

O Natal é uma época de felicidade para o comércio em geral e os comerciantes em particular.

jorge b @ 02:42 AM | Obs (0)
sexta-feira, 15 de dezembro, 2006

O êxodo continua ... | espécie: bola

Depois do amigo (Veiga), do engenheiro (Santos) e do sócio (Vieira), é a vez da namorada. Em tudo aquilo que se está a passar em torno de Carolina Salgado, o que é mais surpreendente não é o pequeno passo que deu, de alternadeira do 'calor da noite' a concubina de Pinto da Costa. Antes o grande salto, do Porto a Lisboa, de namorada do Pinto, a escritora preferida do Barbas. O resto é roupa suja, azul e branca.

jorge b @ 06:07 PM | Obs (3)
quinta-feira, 14 de dezembro, 2006

A cabeça nas paredes ... | espécie: interferências

"Porque continuo a bater com a cabeça nas paredes ? Porque me sabe bem quando paro. "
in, Grey’s Anatonomy, RTP1

jorge b @ 03:40 PM | Obs (0)
quinta-feira, 7 de dezembro, 2006

The Last Self Help Book You’ll Ever Need ... | espécie: digestões

Um paradoxal e interessante manifesto que denuncia a praga dos livros de auto-ajuda; actualmente estão listados no amazon.com 20 mil títulos deste profícuo género.
*
"Uma boa família é um grupo de pessoas disposta a ficar consigo quando a maior parte das pessoas sãs e ponderadas o afastariam."
...
"Todas as pessoas casadas são casadas com um louco."
...
"Nenhum de nós pode de facto, alguma vez, ajudar-se a si mesmo. O verdadeiro poder não é pessoal mas interpessoal.”

"O amor verdadeiro não é um sentimento; é uma decisão. Se pensa que consegue ver o amor ao olhar bem fundo nos olhos do seu parceiro, está enganado. Aquilo que vê são globos oculares.


Paul Pearsall, neuropsicólogo

jorge b @ 11:42 PM | Obs (0)

Larangie ... | espécie: algures

jorge b @ 02:04 PM | Obs (0)
quarta-feira, 6 de dezembro, 2006

Gaja Natal ... | espécie: ícones


Lisboa tem este ano a melhor decoração de Natal de sempre. E este blog, por arrasto, também. Se a qualidade do interior da lingerie alusiva à época é inquestionável, o que verdadeiramente nos dilata as pupilas, o que realmente nos enche a alma de esperança e alegria, é a mensagem natalícia horizontalmente apregoada na obra de arte que vem revolucionar o conceito de out-door do tipo ‘deixa-me desacelerar para ver melhor’. A pequena estendida não se limitou a vender-se à marca Intimissimi. Está ali, à espera. Não à mão de semear, mas acessível. À espera não do special-one, mas da melhor proposta. Desafia-nos a licitá-la ao mesmo tempo que nos diz “Hei, é só isso que tens para me dar ?”. Ela tem um preço, não está num out-door, está numa montra. É democrática, qualquer um a pode licitar, mas cruel, só um a poderá desembrulhar.
Há também o pormenor do saco do Pai Natal onde se recosta languidamente. Onde está então o avô, que presentes encerrará aquela saca de Pandora ?... Como se alguém quisesse saber! “Olha não te importas de chegar para lá que eu gostava de ver o que tem a saca ?” Não, a saca não tem conteúdo, é uma confortável peça de mobiliário, perfeita para assentar as suas belas mãos (repare-se nas unhas, não pintadas que não se anuncia a Cibelle, antes uma jovem que nem sequer precisa de recorrer ao poder electrizante dumas unhas pintadas) e os seus belos cotovelos (sim, ali há beleza em toda a parte, até no cotovelo).
Depois há a tiara, ao mesmo tempo a referência à atleta de leste de patinagem artística num relaxante intervalo da competição, aguardando pela nota “zix-coma-nóine” e também a referência discreta ao conto de fodas clássico, o toque de realeza, onde o fruto habitualmente vedado insinua-se lá do alto à plebe sôfrega.
Além da lingerie vermelha e branca (alusão à quadra) e do sapatinho à Barbie (alusão à boneca que não se consegue manter de pé porque tem uns pés muito pequeninos, sempre deitada portanto, sempre, sempre), ela tem um nome: Ana Beatriz Barros. Para aquelas formas, qualquer nome servia. Ainda assim a informação é essencial se quisermos saber mais pormenores sobre a modelo brasileira deitada no melhor out-door de todos os tempos.

Foto e link: 9-9.blogspot

jorge b @ 02:00 PM | Obs (0)
terça-feira, 28 de novembro, 2006

Oração para a menina tarada ... | espécie: anedotas de elite

"
São Baltazar quero casar,
São Benedito com um rapaz bonito,
São Bento que não seja ciumento,
São Luís que me faça feliz,
São Manuel que seja fiel,
São Irineu que seja só meu,
São Benjamim que goste de mim,
São Virtuoso que seja gostoso,
São Vicente que seja quente,
São Nicolau que tenha um grande pau,
Santa Teresinha que me deixe molhadinha,
Santa Guiomar que saiba pinar,
São Clemente que fôda pela frente,
São Braz que fôda por traz,
São Malaquias que seja todos os dias.
"
recbido via SMS

jorge b @ 09:49 AM | Obs (0)
sexta-feira, 10 de novembro, 2006

A cor do amor ... | espécie: algures

Natália de Andrade, verdedeiramente genial!

jorge b @ 02:07 PM | Obs (2)
quinta-feira, 9 de novembro, 2006

Curado ... | espécie: extracções

Posso afirmá-lo com toda a certeza: estou curado! Passei pelo pasquim e foi-me indiferente, resisti à tentação, ao apelo da leitura fácil, da gula pelas novidades de borla. Estou limpo, voltei ao livro como companhia de viagem. Abandonei o vicio, larguei o Destak.

jorge b @ 09:06 AM | Obs (0)
quarta-feira, 8 de novembro, 2006

Carne ensacada ... | espécie: algures

Farinheiras, buchos, paios, chouriços, bexigas, alheiras, morcelas, o que levam, como se fazem, as diferenças de sabor consoante as regiões, a altura certa para se matar o porco e se comer, os métodos da matança, as técnicas para evitar o ranço e migar a carne, as quantidades de toucinho e sangue, a vinha de alhos, o fumeiro, a lavagem das tripas… Sinto-me sempre um estrangeiro nas ocasionais confraternizações de final da tarde aqui no trabalho. Assisto sempre com um misto de fascínio e perplexidade as acesas discussões e apaixonantes palestras sobre carne ensacada, enquanto rezo para que ainda hajam sais de frutos quando chegar a casa. Para a semana já está marcado novo workshop de enchidos.

jorge b @ 01:21 PM | Obs (0)
terça-feira, 7 de novembro, 2006

Lúbrico com 7 megapixeis ... | espécie: algures

A miopia leva-me a um interessante exercício de voyeurismo em diferido. Na janela em frente ao trabalho, a nova inquilina no 3º andar brinda-me com uma aparição em lingerie. O embaciamento impede-me de apreciar convenientemente o lado de lá da rua. Pormenores e contornos do que revela a vidraça da janela, só mais tarde. O tempo de exposição da modelo é suficiente para um snapshot com o zoom óptico no máximo. Depois, ao perto, no ecrán já desanuviado, o zoom digital faz o resto.
Verdadeiro trabalho de equipa. A máquina já vê melhor que eu… mas nunca saberá apreciar.

jorge b @ 06:05 PM | Obs (0)

Em tensão agónica ... | espécie: interferências

“O amor. A ausência de amor. A impossibilidade do amor. A forma como a realização do amor destrói a sua idealização. A natureza tirânica das relações pessoais, a começar pelas mais próximas – amantes, família, amigos. A tensão agónica entre a busca da segurança afectiva e a liberdade pessoal e poética. A importância da poesia para transformar a tristeza em algo de sublime.”

João Pereira Coutinho, acerca de Philip Larkin

jorge b @ 01:52 PM | Obs (0)
sexta-feira, 3 de novembro, 2006

O Jacques é que sabia ... | espécie: interferências

Pour faire le portrait d'un oiseau

Peindre d'abord une cage
avec une porte ouverte
peindre ensuite
quelque chose de joli
quelque chose de simple
quelque chose de beau
quelque chose d'utile
pour l'oiseau
placer ensuite la toile contre un arbre
dans un jardin
dans un bois
ou dans une forêt
se cacher derrière l'arbre
sans rien dire
sans bouger...
Parfois l'oiseau arrive vite
mais il peut aussi mettre de longues années
avant de se décider
Ne pas se décourager
attendre
attendre s'il le faut pendant des années
la vitesse ou la lenteur de l'arrivée de l'oiseau
n'ayant aucun rapport
avec la réussite du tableau
Quand l'oiseau arrive
s'il arrive
observer le plus profond silence
attendre que l'oiseau entre dans la cage
et quand il est entré
fermer doucement la porte avec le pinceau
puis
effacer un à un tous les barreaux
en ayant soin de ne toucher aucune des plumes de l'oiseau
Faire ensuite le portrait de l'arbre
en choisissant la plus belle de ses branches
pour l'oiseau
peindre aussi le vert feuillage et la fraîcheur du vent
la poussière du soleil
et le bruit des bêtes de l'herbe dans la chaleur de l'été
et puis attendre que l'oiseau se décide à chanter
Si l'oiseau ne chante pas
C'est mauvais signe
signe que le tableau est mauvais
mais s'il chante c'est bon signe
signe que vous pouvez signer
Alors vous arrachez tout doucment
une des plumes de l'oiseau
et vous écrivez votre nom dans un coin du tableau.

Jacques Prevert

Em inglês

jorge b @ 03:07 PM | Obs (0)
quinta-feira, 2 de novembro, 2006

Estribilho do momento ... | espécie: mundo

Os nossos antepassados pré-históricos guerreavam por uma razão muito simples: por territórios que lhes dessem mais caça, para que fossem mais fortes e assim terem as melhores namoradas.
Na idade média guerreava-se também por uma razão muito simples: em nome de Deus, embora o motivo oculto para as hordas de alminhas que alimentavam os exércitos era sempre a expectativa do saque e a violação das namoradas do inimigo.
A guerra moderna, igualmente por uma razão muito simples, é remunerada: continua a fazer-se em nome de um Deus, mas um Deus negro que depois de refinado e transformado em gasolina, alimenta os automóveis com que se impressionam as namoradas. Orson Welles estava certo. Tudo o que fazemos, por uma razão muito simples, é para as impressionar.

jorge b @ 10:56 AM | Obs (0)
sexta-feira, 27 de outubro, 2006

Burton meets Lynch meets Marco Paulo ... | espécie: algures


O melhor anúncio televisivo de sempre.

jorge b @ 01:15 PM | Obs (86)
quarta-feira, 25 de outubro, 2006

A cantina ... | espécie: histórias infilmáveis

Sirvo-me no self-service duma cantina gigantesca onde centenas de funcionários almoçam alinhados. Sou o ultimo a chegar, o único que ainda está de pé. Ninguém fala, mas ouvem-se os talheres a bater nos pratos, o vidro contra a porcelana, os mastigares, barulho anestesiante, suficiente para me impedir de pensar.
Existe um lugar à minha espera, bem lá ao fundo, único lugar vago, e quando começo a percorrer o corredor do meio, entre as mesas, deixo escorregar o prato com a comida da bandeja para o chão. O barulho quebra a monótona sinfonia, faz com que todos parem de comer e se virem na minha direcção. O silêncio é sepulcral, todos me observam, parece-me, atónitos. Baixo a cabeça e observo a comida espalhada no chão. Milhares de pequenos vermes, pequenas lagartas brancas, devoram-na. Dou um passo em frente, continuo, segurando agora a bandeja vazia com o cuidado que há pouco me faltara, como se nada me tivesse acontecido. Na enorme cantina só se ouvem os meus tímidos passos, sempre observados em silêncio por centenas de olhos. Quando chego ao lugar vazio e me sento, todos se levantam e saem interrompendo as suas refeições. Fico sozinho na enorme cantina e pouco tempo depois milhões de vermes sobem às mesas e começam a devorar os restos de comida enquanto eu, finalmente, consigo acordar.

jorge b @ 05:04 PM | Obs (19)
segunda-feira, 23 de outubro, 2006

Deriva tectónica ... | espécie: portugal

1. O governo quer aumentar 6% na tarifa da electricidade… Como fazê-lo sem causar ondas ? No tempo de Sampaio & Santana, o escândalo, a roçar a provocação, teria levado à queda do Governo. Exige-se agora, à cautela, solução engenhosa: um secretário de estado qualquer ameaça com 15% e uma anedota e depois entra em cena um ministro para recuar no aumento, para os desejados 6%. O que fica, é um gesto de boa vontade. Respiramos de alívio, estamos todos agradecidos.
2. Somos as Afinsas dos bancos. Os empréstimos bancários a que todos estamos inevitavelmente agarrados não são mais que investimentos que fazem em nós, nos nossos vencimentos, no nosso trabalho, com o elevado retorno que os juros do crédito hipotecário, do cartão de crédito, do crédito ao consumo, garantem. Ainda assim, a boa fé e a boa vontade de Sócrates é imensa para quem nos explora. Perdoa milhões em dívidas de IRC à banca nacional, a banca que em tempos de crise é sempre quem mais lucra. A comprová-lo, as receitas astronómicas do ano transacto, a grande ebulição que se vive neste apetecível sector para os grandes tubarões, onde todos são potenciais compradores e alvos de compra.
3. Os ministros pretendem auto aumentar-se e legisla-se nesse sentido. 6% é o número desejado, quiçá para fazer face ao aumento da electricidade. Para a função pública e por arrasto para o privado, pouco mais que 1%, e já é com muito boa vontade.
*
A sorte do governo é não haver mato em Portugal. Ardeu tudo, senão fazia-se guerra de guerrilha ou não seja Portugal o mais sul-americano país europeu. Aquando da separação das placas continentais há cerca de 200 milhões de anos, só por lamentável lapso deixamos a Pagea e viemos atrás da Europa… e continuamos.

jorge b @ 07:19 PM | Obs (0)
quinta-feira, 19 de outubro, 2006

Les miserables ... | espécie: extracções

Vejo na televisão uma senhora miserável de corpo disforme. O drama ? A gordura. A senhora teria sobrevivido os últimos anos a comer em excesso e a moldar de forma irremediável o colchão lá de casa. De tão gorda, não se conseguia levantar da cama, não se conseguia por de pé. Comida, higiene diária e outros cuidados estavam a cargo de outra altruísta pessoa que religiosamente ia lá a casa. E o filho, e agora a gorda desata a chorar, o seu filho que faltava à escola para ficar a ajudar a mãe. E mais ninguém. A senhora só está agora ali sentada, apta a aparecer num programa da manhã porque, por caridade de todos nós, o Ministério da Saúde entrara para a banda gástrica. Após alguns meses, reduzido o apetite e o volume, sobrava ainda a parte inestética. Andava mas continuava gorda, drama quiçá maior. Reduzida igualmente a boa vontade pública, pedia-se agora a privada alma caridosa que patrocina-se a operação plástica que se impunha. Terminada a fase do prantos, bem espremida pela apresentadora, chega o happy-ending: Um cirurgião plástico acaba de oferecer-se para efectuar a dita operação… a custo zero!! Palmas, palmas e mais palmas. Ok, parem as cameras, mesmo aí nesse plano, estilo “fiel ou infiel”, pára-pára-pára. O que temos agora no écran é o rosto da senhora gorda. Lembrem-se, ela tem vivido os últimos anos num sofrimento atroz, esteve ali quase meia hora a debitar queixumes duma vida, em nome das audiências. Agora, há cerca de 10 segundos que ela sabe que o seu problema irá ser resolvido. Já foram mostradas as caras de satisfação da plateia idosa, a apresentadora não cabe em si de feliz, o cirurgião está satisfeito com a publicidade, o director da estação com as audiências, e a gorda ? Não era suposto ser ela a pessoa mais feliz do estúdio, já não digo da freguesia ? Obviamente que não. Tirar a infelicidade aquela mulher é tirar-lhe a sua secreta felicidade, a sua forma de viver feliz na miséria. Ela sente, acabará o seu estado de graça, tem dúvidas sobre se poderá viver doutra forma, ter uma vida magra, incertezas que vêm com a felicidade, com a normalidade da massa corporal. Em nítido esforço, deixa escapar um agradecimento cabisbaixo, mas não houve alteração no seu sofrido rosto, a bombástica notícia da operação à borla não alterou minimamente o seu semblante e o espectador mais atento arriscava dizer que em vez da felicidade pelo fim à vista do sofrimento, a gorda experimenta agora o sentimento de perda, da sua gordura, sustento da sua felicidade infeliz.
Nietzsche tinha razão. De entre toda a razão que tinha, escolho esta: os miseráveis, no fundo não querem deixar de o ser. No fundo não querem perder o único poder que têm sobre os outros. O poder de chocar, de causar pena. Dá-lhes um secreto prazer exercerem esse poder, não o querem perder. Não estou a citar, são palavras minhas a partir da ideia do Friedrich, mas a receita aplica-se com perfeição a varias realidades, não só a este televisivo exemplo.
No amor, não há quilos a mais, mas há também miseráveis. Pessoas que, quando amam, se esvaem de auto-estima, espécie de dieta maldita sem alternativa porque outros amores, outras formas de amar, para elas, não existem, não funcionam. Algo comparável com o amor das amantes, das outras, que sonham o triunfante dia em que os respectivos deixarão a família para se dedicarem a elas em full-time… Vivem nessa esperança e sofrimento, nessa expectativa infeliz dessa operação estética, mas no fundo sabem que a acontecer, será o fim. Reconhecê-lo é um sinal de inteligência rara. Há relações que só assim existem, em sofrimento, só assim têm lógica, se alimentam, sub-nutridas, sobrevivem numa saudável anormalidade. Há outras, verdadeiramente impossíveis, que nem assim existem mas viciam quem as vive, quem anda a bater com a cabeça e o coração nas paredes. Ás vezes antes isso que nada, antes essa poesia, pensam os miseráveis, enquanto tanto deles se desperdiça.

jorge b @ 11:55 AM | Obs (0)
quinta-feira, 12 de outubro, 2006

Basta um dedo ... | espécie: ícones


Mia Kirshner

jorge b @ 04:26 PM | Obs (0)
quarta-feira, 11 de outubro, 2006

Ao que um gajo chega ... | espécie: extracções

Vim um relógio da Tissot com numeração romana e achei-o bonito. Estou tentado a comprá-lo.

jorge b @ 04:33 PM | Obs (0)
terça-feira, 10 de outubro, 2006

Magnanimidade ... | espécie: algures

foto de jan saudek"
- Chefe… Amanhã preciso de faltar… Vou ter que meter mais um dia de férias…
- Outra vez ?!!! Já não faltaste na semana passada ?
- Sim é verdade…
- Epá, tens que controlar isso, não podes andar sempre a meter dias de férias…
- Tenho aí um esquema por fora…
- Um esquema?!!
- … sim, ela é de Coimbra…
- Oh seu caralho, já podias ter dito. Falta lá então e não precisas de meter o dia!
"

jorge b @ 06:46 PM | Obs (0)

Foi ao BES ... | espécie: anedotas de elite

"Um homem assaltou uma dependência do BES em Setúbal... Mas porque fez uma coisa destas?! Provavelmente não tinha pais ricos, não lhe saiu a lotaria... então foi ao BES!"
recebida por SMS

jorge b @ 11:30 AM | Obs (1)
segunda-feira, 9 de outubro, 2006

895 gramas ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Invariavelmente encontro sempre o mesmo livro nas mesas de cabeceira dos quartos de hotel. Não um livro de bolso, não um policial esfarrapado, um borda d’água, não um livro do patinhas, que qualquer livro que fosse não estaria a salvo do gamanço instituído, o mesmo tipo de gamanço que ocorre com as toalhas que continuam a ser o calcanhar de Aquiles dos hotéis. Estes esforçam-se por não deixar nos quartos nada que possa ter aspecto de souvenir. Mas querem dar ao hóspede algo mais para ler que as brochuras com a publicidade e normas de funcionamento interno. É natural que recorram pois à bíblia. É um livro, tem essa solenidade, decoração perfeita para uma mesa de cabeceira, o único livro que ninguém gama. Quem iria gamar algo tão pesado e inútil ?

jorge b @ 11:08 AM | Obs (1)
sexta-feira, 6 de outubro, 2006

2nd life ... | espécie: algures

foto de Jan SaudekEntro numa discoteca. Está animada. Mais mulheres que homens. Estranho, mas agradável. Muito mais mulheres. Dançam sozinhas. È a primeira vez que ali estou. A um canto, por detrás de um vazo enorme com uma palmeira, estão mais duas mulheres. Uma tem a outra, visivelmente mais nova, de gatas no chão, por uma coleira. Aproximo-me e fico ostensivamente a observá-las, em silêncio. “Hi honey, there are plenty of girls around…” Adoro quando me tratam de ‘honey’. “I’m curious about what you two are doing…”. “Honey”, outra vez, adoro, “what do you think we’re doing ?... ” A conversa decorre entre um estreante e céptico, uma experiente e convicta mistress, e uma jovem submissa que se mantém sempre de gatas, de coleira. É o seu prazer. “But honey, where else three persons, me from north américa, you from europe, and another from midlle-east, could be talking like we are ?...” De facto, se na RL (real life) nos encontrássemos por acaso no bar de um hotel, se por acaso as visse, mestre e serva, a um canto do bar, dificilmente me aproximaria, dificilmente trocaríamos uma palavra que fosse.
Ali não, aconteceu, milagre da comunicação. Depois de meia hora de conversa, quando nos despedimos, depois de nos adicionar-mos como amigos, depois dela dar um abraço no ‘honey’, ele rende-se. Second Life não é apenas um jogo on-line. É um jogo demasiadamente real.

jorge b @ 11:38 AM | Obs (0)
quarta-feira, 4 de outubro, 2006

Antes de usar ... | espécie: algures

jorge b @ 11:44 PM | Obs (0)

A melhor música de sempre, hoje ... | espécie: interferências

"Lo-fiction" by Jori Hulkkonen in "Dualizm"

jorge b @ 10:03 PM | Obs (0)

Closing Bartiromo ... | espécie: ícones

Não sei se é aquele seu imutável ar de todas as noites, de quem acordou há bocado, de quem esteve na noite anterior na borga até ás tantas a comemorar o momentum do bull market, aquelas olheiras bem disfarçadas pelos milagres da maquilhagem, olheiras não de noites mal dormidas, antes de breves sonos diurnos, intervalados com preocupações triviais como, como fechou o HANG-SENG, como abriu o FUTSIE, como estão os futuros do DOW… Mas os tickers não flúem pelo ecrã da mesma maneira e o “Closing Bell” nunca soa tão bem quando não é apresentado pela Maria, a apresentadora viva mais sexy do mundo.

jorge b @ 11:01 AM | Obs (0)
terça-feira, 3 de outubro, 2006

Sexo amor sexo amor sexo ... | espécie: fora de blog

Dentro em breve, quando os crawlers do google por aqui passarem, este será o unico blog do mundo a aparecer naquele motor de busca quando alguém efectuar a pesquisa "sexo amor sexo amor sexo". Fantástico!...

jorge b @ 12:18 PM | Obs (1)

O Fernando é que sabe ... | espécie: interferências

"Ninguém ama o eterno. Amamos o que podemos perder."
Fenando Savater, escritor e filósofo espanhol

jorge b @ 12:14 PM | Obs (0)

Que bem se estava agora em Munique ... | espécie: algures

Os tremoços levo eu!

jorge b @ 09:24 AM | Obs (0)
segunda-feira, 2 de outubro, 2006

Consome filha! ... | espécie: extracções

Mama mama papa papa bebe bebe fuma fuma toma toma chupa chupa upa upa come mama consome papa consome CONSOME FILHA !”
“Mama papa” dos Repórter Estrábico.

Tudo o que pode ser quantificado pode ser transaccionado… com lucro para alguém. E como somos altamente quantificáveis, cada vez mais, somos medidos, pesados, avaliados, e ocupamos espaço, e fazemos barulho, lixo, somos seres orgânicos, temos vontades e desejos, temos que pagar a alguém este grande favor que é estarmos vivos. Bem pago, com esforço, escravidão, com dever, sempre maior.
A vida é um bem valioso, demasiadamente valioso para que passe ao lado do mercantilismo reinante.

jorge b @ 01:52 PM | Obs (4)
domingo, 1 de outubro, 2006

U2be ... | espécie: fora de blog

Todos os sketches ou quase todos, dos Gato Fedorento, aqui.

jorge b @ 09:07 PM | Obs (1)

100 ... | espécie: fora de blog

jorge b @ 08:40 PM | Obs (0)
quinta-feira, 28 de setembro, 2006

Inseparável ... | espécie: revisões da matéria

De toldo em toldo, por entre os beirais, debaixo das varandas… Arrependo-me de não ter comprado aquele distinto guarda-chuva em Oxford. Imagino quantas e quantas vezes coleguinhas invejosos me perguntariam “epá que guarda-chuva espectacular tens tu, bem melhor que o meu, oferecido pela minha sogra e que está para aqui cheio de problemas, principalmente infiltrações!”. E ferrugem nas varetas, acrescentaria eu, e já agora, o botão da ignição ainda funciona ?
Sempre que chove é assim, aquele guarda chuva não me sai da cabeça, da minha cabeça inundada, que não é impermeável como o resto do meu corpo.
Todos os guarda-chuvas deviam ser comprados em lugares solenes, históricos como Oxford, Vaticano ou Pigalle. E aquele, tenho a certeza, era especial, arriscaria dizer que era o guarda-chuva da minha vida, aquele guarda-chuva que toda a gente sonha um dia comprar. Era um guarda chuva com cabo em madeira, mas madeira genuína, bem polidinha e envernizada. Não me admiraria que tivesse sido esculpido à mão, madeira de uma árvore nobre, esculpida por artesãos de uma tribo africana em vias de extinção. O tecido negro desenvolvido num laboratório da NASA, capaz de repelir a mais avassaladora das monções marcianas. Ainda me lembro quando o vi, foi como se tivesse sido ontem antes do almoço. Estava um dia de sol radioso e enquanto a maralha se encontrava entretida na loja a comprar pólos e t-shirts a dizer Oxford em letras grandes na parte da frente, eu estava de volta do guarda-chuva, o único guarda-chuva com cabo de madeira escura, bem polidinha, que estava naquele cesto esquecido no meio da loja. Estive ali uns bons quinze minutos naquele “levo, não-levo, levo, não-levo, levo, não-levo, levo, não-levo, levo, não-levo, para quê estas manias, levo, não-levo, levo sim, não levo não, levo, não-levo, levo, levo, não-levo, levo, é caro, não-levo, levo, não-levo, levo, não-levo…”… Tomei a decisão de que hoje me arrependo sempre que me chove em cima.
Já perdi dezenas e dezenas de guarda-chuvas comprados aqui e ali, quase sempre em aflição ou numa ronda tediosa por alguma loja do chinês. Perco-os todos porque não têm o significado especial que, tenho a certeza, aquele teria. Quantas vezes me levantei do banco de um transporte publico e passados alguns momentos me apercebi “olha esqueci-me do guarda chuva no banco do transporte público” e de seguida raciocinei “espera, não está a chover, aquele guarda-chuva no fundo não me diz nada, não vale a pena ir feito doido atrás do transporte público para o resgatar, deixa-o seguir o seu destino que, decerto, será servir de uso a utente mais necessitado que eu. Mas agora reparo, ainda estou dentro do transporte publico… que se lixe o guarda-chuva!”. É pena que esse utente necessitado que por vezes sou eu, nunca tenha encontrado um guarda-chuva perdido. O que me leva a concluir que, à excepção de mim, toda a gente tem um guarda-chuva que além de o proteger da chuva, lhe diz alguma coisa, é especial o suficiente para dele nunca se separar.

jorge b @ 09:42 AM | Obs (5)
quarta-feira, 27 de setembro, 2006

#17 ... | espécie: anedotas de elite

"
Uma mulher mal encarada e muito, mas muito muito feia, entra na Mothercare com duas crianças.
O gerente da loja pergunta à mulher:
- São gêmeos ?
A mulher faz uma careta medonha ficando ainda mais feia, como se fosse possível, e diz:
- Não, seu curioso de merda! O mais velho tem 9 e a mais nova tem 7. Porquê ?... Acha que eles são tão parecidos assim, seu idiota ?
- Não - diz o gerente - custa-me é acreditar que a senhora tenha sido comida mais que uma vez!
"
in my mailbox

jorge b @ 03:56 PM | Obs (0)

Momentos expresso ... | espécie: histórias infilmáveis

No sábado cheguei ao quiosque ao pé da minha casa e perguntei, Tem o expresso ? Não, ainda não chegou. E eu disse, Saí de casa de propósito para comprar o expresso e afinal ainda não chegou… ah, ah, ah. Então fui apanhar o comboio e no quiosque da estação perguntei, Tem o expresso ? Não, já esgotou. E eu disse, Quer dizer, saí de casa de propósito para comprar o expresso e no quiosque ao pé da minha casa disseram-me que ainda não tinha chegado, e aqui dizem-me que já se esgotou… ah, ah, ah. Depois apanhei o comboio e fui até Lisboa. À saída da estação havia um quiosque e eu perguntei: Tem o expresso ? Não, já não tenho. E eu disse, Já viu, saí de casa de propósito para comprar o expresso e no quiosque ao pé da minha casa disseram-me que ainda não tinha chegado, no quiosque da estação do fogueteiro disseram-me que já se tinha esgotado e aqui dizem-me que já não têm… ah, ah, ah. Então fui passear até ao centro comercial colombo e entrei numa papelaria e perguntei, Tem o expresso ? Não vendemos o expresso. E eu disse, Isto é que é hein!! Saí de casa de propósito para comprar o expresso e o no quiosque ao pé da minha casa disseram-me que ainda não tinha chegado, no quiosque da estação do fogueteiro disseram-me que já se tinha esgotado, na estação de sete rios disseram-me que já não tinham e aqui dizem-me que não vendem… ah, ah, ah. Então finalmente apareceu uma ambulância e eu aproveitei.

jorge b @ 03:14 PM | Obs (2)
terça-feira, 26 de setembro, 2006

Untouchable ... | espécie: algures

"
I turn my camera on
I cut my fingers on the way
They way I'm slippin away
I turn my feelings off
Y'made me untouchable for life
And you wasn't polite

It hit me like a tom
You hit me like a tom
On on and on

When I turn my feelings on
I turn my feelings on inside
Feel like I'm gonna ignite
I saw them stars go off
I saw them stars go off at night
And they're looking alright

Keep on blowin up
Keep on blowin em off
Get up roll it out
Keep on showin em out
"

Som: Spoon (remix de John McEntire, recomendada)
Imagem: Alessandro Bavari

jorge b @ 11:34 AM | Obs (8)
segunda-feira, 25 de setembro, 2006

As Extreminadoras ... | espécie: digestões

"Corriam rumores de que ela podia farejar um homem a cinco quilómetros de distancia."
...
"- Suína! Cabra! Tiveste-me a noite passada. Não fui suficientemente boa ? Os meus seios não estiveram a teu gosto ? Não fiz o que devia com a minha lingua ?"
...
"- Eu amo-a, ouves ? Eu amo-a! Tu podes ter dormido com ela, mas eu amo-a!"
...
"- Nem eu te seduzirei, nem tu te servirás do punhal em mim. Dormiremos e tentaremos esquecer o mundo que nos destrói a ambos. Achas uma troca justa ?"
...
"- Nunca tinha visto lágrimas nos olhos de um homem.
- Então aprende alguma coisa com elas, cabra! Aprende alguma coisa!"
...
"- Amo-te! Amo-te e não quero pensar mais. Ajuda-me! Faz o meu cérebro parar de pensar. Impede-o de qualquer forma."
...
"- Odeias-me ?
- Odeio-me a mim próprio. E tu tornaste-te parte de mim próprio. Serve-te a resposta ?"
...
"- Faz-nos um bom fogo, e depois podemos abraçar-nos e adormecer como tu querias. Se houver pesadelos, afunda-los-emos em orgasmos."

jorge b @ 01:23 PM | Obs (1)
domingo, 24 de setembro, 2006

Conversa de clitóris ... | espécie: anedotas de elite

"Encontram-se duas vaginas:
- Ouvi dizer que eras frígida...
- Qual quê !?... Não ligues, são as más linguas."

in my mailbox

jorge b @ 07:48 PM | Obs (1)

How to make ... | espécie: fora de blog

Iraq free, Bush falls, a blow job, music and a Picasso head.

jorge b @ 05:59 PM | Obs (0)

Os Persas é que sabiam ... | espécie: interferências

"É sinal de fraqueza falar quando é preciso estar calado e estar calado quando é preciso falar."
Provérbio

jorge b @ 05:35 PM | Obs (11)
sexta-feira, 22 de setembro, 2006

Meiguices para cadelas infiéis ... | espécie: mundo

“As esposas virtuosas obedecem incondicionalmente ao marido. As desobedientes devem ser por ele afastadas da sua cama e espancadas.”
Corão

“O homem é o senhor indiscutível, o dono absoluto da família. A mulher não pode revoltar-se contra a sua autoridade e, se ousar fazê-lo, é necessário esbofeteá-la.”
Livro de Qaradhami

“Usar um pau fino e leve, útil para lhe bater também de longe. Bater-lhe apenas no corpo, nas mãos e nos pés. Nunca no rosto, senão vêem-se as cicatrizes e os hematomas. Lembrem-se de que os espancamentos devem fazer sofrer psicologicamente e não só fisicamente.”
Imã Mohammed Kamal Mustafá

“A recompensa daqueles que corrompendo a Terra se opõem a Alá e o seu Profeta será a de serem assassinados ou crucificados ou amputados nas mãos e nos pés, ou seja, serem banidos com infâmia deste mundo.”
Corão

Era a mais mediática voz que dissecava e denunciava a mediocridade implicita e explicta nos textos do Corão e da religião Islâmica. Travava nos ultímos anos uma luta contra o cancro e contra os fundamentalistas, tendo falecido às mãos do primeiro. Ambos tinham-na condenado à morte. Persseguida, vivia meio anonimamente em Nova Iorque, denunciava aquilo que dizia ser uma islamização da sociedade ocidental em curso. À custa da nossa tolerância, os pilares da nossa civilização estavam a ser minados por dentro. Pode parecer uma visão algo radical, mas quem ler por exemplo "A Força da Razão", escrito depois do 11 de Setembro, encontrará motivos mais que preocupantes que fundamentam aquela ideia. Oriana Fallaci morreu no passado dia 15 de Setembro.

jorge b @ 09:44 AM | Obs (1)
quarta-feira, 20 de setembro, 2006

A palavra F ... | espécie: revisões da matéria

Vejo uma série televisiva de lésbicas no canal 2 e aprendo algumas coisas: que uma “obsolésbica” (de lésbica obsoleta) é uma lésbica que já não exerce, que assim como existem clínicas para alongamento do pénis, existem clínicas para rejuvenescimento da vagina, visando esta intervenção não só o restauro estético mas também o estreitamento do órgão sexual. “Querida porque vais fazer isso ? Já és tão apertadinha…(personagem lésbica dixit). Aprendo também que é possível a fertilização no lar lésbico, do género, “pronto querida, agora vou penetrar-te… com esta seringa, este tubinho, e este esperma de um preto qualquer, ahahahah(delírio do autor do blog).
Acima de tudo constato a facilidade de engate que existe naquele universo. Só Deus sabe o contorcionismo que os heterossexuais têm de fazer para engatar, no meu caso, a dificuldade que tenho em encontrar uma tipa com os copos, à noite no Bairro Alto. Facilidade de engate e espontaneidade já por mim igualmente constatada entre o meio gay masculino. Nunca vi malta ir de um olhar ao linguado em tão poucos segundos. Uma vez estava no Frágil e vi um puto novo a dançar no meio da pista aos beijos com outro. Escusado será dizer que a cena deu-me volta ao estômago, pareceu-me repugnante, etc, e assim afirmar a minha masculinidade. Naquele momento presumi serem namorados mas, entre dois goles na imperial, a coreografia fez o rapazinho voltar-se para o outro lado e começar aos beijos com outro puto apanhado completamente desprevenido. Dificuldade, só mesmo entrar no Frágil.
Mas a facilidade de engate nas lésbicas lindas de morrer como as da série é tal que uma das personagens desenha no computador uma teia de ligações com dezenas e dezenas de lésbicas que entre si fornicam ou já fornicaram, resultando numa interessante emaranhado gráfico de onde podemos facilmente concluir o regabofe que deve ser, e quão divertido deve ser, ser lésbica.
Como dizia um amigo meu, “epá se fosse mulher era uma granda puta!”. Eu não iria tão longe. Mas lésbica era, de certezinha.

jorge b @ 10:17 AM | Obs (0)
segunda-feira, 18 de setembro, 2006

O mãozinhas ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Ao longo dos tempos, e depois de toda a trabalheira que foi a Criação, têm sido diversas as intervenções divinas. Deus tem sempre intervido nos momentos cruciais da história da Humanidade. Assim de repente lembro-me apenas daquele célebre jogo de futebol no mundial do México, há 20 anos atrás, quando a mão de Deus entrou em campo permitindo a vitória de Maradona sobre a selecção inglesa, no mais celebre golo batoteiro da história. Ah, lembro-me agora que sábado passado, a mão de Deus voltou a ser decisiva na derrota do Sporting. Mas devem existir inúmeros outros exemplos. Como a mão que comandava os aviões contra as torres do WTC, só poderia ser divina, versão árabe. Terá sido igualmente a mão de Deus que pegou num telefone e alegadamente ligou a determinadas pessoas avisando-as para que naquele dia não fossem trabalhar nas torres. Deus tem múltiplas personalidades, múltiplas variantes, uma esquizofrenia grave, um caso clínico sem cura.
Mas é na intimidade de cada um de nós, no dia a dia de cada ser humano, que se sente a presença de Deus. Deus está em todo o lado e sempre connosco, para nos proteger, nos auxiliar, para nos dar força, para nos dar uma mãozinha quando é preciso. Deus preocupa-se com o nosso bem estar físico e psíquico, Deus preocupa-se com a nossa saúde sexual e as doenças sexualmente transmissíveis. Daí que Deus dê sempre uma mãozinha ou uns dedinhos, para que possamos usufruir da forma mais segura de sexo que existe: a masturbação.
Parece que a bíblia condena algures o derramamento de sémen em vão. Não podemos considerar tal uma alusão à masturbação. Antes ao milenar coitus-interruptus, técnica indecorosa que culmina com um cum shot e que visa interromper, de forma gratuita e contra a vontade divina, o fluxo de novos filhos de Deus na Terra. Veria pois com normalidade o Santo Padre apelar à prática generalizada da masturbação, quantas e quantas vezes necessária para apaziguar o desejo incontrolável de comer a mulher do próximo e assim pecar. Um tipo ficar sem o seu lugarzinho no céu apenas porque foi para a cama com a mulher do vizinho do 5º esquerdo, é demasiadamente cruel. Mais vale esgalhar o bicho! Assim como, porque Portugal não é propriamente conhecido como sendo um país fabricante de preservativos, veria com a mesma naturalidade Sócrates apelar ao Onanismo num esforço de equilibrar o deficit externo. Um patriot act á portuguesa! Não se conhecendo nenhum fabricante nacional de Camisas de Vénus, será de considerar que todos os milhões de preservativos consumidos anualmente em Portugal são de importação, com as graves consequências a nível económico que daí advêm. Também do ponto de vista ecológico, quantas vezes não vamos calmamente a percorrer os areais das praias, e tropeçamos amiúde em camisas de vénus utilizadas, trazidas ou à espera de serem levadas pelas ondas. A extinção do nada bio-degradável artigo impunha-se e a masturbação, se Deus quiser, pode ser a solução!
Eu sempre desconfiei como é que uma pessoa sozinha pudesse sentir tanto prazer munida apenas do seu próprio corpo e de uma imaginação prodigiosa. Sei-o hoje, as minhas duvidas tinham razão de ser. Quando se bate uma (tocar uma, se estivermos acima do Mondego), não estamos sozinhos entregues às nossas fantasias. Temos a companhia divina. O órgão é nosso, mas aquela é a mão de Deus, a prova que Ele nos ama mas ninguém nos mama.

jorge b @ 02:37 PM | Obs (1)

Vil ... | espécie: extracções

Prova nº 1246: Nunca faço forward de mailes com apelos desesperados e fotografias de pessoas e crianças desaparecidas. Acho inútil. Só o faria se fosse traficante de pessoas ou pedófilo e pertencesse a alguma rede. Assim como faço forward de todos os mailes a achincalhar o Benfica, precisamente porque sou do Benfica.

jorge b @ 11:04 AM | Obs (0)
terça-feira, 12 de setembro, 2006

#2 ... | espécie: my bookmarks

jorge b @ 01:41 PM | Obs (87)
sábado, 9 de setembro, 2006

Insónia ... | espécie: revisões da matéria

Vejo um programa chamado fiel ou infiel, na TVI. A lógica é a seguinte: põem uma tipa completamente irresistível a dar emprego a um tipo qualquer das obras, oferecendo-lhe um valente ordenado, o seu chorudo corpo e demais mordomias caseiras, entre as quais o luxo dos seus aposentos e um marido ausente. No estúdio a namorada acompanha em diferido a cena filmada à socapa, na expectativa de ver o amado resistir à tentação da sedutora. O apresentador, um brasileiro fã de laca para o cabelo e de calças à meia canela, vai gozando o prato, lançando discretamente achas para a fogueira alimentada pela traição que se vai avizinhando à medida que a loira tentadora de serviço se vai despindo e acariciando a vítima que de nada desconfia.
Às tantas o dito brasileiro começa a conjugar para o público presente o verbo Freud, eu Freudo, tu Freudes, ele Freude, nós Freudemos, vós Freudeiam, eles Freudem. Um momento bonito de televisão.
Além da eventual palhaçada que o programa gera, levantam-se questões pertinentes sobre a fidelidade, no caso, a masculina. Na circunstancia em que estava o pobre aventurado, 99,99% dos homens não resistiriam a comer a tipa, por mais comprometido e respeitável chefe de família que fosse. Portanto, não temos que o censurar, inclusive a namorada que só o fez, e com razão, porque de facto o tipo podia fazer as coisas sem necessidade de a achincalhar. Optou pela técnica do coitadinho, algo que por mais sincero que fosse, dispensava-se em nome do bom carácter. Mas foi a forma que o tipo entendeu ideal de criar cumplicidade, de pôr as mãos com outro à vontade no tesouro que tinha pela frente.
Ora, apenas estando reunidas todas as condições que a seguir se descriminam, poderia qualquer um de nós homens estar a salvo duma investida por parte duma loira daquele calibre (atenção, note-se que a tipa ás tantas põe-se de cuequinhas e de gatas, gatinhando à volta da incrédula vítima):
- Estar completamente satisfeito emocionalmente com a sua relação actual;
- Estar completamente satisfeito sexualmente com a sua relação actual;
- Estar sexual e emocionalmente satisfeito;
- Ter tamanho respeito e consideração pela companheira ao ponto que a ideia de estar a traí-la funcione como um fantasma castrador, coisa que naturalmente lhe impossibilita uma ereção de jeito, por mais habilidosa que seja a loira;
- Ter feito sexo há menos de uma hora;
- Ter comido a irmã gêmea da loira há menos de 24 horas.
Ainda assim, para resistir a um pedaço daqueles, uma mãozinha lá de cima, intervenção divina, seria bem vinda.
Curiosamente, as mulheres são mais parcas, basta-lhes amar o parceiro para que não se concretize a traição com terceiro. Mais um dos mistérios da insondável psique feminina que jamais entenderemos.

Escrito a ouvir obsessivamente “Black Swan” do Thom Yorke.
Art: Steven Stahlberg

jorge b @ 05:36 PM | Obs (140)

Faço questão de ser eu a pagar ... | espécie: algures

Num restaurante apinhado de gente, pode um tipo almoçar ainda mais sozinho ? Obviamente que sim, se lhe pedirem a cadeira da frente, porque precisam, perderá a unica companhia que tem.

jorge b @ 04:35 PM | Obs (281)
quarta-feira, 6 de setembro, 2006

Re ... | espécie: algures


by Kenya Hara

jorge b @ 03:27 PM | Obs (2)
terça-feira, 29 de agosto, 2006

BLOG ... | espécie: histórias infilmáveis

OVER

jorge b @ 07:20 PM | Obs (5)

O Mia é que sabe ... | espécie: interferências

"(...) O que me inveja não são esses jovens, esses fintabolistas, todos cheios de vigor. O que eu invejo, doutor, é quando o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas. A dor dele faz parar o mundo. Um mundo cheio de dores verdadeiras pára perante a dor falsa de um futebolista. As minhas mágoas são tantas e tão verdadeiras e nenhum árbitro manda parar a vida para me atender, reboladinho que estou por dentro, rasteirado que fui pelos outros. Se a vida fosse um relvado, quantos penalties eu já tinha marcado contra o destino? (...)"

Mia Couto, in "O fio das Missangas"

jorge b @ 12:13 AM | Obs (27)
sexta-feira, 25 de agosto, 2006

DNA do artista ... | espécie: fora de blog

jorge b @ 09:24 PM | Obs (33)

O sermão do comboio ... | espécie: histórias infilmáveis

E o Senhor sentiu-se satisfeito com o seu bronze e recolheu a toalha de praia, guardou o creme solar e enfiou os chinelos nos pés. Dirigiu-se então em direcção á estação de comboios disposto a apanhar transporte para destino incerto. Entrou numa carruagem que em boa hora acabara de chegar e sentou-se ao lado duma jovem que fitava um anuncio publicitário como se fosse a mais bela das paisagens.
- Que tanto discorreis naquele painel publicitário minha filha ?
A jovem não respondeu e o Senhor apercebendo-se de que a rapariga se encontrava em transe, beliscou-lhe a coxa pois que era sabido ser aquele o melhor método para fazer a pobre voltar ao mundo real.
- Desculpai-me Senhor não vos imaginava aqui ao meu lado, tão encostadinho a mim.
- Eu percebi minha filha que os teus pensamentos vagueavam por longínquas paragens, mas felizmente o teu corpo permanecia no meu raio de alcance. Mas dizei-me, qual é o teu destino, para onde vais, de onde vens, as tuas medidas ?...
- Senhor, eu deveria ter saído algumas paragens atrás mas tanto me apraz a magnífica paisagem que se vislumbra durante a viagem que me deixei ficar. Hoje gostava que o comboio me levasse até um sitio onde sentisse algo mais que este desejo de desejar, esta tristeza inquieta que não me dá a necessária paz de espírito para usufruir convenientemente de todas as potencialidades eróticas do meu corpo.
- Não te iludais minha filha, pois que tal sítio que procuras, não o encontrarás no fim desta linha. E a paisagem que atrás vistes toda ela é obra dos poetas, essa escumalha da pior espécie! Gente que jamais sentiu a verdadeira tristeza, essa tristeza que experimentais.
- Mas Senhor o que dizeis ? Não vedes que, não fossem eles, como seria o nosso mundo... Haveis já conhecido o belo lago de águas azuis por onde todos os dias passa o comboio ? Haverá obra mais bela quando iluminada pela luz do pôr do sol ?...
- Minha filha, tu fazes a tua viagem todos os dias, sempre na mesma direcção sempre à mesma hora...
- E haverá mal nisso Senhor, não vedes que estou condenada á rotina dos meus tristes dias.
- Vinde comigo, dai-me vossa mão suave e macia como a minha glande, mudemos de comboio, vou-vos mostrar pelos meus olhos a realidade 10 minutos depois, a realidade do comboio seguinte que nunca haveis visto, a realidade no sentido contrário.
O Senhor estava deveras entusiasmado pois que não era todos os dias que encontrava uma discípula disposta a segui-lo cegamente. Levou-a pela mão, voluptuosa ceguinha, até um comboio que se preparava para partir no sentido oposto.
Alguns minutos depois, o comboio passava pelo lago que a jovem referira ao Senhor, tendo esta ficado estupefacta com a paisagem que agora se apresentava.
- Mas Senhor, o que é feito do azul da água, e da água propriamente dita, o que se passou meu Senhor ?
- Minha filha, em boa verdade te digo que a água que vês todos os dias e que tanto julgas deslumbrar-te o espírito, não é mais que uma fina camada de azul pintado à pressa pelos poetas, esses lambodes, para quando o comboio passa. Logo após, a chuva que com eles mantém um ignóbil acordo, abate-se violentamente sobre o azul, desvanecendo-o, revelando a sua verdadeira cor, a sua verdadeira natureza, transformando-o em sangue que os vermes que habitam no lodo devoram com grande voracidade. É o lodo minha filha, o que está por debaixo do azul por que te apaixonas.
- Mas Senhor, e agora o que vejo eu, o belo pôr do sol que me inspira todos os dias, o que lhe aconteceu.
- Mais uma obra dos poetas, essa canalha. Vede que mal passa vosso comboio e o vosso sol moribundo não é mais que um orifício anal gigantesco que nem ao mais privado dos habitantes de Sodoma apeteceria.
- Senhor não sei o que vos diga...
- Digo-vos eu minha filha, que há beleza neste mundo verdadeiro que ora vos revelo, mas tendes que descobrir dentro de vós a necessária verdade que te é mais fácil negar. Mas chega de conversa, sairemos no próximo apeadeiro.
- Mas por alguma razão especial meu Senhor ?
- Sim, há por lá uns arbustos fantásticos. Esperai por mim no cimo da escadaria, minha filha.

jorge b @ 08:15 PM | Obs (70)
quinta-feira, 24 de agosto, 2006

Never trust the way you are ... | espécie: algures

a googlar: centrozoon, david ho

jorge b @ 09:32 PM | Obs (10)

#15 - O balão ... | espécie: anedotas de elite

"
Estava um menino a brincar com o seu balão, quando o mesmo caiu dentro da retrete lá de casa. Com nojo de o apanhar, o menino acabou por deixá-lo lá, e continuou a brincar.
Pouco depois chega o pai, pronto para dar uma cagada. Com o jornal nas mãos, não se apercebe do balão do filho, senta-se e, durante a leitura, vai descarregando.
Duas horas mais tarde, jornal lido do princípio ao fim, o homem levanta-se, vê a retrete cheia de merda e apanha um susto:
- Meu Deus! O que eu caguei! Quanta merda!
Atordoado, liga para o médico que se prontifica a deslocar-se ao local para tratar do caso.
Chegado lá, o médico é levado a ver o festival. E também se assusta.
- Cruzes! Mas a merda cobriu toda a retrete!
- Por favor, doutor, estou desesperado. O que será que tenho?
- Ainda não sei. Preciso examinar a merda.

O médico tira uma espátula da bolsa para examinar um pouco das fezes.
Mas, assim que toca nas ditas, o balão estoura e voa merda por tudo o que é sítio.
Estupefacto, o médico olha para o homem, ambos cobertos de merda, e diz conclusivo:
- Sinceramente, já vi muita coisa na vida, mas nunca tinha visto um peido com casca...
"

jorge b @ 09:13 PM | Obs (16)

Terapia happy ... | espécie: algures

No McDonalds sabem bem como deixar os clientes happy. Não só os pequeninos, fãs dos brindes do happy-meal, também os adultos depois dos trinta podem ter direito ao seu happy-moment do dia. Hoje a happy-empregada que me atendeu, que nunca me vira na vida, afianço-vos, 17 ou 18 aninhos, trata-me por tu: “Vais querer sobremesa ?”. “Vais?!”, mas é claro que vou! O que é que ela me perguntou mesmo ?... E vêem de lá umas batatas fritas para cima do talão, à frente de um sundae afogado em morango liquido. Há coisas que não têm preço.

jorge b @ 01:55 PM | Obs (3)
quarta-feira, 23 de agosto, 2006

À primeira vista ... | espécie: revisões da matéria

Já perdi a conta ao número de vezes em que me apaixonei à primeira vista. Assim por alto terão sido umas duas… talvez três vezes, no máximo. Mas este número refere-se apenas aquelas vezes em que houve correspondência, ou seja, a outra pessoa também se apaixonou à primeira ou até me perder de vista, o que representa aproximadamente 1% de todas as vezes que me apaixonei à primeira vista. Não é muito alta a minha taxa de sucesso, eu sei. Mas convém desde já esclarecer que este número não engloba aquelas vezes em que senti um sentimento avassalador do género “agora comia esta gaja” ou a versão soft “esta tipa era bem comida”. Mesmo neste tipo de sentimentos, apesar de em ambos subsistir uma vontade incontestável de comer a pessoa em causa, há que notar que o imediatismo do primeiro contrasta com a calma e sapiência que denota o segundo. De facto quando se pensa “esta tipa era bem comida” não o era já ali, na fila, frente ao caixa do banco, mas depois, noutro tempo, noutro espaço, mas seguramente nas próximas horas. Não entram nas estatísticas as vezes que sentimos que era mesmo aquela, temos a absoluta certeza que era com aquela pessoa que seríamos capazes de ser felizes até o resto da noite.
Eu tenho para mim a teoria que todos os amores são-no à primeira vista. Não ?! Pensem bem, façam rewind, quando se olharam pela primeira vez, não se sentiu para ali já qualquer coisinha ? Claro que sim. Só que na altura, como ainda estavam com o ex-namorado na cabeça estavam demasiadamente ocupadas para se aperceberem de que estavam a apaixonar-se à primeira vista. Estas coisas passam-se quase todas ao nível do subconsciente. E se o consciente já é deveras inacessível, que se dê portanto o benefício da dúvida.
As paixões à primeira vista são um sucesso, as mais procuradas e nunca passam de moda. É como apostar na bolsa. Os nossos gerentes de conta dir-nos-ão para primeiro efectuarmos uma profunda análise técnica e aos fundamentais da acção em questão antes de nos atirar-mos de cabeça. Podemos dar-nos a esse trabalho e até sermos bem sucedidos. Mas ninguém resiste de vez em quando a apostar numa acção apenas porque houve para ali uma química qualquer, algo nos dizia que era aquela que ia subir. No amor à primeira vista também é assim, há ali qualquer coisa, não nos gráficos, mas no olhar. E quando um olhar tem a capacidade de desviar o nosso de outros pontos de interesse, então cuidado.

Sugestão para googlar: "Alessandro Bavari"

jorge b @ 11:15 AM | Obs (8)
sexta-feira, 18 de agosto, 2006

O desejo de sair dali ... | espécie: revisões da matéria

A saída na próxima estação de metro é habitualmente precedida de uma tensão à qual quem se encontra a barrar a passagem de alguém não fica indiferente. Hoje mal as portas se tinham fechado na estação do Parque, atrás de mim alguém me interrogou sobre as minhas intenções, se ia sair na próxima estação. Acenei com a cabeça, num gesto reconhecidamente universal de aprovação e concordância que qualquer habitante da Aldeia dos Macacos compreenderia. No entanto decorridos alguns segundos a pessoa em questão voltava, impaciente, a fazer-me a mesma pergunta. Obviamente que pretendia uma declaração, se possível por escrito, um juramento sob compromisso de honra em como de facto eu iria sair na próxima paragem acontecesse o que acontecesse, que em caso algum jamais lhe obstruiria o caminho em direcção da desejada porta de saída. Limitei-me a ignorá-la, fingi que ia a ouvir MP3, sentindo no entanto que com o aproximar do momento em que as carruagens parariam e as portas se abririam em perfeito sincronismo, crescia a ansiedade não só de quem me queria dar com um guarda-chuva na cabeça, mas de todos os passageiros em geral pelo aguardado momento de evasão.
Por razões de natureza técnica e aerodinâmica, numa viagem de avião os momentos críticos são o levantar voo e a aterragem. No metro, por questões relacionadas com a psique humana, são as entradas porque toda a gente tem medo de não ter lugar naquele éden, e as saídas porque toda a gente tem um incontrolável desejo de sair dali. A implacável porta, espécie de guilhotina do desejo, parece pois ser geradora de pânicos mal disfarçados. Mas é compressível. O metropolitano é por seu turno uma espécie de elevador atulhado de gente que se desloca na horizontal, com a agravante de não dar azo a fantasias sexuais como as que temos nos elevadores, principalmente naqueles do Centro Comercial das Amoreiras. As probabilidades de se entrar numa carruagem deserta e na estação seguinte entrar uma atraente revisora ninfomaníaca são ínfimas. Nas Amoreiras já não se pode dizer o mesmo, se nos entrar uma daquelas lojistas.
A grande verdade é que o ser humano sente-se sempre desconfortável em lugares onde não possa ter fantasias sexuais. Sente logo o impulso de sair dali para fora o mais rapidamente possível. E se estiver alguém no seu caminho, passar-lhe à frente ou nessa impossibilidade, certificar-se desde logo que o imbecil não atrapalhará a fuga. Ora, uma carruagem de metropolitano atulhada de gente, além do lar da minha avó, é o único lugar do mundo onde tal acontece, onde o ser humano se resume à sua mais miserável condição, de gado transportado sem o mínimo de condições para fantasiar. Obviamente que há rapaziada para tudo, mas pessoalmente considero que estar espalmado a 50 metros de profundidade entre as nádegas de uma preta gorda gigante não seja uma fantasia sexual.

jorge b @ 11:31 AM | Obs (2)
quinta-feira, 17 de agosto, 2006

Guerra e paz na cama ... | espécie: extracções

Quando chegará o dia em que as misses nas suas alegações finais desejarão a paz e a concórdia entre homens e mulheres, que o campo de batalha se restrinja de uma vez por todas ao rectângulo da cama… Que catástrofe maior terá de acontecer do que esta que já acontece nos nossos dias, com tanta procura de um lado, tanta oferta do outro, sem que se faça negócio, que cataclismo maior fará homens e mulheres viverem e comerem-se em harmonia ? É na desgraça que as pessoas se unem sem desconfiança, é na existência de um inimigo comum que se geram cumplicidades. Não há maior desgraça que a indiferença, maior inimigo que a solidão.

jorge b @ 10:57 AM | Obs (2)
segunda-feira, 14 de agosto, 2006

Dreamerica ... | espécie: algures

jorge b @ 10:23 AM | Obs (802)
sexta-feira, 11 de agosto, 2006

Onde todos sabem o teu nome ... | espécie: revisões da matéria

Houve dois espaços de restauração onde me senti assim como no “Cheers”. “As primas” era uma tasca decrépita ali no coração do bairro alto, onde se podiam beber umas bejecas sentado numa daquelas cadeiras e mesas típicas das tradicionais tabernas. Geralmente era visível uma pequena cascata de água que descia do degrau que dava acesso à "casa de banho", entre outros pormenores bizarros que faziam as delícias de quem procurava uma certa decadência cenográfica condicente com o seu estado de espírito. Era um local onde parava uma fauna alternativa e onde se podia gritar, aquele tipo de grito gratuito que liberta, falar alto sem que alguém parasse para olhar e pensar “olha aquele gajo está com os copos”. Isto era muito bom.
Havia também lá uma ‘juke-box’ equipada com dezenas de singles, hits de décadas passadas. Funcionava a moedas de 20 escudos e era lá que tinha descoberto e passado a ouvir religiosamente uma musica fantástica do Júlio Eglésias ”ni te tengo, ni te olvido”, afinal, uma espécie de hino da minha existência, cujo romantismo contrastava com o realismo descolorido do espaço, iluminado pelas lâmpadas fluorescentes mal pregadas ao tecto. Enquanto a musica tocava, momento sagrado, tentava abstrair-me de tudo e todos, e entre a algazarra tentava decifrar o que de tão dramático e ao mesmo tempo belo o espanhol dizia. O exercício era difícil mas este era sem dúvida o tipo de desafio e contraste que tanto apreciava.

No acierto a ver el camino
Que me separe de ti
No puedo seguir contigo
Ni puedo vivir sin ti.


Era uma provocação aos presentes que, desconfortáveis, não pelas palavras, imperceptíveis aos ouvidos alternativos, mas pela harmoniosa orquestração, se dirigiam logo à máquina para que o Brian Adams ou o Bruce Springsteen repusessem o necessário equilíbrio decadente do ambiente. Lá mais para o fim da caneca, ouvia-se o “sweet sixteen” do Billy Idol, o mote para mais uma. Gastei uma fortuna naquela juke-box, nos matraquilhos, nas bejecas.
Só muitos anos mais tarde reencontraria o prazer de estar assim num sítio “where everybody knows your name”. “As tias” era a alcunha da ‘tasca’, ali ao Pateo Bagatella, zona chique (atenção ao pormenor do Pateo, nada de confusões com pátio). Até à tarde, era um restaurante self-service muito bem, mas depois transformava-se no meu 'centro diurético privado'. Era raro o dia que não me encontrassem ao final da jornada de trabalho naquele canto do balcão precisamente com vista para as torneiras da imperial. Havia quem me perguntasse o porquê de tanta fidelidade. O segredo, bem escondido, residia na filha da dona ‘tia’, uma prima portanto, o retornar ao ambiente familiar. A pequena que ali auxiliava a mãe, era dotada de uma rara beleza tipicamente portuguesa. Explico que para mim uma rara beleza tipicamente portuguesa é aquela que me faz lembrar a beleza das mulheres da terra da minha avó, quando eu era pequenino. Ou seja, eu conseguia imaginar a ‘prima’, de traje regional, em cima do palco de madeira lá do pavilhão multiusos do grupo desportivo da terra, a dançar o vira. Mas este tipo de alucinação durava pouco. Ao fim de duas imperiais ela já despia o traje regional revelando as suas deslumbrantes formas valorizadas por uma sensual lingerie preta… Estes contrastes sempre me seduziram e inspiraram!
Mas havia algo mais que mero voyerismo. A pequena dava conversa, assim como o resto das suas empregadas ucranianas, cuja vulgar beleza era tipicamente ucraniana. Explico, a vulgar beleza tipicamente ucraniana, conseguia imaginá-las de volta de mim tentando-me seduzir… a beber mais um scotch enquanto elas continuavam no scotch de lúcia lima, antes que saltassem para o palco do bataclan ou fizessem mais uma table-dance a alguém abastado. Quanto à conversa em si, falava-se de amor mas, naturalmente na terceira pessoa, do ponto de vista do observador e observadora, pois que o decoro e ausência de tremoços eram política da casa. A pequena já tinha perdoado uma traição do namorado e eu interrogava-me como era possível ela andar com um azelha daqueles que não sabia sequer fazer bem “as coisas“ ao ponto de ter sido apanhado. A traição a uma mulher daquelas teria que ser tratada com um secretismo e requinte cirúrgico, só ao alcance de alguns. Ela merecia melhor que aquele gajo. Mas quem era eu para dar conselhos, mero enfermeiro curioso.
Uma vez lera algures acerca de uma palavra russa que não teria tradução para português, mais ou menos assim, “razbliuto” e introduzia-a na conversa. Tive a confirmação duma das empregadas ucranianas da bela ‘prima’, a palavra significava um determinado sentimento que se sente depois de uma relação de amor que acabou, restando portanto apenas amizade e simpatia, cordialidade. E disse-me isto dizendo-me "paciência senhor", como se fosse eu vítima do alegado sentimento de outrém. De facto, só na rússia, malta esquisita. Do ponto de vista latino não tem cabimento sentir-se tais sentimentos por alguém que já amámos e não amamos mais. Para quê, portanto, haver uma palavra para tal quando se tem pratos à mão e uma empregada doméstica russa para apanhar os cacos ?...
O sítio das ‘tias’ já não existe. Curiosamente, passadas algumas semanas após eu ter sido colocado em trabalho fora de Lisboa, o mítico local encerrou. E “as primas” já não são o que eram. Já não se grita, arranjaram os canos, não há cascata.

jorge b @ 11:23 AM | Obs (0)
quinta-feira, 10 de agosto, 2006

Genoma da musica perfeita ... | espécie: fora de blog

electronica roots
disco influences
a laid back female vocal
a breathy female vocal
romantic lyrics
a repetitive verse
use of modal harmonies
inventive synth arrangements
a tight kick sound
a slow moving bass line
thin ambient synth textures
a highly synthetic sonority
subtle use of noise effects
trippy soundscapes
prevalent use of groove

Com a ajuda do pandora.

jorge b @ 02:14 PM | Obs (6)
quarta-feira, 9 de agosto, 2006

Preservação da espécie ... | espécie: fora de blog

...
artur-gonçalves.blogspot.com

jorge b @ 01:52 PM | Obs (2)
terça-feira, 8 de agosto, 2006

Sobre-humano ... | espécie: algures

Passo pela mendiga do costume, aquela velhota que ao cimo das escadas da saída do metro se mostra ao sol, encostada à sombra da parede e que todos os dias me esforço por ignorar. Mas desta vez, absolutamente sozinho, o esforço foi sobre-humano. A falta que faz a multidão.

jorge b @ 11:31 AM | Obs (2)
sexta-feira, 4 de agosto, 2006

O Nobuyoshi é que sabe ... | espécie: interferências

Fresquinho, acabadinho de chegar à lota!
Nobuyoshi Araki, "Erotos"

jorge b @ 09:30 AM | Obs (3)
quarta-feira, 2 de agosto, 2006

Os insolentes ... | espécie: digestões


"No amor há umas camadas inferiores de ódio."
(...)
"Quando se escreve, fica-se mais ou menos acabado, diminuído, aquilo gasta-nos, é desagradável... E além disso, para quê ?"
(...)
"Pode ser que a mentira se transforme num acto tão habitual que acabe por se escapar dos lábios, sem que nada, em todo o ser, sofra com essa distorção da verdade."
(...)
"- Quando uma pessoa se despreza tanto, como eu me desprezo a mim, o sofrimento talvez seja mesmo a única maneira de recuperar um pouco de dignidade..."

Margueritte Duras

jorge b @ 09:32 AM | Obs (1)
segunda-feira, 31 de julho, 2006

Floribella sex-symbol ... | espécie: estudos

Não me causa admiração o facto de 90% dos internautas que ultimamente visitam este blog o façam no seguimento de pesquisas no google com as palavras “Floribella” ou “Luciana Abreu nua”. Excepto a questão da nudez da actriz, os assuntos foram debatidos num post há algumas semanas atrás, portanto, explicam-se as incautas visitas. O que é curioso é ninguém procurar no google pela “Floribella nua”. Ou seja, além da Nossa Senhora de Fátima, a Floribella é a única personagem de ficção que nunca ninguém desejou ver nua. Sugeria portanto um estudo sociológico aprofundado sobre a questão. Não andará a malta a negligenciar as potencialidades eróticas desta personagem ? Já alguém reparou naquelas saias com folhos, naqueles tops justinhos, a maneira como ela se agarra a todos, ou sou só eu ?
Mas creio que com o evoluir da história, à medida que ela vai conseguindo dominar aquele sotaque de Vila Nova de Gaia, o franshising Floribella, passará das roupas, para os perfumes, relógios, material escolar, ursinhas de peluche, até chegar ás bonecas insufláveis.
Na próxima despedida de solteiro, não me admirarei nadinha se encontrar no Passarelle uma daquelas reputadas artistas num exercício de ‘cosplay’ a rodopiar na barra, só com uns lindos ténis ás florezinhas calçados, ao som daquela insuspeita musica “(…) para a frente e para trás, para cima e p’ra baixo (!!!) ”.

jorge b @ 04:12 PM | Obs (9)
sexta-feira, 28 de julho, 2006

Sem antena ... | espécie: revisões da matéria

Chego ao carro e surpresa! Não tenho espelho retrovisor lateral. Não há sinais de vidros partidos no chão, logo, fui roubado. Refeito do choque inicial de ver o mecanismo eléctrico de regulação do espelho à vista, apercebo-me de duas duras realidades. A primeira, dramática, tenho um carro velho! Tomo consciência de que o meu carro já não é um carro, é um armazém de peças ambulante. A segunda, é mais uma implacável lógica da vida. Quem me roubou o espelho era alguém que provavelmente tinha experimentado a sensação que agora experimento. Alguém que portanto estava extremamente necessitado de um espelho retrovisor lateral e, acto continuo, vendo o meu ali à mão de semear, não conteve os seus impulsos mais básicos.
Debruço-me ainda mais sobre o perfil do assaltante. É teso, como eu, se não tinha um carro novo e não um modelo descontinuado há cerca de uma década. E deve ter tido o mesmo choque que tive quando liguei para o concessionário a saber o preço de um espelho novo. Só que ao invés de pagar e calar, resolveu gamar e calar.
A atitude desta vítima que rapidamente passou a vitimador não é totalmente censurável. O preço exorbitante das peças, a meu ver, justificaria um acordo tácito entre todos os automobilistas, onde o gamanço seria consentido em esquema de roulement. Nenhum dos participantes ficava a perder. Fui gamado, vou gamar outro que depois irá gamar outro e assim sucessivamente, ficando sempre os participantes no esquema apenas privados dos respectivos espelhos durante umas horitas. Levava-se assim à falência a poderosa industria das peças ou, pelo menos, provocava-se um saudável crash nos preços… Julgo aliás que o acordo já existirá quanto às antenas. Ninguém compra uma antena nova, pois não ?

jorge b @ 11:32 AM | Obs (2)
quinta-feira, 27 de julho, 2006

A mais bela declaração de amor de sempre ... | espécie: algures

A declaração já me tinha ficado quando há uns anos atrás li o livro. Ontem vi o filme. Winston e Julia são colegas de trabalho no mundo Orwelliano de 1984. Ambos já tinham reparado um no outro mas nunca se tinham falado. Certo dia, ao cruzarem-se num corredor, ela caí e quando ele a ajuda a levantar-se, Julia passa-lhe discretamente um bilhete para a mão.
Mais tarde, quando se encontra em segurança, sozinho no seu quarto cúbiculo, Winston abre o bilhete que diz apenas tudo, "Amo-te". Do outro lado, está escrito o local onde se devem encontrar. Depois farão amor.

Winston: I hate purity. Hate goodness. I don't want virtue to exist anywhere. I want everyone corrupt.
Julia: Well, I ought to suit you, then. I'm corrupt to the core.
Winston: Do you like doing this? I don't mean just me...
Julia: I adore it.

jorge b @ 10:06 AM | Obs (0)
quarta-feira, 26 de julho, 2006

A sabedoria das meretrizes ... | espécie: interferências


"Por detrás de um grande homem está sempre uma grande mulher. Por detrás dos outros, estão duas."

jorge b @ 10:17 AM | Obs (1)
segunda-feira, 24 de julho, 2006

Destas coisas ... | espécie: extracções

Faço 15 minutos da minha viagem diária de comboio ao lado de um gajo que tresanda a alho. No metropolitano, uma lavadora de escadas utiliza a sua melhor arma para ganhar espaço na carruagem super-lotada, o rabão, enorme, aquilo não é cu, não é rabo, não é peidola, é rabão, enorme, para me esmigalhar ainda mais contra o vidro, como se fosse possível. Utilizo agora o caixote do lixo como mesinha de apoio, porque o espaço hoje parece-me ainda menor e o meu sentido de improviso está ao rubro. E ao fundo do corredor oiço a sanita, junto à fotocopiadora, a gorgolejar sozinha. O meu CD de Craig Armstrong está riscado.

jorge b @ 09:31 AM | Obs (5)
domingo, 23 de julho, 2006

Carne & mel ... | espécie: extracções

- Querida depois desta breve manifestação de carinho, vou-te comer como nunca o foste na vida.
Mesmo as mais doces palavras dos poetas sabem a carne. É apenas no olhar que se encontra o mel, mesmo no mais canibal dos olhares.

jorge b @ 02:24 PM | Obs (103)
quinta-feira, 20 de julho, 2006

SOB ... | espécie: algures

Anos e anos sem reparar em três pequeninas letras, entre um vasto rol de outras, no meu recibo de ordenado. Significam, sei-o agora, 2,5% de desconto. Um desconto macabro, para o meu funeral, para um generoso Subsídio de ÓBito que, se tiver o azar de nunca morrer, jamais poderei usufruir.

jorge b @ 12:26 PM | Obs (1)
segunda-feira, 17 de julho, 2006

Mulher Joker ... | espécie: extracções

O sorriso é o maior bem de uma mulher. Mas quantas vezes desbaratado em risos alvares.
(da série comic book heroes)

jorge b @ 06:10 PM | Obs (2)
sábado, 15 de julho, 2006

Mulher Perfeita ... | espécie: extracções

Nada na cabeça, tudo no corpo. Quem nunca desejou tal perfeição ?
(da série comic book heroes)

jorge b @ 05:11 PM | Obs (3)
segunda-feira, 10 de julho, 2006

4º lugar ... | espécie: bola

Na bola, com Scolari, Portugal precisará sempre de sorte para ganhar, azar para perder. No único jogo em que não tivemos nem uma coisa nem outra, jogámos bem, mas numa espécie de limbo, com a mesma incapacidade de marcar golos. Perdemos com os alemães, perdemos bem. Continua por levantar o esplendor de Portugal.

jorge b @ 12:17 PM | Obs (2)
quinta-feira, 6 de julho, 2006

Caralhavaggio para isto tudo! ... | espécie: bola

A verdadeira mão que defendia os pénaltis do Ricardo!Já nem em Nossas Senhoras se pode confiar!

jorge b @ 10:58 AM | Obs (3)
quarta-feira, 5 de julho, 2006

"O teatro é uma arte, a televisão um electrodoméstico!" ... | espécie: algures


“O amor é como um fósforo que arde sem se acender.”
in, As Vampiras Lésbicas de Sodoma, em cena no Teatro Mário Viegas (Chiado).

jorge b @ 11:34 AM | Obs (1)

Prolongamento de 120 segundos ... | espécie: bola

Ontem, Itália vs. Alemanha, mais um jogo do mundial, mais 2 minutos de bom futebol.

jorge b @ 10:50 AM | Obs (0)
terça-feira, 4 de julho, 2006

Futebolismo ... | espécie: extracções

No final do penálti contra a Inglaterra, dou por mim a gritar não "golo, golo", antes "passámos, passámos", como já fizera antes, no final do jogo contra a Holanda. Grito de descarga angustiante de quem espera por algo de bom que estará do lado de lá. Mas quando chegármos ao fim do lado de lá, à final, e ganhármos, não haverá mais nada para passar. Só me restará gritar "golo, golo". Então eu e outros milhões iremos todos tristemente constatar que, no fundo, porque é no fundo que se sentem estas coisas, não ganhámos absolutamente nada. Nem iremos perder, se perdermos nos golos. Independentemnte do resultado, quem ganharão serão meia duzia de anunciantes e patrocinadores, as FIFAS, seguramente, e os jogadores e o Sr. Scolari, por sinal, as unícas pessoas que verdadeiramente "passaram, passaram" e que se passarem por nós na rua, não nos conhecerão de lado nenhum.
O futebolismo, como qualquer outro ismo, ajuda a suportar a infelicidade. Não será nunca um meio dos capazes atingirem um qualquer bem estar ou equilíbrio interior.

jorge b @ 10:34 AM | Obs (2)

Caravagio x França ... | espécie: bola

Existem fortes probabilidades de ser Scolari e não Portugal a ganhar o título de campeão do mundo.

jorge b @ 10:19 AM | Obs (1)
quarta-feira, 21 de junho, 2006

Floribela ... | espécie: portugal

Floribela como conteúdo televisivo é autêntico lixo mas, louve-se, lixo da mais alta qualidade. Trata-se de um cruzamento perfeito entre a história da Cinderela e a típica telenovela colombiana, comandada por Luciana Abreu, uma actriz acabada de chegar da Aldeia da Roupa Branca, uma daquelas personagens que entrou no Pátio das Cantigas, posta em hibernação e que agora renasceu.
O fenómeno Floribela deve pois ser integrado num conjunto de fenómenos que claramente manifestam um revivalismo pela cultura do Estado Novo. O 25 de Abril parece ter criado um vazio mal digerido e que urgia preencher. Veja-se por isso a cada vez maior vitalidade das marchas populares, o renascer fulgurante das tradicionais noivas de Santo António, a continuidade do fenómeno alienante de Fátima ou a eleição de Cavaco Silva para presidente…

jorge b @ 10:19 AM | Obs (53)
terça-feira, 20 de junho, 2006

Tás perdoado ... | espécie: bola

O que será preferível, ter um jogador mimado, que faz birras, um puto mal comportado mas que joga bem à bola ou um menino bem comportado, um jogador artista de circo que faz poses para a fotografia ? Tragam de volta o Ronaldo.

jorge b @ 10:39 AM | Obs (91)
sexta-feira, 9 de junho, 2006

Body-building ... | espécie: extracções

O corpo tem sempre razão.

jorge b @ 09:03 AM | Obs (1)
quarta-feira, 7 de junho, 2006

E porque não se faz uma revolução ? ... | espécie: algures

Porque nas horas de ponta 90% dos utentes do metropolitano são mulheres.

jorge b @ 11:26 PM | Obs (0)
segunda-feira, 29 de maio, 2006

Ideias certas mas completamente erradas II ... | espécie: extracções

A ideia de que a primeira impressão que damos às outras pessoas é muito importante, está completamente errada. Dou como exemplo alguém que me confidenciou que, quando me conheceu, me considerou extremamente arrogante. Entre o seu círculo de amigos alcunhou-me de 'o taliban'. Apesar das contrariedades iniciais, depois ficámos amigos, tinhamos ambos características de personalidade comuns.

jorge b @ 12:23 PM | Obs (1)

Ideias certas mas completamente erradas I ... | espécie: extracções

A ideia de que se não gostarmos de nós próprios ninguém gostará, está completamente errada. Tem de haver sempre alguém que goste de nós primeiro e só depois poderemos dár-nos ao luxo de gostarmos de nós próprios. Nem que seja a mãezinha.

jorge b @ 12:00 PM | Obs (4)
sexta-feira, 26 de maio, 2006

Desespero ... | espécie: extracções

A tristeza é sempre proporcional ao desespero de se ser feliz.

jorge b @ 03:14 PM | Obs (2)
quinta-feira, 11 de maio, 2006

Caso Afinsa (reloaded) ... | espécie: mundo

Nada mais oportuno e premonitório que o meu anterior post, escrito antes do rebentamento do escândalo AFINSA.
Os crashes da bolsa são um dos mecanismos do sistema em que se verifica a necessária passagem massiva de capital dos pequenos e médios "investidores", as pessoas comuns, para os grandes guardiães de que falei. As pequenas tragédias, os pequenos e grandes dramas de quem fica sem as "poupanças duma vida" são o vapor que tem de sair da grande panela de pressão, tudo em nome da tal preservação da espécie.
Acontece agora o crash Afinsa, não totalmente fora de bolsa porque a empresa também é cotada indirectamente em Nova Iorque, com as acções da sua detentora, a Escala Group. a cairem de 32 dólares para perto dos 4 dólares em 3 dias. Mas a face mais visível do escândalo tem a ver com aqueles que investiram em selos, aliciados por uma remuneração á volta dos 7% anuais... A remuneração sempre sem falhas, paga na data certa, proporcionada pela Afinsa há mais de 25 anos, até nem era nada de especial quando comparada com a remuneração da generalidade dos fundos de investimento em acções comercializados pelos bancos. Faço notar a quem não se movimenta neste universo, que nos ultímos anos, quase que investindo de olhos fechados num qualquer fundo obter-se-ia um rendimento à volta dos 20% sendo certo que os fundos que investem na América do Sul, Indía, China, Russia, petróleo, em ouro e demais minério, têm obtido remunerações bastante mais elevadas, alguns à volta dos 90% (!) anuais. Se pode haver especulação com a filatelia e as obras de arte com que a Afinsa negociava (veja-se por exemplo os preços exorbitantes que algumas peças atingem nos grandes leilões), nada é no entanto mais especulativo que o mercado accionista, ele próprio um sistema piramidal. Ocorrem-me inúmeros casos na bolsa onde se verificou o que digo. Três exemplos na bolsa nacional, ocorridos há poucos anos atrás, em que empresas cujas cotações estavam exorbitantemente inflacionados e cujo valor especulativo superava em muito o seu valor real: A respeitável PT Multimédia chegou a transacionar nos 140 euros, com milhares de 'investidores' (pessoas comuns, as tais das "poupanças duma vida", embora supostamente mais arrojadas, bem informadas) a fazerem as suas compras recomendadas por gerentes de contas, analistas e barbeiros, promessas de que o céu era o limite. Alguns meses depois, as acções cotavam nos 7 euros. Foi o descalabro para muita gente que sofreu em silêncio, foram os ultímos a entrar na pirâmide, lixaram-se simplesmente. Os outros dois casos, a Reditus, chegou aos 40 euros, para depois se arrastar no euro e meio. Conheço um gajo que ganhou 4 mil contos numa manhã(!) Talvez alguém que me esteja a ler conheça alguém que ficou sem aqueles 4 mil. E a Pararede, depois duma subida fulgurante até cerca dos 50 euros, esteve mais tarde durante meses a arrastar-se pelos 15, 16, 17... cêntimos! Agora, depois duma subida fulgurante a alguns meses atrás, cota à volta dos 28 cêntimos.
A especulação piramidal continua na internet onde existem centenas de sites que prometem valorizações de dois dígitos à semana, ao dia, à hora! Verdadeiros burlões que continuam a actuar impunemente.
Ainda assim a taxa de 7% ao ano praticada pela Afinsa estava acima dos juros baixíssimos remunerados pelos bancos e era a estes que parecia estar a fazer concorrência, pelo grande número de pequenos aforradores mais conservadores, menos conhecedores dos mercados de capitais piramidais e mais avessos ao espírito especulativo dos mesmos.
Perante o desencadear das operações pelas autoridades espanholas, parece-me evidente que estamos perante uma cabala do sistema, dos lobbys e guardiães do costume. Só assim se explica o aparato, a intenção do pânico mediático, aquele assalto musculado á sede da empresa, como se no local houvessem reféns a libertar ou estivesse defendido por perigosos delinquentes.
É natural que se hoje todos os clientes da Afinsa quiserem resgatar o seu dinheiro, a empresa não tenha liquidez suficiente para tal. O mesmo aconteceria com qualquer instituição bancária, se de um dia para o outro, todos os seus clientes pretendessem sacar os seus depósitos, vice-versa se os bancos dum momento para o outro pretendessem que os seus empréstimos concedidos fossem liquidados.
A especulação segue dentro de momentos.

jorge b @ 05:07 PM | Obs (15)
terça-feira, 9 de maio, 2006

O futuro da espécie ... | espécie: extracções

Do ponto de vista ecológico, da saúde planetária, aquilo que mais interessa à espécie, é benéfico que a riqueza esteja na posse de poucos. É uma reserva estratégica preservada por uma elite de guardiães que vivem em função dum instinto de protecção e sobrevivência, o acumular.
Se todos fossemos apenas razoavelmente mais remediados, se todos tivéssemos acesso a nacos daquela reserva, transformando-a e materializando os nossos sonhos, se todos, sublinho, seria catastrófico.
O equilíbrio ecológico dos seres humanos, da civilização, é feito de desigualdades. É perfeitamente lógico que os ricos estejam cada vez mais ricos. É natural e até salutar. Só assim temos futuro.

jorge b @ 06:10 PM | Obs (0)
sexta-feira, 5 de maio, 2006

Fátima, esse antro ... | espécie: algures

"A vítima estaria a rezar (no interior da Basílica de Fátima), quando sentiu algo encostar-se ao seu corpo, relatou fonte policial. Ao olhar para trás, a mulher viu um homem com o sexo à vista, desmaiando com o choque."
in, Destak, 4-5-2006 "Homem detido por mostrar sexo em Fátima"

jorge b @ 06:38 PM | Obs (1)
terça-feira, 2 de maio, 2006

Certinho ... | espécie: algures

"O gajo era homem para beber 10 imperiais, depois quando chegasse a casa bebia um litro de vinho e antes de se deitar ainda metia umas bagaceiras. E no outro dia, era certinho, estava ali para trabalhar ás horas certas."

jorge b @ 03:21 PM | Obs (0)
quinta-feira, 27 de abril, 2006

Nostalgia ... | espécie: publicidade gratuita

Descobri recentemente uma música de 2003 duns gajos chamados ALPHA, chamada "Elvis". Recomendo. A malta à volta dos trintas e tais (note-se que não é á volta dos trinta, é à volta dos trinta e... tais) vai concerteza fazer uma breve viagem no tempo, ser transportada até ao tempo das matinés das discotecas, quando chegava a altura dos slows... Good all times!!
Aqui fica a letra para abrir o apetite para uma busca do ficheiro mp3 na net. Também na compilação "City Lounge:New York-London-Paris-Berlin" disponível na amazon.

Look into the dark night
I’m dancing in the shadows with you
There’s a world waiting out there for us to see
...
And beneath the starlit blanket
Dreams are made of solid gold
I just wanna be the one to hold you there
When you’re cold

With so many pictures on the walls
Of five billion minds
We just need to take them out sometime
Y’know and start living the good times
...
Decent dreams and pictures make you airborne
When you close your eyes

That’s why i wanna fly with you tonight
No one else, no one else can make the flight like you
So I wanna fly with you tonight
And no one there, oh lord oh lord (?)

I’m obviously indebted to you
By the way you make me feel
Ice cold warm heart
Is always gonna be able to turn a dream to real
I say
I’m touching all horizons with you
I got my sights on solid gold
I feel superhuman baby
Y’know like the way the marvel make man feel in their shows
Now check out what my mind say
Check out what my words say
Check out all my actions
I just want your satisfaction because

Youknow cause I wanna fly with you tonight
Oh no one else, no one else can make the flight like you
So i wanna fly, oh, with you tonight
And make dreams, make a dreams a real life
I can oh

You got to take my hand lady
Oh yeah
Then you’ll understand what i’m saying
And you know we gonna find the ideal destination
I say I say
I, I wanna fly with you tonight

jorge b @ 11:28 PM | Obs (193)
quarta-feira, 19 de abril, 2006

A dentista da Ribeira ... | espécie: algures

"Garganta funda ?!! Óh filho, para ti não era preciso uma garganta funda. O buraco da minha cárie chegava!"

jorge b @ 10:00 PM | Obs (0)
domingo, 16 de abril, 2006

Boy doesn’t meet girl, girl meets medium ... | espécie: estudos

Mais tarde ou mais cedo acaba por acontecer. Aconselhadas por amigas, as solteironas, entenda-se, mulheres com mais de trinta anos, portanto, à beira dos quarenta, com um relativo historial de relações falhadas e de má memória, acabam por recorrer aos serviços de médiums e videntes, procurando respostas para o enguiço. Porque razão mulheres cultas e interessantes e até com atributos físicos superiores à média das outras já casadas há anos e com filhos na secundária, não conseguem atinar com uma relação ? Porque razão só lhes aparecem pela frente gajos comprometidos cheios de promessas batidas, divorciados à procura de companhia para os fins de semana ocupados com os deveres da regulação paternal, ou então cromos dos quais têm vergonha de sequer serem alvos da sua cobiça ? Porque razão, fora das páginas das revistas, todos os homens são iguais ?
E a resposta parece ser recorrente: existe o espírito de alguém que numa vida passada manteve com elas uma relação amorosa muito intensa e que agora não descola, fazendo tudo para que não se relacionem decentemente com outros homens. É bonito este romantismo post-mortem e calculo que traga alguma espécie de reconforto a estas donas de casa desejosas de desesperarem. Um espírito empata-fodas pode ser um excelente placebo para uma alma desencantada com a vida (os homens), um bode expiatório perfeito, a garantia de mais duas ou três consultas mediúnicas. Calculo que o próximo objectivo seja conseguir falar com o fantasma ciumento e até, mais tarde, como se fosse uma mão que lhe percorria as pernas quando não estava mais ninguém na cama, no quarto, infelizmente. Digo isto porque não deixo de notar um certo conformismo, um certo carinho que estas mulheres nutrem pelos seus espíritos apaixonados. É o ciúme um dos combustíveis do amor. Mas neste caso não há uma cara para dar uma estalada, ninguém para gritar e depois fazer as pazes. Logo, tal carinho é algo de absurdo, uma perda de tempo. Tratam-se de espíritos que não estão na posse das suas normais faculdades mentais, incapazes de reconhecerem que não podem oferecer às mulheres que atormentam, umas costas largas e suadas onde elas possam cravar as unhas e até arranhar se a coisa ficar descontrolada. Só podem ser doentiamente ciumentos e possessivos e em vez de se entreterem com as espíritas da sua condição e desejarem o melhor para a sua apaixonada terrena, entretém-se a estragar-lhe os engates. Não pode ser amor de verdade porque quando se ama só se deseja a felicidade da outra pessoa, nem que isso implique saber que ela estará naquele momento feliz algures a cravar as unhas nas costas estreitas e suadas do nosso pior inimigo. Pelo menos é o que dizem os budistas.
Apesar das estatísticas demonstrarem que a partir dos trinta, por cada ano que passa, a mulher sozinha que nunca casou tem menos 10% de probabilidade de casar, na sua maioria, mais tarde ou mais cedo, aquela mulher culta e interessante e até com atributos físicos superiores à média, resultado também da inexistência da rubrica na agenda e no orçamento “filhos”, substituída pela rubrica “eu e o meu rico corpo”, será recompensada. Se limar algumas arestas que são notórias naquele celibato forçado, se não viver tanto a vida da irmã casada, não viver tanto a vida das sobrinhas, a vida da mãe, se não viver tanto a vida das páginas das revistas, por feliz e normal casualidade encontrará alguém com afinidades suficientes para com ela viver, partilhar. Alguém que lhe desculpe, tolere ou, de preferência, e é no fundo isso que ela mais deseja, a exorcize das suas pequenas manias, dos seus fantasmas, das pequenas fobias, das afectações que desenvolveu na sua solidão, naquela vida passada.

jorge b @ 11:27 PM | Obs (0)
sexta-feira, 7 de abril, 2006

The Twilight Benfica ... | espécie: bola

Sei que era um jogo importante. Há uns anos atrás, era um jogo importante o suficiente para sonhar com ele. Na noite anterior, num canto marcado do lado inferior esquerdo do televisor, um jogador preto marcava de cabeça o único golo da vitória.
E na noite do jogo aconteceu. Vata marcava um golo com a mão-cabeça, o único golo, o da vitória, naquele mesmo sítio do televisor. Convencido dos meus dons divinatórios, esperei por próximos jogos, próximos sonhos, que não aconteceram... Até terça-feira passada. Nessa noite tive o sonho. Não sei quem marcava, sei que eram três secos contra o Barcelona (É lá!!). Escusado será dizer que o sonho palpite falhou escandalosamente. No final do jogo interroguei-me sobre a minha falibilidade e cheguei à conclusão que falhei precisamente porque o Benfica estava na Twilight Zone, de onde naquela noite saiu. Voltou à sua inevitável realidade e condição. Na Twilight Zone, os sonhos mais tarde ou mais cedo acabam em pesadelo. Tininininininini...
(Da série "Textos com sabor a moral da história, excelentes para terminar mais um episódio da Twilight Zone").

jorge b @ 06:43 PM | Obs (1)
quarta-feira, 5 de abril, 2006

Ósculomania ... | espécie: revisões da matéria

Tento em vão lembrar-me do meu primeiro 'bjs'. Foi desde aquele momento em diante que esta manifestação de carinho e ternura virtual, o 'bjs', passou a rematar os meus mailes para as amigas ou ilustres desconhecidas, musas involuntárias e afins. É no tocante às ilustres desconhecidas que, por força da nossa actividade na rede as vamos conhecendo amiúde, tal ritual de despedida é questionável. Embora mesmo os 'bjs' para as amigas e conhecidas o seja em certa medida. Se fossemos a pôr os ‘bjs’ em dia, ao vivo, provavelmente a coisa podia dar para o torto. Eu dar para o torto, sublinhe-se. Se os namorados delas estivessem por perto, poderiam não levar a bem tanta beijoquice, tanto ‘bjs’.
Mas terá lógica estarmos a mandar 'bjs' às ilustres desconhecidas, a rematar as nossas missivas com ‘bjs’ para alguém cujo rosto nunca vimos, quando no fundo com todo o nosso palavreado simpático estamos desejosos de saber as suas medidas ? Não estaremos a abrir o flanco, estrategicamente falando ? Devo no entanto dizer que considero o ritual de despedida ‘até já’ da TMN muito mais atrevido e intimista que o ‘bjs’. ‘Bjs’ mandam-se a toda a gente, enquanto que rematamos com um ‘até já’ quando por exemplo nos despedimos da outra pessoa dizendo-lhe para ir andado que já lá vamos ter. Esperando obviamente que quando lá chegarmos essa pessoa já esteja em lingerie, de preferência preta. Não é pois de estranhar que quando telefonamos para mudar de tarifário e a pequena telefonista depois de atender a nossa solicitação, de uma maneira educada e cortez despede-se com um ‘até já’, imediatamente nos surja a dúvida do 'onde?' e fiquemos cheios de vontade de lhe voltar a telefonar para trocarmos para o tarifário anterior.
Ainda assim, o ‘bjs’ pode ter uma indubitável carga perniciosa que qualquer alma mais sensível poderá detectar a milhas. E tomo como exemplo recente o de uma ilustre desconhecida que, depois de tropeçar neste blog, me interpelou de uma maneira educada e cortez, sem 'bjs'. Respondi-lhe da mesma maneira, mas carimbando a mensagem com 'bjs' no fim. Isto foi involuntário, juro. Quer dizer, ao mesmo tempo premeditado e consciente. Se fosse um gajo qualquer a interpelar, nem sequer respondia. E se respondesse, naturalmente que não lhe mandava 'bjs', quanto muito a versão oficial masculina, 'abraços'. Daí a coisa não ser totalmente involuntária. E depois, imediatamente pensei "olha agora que me despedi dela com bjs, vou como que contaminá-la, e ela, no seu próximo mail, também me vai mandar bjs, pela certa, verificando-se portanto uma certa consonância, os primeiros passos de uma cumplicidade que porventura se quererá crescente". A ilustre desconhecida não respondeu. Embora eu no lugar dela não tivesse feito a mesma coisa. Mas temos de respeitar e agradecer a estas pessoas que nos põem a pensar nestas questões.

jorge b @ 01:37 AM | Obs (2)
domingo, 2 de abril, 2006

Por amor ... | espécie: extracções


É compreensível que as mulheres teimem em querer casar por amor. Por amor ao dinheiro, entenda-se. Aquele que, garantidamente, dura uma eternidade.

jorge b @ 10:20 AM | Obs (2)
quarta-feira, 29 de março, 2006

Wallstreet também tem a sua piada ... | espécie: algures

Circula entre os meios financeiros que a Microsoft após novo adiamento da comercialização do novo sistema operativo Vista, decidiu mudar-lhe o nome. Vai passar a chamar-se "Hasta la Vista"

jorge b @ 03:46 PM | Obs (0)

Xanax com venda suspensa ... | espécie: bola

Koemann está enganado. Não faltou tranquilidade ao Benfica. O que faltou foi um par de óculos ao árbitro. Felizmente sobrou alguma sorte ao Glorioso e o discurso do "chegar até aqui já foi bom" de Vieira continua na gaveta.

jorge b @ 02:22 PM | Obs (0)

Simplex com sabor ... | espécie: portugal

Sócrates baptizou o seu programa de trezentas e tal medidas de desburocratização recorrendo a uma preposição latina, o “ex” que fundido com “simples” resulta “Simplex”. Podia ter sido pior. Podia ter fundido um hieróglifo com uma pintura rupestre para denominar um programa que se quer moderno e de ruptura com as normas arcaicas que emperram a máquina administrativa. Foi buscar inspiração à milenar língua dos romanos talvez porque, é sabido, os gajos eram uns grandes malucos… Mas só depois do horário do expediente. Esqueceu-se que das 9 ás 18 os romanos eram maníacos da organização e da burocracia. O Direito actual tem a sua génese no direito romano que após séculos e séculos de depuração continua tão macarrónico como no primeiro dia.
Felizmente o nome “Simplex” soa igualmente a preservativo concorrente do “Durex” e remete-nos para a ideia de que é preciso não emprenhar mais a administração pública porque já há demasiada gente a mamar à conta da burocracia. Neste sentido, Sócrates foi mais uma vez feliz.

jorge b @ 10:26 AM | Obs (0)
terça-feira, 28 de março, 2006

A discípula de Lili ... | espécie: algures

"Uma coisa, é tu não saberes. Outra coisa, é outra coisa!"

jorge b @ 03:50 PM | Obs (0)

Papa® ... | espécie: revisões da matéria

Vejo a publicidade de uma vidente que destaca ser a única dentro do seu ramo que foi recebida pelo Papa. Não diz qual deles, não interessa qual, mas compreendo a ânsia de muitos em serem recebidos por alguém desde que seja Papa. Compreendo a importância do ponto de vista do prestígio e de marketing, das sinergias daí resultantes, e imagino o que seria se eu fosse recebido pelo Papa. Sair-me num sorteio qualquer a oportunidade de entrar na agenda de recebimentos do Papa, oportunidade que não desperdiçaria nem que nesse dia tivesse com cólicas terríveis nos intestinos, com uma luxação no ombro e a vomitar uma matéria verde e viscosa. Acho que me iria portar bem, tentaria disfarçar, disfarçar que sou ateu.
Já me estou a ver numa pequena fila de vips e um empregado do Vaticano chamar pelo meu nome “cinhôr yorgué” (“Senhor Jorge” naquela espécie de Vaticanês) para ir dar um bacalhau ao Papa. Next please! Depois, provavelmente faria questão de alertar imediatamente qualquer visitante deste blog do facto do seu autor já ter sido recebido. “Já fostes ao blog do gajo que foi recebido pelo Papa ? – Ainda não fui lá hoje mas quero ver se passo por lá no intervalo do velório do meu pai.” Provavelmente mandaria fazer uma t-shirt e não hesitaria à porta do Lux: “Boa noite posso entrar ? – Cinco euros faz favor! – Não sei se já reparou na minha t-shirt ?… - Isso a mim não me diz nada! – Aí sim, e este diploma passado e autenticado com o selo branco pelo Vaticano ?! – Peço imensa desculpa, aqui têm um cartão de cliente limpinho!” Isto é só uma pequena amostra. Ser recebido pelo Papa pode abrir muitas portas e quiçá muitas pernas. “Sabias que já fui recebido pelo Papa ?... – Aí não me digas isso que fico logo com uns calores!... – Já fui muitíssimo bem recebido pelo Papa, fui mesmo, pelo Papa, era mesmo ele, mesmo…

jorge b @ 11:56 AM | Obs (2)
segunda-feira, 27 de março, 2006

Todas as balas são legais ... | espécie: publicidade gratuita

O Governo acaba de lançar uma campanha para recolha de armamento disperso entre a bandidagem e demais população civil. Mas atenção, nada de confusões, só as armas ilegais devem ser entregues. Convém repetir, só as armas ilegais se faz favor. Apesar da diferença entre as congéneres legais ser abissal, como aliás se pode facilmente constatar na foto em apreço, há quem teime em fazer confusão.
Ao que parece a campanha não se estende ás munições.

jorge b @ 03:40 PM | Obs (0)
segunda-feira, 20 de março, 2006

Carros, gravatas e croquetes ... | espécie: portugal

O PSD deixou escapar uma oportunidade preciosa para mudar de Marques Mendes. A receita era simples, envolvia apenas uma pequena habilidade de marketing, mas suficiente para dar uma mística de sucesso a um novo líder, essa mística que falta a Mendes. Quem não se lembra da inesquecível história de Cavaco, o homem que queria apenas ir fazer a rodagem ao carro novo e olha, acabou primeiro ministro. Brilhante não é ? Bastaria pois a um Meneses dizer no final do congresso qualquer coisa como “Estava a comer uma francesinha quando fiquei com uma nódoa na gravata. Como sei que o Mendes anda sempre com um tira-nódoas no bolso, lembrei-me de passar pelo congresso e olha, agora sou o líder!” Uma transição com muito nível. Por exemplo, uma Ferreira Leite, “Estava em casa e não tinha nada para petiscar. Lembrei-me de passar pelo congresso para comer uns croquetes e olha, agora sou a líder.”
A malta gosta destes acasos do destino e premeia-os, estes rasgos de sorte e inspiração que toda a gente persegue quando preenche os totolotos. E se a Cavaco saiu-lhe a lotaria, já Marques Mendes parece ser daqueles que toda a vida andou a juntar os tostões para ser apenas um remediado. Um produto político pré-fabricado com demasiado cuidado e não espontâneo, como devia parecer.

jorge b @ 05:21 PM | Obs (0)
quinta-feira, 16 de março, 2006

Uma tarde na vida do homem que só pensava em dinheiro ... | espécie: histórias infilmáveis

O homem que só pensava em dinheiro tinha decidido aproveitar o sol e investir num dia bem passado na praia. Chegado ao escaldante local que fervilhava de bikinis, o homem que só pensava em dinheiro equipou-se a preceito e dirigiu-se em linha recta na direcção da água fresquinha. Apesar do choque térmico que o arrepiou logo que tocou com os pés na água, incentivado pela presença de duas moçoilas que ali perto com água pela cintura lhe pareciam estar a tirar os rácios, avançou destemido mais alguns metros e mergulhou com grande estilo e logo de seguida deu várias braçadas até ficar sem pé. Demonstrada a sua destreza em vários estilos, e continuando a imaginar-se observado pelas moçoilas, achou por bem rumar novamente a terra. As moçoilas tinham entretanto desaparecido, algo que ele notou com algum desencanto e apesar da curiosidade que sentiu em perscrutar no horizonte as suas silhuetas, fingiu-se indiferente, fazendo-se como habitualmente muito seguro do seu nariz. Saia ele da água quando, entre o barulho das ondas que morriam na areia e os guinchos das gaivotas e da multidão, conseguiu distinguir o choro de uma criança. Reparou numa menina que se encontrava agachada a poucos metros de si e que soluçava balbuciando algumas palavras imperceptíveis. Estranhou que entre a multidão que quase se acotovelava à beira da água, ninguém reparasse na menina e no seu choro. Tendo-se aproximado com algum cuidado, agachou-se e com a mão afagou a cabeça da menina arredando-lhe suavemente os cabelos da face. A menina tinha um lindo cabelo loiro e uns olhos azuis que ganhavam uma intensidade quase irreal com o reflexo do outro azul, o da água. Era notório que já há muito tempo que chorava, chamando baixinho pela mãe, numa constante ladainha. A menina devia estar ali há algum tempo, os seus lábiozitos estavam ressequidos e a sua carita estava marcada de vários riscos de um pó branco, o sal que ficara das suas lágrimas. O homem que só pensava em dinheiro sentiu-se imediatamente tocado e iluminado com a situação da menina perdida na imensa praia, um ser frágil e desprotegido, sem saber da mãe, dos pais que deveriam estar desesperados à sua procura. Veio então uma onda mais forte que como por milagre arrastou a menina para junto dos seus familiares que a poucos metros de distância chamavam por ela. O homem que só pensava em dinheiro não reparou, tão absorvido que estava nos seus pensamentos. Pensava o quanto valeria a petiz se vendida para adopção. Existiriam milhares e milhares de casais estéreis no mundo inteiro dispostos a pagar pequenas fortunas para ter uma menina daquelas tão bonita como filha adoptiva. Mas depois a sua consciência fê-lo ver a situação de maneira diferente... Se deixasse que fosse o mercado a definir o preço, se fosse posta em leilão, certamente conseguiria obter um valor ainda mais elevado.

jorge b @ 06:51 PM | Obs (3)
quarta-feira, 15 de março, 2006

Miopia de rodapé ... | espécie: algures

"OMS anuncia vagina contra o H5N1"
(a propósito da cripe das aves)

jorge b @ 01:58 PM | Obs (0)

Sem licitações ... | espécie: portugal

Notícia de ultíma página do Expresso, ainda o caso do famigerado carro camarário de Santana Lopes. Num país civilizado, ou o Carmona passava a andar de transportes públicos ou tinha que explicar muito bem explicado porque razão quer vender por uma bagatela um topo de gama que, quando se dá á chave, funciona.

jorge b @ 01:42 PM | Obs (0)
terça-feira, 14 de março, 2006

#14306 ... | espécie: histórias infilmáveis

Um homem acabado de chegar conhece uma mulher daquelas que fazem ‘ploc’ e que gostam de passar multas Vivem felizes até que durante a primeira noite o homem começa a recitar de trás para a frente os seus códigos pessoais e ela antes de poder dele abusar transforma-se num papel químico vermelho O homem que nunca tivera semelhante alucinação começa a chorar convulsivamente como se lhe tivessem acabado de tirar a sua chupeta da sorte ao mesmo tempo que pergunta desesperadamente aos puxadores das portas se sabem onde deixou a cabeça Ela aproveitando-se da lei da vantagem começa a sentir um prazer desmedido e até então desconhecido dos manuais e decide telefonar para o seu até então melhor cliente O telefone toca até desmaiar.

jorge b @ 04:03 PM | Obs (0)
quinta-feira, 9 de março, 2006

Solitário pessoal ... | espécie: extracções

Nua, numa madrugada quente,
Na obscuridade que te liberta e adorna,
Não tens aquele minimo medo,
E podes morrer a qualquer instante feliz,
Nos braços do teu solitário pessoal.

jorge b @ 12:24 PM | Obs (3)
quarta-feira, 8 de março, 2006

Little sad bird ... | espécie: algures

- Será que tenho de declarar a minha passarinha ?
- Mas a senhora tem alguma ave ?
- Tenho, tem pena e tudo ?
- Penas …
- Não, pena!... Pena de não levar com Ele todos os dias.

(da série Histórias da vida real de uma telefonista)

jorge b @ 12:23 PM | Obs (0)

Dia ... | espécie: publicidade gratuita

jorge b @ 11:09 AM | Obs (1)
terça-feira, 7 de março, 2006

... goes to Crash ... | espécie: fora de blog

"It's the sense of touch. In any real city, you walk, you know? You brush past people, people bump into you. In L.A., nobody touches you. We're always behind this metal and glass. I think we miss that touch so much, that we crash into each other, just so we can feel something."

jorge b @ 09:13 AM | Obs (0)
sábado, 4 de março, 2006

Em delírio ... | espécie: extracções

Êxtase total nas comemorações do 3º aniversário deste não menos extasiante blog.

jorge b @ 01:39 AM | Obs (1)
quinta-feira, 2 de março, 2006

Época de paz e harmonia ... | espécie: extracções

Há uma estranha harmonia no enregelado Carnaval lusitano, uma época feliz onde as mulheres levam a sensualidade ao extremo, e os homens, o rídiculo.

jorge b @ 10:22 AM | Obs (1)
segunda-feira, 27 de fevereiro, 2006

10 minutos de fama ... | espécie: anedotas de elite

"Está doente e não quer esperar nas filas dos hospitais ?
1º Dirija-se a um hospital.
2º Diga que lhe morreram todas as galinhas.
É logo atendido, fazem-lhe todos os exames... e com sorte ainda aparece na televisão.
"

in, minha caixa de e-mail

jorge b @ 12:33 PM | Obs (166)
quinta-feira, 23 de fevereiro, 2006

Discriminação ... | espécie: portugal

Há milhares e milhares de pessoas para quem os aumentos do gás, da gasolina, etc, não se fazem sentir. Gente que ganha bem, que não é tão minoria quanto isso e que merecia mais respeito, representatividade.
Cada vez que se verifica um aumento qualquer, os repórteres que saem à rua apenas recolhem o testemunho de gente descontente. Essa gente deprimente, sempre a contar os tostões e as décimas dos aumentos, que não está bem na vida mas que fica bem nos telejornais. Os outros são sempre esquecidos, esses incómodos. Valha-mos que entre esses eternos descontentes com direito a tempo de antena, ainda há bom senso. Ninguém confessa que por causa do último aumento da luz, deixará de pedir um empréstimo para o telemóvel 3G ou para ir a Cuba fazer turismo de caridade no próximo Verão.

jorge b @ 07:05 PM | Obs (1)

Sócrates, sgPS ... | espécie: portugal

Sócrates está, com grande competência, a transformar o país numa empresa. Numa nação S.A. onde qualquer um se pode despedir, encher-se de ânimo e procurar um país para viver.

jorge b @ 06:12 PM | Obs (1)
terça-feira, 21 de fevereiro, 2006

O nosso baton ... | espécie: publicidade gratuita

Graças ao ácido fosfórico em que é rica, a espuma da cerveja faz bem à pele, ajudando a preservar o estado das células.
in "DiaD", público 20-02-06.

jorge b @ 10:49 AM | Obs (0)
quinta-feira, 16 de fevereiro, 2006

Mulher-quadro ... | espécie: ícones

Não vejo mistério, sensualidade, perversão ou até algo demoniaco, como tantos palpitam. Antes conflito. O sorriso timído e sereno duma mulher intranquila. Duma mulher que é idolatrada pelo apaixonado Francesco, o marido, mas que o encorna. Um sorriso receoso, comprometido e apaixonado, portanto.
E daí o fascínio do quadro, o sonho de estarmos nos pensamentos e não necessáriamente no leito matrimonial da Gioconda.
(da série comic book heroes)

jorge b @ 09:50 AM | Obs (7)

Mulher-bikini ... | espécie: ícones


"Actress Molly Sims is shown wearing a $30 million diamond bikini in this publicity photograph released February 14, 2006. The bikini, designed by Susan Rosen is made up of over 150 carats of D flawless diamonds. The bikini is featured in the 2006 Sports Illustrated Swimsuit issue which is being released February 14. NO SALES NO ARCHIVES REUTERS/Diamond Information Center/Handout"
(da série comic book heroes)

jorge b @ 08:58 AM | Obs (1)
sexta-feira, 10 de fevereiro, 2006

Caricatura de muçulmano ... | espécie: mundo


"A Pakistani Shiite Muslim beats himself with a knife to mourn the death of Islamic leader Imam Hussain, grandson of Prophet Muhammad, Thursday, Feb. 9, 2006 in Karachi, Pakistan. (AP Photo/Shakil Adil)"

jorge b @ 05:30 PM | Obs (1)

O consumismo dos ricos ... | espécie: portugal

Pode ser mais um caso sério de sobre-endividamento, tão comum nas famílias portuguesas. A Sonae de Belmiro tem dívidas no montante de 19 biliões de euros e pretende comprar a PT, um grupo quatro vezes maior, por 11 biliões. Proporcionalmente, não somos tão diferentes assim, eu e o Belmiro. Embora eu já me contentasse com um Civic dos novos.
*
Os elogios á façanha de Belmiro têm vindo um pouco de todo o lado. Incompreensíveis. Esquecem-se que serão euros espanhóis a entrar no negócio, via Santader, e serão euros PT a entrar para Espanha, via Santander. E dado o montante envolvido na operação, vários biliões de euros, a "coragem" de Belmiro vai com certeza pagar-se bem, em cinco anos, ao que parece, com muitos juros, claro. Glória pois, ao Santander!

jorge b @ 05:20 PM | Obs (0)
quarta-feira, 8 de fevereiro, 2006

Fácil ... | espécie: fora de blog

"O contorcionista é a unica pessoa que é capaz de fazer o seu trabalho com uma perna ás costas."
A propósito de coisa nenhuma, by Johny Wolf

jorge b @ 06:47 PM | Obs (0)
segunda-feira, 6 de fevereiro, 2006

Mau mé ... | espécie: algures

Todos os cartoons aqui!

jorge b @ 11:46 AM | Obs (0)
quarta-feira, 1 de fevereiro, 2006

Show lésbico ... | espécie: algures

Anda que aqui está-se melhor que na Conservatória!Ontem foi o show-off da EMEL a multar o ministro da justiça, hoje é o dia nacional das duas lésbicas que vão a uma conservatória pedir casamento. Duas certezas: vão lá estar cameras da TVI, e naturalmente que a funcionária que as atender irá mandá-las dar uma volta ao bilhar grande.
Numa época em que a sagrada instituição do matrimónio está em decadência, é no mínimo estranho que duas pequenas ainda roliças exijam que lhes seja concedido o direito a um retrocesso civilizacional. Enquanto os heterosexuais, depois de conquistarem o direito ao divórcio, a pouco e pouco se têm livrado do estigma possessivo do casamento, duas lésbicas a quererem casar-se é algo tão absurdo como a nossa companheira pedir-nos um cinto de castidade homologado pela Cicciolina.
Daqui a algumas dezenas de anos, o casamento será apenas um fetiche anunciado nos classificados eróticos dos jornais e praticado em sessões privadas de sado-masoquismo.

jorge b @ 01:18 PM | Obs (0)
segunda-feira, 30 de janeiro, 2006

A salvação do mundo ... | espécie: interferências

"
- I'm married to my work.
- So am I. Which makes my wife my mistress. That's why I'm still in love with her.
"
in, The Core, 2003

jorge b @ 10:48 AM | Obs (1)
sexta-feira, 27 de janeiro, 2006

Mulher-rebatível ... | espécie: extracções

A mulher que não se sabe sentar, que se sente desconfortável no banco da frente de um carro, é não só um hino ao feminino, assim como aquele desconforto inquieto, um regalo para os olhos.
(da série comic book heroes)

jorge b @ 10:06 AM | Obs (0)
segunda-feira, 23 de janeiro, 2006

Gato leão ... | espécie: algures


(AFP/Giuseppe Cacace)

jorge b @ 02:24 PM | Obs (4)

O pai do Sudoku ... | espécie: fora de blog

Quem, o Sandokan ?
by: Johnny Wolf

jorge b @ 02:14 PM | Obs (0)

Sob a influência de Richard Oelze ... | espécie: extracções


Não teria precisado de ver uma gaja boa para a poder imaginar.

jorge b @ 11:09 AM | Obs (2)
quinta-feira, 19 de janeiro, 2006

Votos aos pontapés ... | espécie: revisões da matéria

Durante os quatro anos seguintes não faltou papel higiénico naquela freguesia.Agora que estão aí mais umas eleições, seria bom que todas as pessoas parassem um bocadinho para reflectir sobre a inutilidade do voto. Ao contrário daquilo que os políticos querem fazer crer, votar é objectivamente um acto efémero e redutor de cidadania, resumindo-se a uma insignificante percentagem que vale menos que a tinta de caneta gasta na cruzinha, e nada distingue e dignifica quem vota. A começar porque qualquer um, qualquer filho da puta, pode votar. Logo, a democracia está minada, o voto é anti-natura, não se verifica qualquer espécie de selecção natural. Mais nenhum animal mata por desporto e vota em alguém que não conhece pessoalmente nem trata por tu, como fazem os seres humanos. Depois, cruzinhas, só no totoloto.
É uma visão bárbara imaginar o meu talão de voto, com a tal cruzinha tão milimétricamente acertada dentro do quadrado, tão delicadamente dobrado em quatro partes, dentro de uma urna misturado com a restante molhada de talõezinhos anónimos aos pontapés, da autoria, sabe-se lá, de gente de que espécie. Assim que o talão entra para a negra urna, aquela caixa funebre da vontade e do sádio espirito revolucionário, o nosso voto deixa de ser nosso para ser o voto do povo, aquele povo que barafusta quando um gajo não pára para o deixar passar na passadeira. Isto é bárbaro, repito, esta é ainda uma democracia na idade da pedra, é como ver o meu voto ser jogado aos leões num coliseu romano. A diferença é que nem os leões querem nada com ele porque o voto, como não têm proteinas, não alimenta a vida selvagem, sacia apenas os vorazes selvagens que governam.
Assim como a televisão só é boa para quem nela aparece, o voto só é importante para o votado que, coincidência, é quem aparece na televisão!

jorge b @ 10:54 AM | Obs (0)
quarta-feira, 18 de janeiro, 2006

Photo-finish dos globos de ouro ... | espécie: ícones

O primeiro lugar foi atribuído ex-quo!E em terceiro lugar chegou Scarlett Johansson.

jorge b @ 03:52 PM | Obs (0)
quinta-feira, 5 de janeiro, 2006

Senhor da grande demagogia ... | espécie: portugal

Oiço Jerónimo denunciar que são os "senhores do grande capital" que apoiam Cavaco... Continuam pois a ser estes os grandes Papões para o PCP. Jerónimo não compreende a inevitabilidade, ou não quer compreender, que entre aqueles "senhores", mas que falam português, e outros ainda mais poderosos mas com outros idiomas, não existe alternativa. Só o "grande capital" poderá propocionar o 'progresso' que o povo quer. Portanto, mas só mesmo pelo amor à pátria, antes os primeiros "senhores", ainda que alguns já com sotaque castelhano.

jorge b @ 07:02 PM | Obs (0)
sexta-feira, 30 de dezembro, 2005

Prejudicial à saúde ... | espécie: estudos

A biblioteca pública que frequento tem ultimamente apostado nos livros de auto-ajuda que, nos ultimos meses, têm sido presença constante e maioritária no expositor principal. Tenho intervalado as minhas leituras com alguns destes livros e à parte criticas óbvias (todos prometem felicidade, são oportunistas, tratam o leitor como autómato, etc) e pudores politicamente correctos (serão livros dirigidos essencialmente ao leitor básico e pobre de espírito, nunca para intelectuais e fãs de Proust), descobri que se consegue tirar de todos eles pelo menos uma qualquer ideia nova, talvez a ideia central e inovadora que os terá feito merecer a publicação. Têm este mérito e tal não é despiciendo. Algumas dessas ideias ficam, são de facto interessantes, ficam para lá do efémero.
E o que fica afinal dos livros, qualquer que seja o tipo, afinal todos eles de auto-ajuda mais ou menos explícita ? Ler faz bem, diz-se, todos os livros são assim uma ajuda para o leitor que voluntariamente os lê. Mas o que fica, como nos marcam os livros no curto prazo ? Sendo constantemente assediados por formas de comunicação mais confortáveis, que poder terão as palavras, as ideias dos livros sobre a nossa maneira de ser e estar nos dias que se seguirão, como influenciarão os livros a prática do nosso relacionamento com a vida e com os outros ?
Ler é anti-natural. É saudável se consumido com a moderação essencial e necessária à aprendizagem, ao conhecimento diferido, à distracção pontual. Não o é como o hábito de consumo moderno em que se tornou, companhia das horas vagas e do tédio que a vida moderna provoca. Anti-natural, a começar pela posição de leitura, seja ela qual for, desconfortável. Como é preciso estarmos agarrados ao que estamos a ler, ler implica estar sentado ou estendido, com os braços em tensão. Isto não é saudável. E o tempo que se está a ler, além de provocar danos a longo prazo na espinha (é impossível estar a ler horas a fio direitinho na cadeira), no pescoço, na visão, é um tempo em que não se vive, um tempo sem interacção humana, um tempo em que somos um corpo inanimado, absorto, alheio à realidade do tempo, do presente, do mundo ao lado, lá fora. Por mais bem instalados que estejamos, a posição de leitura é inestética. O próprio livro tem uma forma geométrica nada ergonómica. Trata-se pois de um passatempo prejudicial à saúde, um investimento na grande maioria dos casos com pouco ou insignificante retorno. Li uma vez algures que "a vida não vem nos livros". Os livros vêm da vida dos outros.

jorge b @ 03:30 PM | Obs (3)
quinta-feira, 29 de dezembro, 2005

As virtudes da depressão ... | espécie: extracções

Há pessoas que só mesmo deprimidas se conseguem aturar. Igualmente as há que só naquele deplorável estado se conseguem (deixar) engatar. A depressão tem destas virtudes.

jorge b @ 12:14 PM | Obs (0)
quarta-feira, 21 de dezembro, 2005

O efeito Erika ... | espécie: ícones

Ainda assim Erika Eleniak desconfiava da franqueza daquelas palavras! Ver para crer, dizia."Did I ever tell you how many times I'd see you and want to ejaculate all over your bazonkas... All the times I stayed up late, high as a kite, in the non-gravitational atmosphere, while I stroked my anaconda, and dreamed about your snow-white ass."
in, Dracula 3000, de Darrell Roodt (2004).-

jorge b @ 10:36 AM | Obs (0)
terça-feira, 20 de dezembro, 2005

Negras nódoas à presidência ... | espécie: portugal

O repetente Marocas foi já beneficiado uma vez em 1986, na Marinha Grande, quando foi alvo da ira de perigosos terroristas populares que se escondiam sob a capa de pacatos e desesperados trabalhadores da falida indústria vidreira. As cenas de pugilato tentado teriam então contribuído decisivamente para a eleição do Bochechas, ao provocarem a indignação geral da populaça que se solidarizou depois na urna, espicaçada pelos papalvos de serviço.
Teme-se que o pior volte a acontecer. Após esse autêntico “atentado à democracia” (Jerónimo dixit), com o ‘homem da boina da tropa’ a tentar ir ao focinho a Soares, segundo uma sondagem do Expresso, agora o avozinho já ultrapassa e leva grande vantagem sobre Alegre.
Cavaco começa a ter sérios motivos para ficar preocupado. É que não tem cara sequer para levar um estalo. Soares, pelo contrário, se no início do ano apanhar com mais uma cabeçada de um peixeiro qualquer, tem a presidência no papo.

jorge b @ 02:36 PM | Obs (3)
quarta-feira, 14 de dezembro, 2005

Bananamen ... | espécie: revisões da matéria

O homem cuja mulher o ache um banana, tem ali mulher para toda a vida, muito provavelmente, fiel.
O reconhecimento da bananice masculina, ao contrário do que seria de esperar, gera na mulher grandes problemas de consciência no que concerne a uma eventual traição. É que apesar de tudo, o banana não "está mesmo a pedi-las!" Apesar de uma deprimente insatisfação sexual constante, a mulher pressente que o banana também não anda por aí a gozar mais que ela. Afinal, ele é um banana, outra coisa não seria de esperar. Logo, ela não tem o leit-motiv para a infidelidade, esse mau estar, esse saber que "o gajo anda por aí", esse não saber "onde anda o gajo", aquilo que potencia o verdadeiro encornanço feminino. Aquilo que a mulher do banana sente, tem muito mais de pena do que de raiva, aquela raiva que verdadeiramente serve de combustível para o encornanço. E encornar um banana simplesmente não é estimulante, não dá pica, a acontecer, seria um episódio emocionalmente doloroso para a mulher.
O banana, que por sua vez goza de uma liberdade muito diferente de um gajo não banana comprometido, de modo nenhum se sente amordaçado numa relação. O banana até gosta. E é por ele gostar, desse conformismo, dessa submissão, que a mulher o acha banana, quase que o empurrando para uma liberdade ou para situações potencialmente estimulantes que, porque é banana, o banana não saber desfrutar.
- Prudêncio, não te importas de levar a mala da minha amiga para o quarto de hospedes?... E arrumas as roupas dela nas gavetas enquanto ficamos aqui as duas a conversar. - Repare-se que nem seria preciso perguntar, mas como estava terceira pessoa presente, não vizinha, há que dar um certo ar. - Obrigado querido! Não soa bem pois não ? Mas Prudêncio, como bom banana que é, de imediato vai escada acima carregado não com uma, mas três malas maiores que ele.
Passados alguns minutos, fazendo-se surpreendida com a demora, a mulher irá entrar de rompante no quarto de hospedes, na desesperada esperança de ver o marido banana a arfar agarrado ás cuequinhas da sua atraente e muito mais nova e enxuta amiga. Será escusado dizer que, para grande frustração da mulher, como banana que é, Prudêncio arrumou todas as peças de roupas da esbelta amiga da sua santa mulher, à excepção da roupa interior, na qual não tocou, fez questão de garantir.
A verdade é que naquela noite, a amiga hospede dará por falta de uma cuequinha...
Só pode ter sido o sacana do taxista!

jorge b @ 07:19 PM | Obs (1)
quarta-feira, 30 de novembro, 2005

Chamem um trolha e uma maquilhadora ... | espécie: algures

Ainda não foi desta que ganhei o euromilhões!Estas coisas ou são bem construídas e isoladas das humidades, ou dão nisto. Numa igreja em Sacramento, na Califórnia, EUA, uma santa está precisamente com o mesmo problema com que estava a pedra onde assentam os caixilhos da janela do meu quarto. Devido a uma dúbia qualidade de construção, está com infiltrações, como é visível na foto do lado. No meu caso, o problema foi resolvido graças ao Leroy Merlin, onde comprei um milagroso impermeabilizante liquido e incolor que depois apliquei na pedra, à trincha, em três demãos. Foi remédio santo, que daqui também receito à santa.

jorge b @ 09:39 AM | Obs (2)
quinta-feira, 24 de novembro, 2005

Gaynocídio ... | espécie: mundo

Gosto mais de ti de batina!Ao proibir o sacerdócio aos homossexuais e a pessoas com tendências idem, o papa Ratzinger tomou a decisão corajosa que já há muito se impunha. Embora seja ainda muito pouco, fico com a esperança que um dia a medida abranja também os heterossexuais, que um dia o papa decrete também a proibição do sacerdócio a pessoas simplesmente com tendências para o sacerdócio.
...
Em relação a esta medida do papa, apenas consigo admitir a indignação dos gays beatos viciados na hóstia ou dos outros que viam na carreira de diácono a porta aberta para um vasto mercado de oportunidades de engate. Terão toda a legitimidade para pedir que o papa prove então sua a sexualidade, que prove que gosta de mulheres e que, portanto, não é gay. Ratzinger pode estar efectivamente a vender gato por lebre, estar a cair no mesmo contracenso do seu conterrâneo Hitler que defendia a raça pura mas não era Ariano.
...
Entretanto, em Espanha, a comunidade gay andou nos últimos tempos em alvoroço por causa da definição de homossexual num prestigiado dicionário. A editora do livro, incomodada e para não os ouvir mais, retirou-o de circulação. Mas como não bastava, os gays pediram também a cabeça do autor. É agora esclarecido, o autor morreu há 12 anos. Parece que em toda a Espanha, só o coveiro sabia.
...
A comunidade gay gosta do alvoroço, é reconhecidamente muito reivindicativa, sempre atenta ao mais ínfimo indício de descriminação, ao mais ínfimo sinal de perda de competitividade, no fundo sempre inconformada, afinal, por não ser heterossexual. A reivindicação suprema.

jorge b @ 10:42 AM | Obs (0)
quarta-feira, 23 de novembro, 2005

The American Dream ... | espécie: fora de blog

Confesso, fizemos amor no skate do puto!A professora de 25 anos Debra Lafave (a loira de crucifixo, na foto) foi hoje condenada nos EUA por ter mantido relações sexuais com um aluno de 14 anos.
O raio do puto por esta hora deve ser o aluno mais bem educado do país, apto a dar palestras taco-a-taco com um Júlio Machado Vaz ou uma Dra. Ruth. Cumpriu-se mais uma vez o sonho americano, a América continua a ser a terra das oportunidades, o pais do mundo onde existe a maior probabilidade de se nascer miserável e morrer miserável também, mas rico, e pelo caminho alcançar um dos mais ancestrais sonhos da humanidade: "comer a setora"!

jorge b @ 02:57 PM | Obs (0)
terça-feira, 22 de novembro, 2005

Esclarecimento ... | espécie: algures

Depois de beber uma garrafa inteira de Jack Daniels, estava indeciso sobre qual escolher.
"Querida, eu é que sou a preta gorda contratada para dizer anedotas, tu és apenas a loira magra contratada para chupar piças ok ?"
A apresentadora preta e gorda para Savanna Sampson, depois de uma piada menos feliz desta, na gala "AVN Awards 2005".

jorge b @ 11:43 AM | Obs (0)
sexta-feira, 18 de novembro, 2005

Amanhã ?! ... | espécie: algures

"Amanhã vou lá a Vale do Grilo buscar umas nádegas para pôr-mos manteiga e comermos!"
Vitorino Bizalhão para Julia Pinheiro, referindo-se ao famoso pão da sua terra natal, in "1ª Companhia", TVI.

jorge b @ 03:40 PM | Obs (0)
quinta-feira, 17 de novembro, 2005

Cof-cof-cof ... | espécie: extracções

Cof. Enquanto decorre a chamada a conta gotas, nem a mais infima particula da imensa arrogância que caracteriza o meu ser me permite dar ao luxo de esperar sentado por um sr. doutor qualquer. Não tenho vida para estar doente. Cof-cof.

jorge b @ 09:39 AM | Obs (0)
sexta-feira, 11 de novembro, 2005

Arder por Paris ... | espécie: ícones

Esguia e rica. Que mais pode um gajo querer ?
Já agora, a irmã também!

jorge b @ 12:14 PM | Obs (1)

União faz a forca ... | espécie: extracções

Não acredito nos sindicatos e associações afins, nestas organizações com previsíveis fins reivindicativos, muito ordeiras e cheias de razão. A união faz a força, dizem-me. Mas força porquê ?

jorge b @ 09:49 AM | Obs (0)

Mudos ... | espécie: portugal

Soares e Jerónimo falam falam, mas principalmente falam que Cavaco não fala. Acaso já lhes terá ocorrido que Cavaco, tal como eles, não terá nada para dizer ? E isso, tem que se respeitar!

jorge b @ 09:35 AM | Obs (0)
quarta-feira, 9 de novembro, 2005

Barril de pólvora suburbano ... | espécie: mundo

Para quem se admira com o que se está a passar em França, sugiro um dia bem passado na Eurodisney. Depois, na manhã do dia seguinte, uma viagem de comboio entre a colonia do americano Rato Mickey e o centro de Paris. Ficará a conhecer dezenas de quilometros de suburbios, de passagem, é certo, mas no final da viagem, interrogar-se-á como é que é possível a Torre Eiffel ainda estar de pé.

jorge b @ 10:30 AM | Obs (0)

PCP - Partido Consumista Português ... | espécie: portugal

Com o Natal à porta, a propaganda justifica-se: "Melhores salários" e "Maior poder de compra", são estas as palavras de ordem da mais recente campanha out-door dos comunistas. Que é como quem diz, GANHAR MAIS para GASTAR MAIS... para o bem estar de quem VENDE, naturalmente. E quem produz e vende ? O GRANDE Capital, que agradece a inesperada ajudinha. É o comunismo rendido à logica de auto ajuda consumista.

jorge b @ 10:10 AM | Obs (0)
sexta-feira, 4 de novembro, 2005

O Alexandrino é que sabe ... | espécie: interferências

"Sou menos burro que Cristo, que também se f*deu! Eu já vivi mais vinte e tal anos que ele e ainda não morri!"
O firme e hirto professor, in revista "Focus".

jorge b @ 01:49 PM | Obs (0)
sexta-feira, 28 de outubro, 2005

De TIR em riste ... | espécie: revisões da matéria

Recentemente parei o meu carro num posto Galp para meter gasolina numa daquelas bombas de pagamento por multibanco, daquelas que podemos abastecer e pagar sem ir lá dentro à loja. A bomba em causa ostentava publicidade sobre a campanha 'vice-versa' da Galp que, resumindo, nos diz que por cada litro abastecido, recebemos 5 centimos para irmos gastar no Continente. Depois, no Continente, recebemos um vale para descontarmos se voltarmos à Galp. Um circulo vicioso de onde é díficil sair, acreditem.
Atestado o depósito, tentei sem sucesso que a máquina me faculta-se o almejado vale a que tinha direito. Dirigi-me então á rapariga da caixa que me negou o dito vale, alegando que os abastecimentos naquelas bombas, especificamente, não davam direito a vale coisa nenhuma! Repliquei, que aquelas bombas ostentavam a dita publicidade e que se não davam direito ao que estava na publicidade, então que avisassem, estilo "gasolina 98, pode abastecer, mas atenção, nesta bomba não há vale desconto para ninguém". Ou então, que pusessem outro tipo de publicidade, nomeadamente daquela que se limita a sublinhar a excelência dos produtos Galp, colocando a 'vice-versa' apenas nas bombas válidas.
Mas não, não havia nada a fazer, segundo a pequena, que ainda teve o descaramente de me tentar aliciar a comprar 2 pacotes de pastilhas, que me dava 100 pontos para o cartão, tinham ordens para colocar publicidade 'vice-versa' em todos as bombas, e o sistema não permitia e impressão de vales desconto naquelas bombas de pagamento por MB.
Naturalmente que fiquei f*dido! Só vou meter gasolina á Galp por causa dos vales desconto, tinha acabado de atestar o depósito, o que me daria direito a um vale de 2 euros e picos de toblerones no Continente, que agora me era recusado injustamente. O meu primeiro pensamento foi enviar um mail á administração da Galp a expor o caso. Depois acalmei-me, e imaginei-me ao volante de um camião TIR a entrar loja adentro. Depois, resignei-me. Fosga-se, por 500 paus que seja, valerá a pena estar a chamar camiões TIR para o assunto ? Obviamente que não.
Esta história vem a propósito do que aconteceu precisamente num posto de abastecimento perto da minha casa, uma semana depois do fatidico acontecimento que relatei. Nem de propósito, o dito posto, foi literamente abalroado por um camião TIR que entrou loja adentro. Desconheço os motivos do camionista, mas compreendo-os! E agora convenço-me, mais que nunca, exigia-se um referendo sobre a liberalização da venda de camiões TIR. Antes do referendo ao aborto! Voto a favor, obviamente!

jorge b @ 05:12 PM | Obs (185)
segunda-feira, 24 de outubro, 2005

Little sun ... | espécie: publicidade gratuita

"Beautiful, charming, intelligent, opened, sophisticated, soft lady. i am curious about a lot of things, enjoy to discover the world and like new experiences, can learn fast new things :). i love driving, travelling and almost all different kind of activities :). i am looking for mature, intelligent, responsible gentleman to create a serious relation with and explore the world of nice things. partner, who shares my interests and life values, who wants and can make me happy."

jorge b @ 02:15 PM | Obs (8)

O Chantre de Paderne ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Já estavamos habituados aos insólitos YORN, a IKEA mostra-nos um porco a andar de bicicleta, mas a TVI vai mais longe no cúmulo dos insólitos: Um padre de origem africana, fazendo a apologia daqueles que escravizaram o seu povo, esteve este Domingo a dar missa nos ecrans da televisão.
O tema dos Missionários causa algum desconforto às elites clericais brancas. É compreensível. Não é por acaso que África está como está, que a Igreja está como está. No entanto, este Chantre da paróquia Paderne, ali para as bandas de Albufeira, defendeu e assumiu sem vergonha, com uma notória dose de arrogância digna de reparo e uma convicção só comparável à dos membros das Brigadas de Alaxa, o grande filho-da-putismo que foram as Missões. O mundo precisava de mais padres assim, destes que tentam apagar luzes sobre o que está naturalmente iluminado e que desta forma demonstram a sua verdadeira essência mediocre, a sua triste inutilidade.

jorge b @ 01:56 PM | Obs (3)
sexta-feira, 21 de outubro, 2005

Com força ?! ... | espécie: algures

"- A minha generala tem que ir lá a Vale dos Grilos que lhe dão lá uns cunnilingus com força!"
Vitorino Bizalhão para Julia Pinheiro, TVI, "1ª Companhia", 20-10-2005, 21h45.

jorge b @ 03:33 PM | Obs (0)

O estável Cavaco ... | espécie: portugal

Cavaco deu finalmente a cara e pouco mais. Mas a multidão, que se acotovelou para ver e empurrar o professor, ainda assim estava entusiasmada. A multidão, entenda-se, jornalistas, fotógrafos e cameramens.
Embora houvesse também gente anónima de sítios tão longínquos como Vila Nova de Famalicão ou Brasil, não havia ninguém de sítios tão reais como Baixa da Banheira ou Rio de Mouro, por exemplo. E isto foi o mais significativo do directo em simultaneo dos canais de televisão, ontem á noite.
Com Cavaco, Portugal terá estabilidade. As pessoas, não.

jorge b @ 09:48 AM | Obs (0)
segunda-feira, 17 de outubro, 2005

O Agostinho é que sabia ... | espécie: interferências

"Não faço planos para a vida, para não estragar os planos que a vida tem para mim."
Agostinho da Silva (1906-1994)

jorge b @ 11:29 AM | Obs (1)
sexta-feira, 14 de outubro, 2005

Os leões assobiam ... | espécie: anedotas de elite

"Havia uma gaja que era tão assobiada lá na rua que as amigas, com
inveja, até lhe chamavam Peseiro."
(in, minha caixa de correio, jorgexistence_yahoo.com, a circular na net)

jorge b @ 01:49 PM | Obs (0)
quinta-feira, 13 de outubro, 2005

E agora ? ... | espécie: algures

"Já tens o vestido de noiva ? Já enviaste os convites ? Então agora casas que até te lixas!"

jorge b @ 01:39 PM | Obs (0)

Dicionário da Espécie ... | espécie: revisões da matéria

Martinhar – Ter um ataque histérico de riso por causa de uma coisa objectivamente insignificante para todos, mas que especificamente para aquela pessoa tem uma piada do caraças.
Ex:
- Já viu onde tem uma nódoa ?! Hi, hi, hi, ah, ah, ah, hi, hi, hi!
- Lá está você a martinhar outra vez!

Oshar – Acto em que uma pessoa fecha os olhos para que a outra se possa sentir mais à vontade.
Ex:
- Querido, agora vou eu para cima de ti. Mas tu fechas os olhos porque me quero sentir completamente desinibida... Eu sei que tu não tiras os olhos das minhas mamas, mas não me sinto bem quando estás a ver-me nestes preparos.
- Ah, queres que eu oshe... Está bem mas desamarra-me aqui os pulsos.

Dianar – Quando uma pessoa está em paz consigo mesma, sente-se bem consigo e com o mundo, mas exteriormente está com um semblante carregado, vulgo, de trombas.
Ex:
- O que se passa com ela hoje ?
- Não ligues, está a dianar!

Joanar – Quando uma pessoa lisonjeia descaradamente a outra para que quando fizer merda, a outra se sinta constrangida na altura de passar pissada.
Ex:
- Aí o chefe hoje vem muito bonito... Quer dizer, hoje e todos os dias! Mas hoje... Aí que uma mulher fica cá com uns calores.
- Pois, pois, você a joanar-me e eu a ver!

Pereirar– Maneira de manifestar estatisticamente que se está atraído sexualmente pela pessoa que pede licença para entrar.
Ex:
- Bom dia, dá-me licença que entre ?
- Sabe que eu não sou casada... E não tenho filhos... Podia não ser casada e ter filhos, mas não... E comprei agora casa com um spread de 0,35%. Vivo sozinha... Não tenho mais ninguém. E tenho lá em casa uma colecção de jogos do europeu 2004 em dvd fantástica!

jorge b @ 10:40 AM | Obs (1)
quarta-feira, 12 de outubro, 2005

Diseased Marocas ... | espécie: portugal

O botão fica localizado no ouvido esquerdo mas encrava com muita frequencia.Já não consegue disfarçar. Mário Soares sofre de candidatura. Mas daquela bera, incurável e obsessiva-compulsiva.

jorge b @ 11:30 PM | Obs (0)
quinta-feira, 6 de outubro, 2005

Comic book heroes ... | espécie: extracções

A Mulher Cultura não tem hipótese contra a Mulher Orgasmo.

jorge b @ 11:08 AM | Obs (402)
terça-feira, 4 de outubro, 2005

Poema eleitoral ... | espécie: portugal

Contra Lisboa, votar.

A Felgueiras,
é só peneiras.
E o Avelino,
não tem tino.

Contra Lisboa, votar.

A lata do Valentim,
não tem fim.
E o Isaltino,
p'ra ganhar faz o pino.

Contra Lisboa, votar.

Fátima, Valentim, Avelino,
Até Isaltino vai ser eleito.
Vai ser a vingança do povinho,
Que não merece qualquer respeito.

Contra Lisboa, votar.

jorge b @ 09:05 AM | Obs (0)
sábado, 1 de outubro, 2005

Behind the scenes #1 ... | espécie: revisões da matéria

- Por mais que dê voltas à cabeça, não consigo encontrar uma ideia para a nova campanha dos gajos dos telemóveis… Sabes que tenho colite nervosa. Começa-me logo a dar volta ao estômago…
- Epá, tens que fazer mais uma forcinha!
- Forcinha ?! É isso, forcinha!... Imagina, um gajo sentado numa sanita a cagar, t’ás a ver ?
- Parece-me boa ideia! O gajo apanhou uma caganeira de tanto falar ao telemóvel.
- Não pá, temos que ser mais subtis. Hum… o gajo apanhou uma caganeira porque… porque… porque comeu indiano.
- Mas o indiano dá caganeira ?
- Depende. Eu por exemplo, se beber um copo de leite já fora da validade com indiano, apanho sempre diarreia. Diarreia porque não gosto da palavra caganeira, diarreia fica melhor.
- Ok mas se o gajo está sentado na sanita, então está ao telemóvel, tem que ser!
- Não pá, não se vê que o gajo está ao telemóvel, a gente fotografa-o apenas dos joelhos para baixo!
- Estou a ver, subtileza… Calças em baixo ?
- Claro!
- Bem, já venho, vou ali à casa de banho!
- Até já.

jorge b @ 12:39 AM | Obs (0)
quinta-feira, 29 de setembro, 2005

Ask for more ... | espécie: mundo

"(...)
When you were mayor of Tehran, you used to take your lunch to the office in a bag. Do you still do this ?
That continues. Is there a problem with that ? What’s wrong if you want to eat the food that your wife has cooked?
We’re out of time. But I want to keep going until...
We’ve gone one minute over, actually.
O.K., but i have two last questions.
This is very common, I think, in America isn’t it ? To ask for more."

Parte final da entrevista de Mahmoud Ahmadinejad, o actual presidente do Irão, à revista Time, 26-9-2005.

jorge b @ 11:05 PM | Obs (0)
terça-feira, 27 de setembro, 2005

"Abre tu boca" ... | espécie: portugal

Um repórter da rádio entrevista um reformado ali para as bandas de Elvas, que recorda com saudade aqueles bons velhos tempos de sadio contrabando. E o que se contrabandeava então ?
"Para Espanha levávamos café, ovos, chouriços e barras de sabão. De Espanha trazíamos cognac, tabaco e chocolates." Está certo. Exportávamos produtos alimentares e de higiene, importávamos cirrose, cancro do pulmão e diabetes. Agora importamos médicos espanhóis.

jorge b @ 10:38 AM | Obs (0)
segunda-feira, 26 de setembro, 2005

Falar mal mas com estilo ... | espécie: anedotas de elite

Deglutir o batráquio.
Engolir o sapo.
Colocar o prolongamento caudal no meio dos membros inferiores.
Meter o rabo entre as pernas.
Sequer considerar a possibilidade da fêmea bovina expirar fortes contrações laringo-bucais.
Nem que a vaca tussa.
Retirar o filhote de equino da perturbação pluviométrica.
Tirar o cavalinho da chuva.
Sugiro veementemente a Vossa Excelência que procure receber contribuições inusitadas na cavidade rectal!
Vai levar no cu!

in, minha caixa de correio.

jorge b @ 12:01 AM | Obs (0)
sexta-feira, 23 de setembro, 2005

Faroeste ... | espécie: algures

Ontem a TVI mostrou o advogado de Bibi, à saída de um 'saloon', a ser espancado e empurrado para o olho da rua. José Maria Martins tem portanto milhões de testemunhas. Todas viram que o candidato a presidente da república apenas escorregou e caiu na calçada.

jorge b @ 02:37 PM | Obs (0)
quinta-feira, 22 de setembro, 2005

Silogismo lusitano ... | espécie: portugal

Nós protegemos a Lei.
A Lei protege Fátima Felgueiras.
Logo, ninguém nos protege dela.

jorge b @ 12:01 AM | Obs (1)
quarta-feira, 21 de setembro, 2005

Teologia prá frentex! ... | espécie: algures

"Viver como se Deus não existisse, mas acreditar que Ele existe."
Ou seja, é melhor não contarem com o Gajo.

jorge b @ 12:29 PM | Obs (0)
terça-feira, 20 de setembro, 2005

Os priviligeados ... | espécie: fora de blog

Finalmente em Outubro chrga ás livrarias o livro impredível do freakonomic Steven Levitt, o gajo que uma vez disse que "nos Estados Unidos um milhão de abortos correspondiam a menos 3000 criminosos", afirmação que lhe rendeu várias ameças de morte, 'privilégio' só ao alcance de um Rushdie ou de um Mourinho.

jorge b @ 11:48 AM | Obs (1)
segunda-feira, 19 de setembro, 2005

A origem do sexo ... | espécie: anedotas de elite

Quanto à origem do sexo, rezam as crónicas que Deus Nosso Senhor estava muito satisfeito com a sua obra, e os seus intermináveis dias eram agora passados a observar Adão a perseguir as ovelhinhas e a fazer macacadas diversas.
Passado algum tempo, parecendo-lhe que Adão demonstrava algum enfado, DNS tendo em boa hora afastado a hipotese de lhe arranjar um amigo, decidiu criar a mulher, seguro que estava de que a arrojada forma anatómica da mesma, os seus cabelos loiros, os seus sedosos olhos azuis, entre os demais atributos próprios de uma qualquer pin-up, despertariam a curiosidade e o interesse sem malícia do solitário Adão.
Foi então que chegou o dia, concretamente em Genesis.4, em que Adão, ao virar de uma bela vereda de amendoeiras em flor, deu de caras com a bela, roliça, apetitosa, volumptuosa, lasciva e sensual jovem Eva e disse:
- Que é isto ? Quem és tu ? Com os c*lhões quase no pescoço e a barba entre as pernas ??!!! Anda cá que eu já te f*do!
(história recebida por mail em jorgexistence@yahoo.com e adaptada para o blog)

jorge b @ 10:14 PM | Obs (1)
sábado, 17 de setembro, 2005

O Fu Hsi é que sabia ... | espécie: interferências

"Repare numa árvore. Cresce quando as condições são favoráveis para o crescimento, e, quando estas não ocorrem, poupa e armazena as suas forças. Inclina-se perante o vento, pois tem consciência de que este possui uma força superior à sua; pelo menos por enquanto. Seja como uma árvore: cresça quando for possível e guarde as suas forças nas alturas em que não é possível crescer; incline-se perante forças superiores mas esteja pronto a endireitar-se de novo.", in "I Ching" de Will Adcock, Ed. Estampa.-

jorge b @ 04:15 PM | Obs (0)
sexta-feira, 16 de setembro, 2005

1º passo ... | espécie: extracções

O primeiro passo para fazer uma mulher gostar de um homem, é o homem gostar da mulher... Ou pelo menos, convencê-la disso.
Depois de vários anos de exibição do Esquadrão G, a rapariga estava desesperada porque não conseguia arranjar namorado.

jorge b @ 09:43 AM | Obs (0)

Bárbaros ... | espécie: portugal

Ontem á noite o candidato Carrilho recusou-se apertar a mão ao candidato Carmona, no final do debate televisivo. Maneira elegante de Carrilho dizer "eu é que sou intelectual senão ia-te ao focinho!".
Carmona estupefacto disse: "Então não me quer cumprimentar ?! Extraordinário!... Grande ordinário!!". Maneira elegante de Carmona pensar "e é este gajo que anda a comer a Bárbara ?!".

jorge b @ 09:17 AM | Obs (0)
quinta-feira, 15 de setembro, 2005

Italian taste ... | espécie: bola

Um gajo pode não suportar o Vieira do Benfica, pode abominar o Veiga do Benfica e dispensar na hora o 'baby-face' Koeman do Benfica... Mas depois há o Micolli! Um gajo é do Benfica, independentemente de quem esteja a ganhar á conta dos kits, independentemente da visível falta de nível do pessoal que veste o fatinho cinzento com a gravatinha vermelha escura.

jorge b @ 04:27 PM | Obs (0)

Lar de Belém ... | espécie: portugal

O uníco candidato possível para o PS. Perder por perder, que seja com o incómodo e esquerdista tardio Soares.

jorge b @ 04:06 PM | Obs (0)
quinta-feira, 25 de agosto, 2005

A economia de Sócrates ... | espécie: algures

"Comunicado do Gabinete do Primeiro-Ministro:
Faz o Governo saber que, até nova ordem, tendo em consideração a actual situação das contas públicas e como medida de contenção de despesas, a luz ao fundo do túnel será desligada.",

in minha caixa de mail.

jorge b @ 02:57 PM | Obs (0)
terça-feira, 23 de agosto, 2005

indeed ... | espécie: interferências

"If only i could steal enough money to become an honest man...", Aldo Vanucci/Peter Sellers, in "Caccia alla Volpe" aka "After the Fox", 1966

jorge b @ 03:46 PM | Obs (0)
sexta-feira, 8 de julho, 2005

Islamismo ... | espécie: mundo

Soares diz que são a miséria e a pobreza que geram humilhação, que geram o terrorismo. Mas não é a pobreza que transforma os cubanos, os indianos e os chineses rurais, os africanos em geral, em terroristas.
O que alimenta o terrorismo é uma outra espécie de miséria. É uma miséria intelectual e uma pobreza espiritual, aquilo que também alimenta o Islão.

jorge b @ 10:18 AM | Obs (0)

Escassez ... | espécie: extracções

O Feminino é cada cada vez mais uma raridade.

jorge b @ 10:00 AM | Obs (0)
segunda-feira, 27 de junho, 2005

Marreta ... | espécie: fora de blog








Scooter!
You scored 60 Mood and 45 Energy!
You are cheery, energetic and achievement oriented. You are a hard worker and you are proud of your accomplishments.




Link: The Muppet Personality Test written by TheLadyEve on Ok Cupid

jorge b @ 04:23 PM | Obs (0)
quinta-feira, 16 de junho, 2005

O colarinho impecável dos pedintes ... | espécie: portugal

Oiço falar numa reunião da "desunião europeia", do desacordo de Portugal quanto ao orçamento a aprovar, Freitas à frente, contra as verbas atribuídas no âmbito do quadro de apoio comunitário para Portugal. Queremos mais dinheiro, mais ajuda. Continuamos a querer, coitadinhos. Até quando e até onde pode ir a humilhação ?...

jorge b @ 12:21 PM | Obs (1)
sexta-feira, 3 de junho, 2005

Sandália people ... | espécie: algures

Falo-lhes em ‘foot-fetish’. Riem-se, falam despudoradamente dos calos, ha-ha-he-he, de como usam as laminas para os raspar. Dear me, onde estou eu metido!...

jorge b @ 09:59 AM | Obs (4)
segunda-feira, 30 de maio, 2005

Autênticas Papoilas Saltitantes (Papaver Somniferum Saltitantis) ... | espécie: bola

Na história do futebol português, nunca uma equipa foi campeã com 7 derrotas... nem sequer com 6. Com tanta derrota assim, em campeonatos anteriores, uma equipa nem sequer tinha ido à UEFA ou então estaria a lutar para não descer de divisão. Mas esta época, o Benfica com as suas 7 humilhantes (é preciso não esquecer) derrotas e os não sei quantos míseros golos marcados, conseguiu o impensável, á rasquinha, ser campeão, ou melhor, ficar em 1º lugar. Á rasquinha, como o país, como todos nós, mais coisa menos coisa. Com o país já estamos habituados, connosco podemos nós bem, agora, quando é o Benfica á rasquinha, é quase como se não tivesse ganho. Não nos sentimos vencedores, daqueles de peito cheio, algo que é bastante diferente de sentir um forte impulso de correr para a frente de uma câmara de televisão e gritar SLB, SLB, SLB ou subir uma estátua e gritar em cuecas SLB, SLB, SLB. Há uma grande diferença.
Para um benfiquista se sentir verdadeiramente vencedor também não é preciso esmagar ninguém. Mas é preciso ganhar com convicção, confiança e estilo, coisa que o Benfica não soube fazer ao longo da época. E aquele ultimo jogo do campeonato, então, com o Boavista, foi pavoroso. Não chamo àquilo humildade. Chamo miufa, muito demérito alheio e muita sorte. Foi assim o Benfica este ano. Naquela ultima jornada, foi a Académica (merecia um lugar na UEFA) quem me deu a maior alegria futebolística do ano quando marcou aquele golo magnífico ao lastimável FêCêPê. Só ao minuto 90 das Antas o país respirou de alívio. Houve outra grande alegria, mas não tão intensa, aquele magnifico frango do Ricardo, um magnifico golpe de sorte que o Benfica durante todo o jogo demonstrou não merecer. O Sporting também não. Mereceu o Luisão, a melhor das papoilas saltitantes, o talismã que faltou ontem ao Benfica na final da Taça.

jorge b @ 06:01 PM | Obs (0)
terça-feira, 24 de maio, 2005

Os oprimidos ... | espécie: bola

É uma das imagens fortes que ficaram do Domingo passado, a dos adeptos portistas a queimarem bandeiras e cachecóis do Benfica frente às câmaras de televisão. Não chamaria aquilo não saber perder. O Porto não perde carago! Aquela é antes a atitude típica dos oprimidos, o mesmo tipo de ritual que os Palestinianos fazem com a bandeira de Israel, os muçulmanos em geral com a bandeira dos opressores Americanos.
E nós é que somos os “mouros”...

jorge b @ 02:43 PM | Obs (0)
quinta-feira, 19 de maio, 2005

O síndroma da 2ª circular ... | espécie: bola

Minutos antes do início do jogo com o CSKA, a TSF perguntava em directo a José Roquete (antigo presidente do Sporting), o que esperava do jogo:
- “Não estou conformado com a derrota com o Benfica... Continuo a dizer que o Ricardo foi carregado, não tenho dúvidas (???) não me conformo.” (!!)
Minutos depois do final da partida, a RTP entrevistava adeptos/sócios ao acaso, à saída do estádio, e o Sportinguismo voltava a manifestar-se:
- “O Benfica é merda!!!!”
O Sporting ontem jogou contra duas equipas: o CSKA e o Benfica. Obviamente que nunca podia ganhar.

jorge b @ 11:45 AM | Obs (0)
quarta-feira, 18 de maio, 2005

Ao cronómetro ... | espécie: bola

Hoje vou ser do Sporting... durante 90 minutos... nem mais um segundo!

jorge b @ 06:19 PM | Obs (1)
terça-feira, 17 de maio, 2005

De ja vu ... | espécie: extracções

Acredito, mas no sentindo inverso. A abordagem ao fenómeno será mais “Desculpe, não nos vamos conhecer de algum lado ? É que tenho a certeza que iremos para a cama num futuro próximo.”

jorge b @ 10:27 AM | Obs (0)
segunda-feira, 16 de maio, 2005

Benfica perdeu ... | espécie: bola

24h antes do grande jogo, o Benfica fez uma espécie de sacrifício aos deuses, algo inédito. Expulsou um sócio, Vale e Azevedo, um antigo presidente do clube, o homem que protagonizou o melhor acto de gestão desportiva de sempre em Portugal: A contratação de Mourinho como treinador. Obra dele, histórico (o segundo melhor acto de gestão desportiva de sempre, embora a anos luz do primeiro, recorde-se, foi o de Pinto da Costa ao ir buscá-lo um ano depois ao Leiria).
Em vez de uma merecida homenagem, uma indecente expulsão de sócio. E pode o Benfica dar-se ao luxo de perder sócios, ainda mais daquela valia ?!... Se o problema com Vale e Azevedo é a sua reputação, quantos sócios do Benfica são reconhecidamente aquilo a que vulgarmente se apelida de palhaços, quantos haverá que são uns grandessíssimos filhos da puta, quantos sócios do Benfica batem nas mulheres quando o Benfica perde ou cortam as unhas nos transportes públicos ? E são expulsos do clube ? Obviamente que não. Luis Filipe Vieira, por exemplo, na sua qualidade de pato-bravo, é o responsável por um dos maiores atentados ecológicos e arquitectónicos de sempre… E por acaso é expulso por isso ? Basta ir a Sesimbra, dar uma voltinha à beira mar, e é impossível avistar o mamarracho “califórnia” sem se ficar logo com vontade de expulsar Vieira do Benfica. Mas porque somos razoáveis, e porque se trata do presidente do nosso clube, não somos capazes de lhe desejar tanto mal.
Se Vale e Azevedo lesou a Instituição, aí é outra conversa! Mas mesmo assim, a expulsão de sócio do Benfica só tem paralelo com uma lobotomia ou uma morte por enforcamento. Podia-se muito bem aplicar uma pena mais leve, como, proibir o Vale de ter camarote na Luz durante uma temporada, obrigá-lo a estar na bancada no meio da maralha ou um corte da relva do estádio em troca duma entrada para o 3º anel. O Benfica não perdia.

jorge b @ 01:28 AM | Obs (0)

Louvor público ... | espécie: portugal

Antes do início do grande jogo, os gajos da TV Cabo mudaram os códigos de acesso via satélite. Objectivo: massacrar a malta que tem parabólicas piratas. Missão comprida. Ressalve-se no entanto a ética dos gajos: Cortaram o sinal uma hora antes e não mesmo em cima do jogo como mandaria o figurino nacional. Assim, permitiram que a malta tivesse tempo suficiente para meter os camarões e a bejecas no frigorifico, e ir chatear amigos com Sport TV legalizada ou procurar um lugar no café. Foram filhos da mãe, mas não filhos da puta. É de louvar!

jorge b @ 01:27 AM | Obs (1)

Pirataria de cabo na boca ... | espécie: mundo

É recorrente. De vez em quando vem á baila o tema da “pirataria”, produzem-se spots publicitários e discursos bonitos apelando ao sentimento de culpa de quem saca cd’s na net, compra dvd’s aos ciganos ou vê televisão por cabo á pala. Esses senhores sabem que o mundo sem pirataria seria o descalabro total, mas a missão deles é reforçar o carácter subversivo da coisa, efectuar pequenos ajustes no saque legalizado. Compreende-se. A pirataria agradece mas também merece mais respeito, já era tempo de ser encarada com naturalidade, ter direito a disciplina no secundário. Faz parte da equação, da lógica do mercado, do mercado que é a base da nossa civilização. A pirataria é a válvula de escape da grande panela de pressão do consumismo moderno. Deus deu-nos a oferta, nós a procura e alguém a pirataria.
*
Não conheço gente mais respeitável que os piratas ou se preferirem, malta culturalmente arejada e altruísta que compra o original ou pirateado que depois disponibiliza ao resto do pessoal. Sem eles não tinha nem 10% da cultura musical que tenho e mesmo assim sinto-me sempre acabado de aterrar sempre que vou ao Lux. Sem a pirataria ainda não tinha tido o privilégio de ver o “Sin City” com qualidade DVD ou o “The ring” original japonês. O pior de tudo, Bill Gates ainda seria mais rico do que é, como se fosse concebível… E veja-se, paradigma dos paradigmas, não conheço uma alminha viva que tenha uma versão do Windows ou do Office legalizada e tenho quase a certeza que quem me lê, igualmente. Ainda assim, não deixa de ser o gajo mais rico do mundo. Ou seja, sem a pirataria os ricos seriam escandalosamente tão ricos que até teriam vergonha e sentimentos de culpa de o ser. E se os ricos tivessem vergonha o mundo bloqueava, haveria a necessidade de fazer um ‘reboot’ do sistema com consequências imprevisíveis. A pouca vergonha que têm, tentam impingi-la para quem é cúmplice dessa pirataria que afinal os ampara.

jorge b @ 01:26 AM | Obs (0)
quarta-feira, 4 de maio, 2005

Traduções daquilo que ela grita como só ela sabe gritar ... | espécie: revisões da matéria

Um guia importante para compreender melhor a mulher, no caso, chefe e neurótica ao mesmo tempo.

Quando: É sempre a mesma coisa!!! Eu não disse que queria isto acabado até ontem ? Não disse ????
No fundo: Ontem á noite fui para a cama com um desconhecido mas não prestou para nada!

Quando: Senhor Amilcar, estou tão farta do seu desleixo!!!! Os seus serviços já não são necessários. Para a semana já não quero vê-lo nesta empresa! Agora desapareça!!!!!
No fundo: Ai Amilcar, de todos os empregados desta casa, você é o único com quem não tenho fantasias sexuais.

Quando: Cambada de incompetentes. Estes pedidos de encomenda estão todos mal !!! Ahhh que nervos!!!
No fundo: Por mais que tente, não consigo atingir um orgasmo!

Quando: Aqui não há discussões! É como eu digo ou podem procurar outro emprego!!!
No fundo: Já não consigo aturar mais o barrigudo do meu marido.

Quando: Quantas vezes é que já não disse que queria isto por ordem alfanumérica ah ?? Quantas ?! Quantas ??! Quantas ???!!
No fundo: Só quando me masturbo sózinha é que consigo ter prazer... Algum...

jorge b @ 03:26 PM | Obs (0)
quarta-feira, 20 de abril, 2005

Pornografia de auto-ajuda ... | espécie: extracções

Filmes porno para os homens, livros de auto-ajuda para as mulheres. Os protagonistas parecem ser sempre mais felizes, têm mais prazer e sabem mais que o seu público. Causam inveja, podem levar a uma procura por preservativos baratos ou a uma busca interior barata. Começa a consciência da frustração, acaba muitas vezes o casamento.

jorge b @ 07:12 PM | Obs (1)

Felicidade – infelicidade = Amor ... | espécie: revisões da matéria

Muita fome ou muita vontade de ser comida, vai dar ao mesmo.Tenho andado com uma série de ideias a bailar na cabeça mas ando sem tempo para as desenvolver aqui no blog, este sítio cada vez mais inconstante. Uma delas, a que mais rodopia, era sobre uma mulher que julgava que os homens só andavam com ela por causa das suas mamas, e tinha toda a razão. Lamentavelmente falta-me tempo e neura suficiente para alimentar a minha veia literária. Mas espero desenvolver a ideia lá mais para a frente.
De vez em quando atravesso fases destas onde como que me auto-convenço que sou um cidadão e funcionário exemplar. Consigo conceber uma linha certinha na minha vida e na minha carreira, tudo tem uma saudável lógica hierárquica, parece-me a mim que o meu trabalho é importante, principalmente não levantar questões sobre o que está mal é correcto e importante. Estou a atravessar um desses períodos, o que naturalmente me inibe de escrever, esse acto sempre subversivo. Ainda por cima, instalei agora em casa televisão por cabo... Ao que um gajo chega!... Canal Playboy e tudo! A seu tempo tenho que falar no canal Playboy.
Existiria inclusive muita matéria prima para fabricar meia dúzia de belas balelas escritas. Aqui há dias, por exemplo, tive uma gaja a chorar-me no ombro (isto tinha que ser notícia!) por causa dum gajo meu amigo. Acho que já fui ombro amigo, mas esta foi como se fosse a minha primeira vez. Mais adiante tentarei explicar porquê. Segundo ela, a soluçante rapariga, vejam a potência destas palavras, vejam o potencial bloguistico, “passei com ele os momentos mais felizes, mas também os mais infelizes da minha vida” (sic). Fosga-se, isto dava pano para muitas mangas e muita lágrima sentida. Mas pior estava eu, que podia um gajo dizer ou fazer numa altura daquelas, perante aquela avalanche descontrolada de sentimentos ? Um gajo como eu, que gosta de brincar com coisas sérias, que fazer se não ficar constrangido com a situação, um drama real...Aquilo não me podia estar a acontecer, é que naquelas palavras e naquelas lágrimas, estava resumido todo o drama do amor, e ao mesmo tempo era um momento clássico e solene, a altura certa para um gajo se fazer ao bife da desfeita se estivesse para aí virado. É sabido que estes momentos de carência afectiva são muito propícios a investidas dos malandros. Portanto, se tivesse alguma espécie de atracção pela gaja, tudo se tornava mais fácil, a pequena descobriria ali um verdadeiro consolo onde afogaria, ou mais cedo ou mais tarde, substituiria as suas mágoas por outras mais fresquinhas. Infelizmente, contra todas as probabilidades (imaginem a cena, uma gaja loira, de olhos azuis, maior que eu, lavada em lágrimas a poucos centímetros das minhas gânfias, que mais pode um gajo desejar) a gaja não desperta em mim aquela dose de lascívia suficiente para começar a testar o hálito. São coisas, um gajo tem os seus gostos, e no caso, princípios, e é-lhes fiel. A verdade é que, ao invés, senti pena, pena verdadeira (melhor que um duche frio), a solidariedade de um gajo compreensivo, amigo e meigo para uma gaja, percebem ? Fui por breves instantes aquele refugio que as gajas normalmente só encontram nos ombros dos amigos virados, em princípio dotados de uma sensibilidade muito próxima da delas. Senti portanto uma empatia pura, verdadeira e desinteressada. E posso provar que assim foi porque enquanto durou toda aquela comovente lamuria, em momento algum lhe tirei as medidas... Ou melhor, lhe fiz a prova.
Confesso que senti algum orgulho em mim próprio, coisa rara, fui um amigo, fui capaz de o ser, amigo de uma gaja, daqueles que são capazes de estar longos minutos a ouvi-las e a compreenderem cada palavra que elas dizem. E elas como se apercebem disso, abrem-se ainda mais e os minutos transformam-se em horas, e por vezes, as palavras em gemidos. Não digo que fui totalmente amigo, não devido a segundas intenções como já esclareci, apenas porque mantenho e continuo a manter com ela uma prudente margem de segurança, resultante das nossas diferenças e gostos culturais, companhias e uma certa extroversão da sua parte nada consentânea com a minha discreta maneira de ser.
Acabei por lhe dizer não o que ela gostaria de ouvir (tenho a certeza que seria um “epá ontem por acaso falei com ele e o gajo está também ainda apanhadinho por ti, liga-lhe, força”) antes a ultima coisa que uma mulher apaixonada quer saber. Agora compreendo que eu era o ultimo elo, a ultima réstea de esperança de, de certa forma, a ligar ao outro, o seu amor. Acabei por ser eu quem deu a estocada final num sentimento quase moribundo embora com muita vontade de viver, condenado pela pior das doenças, a indiferença. Do lado dela havia a secreta esperança que o outro me falasse ou pelo menos perguntasse por ela. Convém esclarecer que o gajo está longe, está noutra, mudou de emprego, mudou de ares, arranjou outra gaja, mandou pura e simplesmente esta ás urtigas. Convém esclarecer que já passaram anos, que o gajo nunca mais quis saber dela. Há muito que a ignora. Levou o seu tempo, mas há muito que ela é passado. Ela devia calcular mas foi a jogo, admirável coragem das mulheres. Era escusado. Naturalmente que perdeu. Esclareci-a. Que podia eu fazer se não dizer para a gaja se dedicar mas é ao gajo que a anda actualmente a comer e esquecer o outro. Simplesmente não deu, ela não podia continuar agarrada ao passado! Foi este o meu raciocínio, a conclusão que lhe quiz dar, o conselho.
No rescaldo, acho que fui cruel. Acho, sinto-me. Acho que tenho um dom natural para carrasco. Não sirvo para ombro amigo. Mas já vi que é coisa que não se escolhe. Que podia eu fazer...

jorge b @ 05:40 PM | Obs (1)
sexta-feira, 15 de abril, 2005

Lambs ... | espécie: anedotas de elite

Na altura do cio, o carneiro vai ter com a ovelha e diz admirado:
- Tens tão pouca lã!!!
E ela responde:
- Ouve lá!!! Vens para f*der ou para fazer tricot ?
in, mailbox

jorge b @ 02:07 PM | Obs (0)
quinta-feira, 14 de abril, 2005

Problemas na rede ... | espécie: algures

"
- xiiiiiiiii...
- (...) ouvir-te mal! Espera um bocadinho.
- ixxxiiixixiiiiiiiiiiiiiii...
- Tou ??! Tás-me a ouvir ??
- ixxxxxxxxiiiiiiiiiiiiiiiii.....
- Tou ? Espera...
- xiiii...xi....plic... xi... plic... plic...
- Ai desculpe!
- ziiiiiip!!!!

"

Amanhã explico isto.

jorge b @ 02:29 PM | Obs (1)

Lógica comunista ... | espécie: algures

Na campanha de publicidade de rua do jornal "Avante", num interessante exercício de auto-crítica, diz-se ser um jornal que "mostra aquilo que os outros não mostram". É um facto, os "outros" também mostram aquilo que o "Avante" não mostra.

jorge b @ 02:21 PM | Obs (1)
quarta-feira, 6 de abril, 2005

United Colors of Vatican ... | espécie: mundo

Jomo Kenyatta, fundador da República do Quênia, um vez disse “Quando os brancos chegaram, nós tínhamos as terras e eles a Bíblia; depois eles ensinaram-nos a rezar; quando abrimos os olhos, nós tínhamos a Bíblia e eles as terras”. Nada mais acertado.
Agora, naquilo a que seria uma segunda vaga de saque, há quem queira chegar lá com o próprio Papa, meio mundo suspira por um Papa negro...

jorge b @ 07:21 PM | Obs (0)
terça-feira, 5 de abril, 2005

Desculpar qualquer coisinha ... | espécie: mundo

Por entre dados estatísticos surpreendentes (viagens a 129 paises, o equivalente a 31 voltas ao mundo), procuro por virtudes na “governação” de 20 anos deste Papa que morreu ou “voltou á casa do pai”, como queiram. A mais repetida e elogiada é o facto de ter pedido desculpas pelas atrocidades cometidas pela igreja e outros Papas no passado. Não percebo como se pode ver mérito num pedido de desculpas deste género. Se Gorbatchev apenas tivesse feito o mesmo em relação ao passado da URSS, também teria sido louvado pela atitude inédita mas ainda hoje existiria o muro de Berlin. O Papa ao assumir um passado vergonhoso, tinha a obrigação de assumir igualmente a perfídia da religião e dar início a um processo de desmantelamento pacífico da Igreja, contribuindo positivamente para o laicismo da humanidade.
Os pedidos de desculpa não ficarão por aqui. Um dia, um próximo Papa voltará a pedir desculpa pelo passado, desta vez por aquilo que este e outros fizeram.

imagem: Gottfried Helnwein

jorge b @ 09:18 AM | Obs (0)
segunda-feira, 4 de abril, 2005

Até que a morte nos separe ... | espécie: revisões da matéria

Devo ser uma das poucas pessoas vivas que conhece alguém que mudou de clube. Alguém que contrariou portanto aquela verdade supostamente insofismável que diz que um homem muda de vida, de mulher, de profissão, de país, de religião, de partido, até de sexo, mas nunca, nunca na vida muda de clube. E porquê, porque raio um gajo não muda de “instituição” ?
Um gajo nunca sabe bem bem por que “é do Benfica”. É-se e pronto! No meu caso, não consigo encontrar a mínima justificação lógica, o mínimo acontecimento ou influência na minha infância que justifique a rouquidão com que fiquei ontem depois de gritar quatro vezes golo. O meu pai, tios, avôs, ninguém era do Benfica. Aquele tipo de pessoas que normalmente nos faz a cabeça em puto, nos compra ursinhos de peluche equipados com as cores do clube, que nos inscreve como sócio ainda antes de nascermos, nenhum deles me influenciou. O porquê do "ser do Benfica" é ainda mais estranho porque se trata de um clube do povo, de massas. A maralha é quase toda do Benfica. Num gajo com algumas manias elitistas como eu, é um verdadeiro contracenso, com o qual tenho por vezes alguma dificuldade em lidar, principalmente quando o Benfica perde. O Sporting, por exemplo, é um clube mais burguês, instalado numa zona fina da capital, logo, seria mais consentâneo com a minha natureza.
Portanto, seria incapaz de substituir algo irracionalmente misterioso, algo que constitui a única certeza inabalável da minha existência, a única coisa que não escolhi, além de nascer, o “ser do Benfica”, por algo que constituiria sempre uma opção racional e estratégica, fruto de uma aprendizagem ou lavagem cerebral. Nunca seria a mesma coisa, nunca daria certo. Assim que se nasce, já é demasiado tarde para se mudar de clube.
Quanto ao gajo que mudou de clube (atenção que é verdade, sei que é de dar a volta ao estômago mas o gajo mudou mesmo, de ferrenho benfiquista, para fanático Sportinguista), embora não o admita, estou convicto que o fez, por causa da namorada que viria mais tarde a ser sua mulher... Estão actualmente divorciados.

jorge b @ 04:41 PM | Obs (1)
sábado, 2 de abril, 2005

Papa ainda resiste ... | espécie: mundo

Ultímas informações veiculadas pelo Vaticano dão conta de que o Papa está morto mas com alguns momentos de coma.

jorge b @ 04:16 PM | Obs (0)
sexta-feira, 1 de abril, 2005

O que é que a Pimpinha tem que as outras não têm ? ... | espécie: ícones

Pessoalmente considero o maior atentado hídrico de todos os tempos. Durante o ultimo mês, por cada dois exemplares vendidos da Maxmen em todo o país, morria uma ovelha no Alentejo. Ou seja, enquanto 100 mil gajos salivavam com excesso de água na boca pelas fotos da Pimpinha descascada nas páginas centrais, 50 mil ovinos sucumbiam á mingua do precioso liquido. Tudo isto sem sequer ser preciso tirar o sutien. É obra! E o que tem a recordista de tiragens da Maxmen que as outras não têm ? Para começar, a mãe. Com a dupla Cinha/Pimpinha coloca-se automaticamente a paradigmática questão “a mãe ou a filha ?”. E a resposta é imediata e inequívoca: As duas! Não existirá no domínio público uma tal dupla em que a dúvida não se resolva de forma tão indubitável. Depois, Pimpinha gosta de Picasso e é do Benfica. E para terminar, Pimpinha tem uma característica rara entre o panoramama do gajedo nacional: além do seu look “forever teenager” que tanto apraz á lascívia mas igualmente embaraça a consciência de um gajo, é possuidora de uma estrutura anatómica deveras arrojada e daquilo a que se poderia denominar de “Síndroma das virgens de Alá”. Por maior rebaldaria que haja durante a noite, dá a ideia que ao raiar do dia seguinte, Pimpinha acordará sempre com aquele mesmo sorriso cândido, com o dom da virgindade estampado no rosto. Coisa que como é sabido provoca a qualquer muçulmano a vontade de se espetar carregado de explosivos contra um autocarro e pôr uma dúzia de judeus a arder. A nós, põe-nos as mãos em brasa.

foto: Maxmen, sacada da tasca do zé.

jorge b @ 11:47 AM | Obs (1)
quinta-feira, 31 de março, 2005

Tipicamente Coelho ... | espécie: algures

"Em primeiro lugar, o nosso objectivo é ter mais votos que o partido que vier a seguir! Em segundo lugar (...)"(!)
Resposta do ambicioso Jorge Coelho, porta-estandarte do PS, hoje de manhã quando os jornalistas lhe perguntaram sobre quais eram os objectivos do partido para as próximas autárquicas.
in, TSF

jorge b @ 10:26 AM | Obs (0)
quarta-feira, 30 de março, 2005

Big Mourinho ... | espécie: anedotas de elite

"Mourinho está com cara de tédio a comer uma inglesa. De repente, ela começa a atingir o orgasmo e grita:
- HO, HOO, HOOOOO MY GOD!!!
Ele com a mesma cara diz:
- Na intimidade podes chamar-me só Mourinho."
in, recebida por mail

jorge b @ 03:15 PM | Obs (1)
terça-feira, 29 de março, 2005

Genes 'r us ... | espécie: revisões da matéria

Nova polémica: a base de dados genéticos. Parece que com a recolha do material genético que identifica cada ser humano, o Estado perverso conseguirá obter dados pessoais, como sejam as tendências do indivíduo ao nível da personalidade, dos gostos, doenças, preferências sexuais, religiosas, etc... Proponho-me já para a recolha e aconselho toda a gente a aderir à Grande Recolha Genética. Pensem bem nos milhares de euros que podemos poupar em psicoterapia, o contributo que estaremos a dar para a industria das provetas e microscópios, o que a genética pode trazer ao nosso auto-conhecimento. Imaginemos que sou ateu, casado com uma morena, ando a tomar comprimidos para a urticária, introvertido e cleptomaníaco, gosto ouvir Ramstein, aparentemente tenho tudo para ser feliz! Mas sinto um qualquer desconforto, algo de inexplicável que não me deixa ter um sono tranquilo e retemperador. Além do meu seiko, há mais alguma coisa que não bate certo nesta minha vida, cuja história é semanalmente relatada cada vez com mais pormenor á psicoterapeuta que me acompanha 50€ a consulta (2700 €/ano).
Vou á base de dados genéticos e peço um relatório, gratuito (0€/ano). Descubro então que afinal tenho propensão para loiras (já andava desconfiado), tendência para a hipertensão, ultimamente agudizada pelos comprimidos contra a urticária cujo diagnóstico foi erro médico e a comichão simples alergia à Julia Pinheiro, que afinal até sou um gajo extrovertido, altruísta, cheio de fé, só que ainda não sabia, e que gosto da Jennifer Lopez também quando canta. Ou seja, abençoada genética, com todas as certezas, com toda a vida descomplicada e explicada, abençoada que nos trará pacificação ás nossas ansiedades e incertezas.
Suponho que se tivesse sido inventada hoje a impressão digital, tal como o código genético, marca única de cada indivíduo, as mesmas vozes discordantes que agora apontam o dedo á genética, levantar-se-iam: afinal, com que direito tem o Estado de ter algo de tão íntimo e pessoal como a minha impressão digital ? E que lhe interessa saber quem são os meus pais ? Alguém tem alguma coisa a ver com isso ? Ou a minha data de nascimento ? Não é única mas combinada com o lugar de nascimento, conforme consta do famigerado BI e temos um mapa astral mais completo que qualquer mapa genético. E a minha foto ? Há gente que pela forma do nosso rosto é capaz de nos dizer quantas vezes trairemos durante a vida, pela forma das sobrancelhas se alguma vez ficaremos a dever ao banco, pela forma dos olhos se gostamos mais na mesa da cozinha ou nos bancos de trás do carro. Não me parece razoável o Estado ter na sua posse uma fotografia minha. Sabe-se lá se a esta hora não estará uma burocrata qualquer a ter fantasias só de olhar para o meu bem escanhoado rosto. Uma pessoa tem direito á integridade da sua imagem e a saber as medidas e o contacto da burocrata depravada. Há gente que consultando o nosso extracto bancário, os movimentos do nosso cartão de crédito, é capaz de nos dizer onde gostamos de passar férias, em que restaurantes comemos, que marca e estilo de roupa usamos... Sugiro burkas para os mais afectados.

jorge b @ 03:40 PM | Obs (1)
segunda-feira, 28 de março, 2005

What ever happened to George Orson Welles ? ... | espécie: fora de blog

O teu ego á vista do meu é deste tamanho! Como a minha pilinha!Apesar do reconhecimento oficial dos seus pares, Welles foi no fundo um cineasta fracassado, embora um dos melhores actores de sempre. Mas, ‘melhores actores de sempre’ há muitos, portanto, onde residia o mito ? A brincadeira na rádio da Guerra dos Mundos e Citizen Kane não chegavam. O mito residia sobre o que se passou depois, como é que um gajo cheio de carisma e talento, se afogou nele próprio. Os seus inúmeros projectos incompletos ou fracassados giravam todos á volta de si, como a sua versão de “Moby Dick”, um longo e penoso monólogo onde Welles interpreta (lê as falas) de todos os personagens com a câmara absorvida na sua figura. Todos os seus projectos rocambolescos eram duma experimentalidade que roçava o patético e de um descarado egocentrismo muito embora por causa da falta de meios que Welles não parecia admitir. Ninguém sabia se eram (bocados de) filmes para rir ou se para chorar, e só mesmo Welles os parecia levar a sério.
Ao contrário de outros, nunca teve a lucidez e preserverança suficientes para saber esperar. Perdeu por isso.

jorge b @ 12:18 PM | Obs (0)

Pope fiction ... | espécie: mundo

Mal se vê sem guarda costas, dá logo nisto!Neste momento perde-se uma enorme quantidade de tempo a discutir se o Papa está ou não em condições de exercer o cargo. A sua ultima aparição veio provar que sim, que está em grande forma. A enviada especial da SIC, decerto possuidora de poderes psíquicos extrasensoriais, extasiada até referiu que o velhote mudo e entubado “falou através do silêncio” (!). O que importa ? A ler o que está no papel ou calado, um Papa desde que apareça numa janela, não precisa de ter a forma de um atleta Olímpico ou sequer estar em condições de limpar o próprio cu para ser um excelente Papa.

jorge b @ 12:03 PM | Obs (0)
quinta-feira, 17 de março, 2005

Puras páginas virgens ... | espécie: extracções

Nesses momentos solenes em que escrevo uma dedicatória num livro que ofereço, a caligrafia sai-me sempre péssima. Um livro por ler é algo de tão imaculado que me atrapalha.

jorge b @ 06:53 PM | Obs (0)

I love you, i love you, i love you ... | espécie: extracções

Fica bem nos poemas e ganha um encanto especial se cantado. Na vida real das relações, dito assim, três vezes seguidas, é um absoluto exagero ou o prenuncio de que algo está ou vai acabar mal, mal, mal. As consciências não são surdas.

jorge b @ 06:38 PM | Obs (0)
quarta-feira, 16 de março, 2005

Da série 'factos irrelevantes ou sem a mínima importância para todos, à excepção dos poetas ou das pessoas que têm lindas varandas desmarquisadas' ... | espécie: algures


Como demonstra a imagem, chegaram as andorinhas.

jorge b @ 03:14 PM | Obs (0)
terça-feira, 15 de março, 2005

Um funcionário realmente exemplar ... | espécie: histórias infilmáveis

- Não sei como agradecer a sua celeridade...
- Não tem que agradecer, é o meu trabalho.
- Mas foi de uma atenção e de uma dedicação na resolução do meu problema que é raro encontrar-se hoje em dia sabe...
- Infelizmente sou forçado a concordar com o que diz. Apesar do elevado profissionalismo e da exigência de altos padrões de qualidade no atendimento que a nossa instituição cultiva, reconheço que nem todos os meus colegas colocam no seu trabalho diário o mesmo esforço e dedicação que aqui colocamos. Aqui fazemos sempre todos os possíveis e até por vezes os impossíveis para uma resolução mais rápida e eficaz dos problemas dos utentes.
- De facto assim é, felizmente tive o previlégio de o poder comprovar.
- Obrigado.
- Olhe, convido-o a beber comigo um cafezinho...
- Lamento mas, como vê, estou a trabalhar...
- Mas eu insisto, é o mínimo que posso fazer para agradecer toda a sua atenção e dedicação.
- Agradeço mas, e os meus colegas serão disso testemunhas, nunca me ausento para beber café. Até porque não gosto de café.
- Venha daí que toma comigo o pequeno almoço. Eles fazem ali em baixo uns pastelinhos de nata óptimos.
- Desculpe mas não pode ser. Embora ainda não tenha efectivamente tomado o pequeno almoço, eu só me levanto daquela cadeira para atender os utentes ou ir cagar.
- Nesse caso faço questão de esperar por si junto á porta da casa de banho.

jorge b @ 10:42 AM | Obs (0)
segunda-feira, 14 de março, 2005

As mézinhas de Sócrates ... | espécie: portugal

Sócrates toma posse e anuncia de imediato ao país a primeira "grande medida" deste governo: há medicamentos que passam a poder circular livremente em carrinhos de compras. Pela celeridade e oportunidade da medida que se sobrepõe a tantas outras que o país verdadeiramente anseia, devia tratar-se de um velho sonho de infância que Sócrates finalmente concretiza. Se tivesse sido Santana a declarar tamanha anormalidade e logo na sua tomada de posse, hoje já estava de malas aviadas, não para gozar umas férias á conta da industria farmacêutica, antes para se apresentar ao Carmona.
Só faltam agora as farmácias passarem a vender batata ao quilo.

jorge b @ 04:39 PM | Obs (0)

O marketing das meretrizes ... | espécie: algures

Ilustração de LaurieLipton.com
O sexo, se for pago, sai mais barato!

jorge b @ 04:12 PM | Obs (0)
quinta-feira, 3 de março, 2005

O Charles é que sabia ... | espécie: interferências

"Esta vida é um hospital onde cada enfermo está possuído do desejo de mudar de cama. Este queria sofrer defronte do fogão, e aquele crê que se curava ao lado da janela."
Baudelaire, in O Spleen de Paris

jorge b @ 07:15 PM | Obs (0)

O Sigmund é que sabia ... | espécie: interferências

"A religião é um fenómeno absolutamente neurótico-obsessivo."
Freud

jorge b @ 07:13 PM | Obs (0)

O xeque é que sabia ... | espécie: interferências

"Os que são teus inimigos, / o serão ou o foram, / alimentam-se do desgosto / que em ti encontram! "
Saadi (1250 d.c.), in Jardim de Rosas

jorge b @ 07:11 PM | Obs (0)

O que o assusta tanto ? ... | espécie: interferências

"Tudo. Não sou por natureza um homem profundo e interesso-me pouco por questões abstractas, como seja a da natureza do mundo e a do destino da humanidade; é como pairar nas nuvens. O que me apavora é a vida de todos os dias. Vejo que sabemos muito pouco e que, por isso, cada dia nos iludimos mais e estragamos a vida dos outros; gastamos as nossas energias com frivolidades que são absolutamente dispensáveis mas que nos impedem de viver. É isto que me aterra, pois não percebo a quê nem para quê isto pode ser útil. "
Anton Tchekov, in O Pavor

jorge b @ 06:56 PM | Obs (0)

2 ... | espécie: algures

O ar condicionado marcava 30 graus.

jorge b @ 09:21 AM | Obs (0)
segunda-feira, 21 de fevereiro, 2005

O regresso dos mortos-vivos ... | espécie: portugal

A tragédia era anunciada. No PSD “a noite dos facas longas”, no PS “a noite dos mortos-vivos”. Um a um, surgindo à superfície do pântano onde há três anos se encontravam mal enterrados, uma vasta horda de zombies ressuscita arrastando-se vitoriosamente na escura e fria noite eleitoral, num espectáculo aterrador: Gama, Cravinho, Coelho, Costa, Estrela, Carrilho, arghh!, entre outros… O marioneta Sócrates é apenas a ponta de um medonho iceberg de mau gosto, compadrios e incompetências provadas.
Eles estão de volta, a série “Z” da política Guterrista está de volta, por vontade popular, esse mesmo triste povo que elegeu José Castelo Branco no Natal, esse mesmo povo atoleimado, essa mesma imensa maioria medíocre, agora armada de cartão de eleitor em punho, mais amedrontada que convicta, elege neste carnaval, José Engenheiro Sócrates, o zombie incinerador.

jorge b @ 01:33 AM | Obs (0)

O engate de Sócrates ... | espécie: portugal

Se para Santana a missão já era difícil, a sua sofrível campanha, descaradamente popular e patética, apenas a veio tornar impossível. Mas era a campanha feita à imagem do povo e do país que temos, era uma campanha honesta.
O povo é tolo, é sabido, e quando intoxicado, torna-se parvo. Mas não gosta de ser tratado como merece, não gosta de ser tratado de parvo. O povo eleitor, esse nosso povo consumidor dos reality shows, das novelas, das ‘marias’, quando se trata de eleições, gosta de ser bajulado, de ser tratado como um povo bem informado, civilizado e culto, coisa que não é. Mas gosta de ser assim engatado, e não da maneira como a campanha de Santana o tratou, como se fosse um povo efectivamente parvo. Uma campanha feita à medida dessa parvoíce nacional, coisa que naturalmente se estava a revelar num gigantesco erro de estratégia e marketing político que só Santana parecia não ver, porque se calhar não estava habituado a engates rascas. É que o povo é como uma gaja feia mas com bom corpo, a quem se dá a volta dizendo-lhe que é bonita, adulando-a com mentirinhas deliciosas acerca da beleza que ela não tem e dos sentimentos que não se sente, só para lhe dar uma f*da e mais nada. Esta vai durar 4 anos!

jorge b @ 01:24 AM | Obs (1)
sexta-feira, 18 de fevereiro, 2005

Problema nas cassetes ... | espécie: portugal

Depois da unanimidade geral anti-Santana, a solidariedade global em torno da dramática perda de voz de Jerónimo de Sousa... Pareceu-me mais que Jerónimo perdeu o pio. Foi providencial a sua afonia. Teria sido triturado por Portas e Santana, ambos com uma superior capacidade de argumentação, dois tubarões quando comparados com a simpatia franca e humilde do comunista, qualidades nada recomendáveis a um político, principalmente alguém com causas já muito rebobinadas.
Santana fez bem em ter suspendido a sua campanha por dois dias. A morte da velhota Lúcia foi apenas o alibi perfeito para recuperar a voz e a calma perdidas no fim de semana passado. O debate a cinco justificava-o. Jerónimo teve justificação e saiu do debate sem as amolgadelas com que saíram Louça e principalmente Sócrates.

jorge b @ 03:55 PM | Obs (0)

Votar na oposição ... | espécie: portugal

Se Santana e o PSD formassem governo, para bem de Portugal, teriam uma excelente e aguerrida oposição: Marcelo Rebelo de Sousa, Pacheco Pereira, Alberto João Jardim, Cavaco Silva...
Não existe melhor, mais eficaz e credível oposição que uma oposição interna de luxo. Coisa que o PS não tem.

jorge b @ 09:38 AM | Obs (0)
quinta-feira, 17 de fevereiro, 2005

Não houve necessidade de intervenção da policia de choque ... | espécie: portugal

Foi com satisfação que constatei no ‘best off’ transmitido num telejornal, que afinal o funeral da Irmã Lúcia, uma das ultimas cúmplices amnistiadas do estado novo, não foi aquele “milhares de pessoas” que se anunciava a acompanhar o cortejo fúnebre. E até as cenas de pesar e habitual histeria colectiva limitaram-se á claque em licença de asilo.
Com Sócrates a descer nas sondagens, volto a acreditar em Portugal.

jorge b @ 03:26 PM | Obs (0)
terça-feira, 15 de fevereiro, 2005

A questão da virgindade de Lúcia ... | espécie: deus, patrocinador oficial

A Irmã Lúcia sempre fez parte do meu imaginário. Conheço-lhe a estória desde muito novo. Era puto de 10 ou 11 anos quando certo dia uma força inexplicável fez-me pôr de lado um almanaque do tio patinhas, induzindo-me na leitura de um livro que há muito espreitava na prateleira de livros do meu revolucionário pai, com o título “Fátima desmascarada” de, salvo erro, João Ilharco. A coisa estava muito bem escrita e objectivamente desmontava a patranha de uma maneira coerente e honesta, sem quaisquer tipo de fundamentalismo anti-religioso, coisa que, reconheço, me caracteriza. Desde logo fiquei com a ideia que, após as supostas aparições, as três criancinhas teriam sido postas fora de circulação porque qualquer pessoa bem intencionada facilmente desmascararia a fantochada. Comoveu-me imaginar o que teriam passado os três putos, imaginando-os levarem uma vida de sofrimento e clausura, rodeados por todos os lados de padres, sabe-se lá com que intenções, recitando constantemente os evangelhos noite e dia, e de estronças freiras que não os deixariam brincar ás escondidas nem ás mães e aos pais, privando os pastorinhos duma infância normal, das suas ovelhinhas e demais bichinhos que certamente com tanta devoção gostariam de voltar a pastar.
Mas o que mais me surpreendeu naquela altura, foi saber que Lúcia, a principal protagonista, ainda estava viva. Para mim 1917 era do tempo da minha bizavó, que há já alguns anos morrera de tal idade que era impossível conceber que pudesse existir ainda alguém daquela época, alguém mais velho que ela ou mesmo mais novo, vivo sequer. Lembro-me então que sempre que ia a Fátima, nas inúmeras excursões patrocinadas pela minha ultra devota avó, passei a procurar entre a populaça a figura da já velhota Lúcia, cuja foto a preto e branco descobrira publicada num jornal qualquer e cujas feições tinham ficado gravadas na minha memória.
Depois havia a questão dos três segredos, que para mim, só para mim, eram quatro. Revelados os dois primeiros, o terceiro viria a revelar-se um gigantesco flop por parte dos criativos do Vaticano. Nesse aspecto fui solidário com a desilusão que milhões e milhões de fiéis sentiram quando afinal a montanha pariu um rato. Toda a gente esperava algo mais grandioso e entusiasmante, algo apócaliptico que estivesse para acontecer, um cataclismo, uma purga que levaria todos os blasfemos desta para melhor, e não o mero atentado ao Papa, já acontecido, assunto mais que morto e enterrado, com condenação pelo tribunal competente e visita papal ao arrependido. Quanto ao 4º segredo, só mesmo a Irmã Lúcia me poderia elucidar, a mim e ao mundo que sempre julguei igualmente sedento de no fundo querer desvendar tal mistério. Esse quarto segredo que lastimavelmente jamais será revelado, era a questão da virgindade da Irmã Lúcia, era saber se ela alguma vez tinha levado com Ele! Agora que a velhota morreu jamais a minha curiosidade de apaziguará, levarei comigo esta minha mórbida dúvida para a cova, quero dizer, para a câmara de cremação, que é esse o meu desejo (um excelente aquecimento para o extenuante inferno que se adivinha, convenhamos). E como muito duvido que a encontre Lá, onde quer que seja, onde teria o descaramento de lhe perguntar alma a alma, mas com a muita delicadeza a que naturalmente a diferença de idade obrigaria, mas a de mentalidade permitiria, certamente que arderei no meu suplício com tal dúvida a torturar-me em simultâneo o pouco que me restar do juízo. Isto porque, a ser verdade que algum gajo, de cabeça perdida, um dia tentado a ficar para a história que jamais ninguém saberá, tenha posto de lado um livro do tio patinhas e comido Lúcia, coisa que duvido dada a sua devoção e clausura a que se remeteu ao longo da sua vida, muito mais duvido que tal gajo viesse alguma vez a público dizer “Eu comi a Irmã Lúcia!!”. Note-se que por mera e remota hipótese académica, tal milagre a ter acontecido, não deixa de ser algo que só conceberia se enquadrado em tempo tal, sempre para lá de mais de 50 anos atrás, período em que a senhora estaria obviamente ainda na flor da idade, na melhor condição física e as análises em condições para o efeito. E depois, não vem na Bíblia mas não é de bom tom um gajo andar-se a vangloriar de quem comeu ou deixou de comer, muito menos há mais de meio século atrás, muito menos seria de homem dizê-lo, nem que fosse a empregada de limpeza dos Caramelos que tivesse comido no dia anterior. Nem mesmo o galifão de Zézé Camarinha, que a todas e de todos os credos, raças e idades, diz ser capaz de comer ou já comeu, jamais indicou nomes. Uma conduta eticamente irrepreensível que, tratando-se de um Algarvio, é de louvar.
Devo dizer que esta minha converseta, ainda mais que agora meti os Algarvios ao barulho desnecessariamente, será decerto pouco ortodoxa para alguns, conversa decerto facilmente rotulável de blasfémia ou sacrilégio, conversa que eventualmente poderá ofender algumas sensibilidades habituadas a negar ou a pouco lidar com os lados mais perversos e obscuros das suas próprias mentes. Mas estas palavras não significam qualquer desrespeito para com a senhora. Trata-se apenas duma duvida legítima de um gajo qualquer, qualquer, convém sublinhar, duvida que certamente com maior ou menor intensidade já assolou muita gente, devoto incluído, tal era o desprovimento de qualquer indicio de sexualidade naquela freira em particular, quando é sabido que um certo potencial erótico da imagem das freiras em geral é assumido nomeadamente na industria do strip-tease, explorado aquando da altura do carnaval por gente de toda a laia, e inúmeras vezes retratado em diversas outras artes, industria cinematográfica incluída, esta, a que talvez mais explorou o fenómeno muitas vezes sem necessidade de recorrer ao hardcore.
Mas tal é o meu respeito pela defunta que, inclusive, conheci algumas gaiatas, raparigas e mulheres, gajas em geral com o dom de serem possuidoras de uma grande beleza e formas anatómicamente arrojadas, mas a triste sina de terem Lucia como nome de baptismo, não sentido por isso eu qualquer tipo de pica por elas simplesmente porque me lembravam logo a imagem da pastorinha, algo 50 vezes mais eficaz que um duche frio em pleno inverno siberiano.
Penso que para a história ficará a única e verdadeira aparição documentada de que foi protagonista a Irmã Lucia. Aconteceu quando Mel “Mad Max” Gibson no ano passado e na sequência da promoção internacional do seu blockbuster “A Paixão de Cristo”, resolveu dar um saltinho aos Caramelos de Coimbra para aparecer á frente da Irmã Lucia, naquilo que seria uma espectacular acção de marketing. No entanto, e como demonstram as fotografias da aparição, que têm aparecido nas televisões e jornais, foi significativo o facto de entre os dois existirem grossas barras de ferro, medida de precaução em boa hora tomada, porque era sabido do efeito que o Mel tinha e tem no mulherio em geral. É que não fosse o diabo tecê-las e porque até prova em contrário, até ser canonizada, a Irmã Lucia, era (simplesmente) uma mulher.
Aconteceu, morreu a velhota, e a verdade é que algum dia tinha de acontecer, como acontece a milhões de pessoas e ácaros (também são filhos de deus!) todos os dias sem excepção, certamente na sua maioria pessoas mais válidas, sem a ínfima parte do vergonhoso alarido mediático, pomposo reconhecimento e tempo de antena que esta tem. Pessoas que morrem deixando uma dor nos entes queridos incomensuravelmente mais intensa e verdadeira que a provocada a alguns milhares de gente beata e histérica, velhas vazias e desprezíveis na sua maioria, as avós, as mães das mães e dos pais, dos homens e mulheres de hoje, que fazem o país que temos...

jorge b @ 06:20 PM | Obs (1)
segunda-feira, 14 de fevereiro, 2005

O Eugénio é que sabe ... | espécie: interferências

"O dogma do pecado original presta-se especialmente para infamar o Homem e mantê-lo cativo de angustias neuróticas culpabilizantes, subretudo sexuais, e aproveitar da sua depedência para alargar o poder clerical." Eugen Drewermann, in "Psychoanalyse und Moraltheologie - Asngst und shuld"

jorge b @ 09:38 AM | Obs (0)
segunda-feira, 7 de fevereiro, 2005

Driving you scary ... | espécie: histórias infilmáveis

Hoje de noite sonhei que desfilava no sambodromo de Sesimbra, sambando com uma gaja toda descascada só com uma dúzia de penachos em cima do pêlo, empuleirado no cimo de um daqueles carros alegóricos, acenando de vez em quando para a populaça, mas muito mais concentrado na gaja e nas gotas de suor que lhe percorriam o corpo ultra-violeta e me salpicavam também. Depois, sem que ninguém reparasse, fui com a gaja toda descascada só com meia duzia de penachos em cima do pêlo, para os bancos de trás do carro alegórico. Quando estava muito bem descansado a comê-la, sem que nada o fizesse prever, ela colocou um penacho no canto da boca e, fingindo que o fumava displicentemente, começou a cantar com o vozeirão da gaja dos The Gift: “(...)I will build my world, I will sing my songs, I will keep my helmet on. And you can ruin my world, or ruin my songs; I will keep my helmet on.”
Ainda não estou recomposto.

jorge b @ 02:50 PM | Obs (2)
sexta-feira, 4 de fevereiro, 2005

O desbaste de ontem ... | espécie: portugal

Um Sócrates certinho, politicamente correcto e convencional, com a lição muito bem estudada. O político autómato apto a gerir a estagnação. E um Santana espontâneo, autêntico, a meter água duas ou três vezes mas nitidamente mais carismático, apto a proporcionar ao país o choque de mentalidades que precisa. No máximo terá desbastado dois ou três pontos percentuais a Sócrates, o que é muito pouco. As regras para meninos bem comportados impostas na condução do debate pelos jornalistas desinspirados ajudaram nitidamente Sócrates.
No entanto continuam a chegar a público sinais sobre quem seria o homem ideal para “liderar” o próximo governo. Depois de dino-Freitas, depois de meia dúzia de tycoons, agora é o cardeal patriarca, um tal de Policarpo a afirmar que Santana Lopes não é o seu candidato. Sinais mais que evidentes de que Santana é o mais iconoclasta político desde Sá Carneiro, é o político que incomoda.

jorge b @ 09:38 AM | Obs (0)
quarta-feira, 2 de fevereiro, 2005

Os colos de Sócrates ... | espécie: portugal

Afinal quem faz birra ? Quem é que se arma em vítima ? Santana fala não sei quê em alguém gostar de outros colos, tirada muito natural depois de estar rodeado de gajas, tendo a delicadeza de não mencionar nomes, e ainda assim, Sócrates arma-se em roto perseguido e ofende-se. Santana não pode abrir o bico e já está a ofender o menino. Que canalhada caralh*!
Primeiro, quem garante a Sócrates que Santana se refere a ele ? Segundo, e ainda que se refira, a piadola tem nitidamente um sentido mais político do que pessoal, como o PS pretende à força que tenha, porque lhe interessa que assim seja. É que mais escandaloso que outros colos mais intímos e coloridos, é o colo presidencial de Sampaio, ou o colo Guterrista ou de Freitas. Recentemente, os colos do primeiro ministro Espanhol, do chanceler Alemão, ontem, do ex-primeiro francês Juspin...
Ao colo das sondagens mas sem o colo do povo, Sócrates não tem feito outra coisa que não seja deixar-se filmar e fotografar feito tótó ao colo de notáveis velhas carcaças nacionais e internacionais, pedindo a benção, tentando alcançar uma credibilidade que o seu 'tragozinho a azedo' compromete.

jorge b @ 10:42 AM | Obs (1)
segunda-feira, 31 de janeiro, 2005

Desejo a dias ... | espécie: extracções

Cada vez me convenço mais dos benefícios duma vida despojada do supérfluo; piscina, a do vizinho, barco, o do amigo, lareira, a da estalagem na província, grandes salas, as dos hotéis, jardins, os públicos, ecrãs gigantes, os dos cinemas, altas fidelidades, as das discotecas. A casa, bem inevitável, o mais confortável, prática e minimalista possível. O automóvel, outro, o mais fiável e veloz. O sentimento de posse é cada vez mais caro de sustentar e quase sempre gera mais prestações em atraso e exibicionismos do que prazer para o proprietário. Para já não falar na banalização: o objecto do desejo nunca deve fazer parte do nosso dia-a-dia.

jorge b @ 10:08 PM | Obs (0)
terça-feira, 18 de janeiro, 2005

Aequilibriu ... | espécie: extracções

Numa relação saudável e equilibrada deve ser sempre a mulher a gostar mais do homem. Quando acontece o contrário, a mulher não sabe gerir tal poder, estraga tudo.

jorge b @ 10:38 AM | Obs (4)
sexta-feira, 14 de janeiro, 2005

Sardinha no pão ... | espécie: portugal

Um grupo de pescadores, naturalmente portugueses, é resgatado de um barco, naturalmente Espanhol, em apuros ao largo da Escócia. Lançaram o alerta, foram salvos, estão bem, muito obrigado. Que necessidade têm portanto as televisões de filmarem a chegada ao aeroporto de toda aquela malta com a barba por fazer, e mais os beijinhos e os abraços ? Serão essas imagens tão importantes para alguém que queira estar bem informado ? Obviamente que não, mas naturalmente que passam nos telejornais. Pergunto, quando é que os cameramen se metem nas traineiras e vão para o mar alto, fazer lá a reportagem com o Zé Pescador, como fazem as TV’s Canadiana, Francesa, Escandinavas e demais, porque são dessas televisões que vemos excelentes documentários sobre a vida dos pescadores ? Porque é que os pescadores, num país atlântico e marinheiro, só aparecem nas televisões a ocuparem tempo de antena quando há naufrágio ou quase ?

jorge b @ 05:26 PM | Obs (3)

Banquete com o patrão ... | espécie: portugal

Ontem era a notícia ao final do dia na TSF: Zé Sócrates, depois de votar contra o famigerado orçamento do PSD/CDS, depois de referir que a extinção dos benefícios fiscais sobre os PPR’s constituía o maior ataque de sempre à classe média, vinha agora avisar que, se o PS for governo, não iria repor aqueles benefícios fiscais. Notícia mais que pertinente, contradição que justificava uma notícia. Mas na SIC, nem uma palavra sobre a última do troca tintas que ontem se banqueteou com algumas centenas de empresários nacionais e internacionais. Embora por pouco ainda viamos a entrada das Sardinhas Albardadas na mesa.

jorge b @ 05:25 PM | Obs (0)
quinta-feira, 13 de janeiro, 2005

O sagrado cimento do Islão ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Para além da catástrofe que provocou, o Tsunami no Indico veio pôr a nu uma tragédia não menos dramática... Vejo no site da CNN mais uma fotografia impressionante, tirada do ar, na Indonésia. Num raio de centenas de metros, tudo destruído, completamente devastado, à excepção de apenas um edifício que se mantém de pé, como se tivesse suportado impávido e sereno o que milhares de outros edifícios e vidas não suportaram. No centro da foto, no centro da cidade destruída, o único edifício construído com pedra e cimento, e que assim resistiu, dir-se-ia que facilmente, à fúria do oceano: A mesquita! A casa de Alá! Aquela construção intocável, que simboliza afinal uma outra tragédia que há muito acontece, e que agora, vista do ar, depois do Tsunami, ganha outro relevo, se pode constatar com mais clareza. Uma tragédia perpétua que faz parte do quotidiano de milhões de pessoas a viverem debilmente, sem oportunidade de terem essa panorâmica aérea da sua escravidão. Escravidão alienada habitada em precárias casas de lata, vítimas duma religião que se alimenta da miséria e açambarca, só para ela, cimento, mármore, petro-dólares e o espírito livre.

jorge b @ 05:53 PM | Obs (0)
quinta-feira, 6 de janeiro, 2005

A consagração ... | espécie: bola , ... | espécie: portugal

Admiro Rui Rio. Nas últimas autárquicas foi protagonista da mais surpreendente vitória, uma vitória sobre as sondagens, contra todas as previsões, sobre o establi-shit-ment da altura. Então, derrotou o incorrigível Fernando Gomes, breve ministro nódoa de um desastroso governo Guterres, mas que era dado como certo e apto para uma reciclagem na Câmara do Porto. E o facto de Rio desde a primeira hora sempre ter afrontado Pinto da Costa, e agora o mitológico portista Pôncio Monteiro, de ser no fundo um contra-poder na cidade enclave do Norte, por si só demonstra o seu carácter valoroso. E tem sido contra esse “porto naçãum” contra esses que “saum os milhores carago” que o portuense Rio tem travado uma guerra, ontem tragicamente comprometida com a atitude do baralhado governo Santana.
Na primeira página do correio da manhã, talvez também quiçá nos desportivos, a foto de Jorge Nuno Pinto da Costa (vejam que eu, toda a gente sabe o nome completo de Pinto da Costa... não é preocupante ? Sabemos o nome completo do presidente da República ? Claro que não. De Santana, de Portas ? Nem do Valentim Loureiro, nem sequer da melhor amiga da nossa namorada ou mulher. E se quisermos falar em dinossauros políticos, sabemos apenas que o Soares é Mário, por exemplo. Por que raio sabemos o nome completo do Costa ?!), curvando-se frente a Santana que o medalha, que o apologia. Santana decidiu homenagear o FCP por este ter ganho a taça intercontinental, um pretexto descarado para um caso flagrante de colagem e promiscuidade entre a política e o futebol. A taça ou as taças, que se saiba em nada contribuiram para a diminuição do deficit ou para a melhoria das condições de vida das pessoas. Pelo contrário, atiçam ainda mais clubismos e fanatismos entre a maralha que se endivida para pagar a sport tv e ter as cotas em dia.
Futebol e política, duas coisas que, a bem da credibilidade de ambas, deveriam estar o mais afastadas possível. Homenagens ao FCP e ao seu presidente, que as façam os seus sócios, entidades apartidárias, da sociedade civil, a Junta de freguesia lá das Antas, nunca, mas nunca um governo. É uma mancha quase irreparável que compromete seriamente as aspirações do PSD e de Rio, que tem, ao longo destes anos, tentado fazer com que o Porto deixe de ser um mero enclave, uma cidadezeca habitada por gente rude e com um sotaque ridículo, imagem negativa esta muito por culpa dos seus eternos 'ilustres' embaixadores. Santana com este pequeno mas grave descuido, vem comprometer um pouco mais esta aspiração, que é também a de todos os portugueses.
Aqui há uns anos atrás, Vasco Pulido Valente escrevia que a melhor coisa que o Porto tinha era a auto-estrada para Lisboa. Temo que com o andar da carruagem, será por pouco tempo. Dentro em breve, a melhor coisa que o Porto terá, será o TGV, para Lisboa, ou para Espanha.

jorge b @ 05:54 PM | Obs (1)
segunda-feira, 3 de janeiro, 2005

Missão cumprida ... | espécie: estudos

Paulo Coelho ocupa um lugar de destaque no processo de cretinização em curso na sociedade ocidental. Pode parecer um exagero, mas como pequena acha para a fogueira, que consome o bom senso e o bom gosto da nossa era, não merece ser menosprezado. Os seus livros vendem-se aos milhões, a sua palavra é espalhada por milhares de sites e blogs, mesmo de gente respeitável, como é o meu caso, que mais abaixo, entre outras citações, tenho uma do gajo, bem apanhada convenhamos, que diz que nada está completamente errado, mesmo um relógio parado está certo duas vezes por dia. Não haverá por isso razões para duvidarmos que há muita gente que vê nos seus livrecos tábuas de salvação espiritual e vivencial, uma geração de pobres de espírito duvidoso que o louva com um respeito e admiração desmedida.
Feita a homenagem, escrevo agora que tropeço numa crónica sua no “Jornal de Notícias”, com o original e sugestivo título, “viajando pelo mundo”. Há três historietas para adormecer, uma de Praga, outra de Marrocos, e a de Nova Iorque, que me comoveu particularmente. Quando se dirigia para pagar uma multa ao Departamento de Trânsito, Paulo Coelho lembra-se da nota de um dólar que encontrara no chão no dia anterior. Naturalmente deve ter-se apercebido que a sorte não tinha sido muita, que o mísero dólar afinal mal daria para mandar cantar um cego quanto mais pagar uma multa em Nova Iorque. Portanto, muito naturalmente e à sua maneira, em vez de começar a imaginar sítios maravilhosos para mandar os bófias que o multaram, começou a interrogar-se “Quem sabe, eu peguei a nota antes da pessoa certa encontrá-la”, e, “Quem sabe tirei aquele dólar do caminho de alguém que estava precisando”, e, como se fosse possível ser-se mais beato, “Quem sabe interferi com o que está escrito”. Estão a ver a pinta não é ?... Quem sabe se não será possível escrever-se algo mais lastimável, mas enfim, é o que se vende bem hoje em dia. E o pior estava ainda para ser pensado, quando o homem decide “Preciso livrar-me dela”. Dela, a nota maldita, não a camisa que trás vestida, de seda pura, manufacturada no Paquistão por um menino de 7 anos, não o rolex manufacturado na Suiça, mas sim a nota de um mísero dólar. Decerto se fosse uma de 100 ou 1000 dólares não lhe provocaria tamanho desconforto. O Coelho aproximou-se então de um mendigo e deu-lhe a nota. “Parece que consegui reequilibrar de novo as coisas.” Mas o mendigo algo indignado respondeu que não estava ali para pedir, disse-lhe que era poeta, e que com aquele dólar, o mãos largas teria direito a que lhe fosse declamado um poema. E assim foi, atente-se na pérola:
Existe uma maneira de você saber se já cumpriu sua missão na Terra. Se você continua vivo, é porque ainda não cumpriu.” Não sei se esta patranha rimará em inglês mas, desculpem, esta é mesmo mesmo à Paulo Coelho, esta é mesmo mesmo de dar a volta à tripa até a um Etíope. É tão reaccionária que o gajo, cauteloso, meteu-a na boca do mendigo poeta. Mas dela não se escapa.
Segundo a lógica daquela pródiga cabeça, quem morre é porque já não andava cá a fazer nada, estava a mais porque ou não tinha ou já terminara a sua missão. Eu que ainda estou vivo, é porque tenho ainda uma missão, várias até, entre as quais, desancar o raio do Coelho que ganha a vida a embrutecer quem o lê. Portanto, indo mais longe, mais profundo, não nas suas palavras que são sempre truques engraçadinhos ou piadinhas espirituais de gosto duvidoso, indo mais fundo, ao mar e à terra onde jazem as dezenas de milhar de pessoas que morreram recentemente na Ásia, elas morreram porque na realidade já tinham cumprido a sua missão, já não precisavam de cá estar. Portanto, vala comum com elas.

Depois de ler um livro de Paulo Coelho, na SIC radical alguem se lembrou "Quem sabe se pusermos a Paula Coelho a fazer stip-tease ficamos com mais audiência ?". Video-captura do site Capxino

jorge b @ 11:08 PM | Obs (1)

Agora não foi ninguém ... | espécie: deus, patrocinador oficial

Vejo na televisão um monge budista negar a responsabilidade de Buda na recente catástrofe asiática. Pronto, acredito. E como não meteu detonadores, nem ficou cheiro a pólvora no ar, também não creio que tivesse sido obra de Alá.
Para evitar confusões, ficava bem ao papa vir esclarecer se Deus teve ou não alguma coisa a ver com a tragédia.


jorge b @ 03:04 PM | Obs (0)
quinta-feira, 23 de dezembro, 2004

O espírito de Natal por Jesus Cristo, esse fenómeno de popularidade internacional ... | espécie: deus, patrocinador oficial

É uma das minhas passagens favoritas da bíblia, uma das mais elucidativas acerca do feitio e das verdadeiras intenções de Jesus Cristo, aquela em que o tipo supostamente terá dito assim:
"Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o pai do seu filho, a filha da sua mãe e a nora da sua sogra."
Evangelho de São Mateus, capítulo 10, versículos 34-35
Se o gajo tivesse mas era enfiado a espada num sítio que eu cá sei!!
Para todos os leitores e escritores de blogs, votos sinceros de um Natal cheio de verdadeiro espirito Natalicio, ou seja, muitas prendas recebidas e oferecidas, e luzinhas frenéticamente a piscar, claro.

jorge b @ 10:06 PM | Obs (0)
segunda-feira, 20 de dezembro, 2004

Holocausto caníbal ... | espécie: extracções

O facto de certos animais serem sensíveis ao carinho humano, seria razão mais que suficiente para que nunca estivessem no nosso prato.

jorge b @ 10:16 AM | Obs (0)
terça-feira, 14 de dezembro, 2004

Fátima in black ... | espécie: ícones

Mal acabámos de voltar á nossa natural posição de rastos, depois de muito tempo de gatas, primeiro para que viesse para Portugal a Expo e depois o Euro, e já nos preparamos alegremente para assentar de novo joelhos. Desta vez vamos implorar pela vinda dos Jogos Olímpicos em 2016.
Num país de rastos, que precisava isso sim de se colocar erecto e de cabeça erguida organizar os seus próprios desafios, as suas próprias olimpíadas do progresso intelectual, continua como que a suspirar por este tipo de eventos anestesiantes e escandalosamente próprios para países sem vergonha, cultural e socialmente medíocres como é o caso.
Entretanto, leio no Expresso que responsáveis pelo aeroporto de Lisboa (aquele que diziam já não dar para as encomendas) estavam a ‘tentar’ que a easyjet*1 passasse a voar para Lisboa. Estão de gatas portanto, por mais meia dúzia de taxas de aeroporto.
Sabe-se que estas negociações carecem sempre de contrapartidas, que quem estás de gatas tem que apresentar argumentos aliciantes sobre várias perspectivas para conseguir o seu objectivo. Ocorre-me que a ocasião seria propicia para se apresentar algo de novo e inovador ao passageiro de avião farto de espreitar á janela e só ver formiguinhas lá em baixo. Mesmo a nossa redundante “Arvore de Natal Maior da Europa”, lá de cima não passará de uma insignificância, sendo preciso fazer algo que cause impacto, que deixe o turista estrangeiro verdadeiramente boquiaberto, algo que faça os turistas acorrerem em massa aos balcões de reservas da easyjet. Podíamos efectuar uma remodelação nesse autêntico mastodonte arquitectónico que é o Cristo Rei de Almada, proporcionando ao passageiro lá de cima, um espectáculo visual mais agradável e, ao mesmo tempo, fabricarmos um símbolo definitivo para Lisboa, concebermos aquele que seria um farol para todo o trafego aéreo mundial, uma das maiores atracções turísticas do mundo. Está ali uma oportunidade desperdiçada que urge aproveitar. Sugeria pois a demolição pura e simples da estátua medonha e no seu lugar erguer, com a mesma volumetria mas diferentes medidas, naturalmente, a estátua de Lenka, a gaja loira que aparece descascada na Maxmen deste mês... Mas também podia ser a nossa Fátima Preto, que também tem “as medidas certas”, a celebridade pexita*2 descascada e esculpida, de gatas, porquê não ?!... Uma homenagem não só à chicha nacional, bem como ao espírito lusitano... Ok, esta questão da posição, até podia ir a referendo... A Fátima de rastos também ficaria bem. Na certeza porém que, não duvidemos, o trafego aéreo aumentaria substancialmente, os aviões pareceriam moscas em redor de tamanho e salivante monumento, seriam as companhias aéreas de todo o mundo, a implorarem por poderem aterrar em Lisboa e oferecerem aos seus passageiros tão deslumbrante espectáculo.

*1 easyjet - Operadora aérea que pratica preços reduzidos, adequados a malta tesa. Ex: “Epá ontem estive com uma pexita que parecia um avião... da easyjet claro!”
*2 pexita - nome atribuído ás gajas de Sesimbra (vila piscatória, terra de Fátima Preto), independentemente de serem boas ou não, sendo certo que qualquer pexita que se preze faz tudo para, pelo menos, às sextas e sábados à noite parecer boa como o milho. Ex: “Olha-me ali aquela pexita toda boa como o milho a entrar na Bolina*3!”
*3 Bolina – navegar com vento afastado o máximo 6 quartas da proa; discoteca de Sesimbra onde aos sábados é “pexita’s night”.

jorge b @ 10:22 AM | Obs (1)
domingo, 12 de dezembro, 2004

Santana strikes back ... | espécie: portugal

Tinha a secreta esperança que houvesse novidade. Quando um árbitro expulsa um jogador aparentemente de forma injustificada, mais tarde, no relatório, esclarece-se, especifica-se que a expulsão foi por esta ou aquela palavra, estes ou aqueles comportamentos anti-jogo. Mas o árbitro Sampaio, no seu cauteloso relatório, apenas veio confirmar o que já se sabia. O que se tinha inventado ou palpitado nestes últimos dias como causa da dissolução do parlamento, foi repetido num discurso pouco convicto e pobre, ao ponto de não explicar porque se permitiu a aprovação do Orçamento de Estado para 2005, a maior e principal obra de um governo, afinal, incompetente, justificada apenas e resumidamente como “mal menor”.
Responde na noite seguinte um Santana à Santana, estratégicamente à frente de Portas e de um governo como outro qualquer, e o país, em estado de choque, conclui que quem se deveria ter demitido era o Presidente da República.
Como o PS continua a não ser alternativa, como a massa crítica de pessoas e ideias, por entre a canaille do costume, está na direita, se Santana for “legitimado” pelo Carnaval de Fevereiro, para Sampaio já será tarde de mais.

jorge b @ 12:05 AM | Obs (1)
sábado, 11 de dezembro, 2004

Pop.midia (reloaded) ... | espécie: publicidade gratuita

Um gajo faz o impensável: Larga um tacho numa empresa cotada na bolsa para se dedicar e se possível ganhar com a pop art. Para já, é merecidamente falado na ‘Máxima’ e aqui no 'espécie' porque é capaz de criar ambientes também impensáveis, desde o muito ácido ao muito lounge, conjugando harmoniosamente cores e paisagens surreais mais ou menos lineares, mais ou menos orgânicas, duma forma capaz de fazer o Warhol roer-se de inveja. Pelo caminho, é capaz de transformar aquelas fotografias onde estamos vergonhosamente mal ou as outras, onde não estamos, em verdadeiras obras de arte pop, impressas em papel ou tela. O trabalho completa-se com o emolduramento, num serviço completo e de nível, porque o gajo percebe daquilo.
E porque é difícil descobrir algo único para oferecer a nós ou aos outros, pode ser uma boa aposta, a popmidia@sapo.pt. Para conhecer in loco e ficar flabergasted!!!, com o que está exposto no showroom, não há como ir até à Malveira, ali para as bandas de Mafra, e espreitar o nº 10 B da Rua Primeiro de Maio.

jorge b @ 11:57 PM | Obs (1)

Fora do pântano ... | espécie: fora de blog

Descubro este blog, mais uma agradável pedrada no pântano.

jorge b @ 11:54 PM | Obs (0)
domingo, 5 de dezembro, 2004

A importância de não ser primeiro-ministro ... | espécie: portugal

Santana Lopes não foi destituído de primeiro-ministro porque ele nunca foi um primeiro-ministro. Nunca lhe vestiu a pele. Bastava olhar para a cara dele. O primeiro-ministro era alguém algures entre o Bagão e o Sarmento. Daí aqueles discursos, aquelas metáforas, que ficavam muito bem se dirigidas apenas ao eleitorado do PSD, nada bem se dirigidas ao país. Foram metáforas naturalmente impróprias para um chefe de executivo que nunca mas nunca, devia falar por metáforas, sempre por falinhas mansas. E o país escutava Santana, e isso era salutar mas igualmente fatal. Santana nitidamente reverente e cabotino, desiludiu, não tendo sequer direito a um estado de graça.
Um quase dissolvido Sampaio alegará a “quebra de confiança” de toda a gente, no governo. Toda a gente, entenda-se, agentes económicos, simplificando, os patrões, toda a gente, entenda-se também simplificando, o povo… Isto soa um bocado a esquisito, povo e capital, todos diferentes, todos iguais, contra um governo… Esquisito porque curiosamente, não havia contestação social significativa, i.e., greves, manifestações ou ovos podres, contra o governo. Curiosamente, as manifestações mais graves e recentes tinham sido protagonizadas por uns habitantes quaisqueres duma terreola que queria ser concelho e que queria a cabeça de Sampaio por este alegadamente não ter cumprido com o prometido. Chegaram inclusive a despejar areia contaminada (!) frente ao Palácio de Belém (!). Havia portanto aqui qualquer coisa de estranho nesta ‘quebra de confiança’ que ainda assim não impedia o país de começar a dar os primeiros sinais de recuperação económica, de funcionar normalmente… É que num país onde ninguém confia em ninguém, onde mais de metade dos votantes não votam numas eleições legislativas, não é por isso que os governos são empossados e governam. Portanto, o pretexto de Sampaio definitivamente não pega. A desconfiança é o estado normal da democracia portuguesa.

jorge b @ 01:04 AM | Obs (1)

A importância de não recorrer ao marketing pessoal ... | espécie: portugal

Vejo Marcelo na televisão a esquivar-se a uma catadupa de perguntas de vários jornalistas, acerca do actual momento político, recusando-se a responder a todas, adiantado que só no início do próximo ano, aquando do retomar do seu comentário político, pago, subentende-se, voltará à carga. Por detrás desta atitude do professor, estão portanto interesses puramente pessoais, de estratégia, diria, de marketing pessoal, que se sobrepõem muito naturalmente ao interesse público em ouvi-lo. Mas porque havia mais do que interesse, porque também era importante ouvi-lo, o seu silêncio prazenteiro é revelador. Será legítimo, a nós ingénuos, concluirmos que afinal o professor só fala quando lhe pagam ou quando lhe dá especial jeito, e que, muito provavelmente, só saiu da TVI também por razões pessoais, de estratégia, diria, de marketing pessoal.

jorge b @ 01:01 AM | Obs (0)

A importância de não se ter televisão por cabo ... | espécie: algures

Vi por diversas vezes aquele anúncio do “eles falam, falam, falam, e não dizem nada”, coisinha ainda pior que os anúncios dos telemóveis 3G. Nunca tinha visto aquele cromo de óculos, não percebia como é que uma instituição bancária podia sequer imaginar conseguir captar um cliente que fosse com uma publicidade tão asnil, onde aparecia um gajo com pinta de doido, vestido com uma espécie de colete-de-forças, a falar sozinho. Depois, uma noite destas, em casa de uns amigos com televisão por cabo, vi a SIC Radical, e no dia seguinte fui ao Montepio Geral comprar uma segunda casa.

jorge b @ 12:58 AM | Obs (0)
terça-feira, 30 de novembro, 2004

Slow n’ furious ... | espécie: portugal

Havia algo de comum à horda que vimos na televisão apupar e insultar Carlos Cruz aquando do 1º dia do julgamento Casa Pia, como se fosse o homem o responsável pelas pensões miseráveis que recebem.
1º Todos pertenciam à terceira idade.
2º Todos estavam preparados para a qualquer momento partirem numa peregrinação a Fátima.
3º Todos pareciam delegados ao congresso do PCP.
Uma mistura explosiva, portanto.

jorge b @ 01:37 PM | Obs (0)
segunda-feira, 29 de novembro, 2004

Busca, busca!! ... | espécie: bola

Soube recentemente: o treinador do Benfica, quando quer chamar os jogadores, durante os treinos ou os jogos, assobia, tal e qual como eu faço quando quero chamar pelo Egas. Mas o Egas não é jogador do Benfica. O Egas gosta muito daquelas tiras de gordura e pele de porco que vêm a enfeitar os nacos de bacon. O Egas é um cão que adoptou a porta da minha casa para viver e, quando lá não está, onde quer que esteja, sempre que assobio, ele vem ter comigo todo contente para eu lhe dar água ou restos do jantar.
Era urgente que todos os sócios e adeptos do Benfica começassem a assobiar também, como faz Trapatoni, em uníssono, a mãe de todas as assobiadelas, para chamar, não os jogadores, mas o treinador e os dirigentes dali para fora, de preferência chamá-los para um lugar recôndito, tipo Quinta das Celebridades. É que o Benfica há muito que busca-busca um título, mas não era preciso exagerar, contratando-se alguém com nítidos tiques de canicultor. E os sócios consentem, consentem que se chame pelos seus jogadores, com assobios, quais Piruças ou Bobbys... Onde é que isto já se viu ??!!
O país, cada vez mais insuportável com anos e anos de direcções encarnadas medíocres, agradecia um título para o Benfica, ou pelo menos uma liderança encarnada como deve de ser. Tal devia ser um desígnio nacional! E mais tarde ou mais cedo, se não forem os da casa, árbitros, um administrativo qualquer da Liga, alguém da Sport TV, o Conselho de Estado, o Pinto da Costa, alguém que não assobie, alguém terá de fazer alguma coisa pelo Benfica, a bem da nação.
Depois dos patos bravos da construção civil, um treinador que assobia só pode ser demais. O Benfica está a saque de gente sem nível (o mais grave de tudo), a saque do mau gosto (ora veja-se a pôrra do estádio do lado de fora, aquele amontoado de betão inestético!!, de longe é o estádio exteriormente mais feio de todos os que foram construídos para o euro), de pessoas que naturalmente nunca farão do Benfica um clube que jogue bem, que não se limite a correr atrás da bola. Se nada for feito, por muito mais tempos continuaremos a ouvi-los queixarem-se das arbitragens, e só por muito demérito das outras equipas o Benfica este ano não descerá de divisão e o país mergulhará na sua mais profunda crise desde a conquista do penta pelo fêcêpê.

jorge b @ 12:27 PM | Obs (2)
sexta-feira, 26 de novembro, 2004

100 milhões de metros ... | espécie: algures

Hoje de manhã, as 6 rodelazinhas do conta-quilometros do meu carro analógico, rodaram todas ao mesmo tempo num prodigioso sincronismo testemunhado por mim com um misto de orgulho e satisfação. Confesso que estava algo apreensivo porque me veio à memória o já longinquo ano 2000, o famoso bug da viragem do milénio. Receei que ocorresse qualquer espécie de cataclismo no meu carrinho, que a correia de transmissão se partisse, que o motor se afogasse, que o carro se pusesse a fazer o pino, que me apercebe-se que tinha afinal um carro velho. Mas não, correu tudo bem, passámos incólumes à passagem dos 100.000 quilometros.

jorge b @ 10:25 AM | Obs (1)
quinta-feira, 25 de novembro, 2004

Beast and the beauty ... | espécie: interferências

"A bela é o monstro.", in traseiras do Mercado da Ribeira, Lisboa.

jorge b @ 01:47 PM | Obs (1)

Pelo menos ... | espécie: extracções

Devia ser desígnio de qualquer gajo, encontrar onde quer quer fosse, uma gaja, pelo menos perfeita.

jorge b @ 01:39 PM | Obs (1)
domingo, 21 de novembro, 2004

Televisão espezinhada ... | espécie: algures

A ideia do concurso é genial. Milhões de pessoas pagam a estadia a um grupo de pseudo celebridades numa quinta onde, apesar das aparências, não falta nada daquilo que qualquer citadino não desgostaria de ter numa estância rural ou no seu monte alentejano. Cenário bem distante portanto, dum certo imaginário rural algo rude, desconfortável e desventurado que à partida se esperaria para os concorrentes. Em troca, as celebridades deixam-se filmar num suposto dia-a-dia por vezes de frete ou sacrifício, permitem que se descubram as suas vulgaridades (e como são vulgares!), que as observem em poses desajeitadas, aparentemente nada estudadas, mas sempre maquilhadas. O povo gosta e vibra, sem alternativa, volta a viver a vida dos outros por um ecrã, desta vez guiado por uma inenarrável apresentadora com voz e algo mais de galinha ("Diga lá: amo-te, não posso viver sem ti, essas coisas…") e um burro com voz de alguem e pouco mais.
A grande revelação Castelo Branco, o ‘conde’ da Quinta, é, de todas, a mais televisivamente saudável. Aquela que mais criava expectativa, a que aparentemente mais iria ‘sofrer’ com a assimetria vivencial, pela troca do cheiro higiénico e silencioso das suites dos melhores hotéis, pelo cheiro orgânico e ruidoso dos estábulos... É no fundo a que mais se "diverte", naquela sua estranha e peculiar forma de diversão, e, por osmose, a que mais "diverte" o pagode, com as suas provocações e discussões mais ou menos estérei(ca)s, com os seus mais ou menos espalhafatosos show-offs. Saudável, pois. Voto neste ‘conde’, um dos mais talentosos entretainers dos últimos anos a pisar um ecrã de televisão.

jorge b @ 08:20 PM | Obs (1)

O tapete ... | espécie: portugal

A algumas dezenas de metros do local onde habito, constrói-se descontraidamente uma ETAR ou algo similar, umas piscinas enormes destinadas a acolher ao ar livre os esgotos das redondezas. Uma chatice! A pôrra dos esgotos é assim mais ou menos como a morte, algo que nem se quer nem ouvir cheirar. Um gajo tem a ilusão que o barulho do autoclismo é sempre a ultima vez que ouviu falar deles. O que é certo é que os esgotos têm que ir para algum lado, de preferência para debaixo do tapete. A ideia correctamente ecológica dos nossos avozinhos que nos diziam que o mar era tão grande que diluía tudo, ou que havia peixinhos a comer alegremente os nossos excrementos, deixou de fazer sentido quando nos começamos a interrogar porque seria que havia cada vez menos peixinhos e cada vez mais derrames de crude.
Ter à porta de casa todos os dias aquela espécie de jazigo de imundície, é demasiadamente cruel para as nossas higiénicas vidas, demasiadamente pestilento para as nossas narinas. Por outro lado, os nossos amigos nunca mais terão dificuldade em dar com a nossa casa: “Fica mesmo ao pé da ETAR, tas a ver…”. Excelente ponto de referência!
A construção está a levar à mobilização da vizinhança que já andou de máquina fotográfica em punho, já fala em meter advogados e televisões ao barulho, porque a polémica obra enferma de ilegalidades, na fronteira entre o aldeamento e o parque natural. Só em Portugal, muito provavelmente lá terei de pagar do meu bolso para que um governo municipal não cometa uma ilegalidade. Senhor presidente da Câmara, escolha outro tapete sff.

jorge b @ 08:12 PM | Obs (0)

National Geographic Voyeurs ... | espécie: mundo

Quando se fala em programação de qualidade na TV, é vulgar o telespectador sugerir o documentário sobre a vida animal em vez da telenovela. Mas os documentários sobre animais, tipo BBC vida selvagem ou national geografique, são cada vez mais telenovelas. Ao longo dos anos as câmaras têm deslocado o seu centro de atenção dos animais no seu habitat natural, para a bióloga loira ou a ex-executiva ruiva e divorciada que deixou para trás uma carreira de sucesso para estudar os tubarões limão das Caraíbas. “Ena, nunca tinha sido filmado um tubarão anão a engolir uma foca gigante e nós conseguimos!” ou “Urra, é a primeira vez que o ouvido humano consegue ouvir um traque duma baleia azul!!”. As expressões de júbilo, os gritinhos histéricos de triunfo à boa maneira americana, cada vez que um bicho faz uma habilidade nunca vista, condimentam assim as histórias ficcionadas, habilmente montadas e muitas vezes filmadas em estúdio com animais “duplos” em cativeiro. “Este leão-marinho deixou a sua família, deixando assim as crias à mercê da fome e não só. Se a mãe não encontrar rapidamente outro macho, a família ficará desprotegida e à mercê dos predadores. Felizmente o avô paterno parece estar a querer assumir a responsabilidade.” Pelo sim pelo não decidem ferrá-lo com mais um chip localizável por GPS.

jorge b @ 08:09 PM | Obs (0)
quinta-feira, 11 de novembro, 2004

Waves on women ... | espécie: algures

"
- Olha quem vem lá, uma baleia toda bonita...
- Isto não é uma baleia, é um golfinho. Gosta da minha camisola nova ?...
- Fica-lhe bem. E com esse seu corte de cabelo, fica parecida com aquela concorrente madeirense que ganhou o big brother em inglaterra...
- Obrigado, comprei-a ontem.
- É bonita mas é muito aberta em cima, um pouco fresca para a época. E a menina é tão friorenta...
- Mas eu aqui em cima nunca tenho frio!
- Eu sei, a minha avó também sofre de escoliose e nunca tem frio em cima.
"

jorge b @ 10:57 PM | Obs (1)
domingo, 31 de outubro, 2004

Responsabilidades ... | espécie: extracções

Sai pus do ouvido de um dos meus gatos e instintivamente começo a montar a casinha de transporte. Daí a pouco estou na veterinária a pagar 44 euros e a compreender porque vejo tantos animais abandonados e tantos clínicos a viver em condomínios privados. Não é economicamente aconselhável ter-se animais, apesar do que dizem os fabricantes de comida, acessórios e serviços para animais. Dou por mim a pensar que nunca dei tanto dinheiro para uma consulta minha (as minhas são comparticipadas), que se me começasse a sair pus do ouvido aguardaria vários dias até me cansar de assoar a orelha ou até ficar com o ouvido podre, antes de me decidir a consultar um médico. Está profundamente enraizada para mim a filosofia do ‘isto passa’.
Ter animais domésticos obriga-me a mais uma responsabilidade, precisamente quando penso que deveria começar a cortar, não nos gastos, que tal é inconcebível, mas nas responsabilidades. Vive-se mais feliz com menos.

jorge b @ 04:33 AM | Obs (0)

Luta de estaturas ... | espécie: portugal

Tudo se resume à luta de classes. Este inofensivo governo de Santana só é perigoso para ele próprio na medida em que será o mais discreto governo de direita de sempre, a piscar descaradamente o olho ao eleitorado da classe baixa (essencialmente aquilo a que se pode designar de esquerda não intelectual, a imensa maioria portanto). O corte nos benefícios fiscais e os (temos que admitir, generosos) aumentos previstos para a função pública são coisas impensáveis, verdadeiros ataques à classe média, que, sejamos honestos, é, depois da classe alta, a segunda grande minoria neste país.
Santana, o ‘inrevolucionário’ que não tem tomates e inteligência suficiente para molestar ou seduzir o grande capital, quer conquistar a poderosa e imensa classe baixa, mas para isso pretende sacrificar a neurótica média e deixa a pequena mas poderosa alta intocável. Ora isto lixa a média, precisamente onde estão os opinion-makers e os distintos consumidores e capatazes de que precisa a alta. A média recolhe na alta discretamente apoios e poder para combater o governo, envenenando a baixa. Influenciada pela média, a baixa estupidamente faz suas as bandeiras da média, é ela quem se agita na luta, quem mais uma vez irá para a linha da frente, quem mais uma vez se irá lixar.
Não tenhamos ilusões, assistimos a um confronto que não é directo entre classes, será mais um sacrifício, a manipulação das classes inferiores pelas superiores, a moderna luta de classes, que culminará sempre pela viragem politica à esquerda, pela estagnação e pacificação das classes que só a esquerda proporciona.

jorge b @ 04:27 AM | Obs (0)

Dinheiro ... | espécie: estudos

Acompanho desde há anos os mercados bolsistas. Foi desde a 2ª fase de privatização da EDP, naquela hora em que uma empregada do CPP com um ‘je ne sais quoi’ qualquer, me aliciou a descobrir o fantástico mundo da bolsa. Acho que nunca mais fui o mesmo, subitamente pareceu-me ter descoberto um sentido para a vida e desde então, eu que não acompanhava nada, diariamente passei a acompanhar com mais atenção o mercado nacional, onde tenho as minhas modestas posições. Neste momentum, depois de terem andado a dar umas voltas de aquecimento durante muito tempo, há uma série de títulos que se parecem posicionar na grelha de partida… É nestas alturas que dava jeito ter aquilo que é preciso para fazer dinheiro, BES dixit: dinheiro. Todos aqueles ensinamentos remotos dos nossos antepassados, baseados na máxima de que é a trabalhar que se ganha, se faz dinheiro, são hoje menos verídicos que a história do Pai Natal. O mundo todo ele está feito e cada vez mais a ser concebido para quem tem dinheiro e não para quem simplesmente trabalha. E quem tem dinheiro tem incomparavelmente mais probabilidades de ganhar mais dinheiro do que quem tem apenas braços para simplesmente trabalhar. Dou por mim a imaginar uma vida sem poder consumir e entro em depressão. O que interessa cá andar se não se tem dinheiro, se não se tem o que realmente faz falta ? Valerá a pena nascer hoje em dia ? São incomparavelmente maiores as probabilidades de se nascer num país onde não se usa after-shave e não se sabe o que é o Dow Jones. Eu não arriscava.

jorge b @ 04:24 AM | Obs (0)

Salsichas ... | espécie: extracções

Umas salsichas de aperitivo em massa folhada ‘obrigam-me’ a estar para aqui a escrever a horas impróprias para consumo. Parece que só assim tenho tempo para escrever, com esta sensação incómoda no estômago, em sintonia com a cabeça. E a falta que me faz escrever, a falta que me faz poder acreditar em fantasmas ou alminhas do outro mundo, qualquer coisinha de paranormal, para que não me sinta tão sozinho neste exorcismo.

jorge b @ 04:19 AM | Obs (0)
sábado, 9 de outubro, 2004

O Código De Marcelo ... | espécie: portugal

A saída de Marcelo da TVI provocou o maior cataclismo político em Portugal, desde que no 25 de Abril de 74, os militares então saíram dos RI (regimentos de infantaria). Toda esta polémica veio felizmente demonstrar que a palavra ainda tem poder, quando já julgávamos que as coisas só à porrada podiam mudar. De facto, a palavra inteligente, condimentada pelas imagens fortes dos esgares do professor (i.e. poder comunicacional em televisão), picaram com força um membro do pré-fabricado governo. Isto, meus senhores, é bonito de se ver. Marcelo fez em Portugal aquilo que Michael Moore e a sua imensa barriga não conseguem fazer na América: picar Bush que continua impávido e sereno, ano após ano, candidato ao Nóbel da paz.
Muito se tem especulado sobre as verdadeiras razões que levaram o professor a tomar tão revolucionária e dramática atitude... O que terá Paes do Amaral dito ao professor naquela indigesta ultima ceia ?… Pois este rapaz que aqui escreve, teve, em rigoroso exclusivo, acesso à conversa mantida entre os dois protagonistas. É verdade. E foi através dos bons ofícios do meu velho amigo de infância Gervásio, um gajo que além de orgulhoso bufo, tem um ouvido de tísico tão apurado que lhe granjeou fama e respeito no meio da restauração Lisboeta. Mesmo com a maior das cervejarias a abarrotar de gente e casca de tremoço pelo chão, Gervásio tanto ouve o mais afónico dos clientes a 10 mesas de distância pedindo mais uma dose de torresmos, como a seguir é capaz de ir bufar para o chefe, que o colega do balcão acaba de partir mais um copo.
Gervásio mal viu o dono da TVI e o professor sentarem-se na mesa com vista para o rio, apressou-se a activar os seus preciosos timpanos. Não digo o nome do restaurante onde decorreu o polémico almoço e onde trabalha Gervásio, por razões óbvias. Digo o nome do meu amigo garçon porque, por incrível que pareça, existem centenas, talvez milhares de Gervásios empregados de mesa em Lisboa, tornando-se impossível portanto proceder à sua identificãção. Por isso, resguardando o anonimato de Gervásio e o meu próprio, por detrás deste blog, estou à vontade, o mesmo à vontade que Gervásio me deu para transcrever aqui o teor da conversa mantida entre o patrão dos média e o empregado da cátedra política nacional, tal e qual como ele a escutou. Isto é um exercício de bufice, eu sei, mas sinto-me na obrigação de acalmar os ânimos, acalmar a curiosidade do mundo inteiro, ou muito em breve, tal será o burburinho que até o Papa quererá ouvir da boca de Marcelo o que realmente se passou.
"(...)
Marcelo- … já muito tempo que … (barulho, parece de cadeiras a arrojar pelo chão) … a novidade desta vez ?
Miguel Paes do Amaral – Óh professor penso que já deve ter uma ideia do que se trata, não é ?...
M- Se é novamente a chatear-me por causa dos gafanhotos tira-me já a fome!
MPA- Nada disso professor. A Manuela (presume-se que a Moura Guedes) queixou-se daquela vez, mas resolvemos o problema… A questão é o ministro picado!...
M- Ah, óptimo. Gervásio para mim é o bitoque do costume. E o Miguel o que vai crer ?
MPA – Eu como ando com o colestrol um bocado alto, vou-me ficar por uma sopinha de caldo verde e umas favas à algarvia, se faz favor.
M – Faz muito bem.
MPA – Oiça professor, a questão é a seguinte e não vale a pena estar com rodeios. Hoje de manhã ligou-me o Santana. O homem estava destroçado, metia dó…
M- (Marcelo diz qualquer coisa mas não se percebe, porque mastigava ao mesmo tempo pão com paté de atum, Gervásio dixit)
MPA – Contou-me que tinha estado reunido com o tal ministro e a comissão política até ás tantas. Disse-me que lhe doíam bastante os ouvidos e as costas, que a mulher o tinha obrigado a dormir no sofá porque já não acreditava mais nas suas reuniões até as tantas...
M – Ah, ah, ah, cof, ah, a história do Pedro e o Lobo, cof, ah, ah, cof, ah, cof (aqui Marcelo ter-se-á engasgado)
MPA – Sente-se bem professor ?...
M - … isto… já … cof… passa, cof, cof!
MPA – Voltando à reunião, o gajo (Santana) massacrado pelo ministro ofendido, lá terá decidido que no seu tempo de antena no Jornal da TVI, tinha de ser praticado o exercício do contraditório…
M – Mas claro que sim, e podem sempre fazê-lo, nos jornais, na concorrência…
MPA – O contraditório, mas em tempo real!
M – À vontade. Por mim, o próprio Santana pode estar presente, até pode ser ele o pivot do telejornal aos Domingos. Vejo o homem com perfil...
MPA – A verdade é que a comissão política do PSD chegou à conclusão que não havia água com gás que tirasse a azia ao ministro, nem no partido ninguém capaz de fazer frente ao professor…
M – Ai sim ???!!!(aqui ouve-se o barulho de talheres, e os olhos de Marcelo arregalaram-se tanto que quase lhe saíram das orbitas. Foi o que o Gervásio me disse, porque passou-se na altura em que ele chegou com o bitoque para o professor)
MPA – Mas eles, madrugada a dentro, lá encontraram e convenceram alguém com estaleca a desafiá-lo.
M- Diga-me então… (barulho de faca a raspar no prato) … eles arranjaram ?
MPA – Professor, Santana pediu-me por tudo para que aos Domingos, estivesse presente consigo… o burro Pavaroti!
M – O burro Pavaroti ?! Estou farto de asnos!
MPA – Mas…
M – Peça-me tudo menos isso, burros nunca!
MPA- Mas olhe, já falei com a Júlia Pinheiro, ela está disponível para lhe dar uma dicas, até lhe ensina a dar cenouras ao jerico.
M – Não arranjam alguém sem rédeas ?...
MPA – Professor, a tolerância de ponto da passada segunda feira, só aconteceu para que o burrro Pavaroti tivesse tempo para estudar os dossiers e se preparar para o programa de Domingo…
M – Nunca na vida eu falaria com um burro, nem nunca permitiria que a quinta dos famosos ficasse sem o seu comentador… Aquele burro é insubstituível!
MPA – Está tudo pensado, o tal ministro passaria a estar no estábulo com a Júlia.
M – Não Miguel, já nem sequer vou acabar o meu bitoque e a minha participação na TVI fica por aqui. Gervásio, a conta sff…
(...)"
Entendi melhor não transcrever mais a conversa, porque a seguir, a discussão, algo tumultuosa, era sobre quem iria pagar as favas e o bitoque, recusando-se o professor porque tinha sido ele o convidado, declinando o patrão da TVI porque tinha sido o professor a querer abandonar a refeição.
No entanto penso que ficámos todos a saber a verdadeira razão do abandono do professor do seu lugar cativo, e todos estamos solidários com ele e surpreendidos com a falta de visão e a sujeição escandalosa do patrão da merdia capital ao estrumoso poder político.
Confesso que sempre pensei que o professor tomara a decisão por uma questão de bom senso, por não querer continuar a ter o seu bom nome associado à estação de televisão que passa os filmes mais rascas, que tem o noticiário mais lacrimogéneo, a programação mais pedante de Portugal. Mas não, foi um burro, a causa da discórdia. O burro Pavaroti é o culpado, deveria ter dado um valente coice ou pelo menos zurrado oportunamente um inequivoco “não!" a Santana!!
Compreendemos-te Marcelo.

jorge b @ 11:31 AM | Obs (2)
sábado, 2 de outubro, 2004

A questão ateia ... | espécie: deus, patrocinador oficial , ... | espécie: revisões da matéria

A partir de determinada altura da nossa vida, ou seja, mais tarde ou mais cedo, o espírito humano é avassaladoramente assolado por questões existenciais desnecessárias mas que podem tirar muitas noites de sono ou então dá-las, mas mal dormidas. Baseado no sentido altruísta que infelizmente possuo, decidi tirar algum do meu apertado e precioso tempo para reflectir e dar resposta a algumas dessas questões pertinentes, fazer deste blog, por meia dúzia de posts, um, estou certo, contributo decisivo para ajudar milhares de diletantes que, por esses quartos fora, estão de olhos postos no ecran em busca duma qualquer salvação. Pois ela aqui está, espalhai pelo vosso saber as sábias palavras que vos ensino e depois voltai para as vossas desérticas ou divididas camas mais tranquilos, vivei os vossos monótonos dias com um cada vez mais reforçado e intrigante sorriso nos lábios.

Questão: Serei realmente, mas mesmo realmente ateu ?

Sugiro ao insónico leitor(a) que faça a si mesmo o infalível “teste da carroça”. Imagine que está um lindo dia de céu azul, passarinhos a cantar e tal, mas você não dá por isso porque vai a passear calmamente numa bicicleta todo-o-terreno, cuja 1ª prestação acaba de ser ontem debitada na sua conta ordenado, vai, dizia eu, a pedalar por uma bela azinhaga enlameada, quando de repente, ao virar da esquina, dá de caras com uma carroça desgovernada, conduzida e puxada por burros com uma elevada taxa de alcoolémia. Fruto do destino, e a apesar dos seus esforços inglórios de contra ele lutar, ao guinar violentamente para o lado o volante da sua bicla e pondo à prova os seus sofisticados reflexos e travões shimano, não consegue evitar a colisão com os animais espavoridos. Segue-se um turbilhão de sensações, pancadas, coices, e quando você dá por si, está na lama a fazer uma visita ao eixo enferrujado do ancestral veículo, debaixo da carroça, sem saber quem estará mais partido, se você se a sua amada bicla. Ora, naquela, como noutras situações aflitivas, você chama por alguém. Não diga que não chama, não diga que só diz “ai, ai, ai”. Lembre-se, você está consciente, isto é, não está morto ou desmaiado debaixo duma carroça, você está meio consciente depois de um violentíssimo embate com um quadrúpede jumento, burro ou mula, pouco interessa, portanto, em pânico ou nem tanto, assustado, no mínimo, logo, tem que chamar por alguém. E por quem chamaria ? Estudos recentes revelaram que uma pessoa quando está à rasca nunca chama por si mesma ou pelo presidente da república, por isso, vejamos as únicas hipóteses possíveis de chamamento, e acredite que, apesar dos avanços da ciência, não foram descobertas outras:
a) “Ai a minha bicla, ai a minha bicicleta!!”
b) “Ai meu deus!!!” ou o equivalente “Ai Jesus!!!” ou talvez “Ai senhor o que me fizeste!!!”
c) “Ai mãe, ai mãe, ai mãe!!!” ou o equivalente “Acudam!” ou “Tirem-me daqui debaixo!”
d) “Ai (o nome duma prima boa em 3º ou 4º grau, ou duma top model)!!”
e) “Porra para isto, burros do caralh*!!!”
Se respondeu a uma das alíneas a) ou b) não é seguramente ateu, e isto por mais que julgue sê-lo, por mais tertúlia ateísta que participe, por mais Nietzsche que leia, você é ateu mas é o caraças! Por isso descanse, deixe-se de tretas, comece duma vez por todas a ler Paulo Coelho, Richard Bach ou até Thomas Moore. Não aconselho a Bíblia porque, como se ainda fosse possível, só ficará ainda mais confuso e bruto da cabeça. Faça coisas boas por si, por exemplo, não volte a ler este blog. Especificamente, se respondeu a alínea a) está ainda mais convencido de que vai para o céu do que um árabe vestido dos pés à cabeça com a colecção de Inverno da Jihad Islâmica. Está mais que convencido que, aconteça o que lhe acontecer, acontecendo o supostamente pior, irá, quer seja debaixo duma carroça ou dum camião TIR, parar ao céu, ao encontro do senhor deus, que o receberá com umas palmadinhas nas costas, não estando no entanto tão certo disso em relação aos seus bens materiais que julga muito jeito lhe fariam Lá Em Cima. Daí a sua primeira preocupação, a bicla, e depois, a sua camisinha ‘sacoor’ rasgada.
Sendo um não ateu saudável, responderá seguramente à alínea b). O que é certo é que nas horinhas de aperto é por Ele que se chama. Quando a coizinha pia mais fino, é ouvi-lo a chamar por Ele, fazendo-Lhe mais promessas que um político em campanha eleitoral no Mercado da Ribeira. E não há mal por isso. Só têm é que admitir e sair do armário. Ser crente é estúpido mas não é um crime, não há que se ter vergonha. E assumi-lo é uma grande mas também inglória prova de coragem... Segundo fontes fidedignas, o próprio Deus estará a passar por uma crise de auto-confiança tão grande, que se terá trancado dentro do armário. Será de prever que muito justamente Ele próprio brevemente se venha a tornar no mais convicto dos ateus.
Se respondeu ás alíneas c) d) ou e), todas elas se equivalem, todas elas significam que você é um verdadeiro ateu de alma, carne e osso, resigne-se, um espécime raríssimo portanto. Acredite que sabê-lo não é muito tranquilizador e não será muito útil para a sua vida social e doméstica. Mas tem que se aguentar à bronca e saber que não é o único, que há mais espécimes raros que carregam, tal como você, o pesado fardo de se ser um ateu puro. Descanse portanto, volte calmamente a ponderar a eternamente adiada visita ao psicoterapeuta, cultive-se na diferença procurando refugio na cultura, nas gajas, nas bejecas, no bom humor, e se possível nos fins de semana em hotéis com piscina interior aquecida, jacuzzis, sauna e essas coisas, as suas únicas tábuas de salvação.

Nos próximos posts, mas com a irregularidade que me caracteriza, responderei a mais algumas questões que, estou absolutamente convicto, poderão aliviar o sofrimento e poupar muito valdispert a muito boa alma. Destaco por exemplo as seguintes:
Valerá a pena comprar acções da PT ?
Serei no fundo gay ou apenas à superfície ?
Deverei comprar capas para os bancos do meu automóvel ?
Mudo de emprego ou de corte de cabelo ?
Alguma vez irei para a cama com uma gaja que mereça ser capa da Maxmen ?

Portanto, não percam a esperança de um dia qualquer encontrarem aqui resposta às vossas incertezas, por mais fossilizadas ou em adiantado estado de decomposição que estejam. Se tiverem alguma questão que gostassem de ver contemplada, por mail ou nos comentários, be my guests. Se Eu quiser, responderei a todas com a minha reconhecida sapiência.

jorge b @ 07:40 AM | Obs (4)
domingo, 26 de setembro, 2004

Hospital ... | espécie: lugares

Acompanho a minha avó ás urgências de um hospital público. Passadas algumas horas desde que ali chegámos e outras tantas desde a ultima vez que a vi, sou chamado a fazer um slalom de 50 metros entre macas de gente quase toda ela de aspecto moribundo. Finalmente, lá está ela, de maca claro está, mas lucida e aparentando grande serenidade. O meu prognóstico optimista é confirmado por um médico ucraniano que meio a sério, meio a sério, me diz que ainda terão de passar mais algumas horas até ela ter alta hospitalar. Pergunto-lhe se aconteceu algum atentado terrorista, algum acidente grave que justifique tanta maca por metro quadrado. Responde-me meio a brincar, meio a sério, que "hoje até está uma noite calma". Reparo então no ar impávido de toda a gente que usa bata, que o ar condicionado funciona, que não estou num país do 3º mundo.

jorge b @ 01:31 AM | Obs (0)
segunda-feira, 13 de setembro, 2004

Quanto mais me conheço mais gosto dos animais ... | espécie: extracções

Paro num cruzamento e observo um cão a correr de um lado para o outro na estrada, numa brincadeira perigosa á frente dos carros que passam, forçando alguns deles a travarem bruscamente ou a desviarem-se. O cão, visivelmente abandonado e velho, já coxeia duma pata, e á distancia a que me encontro, é como se o cão estivesse a desafiar, a provocar a própria morte.
Lembro-me daquela cena do cão, do “Apocalypse Now”, quando a patrulha de militares americanos cruza-se com um barco de chinocas e o mandam parar para o inspeccionar. A tripulação do barco civil abordado é composta por 3 elementos, dois homens e uma mulher, simples comerciantes. No entanto, devido á tensão entre os soldados, a situação precipita-se e os militares assassinam os homens e ferem a mulher que apenas tentava proteger um 4º elemento da tripulação escondido, um cachorrinho. A preocupação e os cuidados de um dos soldados vai imediatamente para o animal, se estaria ferido, sendo acolhido pelos militares. Quanto á mulher ferida, decidem acabar de vez com ela.
Se eu fosse aquilo a que vulgarmente se designa por “um gajo com muita dinheiro”, muito mais depressa comprava um terreno e construía um albergue para animais abandonados do que um albergue para pessoas doentes, pobres e abandonadas. Aliás a segunda hipótese acho que nunca me passaria pela cabeça levar a cabo. Isto deve de ser preocupante, presumo.

jorge b @ 11:40 AM | Obs (3)
domingo, 29 de agosto, 2004

Ter ou não ter ... | espécie: extracções

Quando se tem o que realmente importa, perde-se tempo procurando coisas que pouco importam mas às quais se dá grande importância.
Quando não se tem o que realmente importa, as coisas adquirem a sua real importância.

jorge b @ 01:13 PM | Obs (3)
sexta-feira, 27 de agosto, 2004

Obicuélo ... | espécie: portugal

O enviado especial de Portugal a Atenas à conquista de medalhas, o Grande Francis Obikwelu, depois de ter conquistado para nós a honrosa medalha de prata nos 100m, conseguiu ontem um magnífico 5º lugar nos 200. Hoje de manhã, na TSF, o Grande atleta, na sua boa humilde e genuina maneira, pedia desculpa aos portugueses (que dele já esperavam mais um lugar no pódio), pedia para que "não ficassem tristes com ele", prometia que iria lutar pelo 'ouro' nos próximos campeonatos. Francis é o mais português dos atletas portugueses, e a sua gratidão faz dele o maior dos portugueses por estes dias. E quantos mais destes ilustres lusitanos não existirão, explorados na construção civil, de onde ainda muito jovem Francis foi felizmente resgatado ? E ao mesmo tempo, quantos senhores engenheiros por aí há, que não dariam execelentes trolhas, senhores ministros excelentes taberneiros, senhores deputados excelentes estivadores ?... E por aí fora, e por aí vice-versa, pois, que o mundo está, grande parte dele, todo ao contrário!
Dá que pensar pôrra! Obrigado pela lição Francis.

jorge b @ 10:34 AM | Obs (0)
quarta-feira, 25 de agosto, 2004

A ver a luz ... | espécie: extracções

O excesso de luz é prejudicial á escrita e não adiantam os óculos escuros. O barulho das ondas do mar numa praia que nunca é deserta também não ajuda. Os factores de protecção, a areia e os peixes aranha, o bronzeado efémero também não. Nem as pequenas vitórias de Verão, o já conseguir mergulhar sem apertar as narina com os dedos, o ressuscitar da colecção de selos, o sul de Espanha, não resistem á luminosidade dos dias.
Inevitavelmente, com a inclinação do sol, vem a inclinação para as palavras, e tecla a tecla, as coisas acabarão por voltar à cómoda normalidade. Essa anormalidade, escape algo obscuro e inconformista do maldito sobrevivente escritor de blogues.

jorge b @ 06:39 PM | Obs (0)
quinta-feira, 15 de julho, 2004

O túnel do PS ... | espécie: portugal

Não compreendo todo este escarcéu. Ou melhor, compreendo a tristeza e tacanhez por detrás dele, sempre incompreensíveis. Onde quer que se leia, não se lê outra coisa, o mais fácil e óbvio: atacar Santana Lopes, a todo o preguiçoso custo. Nestes últimos dias, já não sei quantos posts li em blogues alheios, alguns do mais ilustre que se pode ler, já perdi a conta aos forwards de mailes que recebi a xingar o homem que, por enquanto, não pode abrir a boca, que certa criativa cambada, outra malta a dar ares de vanguardista, e poucos com algum fundamento, lhe caem logo em cima.
Santana sabe que tudo o que disser pode ser gozado contra si, e por isso já se pôs á defensiva, à maneira de desarmar muita gente, ao colocar uma pose e tom cabotino quando fala, agora, á nação. Oxalá o bom Santana, talvez o político mais parecido com todos nós, não se perca, e assuma sempre a sua diferença e frontalidade, assuma sempre as suas convicções e contradições.
Acho muito bem a porra da ideia da descentralização dos ministérios. A medida, para já, sabe a pedrada no charco e por isso, deixem-se de merdas!
Há também quem o critique por se meter em tudo. E qual é o problema ? Acho louvável que quando tudo está mal e se se é verdadeiramente inconformista, se tenha vontade de mudar alguma coisa, se tente meter em tudo na esperança de mudar alguma coisa. E Santana é um gajo que pode fazer muito ou, pelo menos, um pouco pela mentalidade reinante no país. Ao contrário de todos os outros, que nada podem fazer. Esses, podem começar já a agradecer-lhe a saída de Ferro e a entrada em cena de Sócrates. O PS já vê uma luz ao fundo do túnel e o pais já está a ganhar.

jorge b @ 02:16 PM | Obs (2)
sábado, 10 de julho, 2004

Anti-Maria ... | espécie: estudos

Vou a mais uma dessas salas de espera dos hospitais para uma consulta de especialidade. A monotonia e enfado colectivo pela espera é reforçada pela agitação da criancinha de 3 ou 4 anos que teima em não deixar a mãe distrair-se com a leitura que trouxe de casa. Pelo rasto desordenado e pisado de migalhas de várias dimensões espalhadas pelo chão bicolor, o stock de bolachas já se terá esgotado e a criancinha, aparentado visíveis sinais de mais fome de bolachas e desenhos animados que não passam aquela hora no SIC notícias, esperneia e contorce-se, vocaliza sons desconexos e palavras ocas, sossegando apenas breves segundos quando fixa o olhar de um ou outro desesperado e comichoso esperante. Tenho que referir que quando olha para mim, não resisto, e garantindo que ninguém me observa, marimbando-me para a câmara de vigilância lá do canto, não resisto a fazer-lhe as piores caretas que consigo fazer, coisa na qual não sou muito talentoso, mas esforçado faço esgares que a petiz, para meu desespero, julga serem-me normais, prestando-me não mais que uns breves instantes de atenção para depois responder com a indiferença da sua inquietude insuportável.
Entre os outros esperantes é nítida a vontade de fuzilar o pequeno batoque, estrangular a impávida mãezinha e chicotear a funcionária da recepção que a todos parece ter prometido uma curta espera “que a doutora tinha apenas ido tratar de um assunto particular ao Vasco da Gama mas que já retomaria as consultas”. Tal vontade é nítida mas não é vísivel à mera empregada de limpeza que sem afinco se arrasta junto à máquina do café. Cada um dos pacientes impacientes tenta refugiar-se à sua maneira dos seus instintos, relendo pela décima vez a mil vezes mais que folheada revista “pais e filhos” de Fevereiro de 2003, abrindo o portátil para fazer palavras cruzadas no Word, tentando ler os lábios ou talvez despindo com os olhos a apresentadora muda das notícias, esticando as pernas pelos corredores, ou simplesmente, como eu, observando todos os detalhes da cena, ocasionalmente reparando nos minutos do relógio da parede. Tenho que me perder pela descrição da insuportável petiz, um paralelepípedo de carne que sai à mãe, untuosamente falando, mas bonitinha, como são todas as crias até dos répteis mais fossilizados. Tem o cabelinho cortado à tigela de corn-flakes, milimétricamente preto, da cor dos seus olhitos de azeitona de lata do Lidl, com os pulsitos e os tornozelozitos excessivamente revestidos duma generosa tez branca. Resumindo, um autêntico saquinho de batatas com a respectiva matéria adiposa espalhada uniformemente por todo o mal locomovido corpo. Nada disto impede a petiz de parecer o ser humano mais leve do mundo, de transpirar aquele felicidade própria da inconsciência infantil, no caso, inconsciência do seu estado volumétrico, inconsciência própria de quem se está realmente marimbando para tudo, de quem não adquiriu a capacidade de comparar e reparar nas diferenças, de quem ainda vive essa suprema exaltação da irresponsabilidade e da alegria que nostalgicamente invejamos, que inevitavelmente todos vamos perdendo com o progredir dos anos.
Surgem então lá ao fundo as inseparáveis meias pretas dos habituais saltos altos. A ausência da bata branca do costume revela uma sempre atraente médica alergologista, acrescida do bom gosto com que se veste na vida civil. Uma fugaz aparição porque a sua passagem é muito rápida, quase despercebida a quem agora pergunta se era a doutora que tinha ido ás compras ao centro comercial. Respondo que sim, eu que fui brindado com aquela visão, que mais uma horinha, porque daquela gente só estava à frente da mãezinha do saquinho de batatinhas, e estaria a actualizar o meu estado clínico a um curvilíneo mas muito profissional monte de rímel.
Viajo agora até ao futuro, não sei porquê, o que terá acontecido, mas estou agora num sítio igualzinho, mas sem criancinhas insuportáveis, acompanhado no entanto pelos mesmos desconhecidos companheiros de espera. Reparo que a criancinha está agora 30 anos mais velha, já não parece o saquinho que parecia, parece antes um pote gigante que lê a revista Maria que traz na capa uma figura do jet set acabadinha de fazer uma operação plástica. A senhora atende agora o telemóvel e nessa altura reforça, eu diria que, não há outro termo mais indicado, o trombil, supondo eu que só poderá estar a falar com o marido que trabalha por turnos, ouve-se a conversa, todos ouvem, espera há muito que lhe aqueçam o jantar. Há inúteis assim, que nem são capazes de aquecer os restos da janta de ante-ontem a jazer no frigorífico. Nada mais oportuno para realçar o semblante fucinheiro da senhora, por arrasto, todo o seu corpo desprovido de sentido estético, toda a sua adiposa frustração. Vinda da casa de banho, que é já ali ao lado, surge novamente o saquinho, saltitante, alegremente desafiando as leis da gravidade, repondo as leis do tempo. Não tinha viajado até ao futuro, quanto muito até outra cadeira com melhor perspectiva. Afinal, o pote que julgava eu ser a criancinha adulta, era a mãe da criancinha que entretanto aflita de qualquer um ou do outro órgão interno que lhe teria causado aperto, e já com autonomia suficiente para se ir aliviar sozinha, deixara o amparo maternal por breves instantes, parecendo a todos os presentes, inclusive a mim, que durante aqueles silenciosos momentos, teriamos sido transportados para um outro local incomparavelmente mais nirvanico.
Como é obvio, seguiram-se mais alguns minutos de agonia, até ser chamado pela funcionária que se presta àquelas coisas, para me deslocar para uma ante-camâra onde seria pessoalmente chamado pela simétrica doutora. E fui, qual momento mágico, aliviante, lá fui ouvido e oscultado com quase toda a atenção, lá fui medicado, remetido para mais exames enquanto abotoava a camisa, lá reparei na maneira peculiar como ela agarra na esferográfica, lá reparei no seu bem cuidado cabelo, na capacidade que alguém pode ter sobre o outro de o fazer alhear, esquecer de tudo menos de reparar em tudo. E lá me despeço com a cordialidade do costume, nem um sinal sequer de desagrado pela longa espera, veja-se a capacidade daquela pessoa, do seu efeito nada alérgico. Saio e esbarro com a criancinha, o entretanto justamente esquecido saquinho de batatas que estava agora muito mais calmo que há pouco. Tal sossego, talvez porque a mãe pusera a Maria de parte, pensei, enquanto caminhava na direcção da farmácia mais próxima, ficando no entanto longos segundos parado antes de virar a esquina do corredor, reparando na mãe e na filha, naquele contraste de pesos, que a pouco e pouco se iria desvanecer.
Deveria ser Lei: as criancinhas obesas deveriam ser sujeitas a dieta, desde pequeninas, sujeitas à prática regular de desporto. Por uma questão de prevenção de eventuais anomalias na sua auto-estima. Só por falta dela, muito provavelmente, alguém lê a Maria.

jorge b @ 10:53 AM | Obs (2)
quarta-feira, 7 de julho, 2004

O Jorge é que saberá ... | espécie: portugal

Agora que metade do país parece curado da crise de cotovelo originada pela saída de Durão Barroso do governo (um autêntico milagre, a resposta ás preces de milhões de portugueses) para Bruxelas (reside aqui o problema, é que o paiszinho gostava de o ver sair de monco caído e nunca de forma triunfal, ainda que isso seja prestigiante para o país, ter um pau mandado de Bush a mexer cordelinhos na Europa), as atenções viram-se para o dramático dilema presidencial, o sim ou não a eleições inesperadas.
Espero que Jorge Sampaio saiba gerir bem esta incómoda fase de protagonismo, que não se meta em aventuras, e, por apenas duas razões, não convoque eleições antecipadas como é o desejo do pessoal bandeirinha.
As razões, a subjectiva:
Podia-se resumir a uma só frase bem portuguesa: “Para quê eleições, se a merda é a mesma!?” Para quê eleições, se seriam mais uma vez, dado o actual e eterno estado pantanoso da política, de “venha o Diabo e escolha” ? Existem realmente alternativas ? O gozo de passarem a haver mais um ou dois deputados do bloco de esquerda no parlamento não justifica eleições. Teríamos os boys do PS no governo, gentinha que apenas por acaso lambeu botas diferentes, na essência, não muito diferente da que por lá está actualmente. Depois, o altamente caricaturável Santana já veio sossegar a nação, jurando continuar com a mesma política (aquela mesma nação que durante estes dois anos estava contra a política do governo!).
A objectiva:
Historicamente, os 2/3 primeiros anos de governo são os mais austeros ao nível de regalias para as massas trabalhadoras, classe média por arrasto. Só mesmo à beira de eleições, os governos são mais generosos e corta-fitas. Ora, esses anos de penúria já passaram felizmente, estávamos precisamente a entrar nos anos desejados, com eleições daqui a dois, com a retoma anunciada, já se cheiravam uns aumentozinhos na função pública em 2005. No ano seguinte, ano de eleições, não me admirava que houvessem aumentos generalizados e actualizações salariais para recompensar o esforço dos portugueses nos passados anos de crise, glorificar a recuperação económica patrocinada pelo partido do governo. Com eleições inesperadas e um novo governo, com eleições à séria só para daqui a 4, seriam seguramente mais dois anos em que teríamos o habitual discurso miserabilista, teríamos mais dois anos pela frente de crise originada pela política do governo anterior, pela subida do preço do petróleo, pela instabilidade internacional, as razões do costume, nunca as verdadeiras razões.
Santana, remodela lá o governo e aproveita para te remodelares também um bocadinho. A gente aguenta bem dois anos.

jorge b @ 06:56 AM | Obs (1)
segunda-feira, 5 de julho, 2004

Game over ... | espécie: bola

"Hey now, hey now, don't dream, it's over.",
in musica esta manhã na TSF.

jorge b @ 09:26 AM | Obs (0)

Euro dois mil e quatro ... | espécie: bola

Volto ao blogue. A neura da derrota justifica-o. Foi a vitória do futebol defensivo, do anti-futebol. Soluções para o problema ? Aponto desde já quatro: abolir os fora de jogo, aumentar o tamanho da baliza (principalmente a adversária), colocar oftalmologistas nos staffs das selecções e despedir Scolari. O selecionador não sai isento de culpas desta escandalosa derrota. A começar pela teimosia Pauleta, a terminar pelas substituições que se em jogos anteriores tinham resultado por feliz acaso, neste ultimo foram desastrosas e só por feliz milagre resultariam. Depois, jogar todo o campeonato só com um ponta de lança ainda se justificava, agora, jogar contra os gregos (não sei se estão a ver bem, mas os gajos eram os gregos!) com Postiga no banco foi de uma incompetência doida.
Afinal, Portugal voltou a ser igual a si próprio, voltamos a perder com os mais fracos, a ganhar aos mais fortes.
Deixo aqui escarrapachadas as minhas sensações sobre as principais personagens. Acreditem que mesmo que ganhássemos, seriam exactamente as mesmas.
Ricardo – Não tem o carisma necessário para ser guarda-redes da selecção. Não transmite a segurança que uma equipa precisa de sentir lá atrás. Esteve mal nos golos que sofreu (à excepção do chapéu do inglês) e muito mal no golo grego. É preferível um guarda-redes frangueiro mas com carisma (Oliver Khan, por exemplo) que um sem carisma e que ande a apanhar bonés. Uma constante dor de cabaça para a defesa.
Jorge Andrade – Um dos melhores centrais do mundo. Sempre muito concentrado, o defesa que qualquer guarda-redes sonha ter.
Ricardo Carvalho – Tem lugar na equipa do Porto, ou seja, em qualquer selecção do mundo.
Nuno Valente – Um dos três melhores jogadores portugueses da actualidade.
Miguel – Muito regular, excelente a atacar e a defender, não resistirá muito tempo no Benfica.
Maniche – Apesar dos golos vistosos e decisivos que marcou, não gosto do estilo.
Costinha – Discreto, extremamente eficiente mas nunca de indiscutível titularidade.
Rui Costa – Talvez o melhor jogador português neste campeonato. Começou desastradamente mas nos jogos seguintes demonstrou ser o jogador mais inteligente, com melhor leitura de jogo, precisão no passe e no remate. Joga com classe, coisa que faz muita falta.
Figo – Uma agradável surpresa. Se tivesse brilhado neste ultimo jogo, não duvido que destronaria Eusébio do trono de melhor jogador português de sempre. Falhou. Apesar de casado com uma das mulheres mais bonitas que qualquer um de nós podia apontar, apesar de milionário, há algo de perdedor em Figo e que se revela em determinados momentos… cruciais.
Nuno Gomes – Só precisa de oportunidades mas também é bom a cria-las. É um ponta de lança de eleição, inteligente, rápido, uma oportunidade perdida neste europeu.
Simão – Podia e devia ter sido mais utilizado, principalmente nas segundas partes. Rápido e imaginativo, teria sido uma dor de cabeça para os defesas cansados das equipas adversárias. Outra grande oportunidade perdida.
Cristiano Ronaldo – Ainda se agarra muito á bola, ainda se perde em fintas giras, em toques de artista de circo, mas com o tempo isso passará. Tem potencial para ser um excelente jogador, mas alguma falta de velocidade e cabecinha nunca farão dele um sucessor de Figo.
Deco – A grande desilusão. Muito frágil e lento, não houve jogo em que Deco não merecesse ter sido bem substituído. Mas, escandalosamente, nunca foi.
Nossa Senhora do Caralhágio – A fé do mister Scolari em algo mais do que os seus próprios jogadores só podia ter um efeito negativo nestes ultímos. A juntar a isto, a publicidade de outros tipos de superstições estúpidas (a toalha branca de Eusébio, o presidente da federação não assistir ao jogos, por exemplo), só podem trazer maus resultados. E a verdade é que não vi a Nossa Senhora do Caralhágio dar um toque sequer na bola.
Nossa Senhora de Fátima – Mais uma que nunca vi marcar um golo. Apesar de ser mais que certo que esta gaja não perceberá nada de futebol, ela anda sempre na baila. Levaram-na inclusive para o balneário, onde alegadamente terá estado nas mãos de Figo. Depois deste Euro, só por puro masoquismo alguém pode continuar a apostar nela.

jorge b @ 02:16 AM | Obs (2)
quinta-feira, 17 de junho, 2004

Toda a gente gostava que a sua vida nunca mais fosse a mesma ... | espécie: extracções

Uma vez escrevi num fórum, que se por acaso algum dos autores ou autoras dos meus blogues favoritos deixasse subitamente de escrever sem aparente razão, isso só poderia significar que algo de bom demais lhe teria acontecido, suficientemente inesperado e delicioso para sequer perder tempo com desculpas ou explicações a eventuais leitores seguidores que qualquer blogger que se preze julga ter. Ficaria portanto eu, como leitor, com saudades, mas feliz por constatar que o combustível que lhe alimentava o ‘gosto’ por escrever altruisticamente, se tinha esgotado. Ou seja, que o desânimo, o desalento, a frustração, a desmotivação, o aborrecimento com alguma coisa da vida real, momentânea ou definitivamente tinham acabado. E portanto, quando acabam tais carburantes, o que mais pode levar um gajo a escrever num blogue ? Por exemplo, um gajo que ande passado, com uma gaja enfiada na cabeça e vice-versa, lá tem o mínimo de pachorra para escrever?... E logo num blogue? Tenham paciência, mas o blogue que vá ás urtigas, e com ele o contador de acessos e os comentários, pelo menos durante uns tempos, até a gaja começar a variar ou com coisas. Pensem bem, um gajo quando está mesmo a curtir (i.e., a viver intensamente determinado momento ao ponto de perder a noção do espaço e do tempo e do resto, principalmente), está cá preocupado em lembrar-se dos pormenores para depois os contar barra escrever mais ou menos lieterária e romanceadamente num blogue? Se o tivesse, estaria já a suicidar 90% da curte. O blogue será bom para a pós ressaca sentimentalona ou para momentary lapses of fun.
Mas ao contrário do que se possa pensar, nem eu nem Freud resumimos tudo à libido. Também para o barbas, o trabalho tinha uma importância primordial na realização e bem-estar psíquico do indivíduo. Ora, esta minha ausência não programada do meu querido blogue, deveu-se e receio que continue a dever-se, a uma alteração na minha vida profissional e não a qualquer delírio emocional ou queda anormal de cabelo. O ofício é o mesmo, mas mudou o local, tarefas e principalmente, um benvindo acréscimo no ordenadinho. Coisas suficientes para alterarem completamente a minha rotina, por exemplo, deixei de fazer os meus terapêuticos passeios diários de metro ao principio da manhã e ao fim da tarde, deixei a sobremesa de arroz doce, o arroto a imperial ao fim de tarde, e esqueci-me da password de acesso ao MT da weblog.com.pt (situação resolvida hoje através do método de hipnose com regressão a vidas passadas: encarnei um vidente do século XII que preveria o meu nascimento, o meu primeiro ataque de urticária, que password usaria para entrar no meu blogue e quantas sardinhas assadas comeria na noite de Santo António no ano de 2198). E a verdade é que, por estes dias, tenho-me sentido estranhamente motivado para o trabalho, uma sensação esquisita que há vários anos não sentia, que talvez nunca tenha sentido, esta euforia, ainda em fase de testes.

jorge b @ 01:09 AM | Obs (3)
segunda-feira, 7 de junho, 2004

Rear view ... | espécie: algures

foto & spfx:jorge b

jorge b @ 09:41 AM | Obs (1)
sexta-feira, 4 de junho, 2004

Sacrifício pela pátria ... | espécie: revisões da matéria

Depois duma complicada operação plástica, o povo adora agora a ministra das finanças!As mulheres com carências afectivas, por mais intelectualmente arejadas que sejam, tendem a, entre outras coisas, tornar tudo mais difícil, a transformar o simples em complicado. Será talvez no trabalho, na convivência diária e burocrática com os colegas, onde serão mais notórias tais carências... Se forem meras executantes subalternas, muitas delas tornam-se alvos predilectos da intolerância e chacota das outras, supostamente de papo-cheio porque casadas mas, por vezes, não menos frustradas. Se de alguma maneira puderem exercer o poder, tendem a ficar não menos neuróticas, entrando algumas delas numa espiral obsessiva de trabalho, de constantes inconstantes exigências para cima de quem tem que as aturar a soldo. A carência afectiva leva-as a ficarem mesquinhas, a quererem ter sempre razão em coisas para as quais não vale a pena ter razão. Arrancar duma mulher destas uma confissão do género “epá preciso mesmo dum gajo!” é uma tarefa que acarretará milhares e milhares de horas de terapia.
Nos homens, pelo contrário, a carência afectiva, a falta de gaja, leva-os a simplificar, a pensar que não há nada que uma gaja boa bem aviada não resolva, que mais tarde ou mais cedo, inexplicavelmente, alguém não muito parecida mas com as medidas exactas da Marisa Cruz, se sentirá atraída pela maneira como ele leva a caneca á boca e achará piada aos seus sapatos mal engraxados. Enquanto dura a mingua, reconhecem sem rodeios a sua lacuna, pensam que todo o sentido da vida se resume a comer gajas, confessam-no sem problema, mais imperial menos imperial. Ciciolina, ciente da importância que uma gaja boa pode ter na psique masculina, fez uma tentativa desesperada de salvar milhares de vidas, aquando da invasão do Iraque, tendo-se oferecido a Saddam, qual chupeta para o bebé chorão, se o gajo promete-se deixar de se armar em parvo. Hoje deve estar mais que arrependida, a velha toupeira de Bagdad. Cicciolina podia ser uma grande vacalhona, mas era loira®, era a Cicciolina®, um curvilíneo, reputado e experiente remédio santo para qualquer carência afectiva, capaz de pôr qualquer ditador islâmico de meia tijela e bigodes, a cooperar de boa vontade com a ONU. Não só a teria comido, como poderia exibir na parte de traz do carro oficial um autocolante a dizer “Eu comi a Cicciolina®!”, como ainda estaria no poder pelo menos durante mais algum tempo. Um paliativo é certo, mas o homem é um animal sem cura, onde, ao contrário da mulher, a carência afectiva é um estado eterno, permanente, característica de um ser débil sempre necessitado dos cuidados intensivos dessa incubadora que é o amor, ou pelo menos o afecto, ou pelo menos a atenção, ou pelo menos o corpo duma mulher, pelo menos.
No entender do povo, a nossa actual ministra das Finanças, talvez pela maneira tirânica como (mal) trata o pequeno e médio contribuinte, é uma mulher carente, com inconfessável falta de homem (vide post anterior) e de uma vassoura e avental, acrescento eu. Acredito perfeitamente que se ocorresse nela, tal como pode acontecer a todos, uma inesperada revolução sentimental, daquelas que toda a vida muitos perseguem e jamais experimentam na sua plenitude, desempenharia melhor a função de Estado que lhe foi confiada, i.e. haveria mais respeito e investimento público, nas coisas e nas pessoas.
O povo tem suportado mal o seu azedume e a continuar a actual política financeira do Estado, se não surgem depressa sinais da retoma ou da vida amorosa da ministra (uma fotos escaldantes na ‘Caras’ ajudariam a apaziguar os ânimos) não será de admirar que se gere em Portugal uma enorme onda de solidariedade, à boa maneira portuguesa, com cheirinho a ‘Ídolos’: arranjar-lhe um gajo, em nome da boa governação e da saúde mental da nação, um Cicciolino, que faria esse sacrifício pela pátria.

jorge b @ 10:48 AM | Obs (0)
quinta-feira, 3 de junho, 2004

Não é preciso ser-se um Freud ... | espécie: algures

Vendedora Zulmira – Fora com ela! Aquela cara-de-pau da primeira–ministra, aquela Leite, fora com ela. Ela precisa é de homem. A ver se a casam.
Outra vendedora – Ai que eu tenho que explodir. Fora com a papona.
Zulmira – Assanha-te, filha, assanha-te!
Diálogo entre vendedoras, ontem, durante a campanha eleitoral do PS, inDiário de Notícias”.

jorge b @ 10:26 AM | Obs (0)
quarta-feira, 2 de junho, 2004

Shortcut ... | espécie: algures

18:45: Estou há 20 minutos ao balcão duma clinica médica, à espera de ser atendido, de me ser prestada atenção. Repare-se que não espero há meia hora ou muito menos uma hora. Eu não costumo exagerar nas coisas, tempos de espera, medidas, proezas minhas. Abro excepção para as percentagens. É mais forte do que eu, 90% das vezes exagero. Mas estes precisos 20 minutos julgo que ilustram bem o desespero de alguém que espera e se coça. E comigo estão mais algumas pessoas, à minha frente mas ao meu lado. A funcionária, sentada do outro, decote generoso, único pormenor de relevo, que ainda assim alivia penosa espera, está a dar prioridade ao telefone. Por cima, uma raridade com botões salientes, uma televisão a preto e branco muda. Estou quase a ficar sem paciência e sem bateria. Quando despacha uma chamada, na sua maioria chamadas para marcar ou desistir de consultas, parece-me, logo de imediato o telefone volta a tocar, e a funcionária pára tudo, os carimbos, para o atender. Farto de esperar, resolvo pegar no telemóvel que ainda sobrevive, e ligo para a clínica. É ela quem me atende, a funcionária do decote, logo após ter terminado a chamada anterior. Estou ao fundo da sala de longa espera e pergunto-lhe se o doutor está, ‘está sim’, se me pode fazer hoje o teste de alergia, ‘só um momento’, e vejo-a ausentar-se perante a cada vez maior i